Recomeçar

2 Chapter I


Notas iniciais
Gente, obrigada pelos reviews!
Esse é o primeiro capítulo de fato. A fic é escrita em tom formal, por isso não estranhem eles sendo muito citados pelo sobrenome, ok? Eu sempre quis escrever uma fic assim! ;p

Espero que curtam e comentem muitooo!! ;DD

bJOEss

-Ok! Se arruma que nós estamos de saída.

Devidamente recuperada do susto, ela fitou a amiga. Samantha Puckett estava suficientemente concentrada no livro de farmacologia que tinha a sua frente para tomar um susto quando Carly Shay irrompeu em seu quarto. Tudo o que ela fez foi virar-se, sem fazer sequer menção de se levantar, e dizer apenas:

-“Arrume-se.”

Shay fitou a amiga como se ela fosse louca.

-Hã?!

-Você não pode começar uma frase com um pronome oblíquo átono.

A outra apenas balançou a cabeça, escolhendo ignorar por completo a correção da amiga.

Carly era advogada. Era óbvio que ela sabia essas regras mais básicas de gramática! Mas não era obrigada a usar isso no dia-a-dia.

-Levanta logo daí. Você já terminou a faculdade, se formou com honras, o que era nada mais nada menos que o esperado, já que você realmente estudava. Mas hoje sua vida se resume a casa, hospital, casa!

-Não é verdade. – objetou a loira. – Eu saio e me divirto sempre.

-Você precisa é de um namorado, isso sim.

-Mas eu tinha um namorado. Até ontem à noite. – seu tom de voz beirava o desdém.

-Sam, você precisa de um relacionamento que dure mais de dois meses.

-Eu já tive um. Não deu certo, e eu nunca mais achei um cara satisfatório.

Shay sabia que aquele único namoro longo era território proibido. Tinham sido os anos mais felizes da vida de Puckett, mas agora era um tempo a ser ignorado.

-Você termina seus namoros por motivos bobos.

-Eu não podia continuar com aquele cara! Eu mal o conheço!

-Vocês cursaram Medicina juntos! Você o conhece a anos! Não foi esse o motivo! Adimita!

-Carly... – suplicou.

-Sam... – Insistiu.

-Ok! Venceu. Não foi esse o motivo. O motivo que é que ele não sabe o que quer! Como eu posso ter um futuro com alguém que mal conhece a si mesmo?!

-Para com isso, Samantha! Você terminou com ele porque ele não soube te dizer qual era o queijo preferido dele!

-Como alguém pode dizer que gosta de queijo no geral?! Isso não existe! Os sabores de queijo são muito diferentes entre si! Eu gosto de alguns tipos de queijo, mas ninguém pode gostar de todos, até porque existem centenas de tipos de queijo! Como ele pode ter provado todos?

-E você sabe perfeitamente qual é o seu correto?

-Sim, eu sei. O queijo de manteiga é o meu preferido, mas como é muito calórico, eu consumo mais o meu segundo queijo preferido, ricota, e o meu terceiro favorito, requeijão, na versão light.

-Quem é seu escritor favorito?

-A inglesa Jane Austen. – respondeu a loira, sem hesitar.

-Persuasão e Orgulho e Preconceito. Você só pode ler um. Qual seria?

- Orgulho e Preconceito é a obra-prima de Austen. Portanto, começaria por ele. E eu não vejo o que me impediria de ler Persuasão depois.

-Você só pode escolher um. Digamos que você vai morrer depois de ler o livro!

O tom de Shay beirava o desespero, mas esse fato foi habilmente ignorado pela amiga.

-Eu levo cerca de sete horas para ler um livro desses, então eu veria o filme e gastaria minhas ultimas horas com os meus amigos.

-Viu?! É disso que eu estou falando! – a voz calma e o tom de obvio estavam começando a realmente irritar a morena.

-O que?

-Você tem tudo muito bem programado, e espera que todos sejam assim, mas não são! Você não faz nada espontaneamente há anos! Você tem uma vida programada em meses e uma agenda programada em minutos!

-Não é bem assim! – a calma aparente finalmente deu lugar à exasperação que crescia dentro dela.

-É sim, e você sabe! Você largou as artes marciais, você toma banho todo dia, mas você tem tempo cronometrado pra tomar banho! Você largou o frango frito e cortou o presunto! Você começou uma dieta! Eu tive medo que você se tornasse vegetariana! Essa não é você, Sam! – a ultima frase foi gritada, e recebeu um grito em resposta.

-Essa sou eu agora, Carly! Acostume-se!

-Ninguém fala “acostume-se”! E essa não é você! Você não tem sido você por três anos! – ela finalmente respirou fundo e cessou com os gritos. – Seis meses eu entendi; um ano, eu aceitei; um ano e meio, eu estranhei; dois anos, eu me desesperei! E eu venho tentando sutilmente te levantar a um ano, mas não dá!

-Eu não sou mais a mesma. Eu mudei. As pessoas mudam, Carly!

-Você não mudou pra melhor, Sam. Você se transformou em uma maquina vazia. E isso é péssimo!

“Você costumava ser diferente. Era espontânea, e agressiva, e mandona. E eu te amava como você era. Nós dois te amávamos.”

Puckett sentiu uma faca transpassar seu coração no momento em que a ultima frase escapou pelos lábios rosados da amiga, e escorregou pelo gloss melancia.

-Carls... – advertiu.

-Sam, ele te amava. E não é porque o amor dele acabou que a sua vida tem que acabar também.

Aquelas palavras doeram. Doeram em Carly, por se ver obrigada a dizê-las, algo que evitara por três longos anos. E doeram em Sam. Porque eram verdadeiras, e a verdade machuca, e corrói, e suga, e derruba, e mata. E aquela verdade matava-as.

Onde ele estaria naquele momento?

-Por favor, me deixe sozinha um minuto.

As palavras foram parcamente sussurradas pela loira, mas Shay não precisava ouvi-las para entendê-las. Ela as conhecia.

Sam agora ficaria longe por dois ou três dias, antes de reaparecer, para continuar a amizade, como se nada tivesse acontecido.

Não.

Não dessa vez.

Carly Shay deixou o apartamento cabisbaixa, e se pôs em marcha, de volta ao próprio lar. Spencer decolara na carreira de escultor um ano depois que ela entrou para a faculdade, e com Carly em Yale, nada o impediu de voar para Roma, e, depois de dois anos, fixar residência em Paris. Ela agora tinha um outro apartamento, e morava sozinha.

No caminho, planejava como abordaria a amiga na manhã seguinte.

Era tarde, perto de 23h, mas aquilo era Seattle, então havia movimento nas ruas. Seu prédio não era longe, e Shay estava muito acostumada a sapatos fechados de salto agulha para sentir qualquer desconforto em caminhar com eles.

Carly era advogada criminal. Nunca quis isso, mas acabou se apaixonando pela profissão, de algum modo. Antes costumava achar que blusas românticas brancas com ternos, calças pretas de alfaiataria e scarpins altos simplesmente não combinavam com ela, mas era precisamente o que vestia naquele momento.

Porem, mais estranho do que Carly Shay, advogada criminal, graduada em Yale, era sem dúvida Sam Puckett, neurocirurgiã, graduada com honras em Brown.

De todas as coisas que Shay pensou que a amiga poderia ser, certamente nenhuma envolvia um armário inteiro de roupas brancas. Sam nunca fora estudiosa.

Claro, que isso fora antes... Ela balançou a cabeça, espantando esses pensamentos. Não era hora para lembrar-se disso.

Passou pelo lobby, cumprimentando vagamente o porteiro, mas não pode evitar o leve sorriso ao lembrar-se de Lewbert. Onde ele estaria?

Não sabia.

Voltara da universidade logo depois que tudo aconteceu. Estava terrivelmente fragilizada. Não conseguia ver Sam morta por dentro. Entrar naquele apartamento, naquele prédio, onde tanto foi feito, e dito, e vivido... Não dava.

Não queria ter voltado a Seattle, mas recebera uma ótima proposta. Além disso, seu avô estava doente, e com uma nova exposição de Spencer em pleno lançamento, ela teria que se virar sozinha. Era Seattle ou Yakima. Sorte que o avô aceitara se tratar na capital.

Aquilo lhe trouxe outra lembrança triste. O coração de seu avô não resistiu a mais do que seis meses. Foi a primeira vez que viu Spencer depois da formatura, onde ele fez questão de estar presente.

A perda do avô foi um baque. Com Spencer longe, ela tinha que se virar em duas para se firmar no trabalhar e manter um olho em Sam. A cirrose hepática ceifara a vida da mãe da amiga um ano depois de ela ter conseguido sua bolsa para Brown, então Puckett estava sozinha.

Sentada em sua cama, Shay retirou lentamente os sapatos pretos, sentindo a poderosa sensação de alívio e liberdade se espalhar pelos pés cansados e calejados, agora imunes às feridas que sapatos como peep-toes e scarpins geralmente causam.

Tirou a roupa lentamente e entrou no banho. A água quente livrou-a das preocupações como um bálsamo, curando ferida por ferida. Cicatrizando.

Cobriu o corpo com uma calcinha rendada preta e pôs por cima uma camisola de seda da mesma cor, antes de se deitar sobre os lençóis de algodão marfim.

Com um ultimo suspiro, ela sentiu o sono se apossar de seu corpo.

O relógio marcava exatamente 3am quando Carly Shay abriu os olhos, sentindo algo a envolvendo.

-Bom dia, Carls.

A voz grossa em seu ouvido foi o suficiente para fazê-la relaxar. Ela se virou lentamente, para o belo homem que estava deitado em sua cama, e o sorriso foi inevitável.

Notas finais
Eu ia dizer quem invadiu o quarto de Carly, mas desisti... ;p
Palpites?

E aí? Tá ruim, muito ruim ou é melhor eu desistir dessa vida de escritora e procurar o que fazer?!

Deixem sua opinião!

Eu venho pensando em colocar umas músicas, o que vocês acham?

bJOEss