Recovery
13 Her Eyes
Notas iniciais
Elena sentiu seu coração acelerar quando os seus lábios tocaram os de Damon. A chuva caía sobre ambos incessantemente, enquanto os corpos uniam-se. A morena sentia como se o mundo a sua volta houvesse parado, e era incapaz de raciocinar decentemente. Cada terminação elétrica de seu corpo explodia, enquanto o beijo tornava-se suave, carinhoso.
Havia sonhado com aquilo durante tanto tempo... E ainda assim, nem seu mais louco sonho chegava aos pés daquela tão deliciosa realidade. A chuva ainda caía, enquanto os corpos quentes colavam-se. Suas mãos embrenharam-se nos cabelos de Damon, enquanto ela se sentia tomada por uma sensação que era incapaz de descrever. O amor que sentia por ele acabara de tomar proporções ainda mais astronômicas.
O gosto dos lábios dele era agridoce; e a garota sentia que não podia estar mais feliz do que naquele momento. Sentiu o oxigênio a sua volta ficar rarefeito e afastou-se de Damon, ainda sorrindo. Tocou, inconscientemente, os próprios lábios. Fechando os olhos.
Só então, naquele momento, que a morena se deu conta do que acabara de fazer. Afastou-se dele, atordoada. Não acreditou que realmente havia o beijado. Ela não podia ter feito aquilo, simplesmente não podia! Pousou uma mão sobre a boca, com os olhos arregalados, e disse, encarando um Damon que a olhava atordoado:
— E-Eu preciso ir — disse arfando. O rapaz olhou-a confuso e, sem saber o que fazer, analisou-a. Elena segurou a bolsa com força e saiu correndo. Damon piscou algumas vezes e gritou:
— Elena, espere! — Correu atrás dela; porém, Elena continuou a andar apressadamente, atravessando a rua sem sequer olhar para os lados. Bufou, irritado e deixou-a ir.
Não demorou para que Elena chegasse em seu apartamento, completamente molhada. A morena tomou um banho quente, em uma tentativa de não ficar gripada, e dirigiu-se ao seu quarto. Elena deitou-se na cama e encolheu-se um pouco sob os grossos cobertores.
Fechou os olhos; porém, os olhos azuis assombraram-na. Mordeu o lábio inferior e respirou fundo. Aquilo não podia ter acontecido! Ela não podia tê-lo beijado! Era completamente errado e antiético. Como ela pôde se deixar levar por seu desejo crescente? Arfou. Ela não poderia mais encontrá-lo. Essa era a verdade. Depois do que acontecera, Elena teria que ficar o mais longe possível de Damon.
Na verdade, ela já devia ter feito aquilo há muito tempo; contudo, nunca tivera a coragem necessária para afastar-se dele. Ela havia se alimentando com a falsa esperança de que um dia ele pudesse amá-la. Soluçou. Elena se sentia a pessoa mais tola do Universo! No fundo, ela sempre soube que Damon seria incapaz de amar outra pessoa, e isso doía-lhe de uma maneira que ela era incapaz de descrever. Era como se seu corpo estivesse sendo triturado, e ela mal conseguia respirar.
Ele nunca sentiria nem um quarto do que ela sentia por ele. Ele jamais seria capaz de amá-la da mesma forma como ela o amava. E Elena percebeu que precisava aceitar isso. Ela precisava deixá-lo ir. Estava farta de estar tão próxima, e ainda assim tão distante dele. Lembrou, suspirando, de quando contou a sua mãe que era apaixonada por Damon.
Os lábios tremeram e Elena suspirou. Sentou ao lado da mãe, que olhava com grande carinho, e murmurou:
— Mãe, eu preciso te contar algo — disse, brincando com os próprios dedos. Isobel encarou a filha curiosa, esperando que a mesma continuasse. Elena respirou fundo e fechou os olhos:
— Eu estou apaixonada por um rapaz — as duas sempre foram grandes amigas. E a morena nunca fora capaz de esconder nada da mãe. Isobel sorriu ao ter suas suspeitas confirmadas:
— Bem que eu percebi seu comportamento estranho nos últimos meses — disse olhando-a. Elena vincou a testa, confusa: — Quem ele é?
— Damon Salvatore — o nome foi pronunciado com doçura e carinho. Os olhos cor de avelã brilharam, e a morena suspirou. — Mas ele nunca vai olhar para mim da mesma maneira — disse tristemente.
Elena afundou ainda mais o corpo na cama, sentindo-se incapaz de adormecer. Sentia-se tão incrivelmente frágil... Tão desprotegida. Ela devia ter afastado-o quando pôde, e agora fazê-lo seria ainda mais difícil. Contudo, ela não podia mais ficar perto dele. Elena queria pelo menos tentar ser feliz, e continuar alimentando aquele sentimento não ajudaria, e ela sabia disso. Foi pensando nisso, que a morena adormeceu.
...
Damon não conseguia tirar aquele beijo da cabeça. Na verdade, ele não conseguia tirar Elena de sua cabeça desde a noite anterior. Era como se ela dominasse cada pequeno pensamento seu.
Era estranho. Os olhos castanhos dominavam cada pequeno pensamento de Damon, e ele parecia incapaz de esquecê-la. Contudo, no fundo, ele não queria de fato fazê-lo. Elena fazia-o sentir-se bem. Quando estava com ela, ele sentia-se apenas como ele mesmo, não com o Damon Salvatore irresponsável que não ligava para nada. Com ela, ele era alguém melhor.
Não havia máscaras, ou mentiras. Nunca sentiu a necessidade das mesmas diante de Elena Gilbert. Ela apenas o aceitava como ele era, e aquilo era extremamente reconfortante.
Quando estava com ela, Damon sentia-se bem, feliz. Nada podia afetá-lo estando ao lado de Elena. Sorriu e ponderou. Talvez devesse falar com ela, talvez os dois pudessem se encontrar. Ele sentia que podia encontrar na morena a felicidade que há tanto tempo procurava arduamente. Porém, a toda vez que ligava para ela; a mesma não atendia-o.
Damon colocou os pinceis em um copo com água e suspirou. Ele iria falar com a morena, estava decidido. Pegou sua jaqueta e as chaves de sua moto. Deixou um bilhete para Stefan e saiu dirigindo velozmente pelas ruas de Atlanta.
Ao chegar ao consultório da morena, ficou encarando a porta branca por alguns segundos. Hesitou antes de bater. Sentiu o coração bater loucamente contra seu peito e fechou os olhos. Mordeu o lábio inferior e respirou fundo. Ele não sabia exatamente o que dizer à Elena. Talvez dizer que não conseguia tirá-la de sua cabeça fosse um bom começo... Bateu na porta e respirou fundo.
Elena abriu a porta com um sorriso forçado no rosto. Porém, ao vê-lo do outro lado, seu sorriso falso tornou-se em um extremamente verdadeiro. Odiava isso! Não ter controle sobre seu próprio corpo quando ele estava por perto era horrível. Seu coração acelerou, e tudo o que a morena quis foi tocá-lo; contudo, não moveu-se.
— Nós precisamos conversar — ele disse. Os olhos azuis cintilavam, em uma súplica silenciosa, enquanto Elena avaliava-o confusa. Queria fugir, mas sabia que não devia. Era a hora para que ambos resolvessem seus assuntos pendentes e seguissem com suas vidas. — Eu queria entender desde quando você... Bem, desde quando você me ama — pediu, delicadamente:
— Desde o colégio — a morena fechou os olhos e prosseguiu: — Eu me apaixonei por você depois que fizemos aquele trabalho juntos no primeiro ano — respondeu apenas.
— Porque nunca me disse nada? — Ele questionou confuso. Ficou, instintivamente, mais próximo da morena, que recuou. Não iria se permitir ficar próxima dele novamente, não agora.
— Por que eu sabia que você não sentia o mesmo por mim — dizer aquilo em voz alta doera mais do que ela imaginava. Cruzou os braços e respirou fundo, encolhendo-se um pouco. — O que você quer aqui, Damon? — Perguntou sem olhá-lo. Era realmente aquilo o que a interessava:
— Há algumas coisas que preciso te dizer — ele explicou, sucintamente. Elena respirou fundo e fechou os olhos.
— E o que seria? — Ela perguntou olhando-o nos olhos. Damon respirou fundo por alguns segundos e disse:
— Eu não consigo te tirar da cabeça, Elena — a voz rouca fez com que a morena estremecesse. Elena piscou, confusa, e encarou-o: — Eu não...
— Pare — ela implorou, cortando-o. Não queria ouvir mais nada. Ela não se encheria novamente de esperanças, sendo que sabia que teria seu coração partido depois. — Por favor — pediu. Damon encarou-a, confuso, e ficou calado:
— Damon, eu queria que você fosse embora... Não podemos mais continuar nos vendo — disse, já esperando uma péssima reação da parte dele:
— Porque não?
— Eu posso perder minha licença, Damon — disse, com os olhos marejados. Elena amava aquilo, amava ajudar as pessoas; não saberia o que fazer se perdesse sua habilitação para ser uma psicóloga. — Se alguém souber que beijei um paciente, posso perder tudo — ela murmurou, cansada.
Damon ficou calado. Ele não tomaria aquilo de Elena. Sabia o quanto ela amava sua profissão, e seria incapaz de tomar-lhe aquilo. Contudo, eles podiam tentar algo... Ele podia encontrar algum psicólogo que o ajudasse com relação ao seu vício.
— Eu entendo! — Disse, carinhosamente: — Sei o quanto você ama o que faz e seria incapaz de te tirar isso — falou, aproximando-se. — Mas isso não significa que não possamos mais nos ver — falou: — Você pode parar de me atender e podemos nos encontrar fora do consultório — disse apenas.
Ele realmente queria-a por perto. Gostava da presença de Elena, da forma como ele sentia quando estava próximo dela. Ele acreditava que podia amá-la, que na verdade, seria bem fácil.
— Por que quer tanto isso, Damon? — A garota perguntou confusa. Ele respirou fundo:
— Porque eu gosto de estar perto de você... Porque me sinto bem ao seu lado — ele disse apenas. — E eu pensei que talvez nós possamos sair mais — disse esperançoso.
Elena ficou surpresa com aquilo. Seu coração clamava para que ela o beijasse e não pensasse em mais nada; porém, ela sabia que não devia fazer aquilo. A morena sabia que ela jamais conseguiria de Damon o amor que tanto almejava, e estava farta de sofrer.
— Isso não vai acontecer — sussurrou, sentindo o peito doer diante da tal constatação. — Nós não vamos nos encontrar sob nenhuma circunstância — disse apenas.
— Mas eu realmente acho que nós podemos dar certo — disse franzindo o cenho: — Eu realmente acho que posso te amar — falou, mesmo sabendo que não deveria dizer aquilo.
— Não ouse me dar esperanças, Damon — Sibilou, sentindo as lágrimas caindo em seu rosto. — Eu não quero isso para mim... Não quero acreditar que você seria capaz de amar e depois quebrar a cara — disse, secando as lágrimas que teimavam em molhar sua face. — Eu só quero tentar ser feliz, nem que seja um pouco — disse soluçando. Ele respirou fundo e massageou as têmporas, como se sentisse dor.
— Você acha que não pode ser feliz comigo?
— Eu só não acho que você seja capaz de amar alguém que não seja a April — ela respondeu honestamente. Jamais mentiria para ele: — Eu queria ser única na sua vida... Queria que você me amasse por completo, não pela metade... Não quero alguém que fique comigo e ainda assim pense na ex-namorada — justificou-se. Era pedir demais aquilo? Era exigir demais tê-lo por completo, não pela metade?
— Elena, eu... — Mas ela não permitiu que ele continuasse. Caminhou até a porta e abriu-a, dizendo:
— Vá embora, por favor — suplicou. Não podia mais ficar tão próxima dele. Aquilo estava fatigando-a, apenas precisava que ele fosse embora. Damon suspirou e retirou-se do consultório. Ele ainda não havia desistido, e não abriria mão daquilo tão cedo.
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