Recomeços
11 Ozzfest, primeira noite
Acordei abraçada com a Suzy, eu estava deitada no sofá da sala e senti um cheiro delicioso de panquecas vindo da cozinha. Levantei correndo vi meu pai em frente ao fogão, ele cantarolava. Pulei em suas costas fazendo com ele quase derrubasse a frigideira que segurava. Ele riu, e sua risada me trouxe várias recordações. Os momentos bons que tínhamos passados juntos superariam os maus sempre. Ele me levou em suas costas até o balcão, onde me sentei e comecei a comer as panquecas que ele tinha preparado para mim. Permanecemos em silêncio por um tempo, e então ele começou a cantar novamente. Era uma música que eu conhecia, era uma música antiga. Elvis Presley seria o eterno rei. Eu sabia a letra inteira e não pensei duas vezes em levantar e começar a contar junto com ele. Meu pai cantava segurando o tudo de calda de chocolate como se fosse um microfone e no refrão nós dividíamos o vocal.Eu sentiria muita falta do meu pai, de ouvir a risada dele, embora isso fosse realmente raro. Sentiria saudades de ouvi-lo cantar e dereclamar sobre minhas coisas jogadas pela casa. Mas eu não poderia seguir com ele em sua jornada. Eu queria ter uma vida, e isso seria impossível se eu tivesse que mudar de casa e cidade a cada ano. Não agüentei e comecei a chorar antes mesmo de terminar a música. Ele me abraçou e continuou cantando em meu ouvido.
As semanas passaram rápidas demais. Já chegava a hora de viajar para o Ozzfest e eu estava ansiosa. As aulas de quarta feira acabaram e nosso grupo já se dirigia para minha casa, onde entraríamos no carro rumo ao aeroporto.
- Pai? – chamei.
- Sim, Kimberly? – ele me respondeu sorrindo.
- Você vai estar aqui quando eu voltar do festival? – perguntei com medo.
- Claro pequena. Eu jamais partiria sem me despedir. – ele disse bagunçando o meu cabelo. Eu o abracei.
- Eu amo você pai! – eu disse com a voz abafada.
- Eu também te amo Kimberly!
Me separei dele, coloquei a mochila nas costas e fui em direção ao carro.
Já estavam todos amontoados no banco de trás. Como o carro era de Will, ele reservou o banco da frente para mim.
- OZZFEST, AÍ VAMOS NÓS. PREPARE-SE LONDREEEEES! – Leo, o escandaloso do grupo, gritou fazendo com que todos gritassem atrás dele. Olhei para o lado e vi o rosto de meu pai me assistindo pela janela da biblioteca. Seu rosto era triste, assim como o meu.
A viagem foi longa, mas nós ríamos o tempo todo. Fomos cantando e brincado durante o vôo, o que te garanto, não agradou muito os outros passageiros. Quando chegamos à arena onde os shows aconteceriam, já era noite, mas ainda podíamos ver varias pessoas já acampadas esperando ansiosas pela a abertura dos portões. Montamos nossa barraca o mais perto que conseguimos e ali passamos o resto da noite. No dia seguinte acordamos cedo para terminarmos de arrumar as coisas. Logo vi um cara alto se aproximando de nós.Ele era moreno e tinha lindos olhos castanhos. Will foi cumprimentá-lo e me lembrei. Era o Yuri Masterson, o amigo que nos forneceria as bebidas e drogas.
- Olá a todos! – Yuri disse quando se aproximou de nós.
- Bom dia! – eu sorri simpática.
- Deixe-me te apresentar ao pessoal. – Will começou. – Essa é minha namorada Sophia.
- Prazer Sophia! – Yuri disse e beijou a minha mão me deixando envergonhada.
- O Leo e os meninos você já conhece, e essa é Alison, namorada de Leo.
- Prazer em conhecê-la Alison!
- Me chame de Ali!
- Ok Ali, e aí rapazeada? – ele gritou fazendo hi-fives com os meninos. Eles todos começaram a falar muito alto e rir.
Quando o dia já estava entardecendo nós estávamos sentados em roda perto das barracas. Will e os meninos haviam trazido violões e nós cantávamos as músicas das bandas que tocariam no festival. Nossa cantoria atraiu a atenção de alguns que também estavam acampados ali, e nosso já não pequeno grupo aumentou.Yuri voltou a nossa barraca, mas dessa vez ele trazia em suas mãos caixas. Supus serem caixas de Smirnoff e não pude conter um sorriso. A caixa foi colocada no meio do círculo, e quando foi aberta tive a impressão de que seria pouca bebida para todas aquelas pessoas, e então vi alguns amigos de Yuri trazendo mais caixas. As risadas e comemorações dessa vez foram altas. Distribuímos a bebida e Ali não pegou nem mesmo uma garrafa. Ela estará realmente empenhada em manter o bebê saudável. Leo também não bebeu muito, mas não foi tão forte, apenas diminuiu o ritmo das garrafas. Diferente de muitas outras pessoas do grupo, eu era forte para bebidas. Depois de três garrafas inteiras eu ainda tinha consciência de meus atos, Will também não estava bêbado e decidimos ir para nossa barraca.
Nós deitamos nos colchonetes que estavam no chão, e ainda tínhamos ao menos duas garrafas de bebida cada um. Não conseguíamos mais ouvir as pessoas lá fora, pois nossa barraca, assim como a de Leo e Alison, era mais afastada da fila.
- Will...
- Kimberly...
- Will...
- Kimberly... – as risadas foram incontroláveis. Minha risada escandalosa foi calada pelos lábios de Will. O gosto forte de limão em nossas bocas e o álcool em nosso organismo fazia com o beijo fosse muito melhor. Senti sua mão em minha cintura e um arrepio percorreu toda a extensão de meu corpo.Ele me puxou para cima dele sem quebrar o beijo e começou a brincar com a barra da minha saia. A empolgação do beijo foi aumentando e minha saia, que era comprida, graças às mãos de Will, agora estava na altura da minha coxa. Eu podia ouvir os gemidos baixos de Will e isso me deixava feliz. Fiz menção de tirar sua camisa e ele me impediu.
- Kim... eu não quero que você faça nada que você não queira.
- Mas eu quero! – eu respondi.
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