Recovery
14 Let Her Go
Notas iniciais
Os dias correram rapidamente desde a última vez que Elena ficara frente a frente com o único homem que amara. Entretanto, correram tão lentamente quanto a gota da chuva que a morena agora observava deslizar pela janela do trem – tão longos foram aqueles dias, tão nostálgicos e cheios de um vazio sem igual que ela desejou, várias vezes, não ter tomado uma decisão tão rígida quanto aquela que tomara, semanas atrás.
Damon a ligou diversas vezes nas primeiras semanas, para seu completo desespero – alguns dias ligava tantas vezes que ela se via obrigada a desligar seu celular para evitar que as lágrimas descessem por seus olhos. Mas, nos últimos dias, ele parara de ligar. Elena não sabia se aquele fato era bom ou ruim, afinal, mesmo que tudo dentro dela se quebrasse a cada ligação, no fundo de si mesma ela sabia que cada ligação significava que ele se importava. Se importava com ela, com a situação, com eles.
Então agora que ele parara de ligar, o que isso significava?
Estaria Damon em algum beco escuro se drogando naquele momento?
Elena balançou a cabeça negativamente diante da própria estupidez. Damon jamais se drogaria por ela. O moreno nunca a amou e nunca a amaria, não fora por esse motivo que ela o mandou sair de seu consultório semanas antes? Sim. Então por que ela ainda continuava pensando nele em cada momento de seu dia?
Elena havia se encontrado com Lucas duas vezes desde que o conheceu no Susie's Bar. A primeira vez fora coincidência, mas a segunda fora decorrentes de uma bela tarde ensolarada que passaram juntos e ambos os encontros a morena se esforçou ao máximo para não pensar em Damon Salvatore nenhuma vez e, em alguns momentos, ela realmente conseguira.
O sorriso escapou antes que Elena conseguisse conter. Lá estava o belo loiro de olhos azuis lhe contando mais uma história sobre sua faculdade e lá estava ela rindo de seu modo divertido de falar. Ele possuía um charme irresistível, um sotaque engraçado numa mistura estranha de canadense com inglês e belas histórias para contar.
— … e então eu a dispensei. Não consigo ficar perto de mulheres assim tão fúteis e, para meu azar, pareço estar rodeado delas. — ela concordou, balançando a cabeça minimamente e o fazendo rir. Elena era tão sincera e aquilo realmente estava agradando Lucas. — Então, quando encontro uma raridade, não consigo evitar ficar encantado com ela. — sua mão deslizou do copo para a mão da morena, depositada delicadamente sobre a mesa.
Elena soltou um sorriso. Ele era tão encantador, tão romântico, com atitudes tão meigas e admiráveis e seus olhos azuis elétricos a prendiam com uma facilidade tão grande que ela se perguntava por que diabos não o havia conhecido antes – e, consequentemente, não havia se apaixonado por ele antes do moreno de olhos azuis.
Seus cabelos castanhos voavam e seus olhos marejaram ao perceber que novamente estava pensando em Damon. Seus olhos azuis não a deixaram naquele dia e seu sorriso sedutor não fora apagado de sua memória e ela odiou-se por estar num encontro com Lucas enquanto sua mente e seu coração estavam completamente ligados a Damon. Estaria ela fazendo o certo?
— Obrigada pelo elogio, Lucas. — disse sinceramente, depois de fechar os olhos com força. — Eu estou feliz por ser uma raridade. — ela não tirara a mão debaixo da dele, mas também não emitira nenhuma atitude diante de seu ato. Elena simplesmente não sabia o que fazer naquele momento e desejou estar em casa, com Rebekah.
Como se lesse seus pensamentos, Lucas tomara uma atitude totalmente inesperada. Mordeu o lábio inferior rapidamente, pensando e fazendo uma leitura silenciosa sobre Elena e seu comportamento estranho até que enfim ele chegou ao resultado: ela estava apaixonada e ele não era o sortudo.
Então, numa atitude ousada, ele puxara seu rosto para seu colo e a deixou ali, enquanto corria os dedos por seus fios lisos. Elena se assustou e, quando ia levantar dali, foi impedida pela profundidade de suas palavras:
— Quando amamos alguém, nada mais importa se pudermos ficar com essa pessoa. Mas, se ficar com ela signifique que temos que sofrer, então talvez devemos deixá-la ir. — ele murmurou, enquanto seus dedos corriam da bochecha para os cabelos dela.
Elena quis chorar. Quis correr e se esconder debaixo de seu cobertor. Quis levantar e abraçar Lucas. Quis mil e uma coisas, mas o que fez foi somente suspirar e fechar os olhos, enquanto o loiro cantarolava uma canção que ela desconhecia.
…
Damon se jogou na cama. Tudo o que ele queria naquele momento era dormir e esquecer tudo ao redor, mas ele estava em uma crise terrível de insônia o que deixava seu humor completamente azedo até mesmo para Stefan, que havia deixado-o falando sozinho na noite passada, saindo para um local que Damon não entendera onde exatamente era.
Ele estava afastando seu próprio irmão.
Fechou os olhos, sentindo uma onda de raiva se correr por todo o seu corpo. Se ele não fosse tão idiota talvez não tivesse expulsado seu irmão de sua casa sem perceber, se não fosse tão estúpido não machucaria tanto Elena ao ponto de perdê-la. Se... se... se... eram tantas possibilidades que sua cabeça doera, o fazendo levar as duas mãos até a têmpora e a apertarem com força, quase ao ponto de machucar.
Ele queria sumir, ou pelo menos queria que aquela dor e vazio sumissem. Sabia que não conseguiria nada deitado numa cama se lamentando de suas atitudes, mas não sabia mais o que fazer de sua vida.
— Oh droga! — lamentou, abrindo os olhos. Realmente ele estava se sentindo um inutil naqueles dias, caminhando pelo apartamento enquanto sua mente o torturava com imagens de uma Elena completamente quebrada e sendo grosseiro com seu irmão.
Damon nunca havia se sentido tão vazio quanto naquele momento – nem quando April morrera, alguns meses antes, o que era bastante misterioso por si só. Ele pensava que perder April havia sido a coisa mais dolorosa que havia acontecido em sua vida, mas olhar nos olhos de Elena enquanto ela o expulsava de seu consultório – e de sua vida, vale ressaltar – conseguia doer ainda mais.
Uma lágrima solitária preencheu seu rosto. Algo estava errado, mas ele sinceramente não sabia o que era, afinal tinha certeza de que conseguiria amar Elena e queria desesperadamente que ela acreditasse nisso, mas não conseguia sequer falar com ela. Ela não atendia seus telefonemas, o que o deixava frustrado e irritado.
Ele entendia sua situação, entendia que já havia machucado demais seu coração tão meigo e também entendia que a morena poderia sim perder sua licença caso alguém soubesse do beijo que eles deram naquele dia, mas Damon já conseguia sentir uma chama dentro de si, uma chama incontrolável que simplesmente não o deixava em paz desde que ele saiu daquele consultório. Aquela chama o mantinha acordado em suas noites de insônia, aquela chama o frustrava toda vez que Elena rejeitava suas ligações e, principalmente, aquela chama conseguia manter uma esperança nele.
E foi então que ele descobriu... com um sorriso no rosto e algumas lágrimas nostálgicas ele soube. Pulou da cama no mesmo momento em que a verdade caiu sobre seu corpo e caminhou pelo apartamento até o banheiro.
Enquanto a água morna caía sobre seu corpo, ele sorria. Afinal a verdade já estava tão evidente e ele fora um cego em não notar, a única verdade: ele já estava amando Elena Gilbert desde o primeiro olhar, só não havia notado antes.
Damon saiu de sua casa momentos depois, pegando suas chaves e as rodando em seu dedo. Desceu as escadas até onde sua moto estava estacionada e subiu na mesma, ligando-a logo após. Já sabia o destino e não pararia em nenhum momento para olhar para trás, não hesitaria nem que um raio caísse em seu corpo. E, enquanto ele parava na frente do cemitério, um trecho da canção favorita de April lhe veio à mente e ele sorriu sabendo que, em algum lugar, April estava aprovando sua decisão.
Aquela era a hora de deixá-la ir.
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