Notas iniciais
Oi gente, como vão vocês? c: ▬ Bom, desculpem-me a demora para postar esse capítulo. Ele iria sair ontem, porém eu acabei dormindo antes de postar o capitulo. Sorry heuheuh. ▬ Muito obrigada pelos comentários seus lindos *-* eu sei que sempre agradeço, mas dessa vez é especial porque passamos de 100 comentários. Obrigada, de verdade ♥ ▬ MUITO obrigada também a essa guria linda da Just Another Girl que fez uma recomendação muito linda para a fic. Nossa primeira recomendação *-* obrigada moça, de verdade, emocionei-me muito lendo sua recomendação e tenho certeza que a Beatriz também ♥ ▬ Boa leitura, esperamos que gostem *-*

— Elena, poderia abaixar o volume? — a voz da loira era alta e ecoou pela casa. Porém, ao não receber resposta, a elegante mulher caminhou pelo apartamento revirando os olhos até enfim chegar a sala, onde deparou-se com a melhor amiga adormecida confortavelmente no sofá. — Elena! — exclamou, acordando rapidamente a morena.

— Ah... Bekah? — a psicóloga murmurou preguiçosamente.

— Exatamente. — a loira cruzou os braços.

— Que horas são? — Elena sentou-se no sofá, arrumando os fios de seus cabelos e bocejando.

— São duas da tarde Elena. — Rebekah se sentou no sofá ao lado da amiga. — O que está acontecendo? Você está dormindo em horários inapropriados, sempre parece distante e quando conversamos aparenta estar em outro mundo. — a loira desabafou, seus olhos azuis fixos nos amendoados da morena. Ela pegou as duas pequenas mãos da amiga, suspirando. — Olha, pode contar comigo ok? Para tudo que precisar...

Elena, ainda sonolenta, assimilou o que a amiga lhe estava narrando. Ela não havia notado suas mudanças, porém sabia que sua vida estava completamente diferente desde que seu mais novo paciente entrou nela. Afinal estaria ela tão empenhada em cuidar de Damon Salvatore que havia esquecido de si mesma?

Porém Damon era mais do que um paciente. Por mais que a morena negasse e se iludisse afirmando a si mesma que não existia toda aquela ardente paixão em relação ao Salvatore, ela estava mentindo. Bastava apenas fixar seu olhar nos belos olhos azuis dele que ela sentia-se uma adolescente novamente – aquela mesma adolescente que suspirava de amores pelo belo moreno.

— Rebekah... Eu tenho um problema. — confessou ela, sentindo-se extremamente tentada a relatar a sua amiga sobre Damon. — Eu tenho um grande, muito grande problema. — completou, engolindo em seco ao ver os olhos de Rebekah arregalarem-se.

— Conte-me. — instruiu a loira.

— É... — ela suspirou, sentindo seu coração parar por uma fração de segundo. — Damon. — ela fechou os olhos, saboreando a sensação de apenas citar o nome dele.

— Damon? — a outra franziu o cenho, esforçando-se para conectar o nome a qualquer rosto. — Damon...

— Salvatore. — completou Elena, segurando um sorriso que ameaçava saltar de seus lábios. Ela sentia-se tão estupida por ser ainda tão juvenil em relação ao amor, porém não sabia controlar todas aquelas maravilhosas sensações – e, sinceramente, não queria controlar mais.

— Espera... — a loira soltou suas mãos, aproximando-se com os olhos mais arregalados do que nunca. — Estamos falando de Damon Salvatore? O seu primeiro amor? — seu tom de voz surpreso arrancou risadas de Elena.

— Sim, Bekah. Estamos falando desse Damon.

— Ok... — ela franziu o cenho. — Mas por que estamos falando desse Damon? — perguntou confusa, vendo o semblante de Elena mudar radicalmente. O sorriso em seu rosto fora substituído por uma expressão torturada, que demonstrava o quão dolorido era, para ela, responder a pergunta da amiga.

— Eu acho que não posso falar sobre isso. — regras, pensou ela, lembrando-se de todos os conselhos que recebera de seus amigos há tempos na profissão.

— Elena! — exclamou Rebekah. — Acha mesmo que eu sairei falando ao mundo sobre um caso seu? — a ofensa claramente magoou a loira.

— Não, não é isso. — Elena se defendeu imediatamente. — A situação está complicada Rebekah e eu não posso abrir a vida de um paciente meu para você... — ela colocou as duas mãos no rosto, o cobrindo, enquanto sentia suas bochechas esquentarem violentamente.

— Espera! Um paciente?! — a loira quase caiu para trás diante da informação.

Elena então sentiu que havia falado o que não devia e isso a levou a gemer palavras incoerentes e jogar-se para trás, deitando novamente no espaçoso sofá. Retirou suas mãos do rosto, deixando-as em cima da barriga e fixou seus olhos no teto. Deveria ela quebrar uma regra e contar para Rebekah tudo o que estava acontecendo com Damon? Ficaria ele chateado com isso? Mas ele jamais iria saber que ela abrira a boca, então por que diabos ela preocupava-se tanto com isso?

— Tudo bem... Irei te contar. — murmurou, sentando-se no sofá novamente. — Mas terá que prometer guardar segredo. — seus olhos fixaram-se no rosto da amiga, mais precisamente em seus olhos azuis.

— Eu prometo. — afirmou Rebekah ansiosamente.

— Tudo bem... — Elena respirou fundo. — Damon ainda ama sua falecida namorada e não consegue lidar com a perda dela. — seus olhos banharam-se de lágrimas. — Eu ainda não sei como ela morreu, ainda não consegui chegar tão fundo, mas... Ele mudou. — ela fechou os olhos com força. — Ele começou a usar drogas e sofreu um acidente ao dirigir sua moto completamente alterado pelos entorpecentes. Então Stefan, seu irmão, procurou-me para marcar uma consulta para ele. — a morena jogou-se novamente no sofá, deitando no mesmo e fechando os olhos. — Agora ele está consultando-se semanalmente comigo e eu acho que não consigo lidar com alguns de meus problemas internos. — ela cobriu os olhos. — Dói saber que ele amou tanto uma outra mulher Rebekah. Dói tanto! — ela exclamou, de seus olhos escorrendo lágrimas frias. — Mas, por mais que doa em mim, eu sei que tenho que deixar meus sentimentos em um canto escondido de minha mente para assim, então, poder finalmente ajuda-lo. Eu só não consegui ainda...

O silêncio reinou naquele ambiente após o extenso desabafo de Elena. Rebekah mordeu o lábio inferior sem saber o que dizer e abaixou a cabeça fitando o chão. A morena permaneceu com os olhos tampados, num choro silencioso e sentindo seu coração apertar-se dentro de seu peito conforme percebia que havia entrado em um labirinto, aparentemente, sem saída.

— Ei, vem cá. — Rebekah tentou puxar seus braços, mas ela desviou de seus toques e permaneceu deitada. — Elena...

— Não. — negou ela, sua voz abafada e rouca. — Que tipo de profissional sou eu? Deixando meus sentimentos dominarem uma situação tão frágil! Eu deveria o ter esquecido. Eu acho que não sou a pessoa certa para ajuda-lo Rebekah. — ela confessou, sentindo mais lágrimas encharcarem seus olhos e caírem delicadamente por seus olhos. Lágrimas de amor, lágrimas de dor, lágrimas por muito tempo reprimidas.

— Elena, você o ama. — a amiga disse, firme. — Seus sentimentos são intensos, talvez mais intensos que a situação e é por isso que são tão difíceis de se controlar. — Rebekah retirou as mãos dos olhos de Elena, encontrando marejados olhos chocolates a fitando de volta. — Eu sei que você consegue. Eu acredito. — a morena se levantou rapidamente, passando as mãos pelos ombros da amiga e a puxando para um reconfortante – e necessário – abraço. — As vezes pergunto-me porque eu não sou a psicóloga. — as duas riram, deixando de lado todo aquele clima sufocante e depressivo que antes havia se instalado na sala.

...

— Um Frappuccino por favor. — o dinheiro fora tirado de sua carteira e colocado em cima do balcão. A mulher do outro lado do mesmo soltou um sorriso, elevando sua mão e colocando uma mecha de seus cabelos dourados atrás do orelha. O moreno, impaciente, apenas respirou profundamente, meneando a cabeça de um lado para o outro negativamente.

— Aqui está senhor. — a loira disse, lhe entregando seu mais belo sorriso ao colocar o copo em cima do balcão. Damon apenas arqueou as sobrancelhas, assentindo, e então deu-lhe as costas e foi sentar-se na mesa mais afastada daquele lugar.

Encostou os lábios no copo e engoliu um pouco de seu conteúdo tranquilamente, sentindo-se aliviado por sentar-se tão distante das pessoas e, assim, desfrutar um pouco do silêncio agradável que o Starbucks oferecia.

Ao virar o rosto para o lado, entretanto, ele arfou.

Os passos singelos tão graciosos eram acompanhados de um belo sorriso e vestimentas modernas. Os cabelos voavam com o vento e os olhos não fixavam-se em um só ser, vagando por cada espaço da rua até encontrarem os seus. E então ele sentiu seu estômago revirar-se.

Ela acenou para ele, sorridente e tudo o que ele fez foi unir as sobrancelhas, perplexo, antes de ver um carro atropela-la e ela sumir como uma nuvem de fumaça.

O moreno arfou, encostando as mãos no vidro e procurando desesperadamente a moça na rua, porém não haviam sequer vestígios dos seus lindos olhos azuis. Exausto, ele sentou-se na cadeira confortável e deixou que sua cabeça tombasse para trás, encarando o teto do local.

Até quando aquelas loucas alucinações durariam? Ele encarou o teto branco, franzindo o cenho e então sentiu-se novamente necessitado de algo que o aliviasse toda aquela dor insuportável em seu peito. Ela havia novamente desaparecido diante de seus olhos, a mulher que ele tanto amou havia escorrido por entre seus dedos novamente. A dor se triplicava conforme ele pensava nela e começava a se tornar uma dor intensa e insuportavelmente física.

Ah... Os cabelos dela... Como ele sentia falta de penteá-los enquanto ela cantarolava. Canções infantis, sim, ambos sabiam, mas era algo tão adorável e tão inocente que era impossível pedi-la para calar-se. Ele fechou os olhos, seu coração batendo mais rápido. Ela havia ido, ido para sempre e perceber essa informação era tão doloroso quanto observá-la imóvel em uma caixa de madeira.

— Olá... Será que eu poderia me sentar aqui? — a voz doce e familiar o despertou de seu transe, trazendo-o de volta a realidade. Ele abriu os olhos e endireitou a cabeça, vendo a adorável Elena Gilbert com um copo nas mãos e um sorriso delicado no rosto.

— Claro. — ele assentiu, apontando para a cadeira de frente para a sua.

— Obrigada. — ela murmurou, sentindo suas bochechas esquentarem.

— De nada. — suas sobrancelhas se uniram. — A senhorita fica muito bonita de azul, doutora Elena. — ele observou as bochechas dela avermelharem-se intensamente conforme ela piscava os olhos, certamente não acreditando na cena que seus olhos viam.

— Obrigada. — ela agradeceu, controlando o sorriso quase inevitável. — Você está bem Damon? — ela preocupou-se com a nebulosidade em seus olhos, bebericando seu chá enquanto o via suspirar.

Ele correu as mãos pelos cabelos, já denunciando seu estado. Poderia ele relatar para a morena tudo o que sentia ali, num local publico? Ele esperaria até a próxima consulta? Enquanto buscava pela resposta ele bebeu mais um pouco de seu Frappuccino, desviando o olhar dos incríveis olhos chocolate dela.

— Damon? — ela insistiu, apertando o tecido jeans de sua calça embaixo da mesa.

— Não. — ele murmurou entre dentes. — Eu não estou bem. — completou, virando o rosto para fitar a rua através do vidro. Arrependeu-se no mesmo instante, afinal as lembranças da cena que acabara de acontecer o invadiram, fazendo-o respirar fundo e fechar os olhos.

— Sente-se confortável compartilhando comigo suas aflições? — ela perguntou num tom de voz calculado, cuidadoso e doce, seus olhos fixos no rosto do moreno. Ele virou-se para fita-la, surpreendendo-se ao ver tamanha disposição em seus olhos. Ela realmente queria ajuda-lo...

Ele não sentia-se confortável conversando com ninguém, essa era a verdade, porém os olhos de Elena Gilbert lhe passavam um conforto intenso e irresistível, assim retirando de sua garganta palavras que ele antes não conseguia dizer.

— Abstinência Doutora. — ele disse, olhando fixamente nos olhos dela. — Eu estou alucinando. — confessou, sentindo-se aliviado em enfim falar sobre o assunto.

Elena assentiu, engolindo em seco. Sua mente trabalhando rapidamente para encontrar uma saída para a difícil situação exposta a ela. Seu celular vibrou dentro de sua bolsa e ela o procurou rapidamente, vendo o lembrete iluminar seus olhos na tela do aparelho eletrônico.

— Damon... — ela o chamou e o retirou novamente de seus devaneios. — O doutor Alaric está a nossa espera. — ela soltou um sorriso doce, sentindo-se aliviada.

Afinal, com Alaric, ela poderia pensar em uma solução para a delicada situação de Damon Salvatore. Não lhe era possível receitar medicamentos para o mesmo tomar e ela tinha certeza de que, somente com suas consultas semanais, ele não iria ficar saudável mental e fisicamente. Ela precisava de ajuda. Eles precisavam de ajuda.

— Vamos. — ele disse, soltando um sorriso de canto.

— Vamos. — ela levantou, seguindo-o porta afora.

Caminharam lado a lado, porém mantendo uma distância considerável. Cada um preso em seus próprios devaneios, mentes tão próximas e tão igualmente distantes. Elena engoliu em seco, vendo como Damon caminhava sempre de cabeça abaixada parecendo fitar algo incrivelmente interessante no chão. O moreno estava com sérios problemas e ela temia não ser a pessoa correta para ajuda-lo, afinal seus sentimentos estavam controlando-a e a vontade de abraça-lo e o confortar a sufocava todas as vezes que olhava para o lado e o encontrava tão perdido.

Damon e Elena sentaram-se no local mais isolado do trem e o moreno virou o rosto para fitar a janela, dessa maneira bloqueando qualquer tipo de diálogo que poderia haver entre ele e a doutora.

— Damon? — Elena, entretanto, queria dialogar com seu paciente. Queria ajuda-lo e não iria desistir apenas porque sua insegurança sempre gritava mais alto. O trem começou a se locomover e o moreno virou o rosto para fita-la.

— Sim? — perguntou curiosamente.

— Conte-me mais sobre sua alucinação. — ela pediu, seus olhos analisando todo e qualquer movimento que ele produzia. Viu seu paciente respirar profundamente e comprimir os lábios um contra o outro, fechando os olhos. Temeu ter atravessado alguma área proibida e preparava-se para desculpar-se quando ele enfim abriu os olhos e a fitou.

— Eu vi ela. — murmurou, seus olhos vagos fixaram-se no chão do trem sem não vê-lo realmente. — Ela estava na rua, com um vestido verde e seus cabelos nunca estiveram tão lindos e brilhantes. Seu sorriso parecia sugar minha atenção e ela caminhava como se absolutamente tudo estivesse bem, parecia uma cidadã americana comum. — um pequeno sorriso fantasma apareceu em seus lábios, mas logo fora substituído por um cenho franzido. — E ela fixou seus olhos em mim, parecendo realmente me ver e... Acenou. — ele fechou os olhos com força. — E então um caminhão a atropelou e ela sumiu como uma nuvem de fumaça. — ele subiu as duas mãos na altura do rosto, tampando os olhos com as mesmas.

Elena sentia como se sua garganta estivesse bloqueada, dela não saía nenhum som. A dor explícita e visível na bela face de Damon Salvatore a desconcertava intensamente – mais do que deveria, causando nela um ardor no peito simplesmente insuportável. Vê-lo sofrer daquela maneira e não poder de alguma maneira ajuda-lo a se sentir minimamente melhor estava matando-a.

Então, ignorando toda a sanidade que ainda lhe restava – e, principalmente, as regras de sua profissão – a morena retirou a mão de Damon de seus olhos e a segurou fortemente. Seus olhos se fixaram nos arregalados olhos dele e suas bochechas esquentaram ao sentir o calor da mão máscula do moreno em sua pequena mão.

— Doutora... — o moreno sussurrou, perdido, e então calou-se, retribuindo o aperto que dela vinha fortemente e soltando um sorriso largo no rosto. — Obrigada. — disse, vendo as bochechas dela corarem adoravelmente.

As duas mãos conectadas tão fortemente, o aperto tão necessitado, os corações batendo mais rápido e trilhões de sentimentos envolvidos enquanto esperavam o trem chegar em sua estação.

Notas finais
Um capítulo grandinho a pedidos de nossas leitoras lindas ♥ ▬ Esperamos que tenham gostado. Obrigada por lerem e até o próximo *-*