Recomeços

12 Segunda noite, o ritual se repete


Will jogou a cabeça para trás e respirou fundo enquanto soltava minhas mãos. Eu ri pelo fato dele ter cedido tão facilmente aos meus desejos. Puxei sua camiseta para cima, ele me ajudou com isso. Voltou a colar nossas bocas e com um impulso, rolou para o lado, parando em cima de mim.

- Eu quero você! – Will falou baixinho no meu ouvido. Ele tinha a voz fraca e sua respiração já estava falha. Senti suas mãos puxando minha blusa para cima. Evitar sorrisos, gemidos baixos e arrepios naquele momento, era simplesmente impossível. Sua boca estava em meu pescoço e agora suas mãos desciam para minha saia. Mordi os lábios quando senti seus dentes em contato com a pele do meu ombro, bem próximo á clavícula. Doía, mas era uma dor boa.

Tudo estava perfeito, eu estava com o garoto que eu amava, no lugar onde eu sempre sonhei em estar, eu não estava mentido para ele e agora, eu seria para sempre eu mesma, ao menos na presença de Willian.

Estávamos deitados ainda abraçados, não tinha palavras para descrever o que tinha acabado de acontecer. Eu ainda não acreditava. Pedi para Will me emprestas sua camiseta, pois não me sentia confortável sem roupa alguma. Já vestida a camiseta, me virei para o lado para pegar um cigarro. Eu resolvi fazer graça. Coloquei o cigarro entre meus dedos indicador e médio e o apoiei na boca.

- Foi bom para você? – perguntei fazendo a cara mais sexy que consegui. Minha intenção era imitar os filmes antigos, onde era sempre essa a primeira atitude dos homens depois de ficarem com suas mulheres. Will riu e puxou o cigarro de minha mão.

- Foi muito bom! – ele disse enquanto acendia de verdade o cigarro. Não era um cigarro normal, era um baseado que Yuri tinha nos entregado mais cedo. Dividimos o baseado e logo senti meu corpo inteiro relaxar. Era uma sensação extasiante, diferente de tudo que eu já havia sentido. Nós não dormimos durante aquela noite, passamos a noite inteira exatamente do jeito em que entramos na barraca, bebíamos, fumávamos e aproveitávamos o contato entre nossos corpos. Foi absolutamente a noite mais alucinante de toda minha vida.

Acordei no dia seguinte com uma dor de cabeça horrível, mas como isso já era esperado, tinha trazido o remédio para a ressaca de todos. Will já estava fora da barraca à procura de café da manhã.

- Bom dia minha flor de cerejeira! – ele disse assim que me viu sair da barraca. Aparentemente sua dor de cabeça já tinha sido curada pelo remédio. Eu ri com seu cumprimento, ele sabia que minha flor favorita era a flor de cerejeira, mas nunca havia me chamado assim antes.

- Bom dia Batman! – eu o cumprimentei de volta dando um selinho em seus lábios.

- Batman? – ele perguntou com sua falta de entendimento estampada em sua face.

- É!

- Por que Batman?

- Porque eu amo o Batman! – eu respondi e era a verdade. Sempre fui fã do Batman. Aquela roupa preta era simplesmente incrível.

Ele riu e eu fui cumprimentar os outros que já estavam sentados fora das barracas. Aparentemente duas meninas, de outros grupos, se arranjaram com Artie e Andy. Descobri depois que seus nomes eram Carla e Mariana. Estávamos todos sentados em roda novamente conversando quando me lembrei de uma coisa que eu havia deixado passar desde o começo da minha amizade com os meninos.

- Leo? – chamei.

- Fala V!

- Lembra quando a gente se conheceu...

- Aham

- Você disse que me contaria a história da casa mais estranha da vila, mas você não me contou! – eu fiquei muito curiosa nesse momento. Afinal, agora eu morava lá.

- Ohh, é verdade. Caras, posso contar a história para a V? – ele perguntou. Os outros me encararam por um tempo e acenaram com a cabeça afirmando.

- Pode contar Leonard! – Artie disse firme.

- Ok, posso começar? – ele perguntou me encarando, eu fiz sinal de que ele podia. – Ok, existe uma casa naquela vila, que não dá para ser vista da rua. Ela está atrás das árvores, no alto da montanha. Aquela casa foi construída há mais de um século e desde que a primeira família saiu de lá, ninguém nunca mais voltou a morar nela.

- Por quê? – perguntou Carla que também estava ouvindo a história.

- Corre uma lenda urbana de que a família que primeiro habitou a casa foi assassinada dentro dela. Ninguém nunca achou os corpos das pessoas. Uma vez, um grupo de amigos foi passar a noite na casa, dizem que eles não voltaram muito bem, um deles trazia uma foto da garota, era ela linda!

- Mas eles foram assassinados por quem? – foi a minha vez de perguntar.

- Ninguém sabe. – Andy respondeu minha pergunta. Não acreditei, como poderia acontecer, a história corre, mas ninguém sabe como, porque, ou quem fez!

- Se ninguém sobreviveu ninguém matou e ninguém achou os corpos, como pode haver a história? – perguntei.

- Não nos culpe, a lenda corre, eu só estou passando para frente! – Leo se defendeu fazendo os outros rir.

- São mais de cem anos de telefone sem fio aqui V, obviamente parte da história foi perdida. – Artie, que era menos revoltado que Leo, disse.

- Bem que a gente podia passar uma noite na casa né?

- Ótima idéia V! – Will comentou. – Vamos durante as férias?

- Aham, assim que der a gente vai.

- De onde vocês são? – Mariana perguntou. Eu ri, por dentro, por essa pergunta, afinal ela havia passado a noite com um de nós e nem sabia de onde éramos, mas cada um cada um.

- Northumberland. – Ali respondeu simpática.

- Onde fica isso? – perguntou Carla com cara de perdida. Agora sim eu tive que rir, além de oferecida era burra. Não me entenda errado, afinal eu também tinha bebido, fumado e passado a noite com alguém, mas esse alguém era meu namorado e eu o conhecia muito bem.

- No norte. – Andy respondeu antes de começar a se agarrar com ela novamente.

Dividimos o grupo em pequenos grupos, para irmos até a casa de Yuri tomas banho e voltarmos para a fila. Ali e eu fomos as primeiras e a casa de Yuri era absurdamente pequena. Ao voltar para a fila, foi a vez de Will e Leo irem tomar banho, e eu aproveitei esse tempo para poder contar as novidade para Alison.

-Ali, eu fiquei com o Will. – eu dissse quando já estávamos sentadas dentro da barraca dela.

- Eu sei disso V, isso deixou de ser novidade quando vocês subiram na mesa da escola e gritaram que estavam namorando. – ela disse lixando as unhas.

- Não cabeção, eu fiquei com ele de verdade, tipo, a gente ficou junto! – senti meu sangue se aglomerar em minhas bochechas quando Ali olhou para mim incrédula.

- Vocês usaram camisinha né? – ela perguntou apontando para a própria barriga. Eu ri.

- Claro!

- Ok, e como foi? – ela perguntou com cara de pervertida.

- Foi bom!

- Quantas vezes?

- Algumas.

- Qual vez foi melhor?

- Ali, poupe-me de contar os detalhes sórdidos. – eu ria.

- Não, eu adoro os detalhes sórdidos! – ela implorava para que eu contasse. Então eu cedi, ficamos conversando por mais de duas horas, dividindo experiências, contando segredos, foi ótimo.

A noite chegou, e o ritual da noite anterior se repetiu. Em breve seria apenas, “sexo, drogas e rock’n’roll” literalmente. Fugir da realidade era o objetivo principal de um grupo como o nosso, mas nesse momento, a realidade era tudo o que queríamos viver.