Recovery
15 Make Her Happy
Notas iniciais
Elena se jogou na cama e colocou os fones no ouvido. Clicou no celular e respirou fundo, enquanto uma melodia suave e ritmada adentrava em seus ouvidos. Fechou os olhos, à medida que a sonoridade das notas, singelamente tocadas, invadia seu ser. Não pôde evitar lembrar dele. Do homem que sempre fora a causa de seus sonhos mais loucos, de seus desejos mais profundos... Aquele que amava a outra mulher.
Arfou e virou-se na cama, sentindo-se indisposta. Precisava esquecer Damon Salvatore, mas tal missão parecia cada vez mais impossível. Estava agarrada a ele, seu coração o pertencia e aquele sentimento pleno de amor dominava-a um pouco mais a cada dia. Como poderia esquecê-lo? Muitos agiam como se fosse algo simples ou fácil; contudo, para ela, tal missão era algo impossível de ser realizado.
Novamente, ela estava ali, o observando. Os cabelos negros brilhavam sob a luz do holofote, enquanto os dedos pálidos e longos dedilhavam as teclas brancas e pretas de forma rápida e veloz.
Aquele tão famoso sentimento tomou-a sorrateiramente. Pôde sentir seu coração acelerar, enquanto seus olhos prendiam-se ainda mais a ele, aos seus movimentos. O observava com fascínio, os olhos castanhos cintilavam enquanto um sorriso apaixonado fazia-se notar em seus lábios.
Estava presa a um mundo completamente novo, no qual só os dois existiam. Não soube dizer ao certo quando começou a se apaixonar por ele. Mas aquele sentimento estava começando a tomar conta de seu ser, criando na morena uma chama que parecia não cessar.
Subitamente, o som parou, fazendo a morena ser arrancada de seus pensamentos. Ela suspirou e mordeu o lábio inferior, enquanto Damon retirava-se rapidamente do palco.
A morena ficou encarando a encenação a sua frente sem saber ao certo quanto tempo havia passado, até que todas as luzes apagaram-se e ela ouviu uma alta salva de palmas. Elena respirou fundo e levantou-se, pegando as suas coisas e subindo a grande rampa do teatro.
— Elena — a garota reconheceria aquela voz de qualquer lugar. Era ele. Virou-se, incerta, e questionou, tímida:
— Sim?
— Er... Você deixou isso lá embaixo — Damon disse entregando a morena um de seus livros prediletos, Romeu e Julieta. A garota o encarou por alguns instantes e depois sorriu.
— Muito obrigada por trazê-lo — agradeceu. Ele assentiu e disse, enquanto passava as mãos pelos cabelos:
— Eu te levo até a portaria — disse, educadamente. A morena quis contestá-lo, mas nenhuma vogal sequer saiu de sua boca. Eles andaram para fora em silêncio, enquanto Damon a observava de soslaio. Ainda tinha a esperança de que entenderia o comportamento de Elena; mas sempre que tentava, o rapaz acabava falhando.
— Você toca muito bem — a morena comentou timidamente, fazendo dar o sorriso mais lindo que ela havia visto em toda sua vida. Seu coração desenfreou novamente e a jovem não soube o que fazer.
— Obrigado — ele agradeceu, tímido. O rapaz parou quando deu de cara com o grande portão da escola e disse, suavemente: — Boa noite, Elena — ouvir o seu nome sair com tamanho carinho dos lábios dele foi como provar de um pedaço do paraíso.
— Boa noite, Damon — a jovem disse meio abobalhada. Ele sorriu para ela, e hesitando, aproximou-se. A morena sorriu e afastou-se dele, que a observou partindo...
As lembranças de Elena foram interrompidas pelo som da campainha tocando. Respirou fundo e levantou da cama, foi para sala e abriu a porta. Todo seu corpo reagiu ao vê-lo bem na sua frente, e ela sequer conseguiu respirar. Ao olhar nos olhos azuis e límpidos de Damon, foi como se todo o mundo a sua volta tivesse deixado de existir.
— Nós precisamos conversar — ele disse seriamente. Elena respirou fundo algumas vezes e disse, a contragosto:
— Não há nada para conversarmos, Damon... Agora, por favor, vá embora — implorou. Estar tão perto dele certamente a tiraria a sanidade. Ao ouvir tais palavras, o Salvatore deu-se conta de que precisaria de artilharia pesada caso quisesse que a morena o ouvisse. Sem sequer pensar, puxou-a para um beijo.
Elena sentiu o seu coração acelerar vertiginosamente quando seus lábios tocaram os dele. Era como se um amor tangível e palpável tomasse conta de seu ser com ele por perto. Suas mãos se embrenharam pelos cabelos dele enquanto os toques tornavam-se urgentes. Apenas queria mais... Mais dele, daqueles lábios que em breve a tirariam do sério. Todo seu corpo estremecia sob os toques quentes de Damon, que deixavam um rastro de calor por onde quer que passassem.
Ele deu diversos selinhos na morena, que sentia que podia chorar de tanta felicidade. Elena permaneceu de olhos fechados por alguns instantes. Por segundos, temeu que o que acabara de acontecer tivesse sido um sonho, e ela não estava nem um pouco disposta a acordar do mesmo.
— Eu... Eu não consigo te tirar da cabeça, Elena Gilbert — Damon sussurrou, ofegante. — Não consigo te esquecer nem por um segundo... Eu só quero tentar, por favor... Deixe-me tentar te fazer feliz — ele pediu, enquanto sua mão acariciava as costas da morena. Elena ponderou por alguns instantes. O que diria a ele? Queria tanto ser feliz, e sabia, sentia, que só conseguiria isso com Damon ao seu lado. Respirou fundo e afagou o rosto dele com carinho, fazendo-o se aproximar do toque. Selou seus lábios nos do rapaz, sentindo todo seu corpo exigir por mais.
Separou-se dele, e sorriu, boba. Há quanto tempo já não sonhara com aquilo? Não sonhara em tê-lo, tocá-lo? Aquilo parecia bom demais para ser real, mas se fosse um sonho, Elena definitivamente não queria acordar.
— Eu vou te fazer muito feliz, Elena Gilbert — ele sussurrou contra o ouvido dela, como se fosse uma promessa. Algo que ele estava realmente muito disposto a cumprir. Apenas queria fazê-la feliz, e conseguiria. Era seu mais novo dever. Pois ser feliz apenas não o bastava, ele queria proporcionar à Elena a felicidade que ele sabia que a morena merecia. Apenas queria ver aquele sorriso dócil que surgia no rosto dela, queria observar os olhos dela brilhando de contentamento... Era aquilo que ele ansiava, acima de qualquer outra coisa. Ele queria fazê-la feliz.
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