Recovery
8 Brown Eyes
Notas iniciais
Os olhares encontraram-se e a morena sentiu-se imersa nos belhos olhos azuis de Damon. As mãos ainda estavam conectadas, enquanto Elena tentava descobrir os segredos ocultos nos olhos do outro. Soltou a mão do rapaz, que ficou imóvel por alguns momentos, tentando compreender o que acontecera.
Elena suspirou e abaixou o olhar, encarando o chão por breves instantes. Sentiu suas bochechas esquentarem violentamente e respirou fundo, voltando a olhá-lo. O olhar de Damon pesava contra ela. O rapaz observava-a, tentando descobrir o que se passava na mente de Elena, que apenas o encarava com o olhar afoito.
Ambos sentiram o metrô parar e se olharam por alguns segundos. A morena levantou e caminhou para fora, sendo seguida pelo Salvatore. Caminharam pela estação em silêncio. Elena não sabia como começar uma conversa, e tinha medo de que sua recente ansiedade a dominasse.
As ruas de Atlanta estavam repletas de carros e pessoas. Todos presos em seus próprios mundos, ocupados demais para notarem a presença das pessoas a sua volta. Elena observou o Céu acima dela com um sorriso caloroso. Não havia nenhuma nuvem, e o azul celeste crescia por todo horizonte. O sol brilhava com magnificência, esquentando os corpos das pessoas que por ali passavam. Damon encarou-a e colocou ambas as mãos nos bolsos, com um pequeno sorriso de lado.
Elena parou em frente a grande prédio de cerca de vinte andares e identificou-se para o porteiro, que logo permitiu sua entrada. Passaram pelo saguão repleto de pessoas e a morena apertou o botão do elevador. Instantes depois, os dois entraram ainda em silêncio dentro do cubículo de metal.
— Como ele é? — O moreno perguntou de repente. Elena, que encarava seus próprios pés, ergueu o rosto e olhou-o com certa animação, sorrindo ao lembrar de quando trabalhou com Alaric.
— Ele é um homem extraordinário, além de ser um dos melhores psicólogos dessa cidade... — falou com admiração: — Eu tenho certeza de vocês dois irão se dar bem — completou sorrindo.
— Eu vou continuar tendo as consultas com a senhorita, certo? — Questionou franzindo o cenho. Havia algo em Elena que o reconfortava, não queria parar de vê-la, afinal a morena era uma das únicas pessoas na qual ele confiava verdadeiramente. Ele não sabia por que, ao certo, mas ela o inspirava uma sensação de conforto que ele jamais tivera antes.
— Sim — a morena respondeu com um pequeno sorriso de canto. Saber que não teria que parar de vê-lo a acalentava, fazia-a sentir extremamente bem. Iria fazer de tudo para ajudá-lo a superar aquela fase, e sabia que juntos, os dois conseguiriam.
Saíram do elevador em silêncio e viram à esquerda, deparando-se com um longo corredor repleto de portas em ambos os lados. Os dois caminharam um pouco e a morena parou em frente a uma porta com uma pequena placa de metal na qual estava escrito "Doutor Alaric Saltzman". A morena bateu na porta e logo em seguida entrou.
O ambiente lá dentro era bastante reconfortante e ainda assim, luxuoso. Três das quatro paredes eram brancas, sendo que a quarta fora pintada em bege. No lado leste, uma pequena mesa fazia-se presente. Sendo que nela, haviam três cadeiras pretas. No lado oeste, três poltronas indicavam o lugar onde a sessão ocorria. Sob as poltronas, um tapete circular em tons de marrom fazia-se presente, criando um aspecto mais caloroso no local. E na parede norte, um quadro de Monet fazia-se notar.
Um homem loiro surgiu de uma porta de madeira branca e sorriu ao vê-los ali. Ele era alto, tinha cabelos loiros e um sorriso largo no rosto de traços fortes.
— Elena Gilbert! — Alaric disse animado. A morena sorriu ao ver o velho amigo o abraçou com força, separando-se logo em seguida: — Cada vez mais bonita — ele comentou sorridente, fazendo-a rir. Damon observou-a por alguns momentos e logo voltou a olhar para o psicólogo diante dele.
— E você deve ser o Damon... — o homem disse estendendo a mão para o rapaz, que sorriu e cumprimentou logo em seguida. — Sentem-se, por favor — Alaric pediu educadamente. Damon sentou na poltrona, sendo seguido por Elena, que fez o mesmo que ele.
— Então... Primeiramente, quero saber um pouco sobre você, Damon... O que você faz, as coisas que gosta... Poderia me falar um pouquinho sobre isso? — O doutor pediu observando Damon que deu de ombros diante da pergunta óbvia e disse:
— Eu sou pintor e fotógrafo, mas não atuo na área há algum tempo — disse baixo. — Eu amo o que eu faço, também gosto de sair e conhecer lugares novos... Eu não gosto muito de ter que me explicar para os outros ou dar satisfações da minha vida — falou brincando com os próprios dedos.
— Então, vamos começar com uma pergunta muito importante, e eu preciso que a responda com franqueza... Quantas drogas você usava?
— Apenas maconha... Mas eu bebia às vezes — o moreno respondeu sem hesitação, não havia mais nada a esconder. Ele queria melhorar, e sabia que só poderia fazer isso se tivesse ajuda.
— Tudo bem... E quem te incentivou a procurar ajuda? — Questionou encarando Elena por alguns instantes.
— O meu irmão... Ele disse que não iria me deixar em paz enquanto eu não desse um jeito na minha vida — bufou após terminar de falar, fazendo Alaric olhá-lo.
— Você e seu irmão são próximos? — Perguntou suavemente, tentando mergulhar um pouco mais fundo e descobrir mais sobre Damon Salvatore.
— Sim, bastante...
— Você ainda está em crise de abstinência?
— Ela vai e volta... Mas creio que logo ela irá terminar — respondeu respirando fundo ao lembrar da recente alucinação que tivera. Alaric assentiu e falou:
— E você ainda pinta?
— Não... Eu parei de pintar há bastante tempo — respondeu suspirando. O psicólogo olhou novamente para Elena e questionou:
— Você se importa em me dizer o por quê?
Damon estacou por alguns instantes. Arfou e fechou os olhos, tentando respirar fundo. Todo o recinto a sua volta pareceu encolher, e ele sentiu como se pudesse parar de respirar a qualquer momento. Ofegou, à procura de oxigênio, mas não pôde encontrá-lo. Ofegou novamente, desesperado por ar, e encolheu-se. Nunca sentira-se assim antes. Elena olhou-o preocupada e ajoelhou-se diante dele, segurando o rosto do rapaz com ambas as mãos, enquanto ele ofegava desesperadamente:
— Damon, olhe para mim — pediu com carinho. O rapaz ergueu o rosto e deparou-se com aqueles belos olhos castanhos, que sempre o prendiam. Era como se pudesse ver através deles, como se pudesse ver além daquela bela mulher que sempre mostrava-se extremamente confiante. Ela não era apenas uma linda jovem... Ela era bem mais do que isso, e de alguma maneira, ele sabia.
Quando os olhares se encontraram, Elena sentiu o mundo a sua volta parar. Afogou-se nas orbes castanhas e estremeceu diante da impetuosidade do mar presente nos olhos dele:
— Está tudo bem — ela disse para o rapaz, que aos poucos, voltava a respirar normalmente. No olhar dela, ele podia ver além de tudo o que já havia visto antes, e de alguma forma, ele sabia que aqueles olhos diziam: "Eu estou aqui". — Respire fundo — pediu carinhosamente. Damon fez o que ela mandou e respirou fundo, inalando o delicioso perfume de jasmins dela.
Logo, Damon conseguiu recuperar-se de sua mais recente crise de pânico, e olhou-a verdadeiramente fixado. Não conseguiu parar de olhá-la, tentando desvendar os segredos mais profundos da alma de Elena. A morena sorriu carinhosamente para ele e perguntou:
— Sente-se melhor? — Ela questionou carinhosamente.
— Sim... Obrigado — ele murmurou olhando-a. Elena levantou-se, a contragosto, e voltou a sentar-se em sua poltrona. Alaric estava bastante surpreso, jamais pensou que eles tivessem um vínculo tão forte entre si, e aquilo o preocupava, de certa maneira.
— Está melhor, Damon? — O homem perguntou forçando um sorriso. O rapaz assentiu sorrindo e falou: — Não precisa responder se não quiser — adicionou rapidamente.
— Não... — ele falou piscando: — Eu parei de pintar após a morte da minha namorada — respondeu firmemente, apesar de ainda sentir todo seu corpo contrair em dor ao lembrar daquilo.
— Compreendo — o homem disse suspirando. — Mudando um pouco de assunto, o que você pinta? — Questionou ao perceber que não seria bom perguntar sobre a namorada de Damon no momento.
— Na maioria esmagadora das vezes, faço paisagens... — Respondeu mais confortável. Ele não gostava de falar muito sobre April, apesar de saber que era necessário tocar no assunto.
— Okay... Além de pintar e tirar fotografias, há mais alguma coisa que você faça? — Perguntou curioso.
— Eu tocava piano, mas parei há um tempo... Também gosto de dirigir minha moto e passear pelos parques da cidade — respondeu simplesmente. Elena o observava em silêncio, com um pequeno sorriso no rosto.
— Tudo bem... Percebi que você não se sente confortável para falar sobre sua namorada agora, mas eu quero saber se você acha que pode falar sobre ela nas próximas sessões — Alaric falou calmo.
— Posso tentar — o rapaz falou após respirar fundo algumas vezes.
— Excelente... Bem, é só isso por hoje — disse levantando-se e despedindo-se dos dois, que logo partiram.
— Ele é um cara bacana — Damon comentou sorrindo ao sair do prédio. Elena assentiu e disse:
— Sim, realmente ele é um cara bem bacana — a morena concordou sorrindo. Os dois voltaram para a o metrô e sentaram-se lado a lado. Elena pousou a cabeça na janela e respirou fundo, observando as grandes construções que moviam-se rapidamente do lado de fora da janela. Novamente, uma memória difusa fez-se presente.
A morena fechou os livros e recostou a cabeça na parede observando-o de longe. Damon Salvatore. O rapaz de olhos azuis que parecia encantar todas as garotas a sua volta. Um sorriso desenhava-se em seus belos lábios e ele movia-se cuidadosamente pela pátio, com os cabelos reluzindo sob o Sol.
Afundou um pouco mais, e sorriu ao ver a maneira como ele agia. Conversava animado com seu irmão e parecia alheio ao mundo a sua volta. Ele sorria e fazia brincadeiras com o mais novo, que parecia cada vez mais emburrado.
Uma bela loira aproximou-se dele e o tentou conquistá-lo com sua lábia de líder de torcida com beleza óbvia, mas falhou. Damon a dispensou educadamente, tentando não parecer grosso.
— Eu acho que podíamos ser amigos — Elena ouviu-o dizer, e, mesmo sem querer, um sorriso de júbilo desenhou-se em seu rosto.
— Ah, qual é Damon? — A loira insistiu jogando-se em cima dele descaradamente.
— Olhe... Não me leve a mal, mas eu prefiro as morenas — ele disse afastando-se da menina, que o encarou enfurecida.
Elena sorriu diante da memória e observou-o de soslaio, tentando captar o que se passava na mente dele.
— Obrigado por vir comigo — o moreno agradeceu verdadeiramente. A companhia de Elena durante toda a sessão o acalmou, e ele realmente queria que ela o acompanhasse durante todo o processo que faria com Alaric. A presença dela o fazia-se sentir-se mais seguro das coisas que partilharia. Ele não sabia a razão, mas confiava muito em Elena.
— Não precisa agradecer — a Gilbert disse sorrindo. Eles ficaram em silêncio novamente, e a garota voltou a se fechar em seu próprio mundo. Damon lembrou de todas as vezes em que ela passou diretamente por ele durante o colégio e sorriu ao perceber que ele não mudara quase nada.
Logo, os dois se separam, e cada qual foi para sua própria casa. Damon pegou as chaves do apartamento e adentrou, sorrindo ao ver que o irmão mais novo havia preparado o almoço.
— Oi, Stef — falou jogando as chaves na mesa e indo em direção ao banheiro. Lavou as mãos e voltou à sala, onde o irmão esperava-o com um sorriso largo no rosto.
— Olá — o loiro disse estranhando a óbvia animação do irmão. Havia muito tempo que não via aquele brilho nos olhos dele... — Está tudo bem?
— Ahã — Damon falou colocando o arroz no prato. Logo depois serviu-se do frango e começou a comer, deliciando-se com o sabor.
— Como foi a consulta? — Stefan perguntou se servindo.
— Foi ótima... A Elena foi comigo — Damon respondeu bebericando um pouco de suco de laranja.
— Você nunca me disse como ela é — o mais novo comentou encarando o irmão, que sorriu de canto e falou:
— Ela é... Diferente — não soube que palavra usar. — Há algo nela que inspira confiança — falou após comer mais um pouco.
— E o que mais? — Stefan questionou verdadeiramente curioso. Queria saber mais sobre a psicóloga de Damon.
— Ela é gentil, doce... Ela nunca questionou as minhas ações e nunca me julgou pelo fato de eu usar drogas — o rapaz murmurou encarando o próprio prato — eu gosto disso nela — falou verdadeiramente. Havia algo em Elena que o encantava, e talvez, só talvez, fossem seus olhos castanhos...
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