Recomeçar
3 Chapter II
Notas iniciais
Esse capítulo é o maior até agora, logo, comentem mais! Ele também vai esclarecer algumas coisinhas.
Mas não tudo!
Os flashbacks começam agora, e vão ficar aparecendo regularmente, pra contar a história dos dez anos de intervalo.
Aproveitem!!
bJOEss
Shay sentou na cama, esquecendo por um momento que sua camisola era um pouco mais reveladora do que pregavam os bons costumes, e abraçou fortemente o amigo.
Ele sorria, mas o trazia no rosto um rastro de tristeza extremamente sutil, mas facilmente notável para uma amiga tão antiga. E ela sabia exatamente o motivo.
-Eu achei que você demoraria pelo menos mais dois meses para voltar! – o que deveria ser tempo o suficiente para Sam voltar ao normal na marra..., completou mentalmente.
-Eu sei. Queria fazer uma surpresa para você!
-Quem te deu meu novo endereço?
-E tenho meus contatos.
-Você ligou pro Spencer, não foi?
-É...
Eles riram. E então a morena finalmente notou que não estava vestida exatamente de forma adequada.
-Espera na sala. Eu vou me vestir e faço um café pra gente.
-Tá brincando? São três da manhã! Vai dormir!
-Ei! Foi você quem me acordou. – ela deu um murro no braço dele, mas foi seu coração quem doeu. Carly nunca bateria tão forte quanto... Ele sacudiu a cabeça. Pensaria nisso depois.
-Eu sei. Cheguei há pouco tempo, mas eu queria muito te ver. De Houston mesmo eu tentei te ligar, mas não deu certo, por isso eu liguei pro Spencer.
-Já sabe onde vai ficar?
-Com a minha mãe por uns dias, ela insistiu muito. – ele revirou os olhos e ela sorriu. – Depois eu procuro algo pra mim. Vai ser bom ficar sem fazer nada por uns dias.
Eles riram um pouco mais. Shay bocejou.
-Vai dormir, garota. Amanha a gente se fala.
-Vem tomar café aqui. As 9h tá bom?
-Ás 9h será!
Depois de vestir um robe e acompanhá-lo ate a porta, Shay voltou a se deitar, mas duvidava conseguir dormir de novo.
Estava tudo errado! Ele não deveria voltar agora! Ele não podia ver Sam daquele jeito! Ela sabia exatamente o que iria acontecer: o amigo ficaria mal também e iria tentar voltar com ela, porque ele ainda a ama, com certeza. Aquele traço de tristeza dizia tudo. Mas Sam iria dizer que não queria que ele sentisse pena dela, porque o orgulho era uma das poucas coisas que ela não mudara. Ele iria se afundar cada vez mais, dando o sangue por ela, o que só a faria ficar mais orgulhosa e mais triste, e ela esconderia essa tristeza, que iria começar a corroê-la de dentro pra fora, e ele iria ser tomado pela depressão e... Ah! Carly mordeu o lábio com força para não gritar, até sentir o gosto de sangue na boca. Eles iriam acabar morrendo!
Ela precisava dar um jeito nisso.
Sam iria morrer quando o visse. Ele não mudara muito, mas parecia ainda mais lindo do que antes.
Mas Carly não se sentia atraída por ele, como, aliás, nunca sentira. Ela o considerava um irmão, e saber o quanto ele tinha feito Sam sofrer a fizera sofrer também. Freddie era muito inteligente, mas ele era um homem. E fez exatamente a coisa estúpida que se espera que um homem faça...
Os sentimentos de Carly naquele momento eram confusos. Ela estava feliz por tê-lo de volta depois de três anos, mas sentia medo do que Sam poderia passar, e temia que aquilo terminasse mal. E por terminar mal, entende-se algo muito, muito ruim. Engoliu em seco.
Talvez Sam fosse forte o suficiente, mas ele... Sucumbiria mais fácil. E se... Ela também faria.
Em meio a mórbidos pensamentos e controlando-se para não chorar, Shay, de algum modo, adormeceu.
***
Abriu a porta lentamente e se dirigiu ao seu antigo quarto a passos leves. A última coisa que ele precisava era de sua mãe super-protetora no seu pé perguntando onde ele estivera e porque saíra àquela hora da madrugada.
Mas era óbvio que ela estava sentada no sofá, esperando por ele.
-Fredward Benson! Onde você estava? São 3h30 da manhã!
-Mãe! Eu fui vê a Carly, ok?! Estava com saudades dela!
-E da sua mãe, não?!
-Eu estou aqui, não estou? Eu vou ficar aqui por uns dias, antes de realmente começar a procurar um lugar só pra mim. Então relaxe, ok?! Mas eu passei três anos fora. Realmente fora. Eu sei me virar, não posso ficar sendo regulado!
-Você vai embora de novo?! Pra onde?!
-Eu deveria voltar para Houston em alguns meses, mas eu não sei. De qualquer modo, eu vou comprar um apartamento só pra mim em Seattle.
-Você pode ficar aqui comigo... – seu tom era chateado. Ele suspirou.
-Não, mãe, não posso. – respondeu docemente e se aproximou para abraçá-la. – Eu realmente preciso do meu espaço. Passei três anos praticamente confinado. Eu preciso respirar. Preciso pensar. — E preciso dela de volta, completou mentalmente.
Ele voltou a se dirigir para o quarto. Parou na porta e fitou a decoração infantil. Ao olhar pra cama, foi impossível não sorrir. Beijara suas duas melhores amigas naquela cama.
A primeira fora Carly. Naquele tempo ele ainda gostava dela, mas seu sentimento já tinha começado a diminuir. Ela o beijara depois dele tê-la salvado de ser atingida por um caminhão de tacos, levando a pancada em seu lugar. Aquele namoro durara, o quê, um dia? Dois? Ele nem lembrava mais...
E depois, ela. Ele estava fazendo as malas para ir embora para o Massachusetts quando ela chegou. Ele já tinha beijado-a varias vezes naquele quarto, mas aquela foi a primeira vez que eles se beijaram naquela cama. As lembranças daquele beijo eram suficientemente fortes para doer.
Flashback on
Eu estava na segunda mala, quando senti meus olhos serem cobertos, e a melhor voz do mundo sussurrou em meu ouvido.
-Adivinha quem é, Fredwork.
Eu tive que rir.
-Se não fosse suficiente o fato de eu reconhecer sua voz em qualquer lugar e sentir seu cheiro a metros de distancia, só você me chama assim, Puckett.
Ela riu também e retirou as mãos. Levantei e virei para ela, já envolvendo sua cintura. Depois de um beijo rápido, perguntei:
-E então? Veio me ajudar?
-Vim dar apoio moral.
Rapidamente, ela se desvencilhou do meu abraço e pulo na minha cama.
-Apoio moral?
-Sim. Eu confio em você, Benson. Sei que vai fazer um ótimo trabalho aí e vai terminar rapidinho pra...
Ela parou de falar instantaneamente quando me viu me aproximar e franziu o cenho. Eu apoiei um joelho de cada lado de seu quadril e uma mão em cada lado de sua cabeça, ficando sobre ela, mas sem realmente deitar.
-O que está fazendo? – perguntou ela em um tom quase nervoso que me fez sorrir de lado.
-Estou me aproveitando de você.
Não sei de onde veio a coragem de fazer isso, mas eu fiz. Ela sorriu levemente. Parecia... Envergonhada.
Eu projetei a cabeça um pouco e ela logo encerrou a distancia entre nós, segurando meu pescoço e começando um beijo um tanto quanto diferente dos que trocávamos geralmente.
Sam me puxou para cair deitado ao seu lado na cama e deitou sobre mim. Apertei sua cintura procurando diminuir um espaço que já nem existia mais.
Eu comecei a ficar sem ar, mas ter minha língua entrelaça da à dela era muito melhor do que respirar. Seus lábios pressionados contra os meus era...
-Freddie!
E a voz da minha mãe, seguida de batidas na porta, fez Sam pular de cima de mim. Ela estava vermelha de vergonha. Eu levantei e respirei fundo.
-O que foi, mãe? – respondi.
-Está com fome?
-Não. – respondi, aliviado que ela não tivesse ouvido nada. – Eu vou terminar aqui antes de comer.
-Ok.
Eu finalmente olhei para Sam, e percebi que ela não estava vermelha de vergonha. Ela estava contendo o riso! Rimos juntos.
-Ela não te viu entrar ou ela esta começando a te aceitar?
-Ela me viu entrar, então eu acho que minha admissão em Brown fez seu papel.
Eu a olhei, estranhando.
-E qual era o papel da sua admissão na faculdade?
-Me fazer boa o suficiente pra você, Frednerd.
Mesmo a brincadeira no final não fez a frase menos séria. Revirei os olhos.
-Você tem que para com isso. Eu acho ótimo que você tenha começado a estudar, mas você é perfeita pra mim assim do jeito que é. Eu não preciso de mais nada.
Ela sorriu, mas eu sabia que ela não desistiria. Sam era a pessoa mais teimosa do mundo. E eu amava aquela teimosa.
Flashback off
Ele pôs as lembranças de lado e começou a tirar a roupa. O casaco e a blusa foram pra cima da cama, o resto, incluindo os sapatos, fizeram uma trilha em direção à porta do banheiro.
A água era fria. Benson precisava de algo que o despertasse. Ele dormira por horas no avião, e tinha dormido antes. Não planejava dormir mais. Ele teria que pensar no que fazer dali pra frente. Precisava de um plano para tê-la de volta.
Não sabia onde ela estava, não tinha tido coragem de perguntar a ninguém sobre ela, e não a tinha visto desde... Como fora estúpido! Terminar com ela foi a coisa mais idiota que fizera. Ele a amava demais, sabia disso. E no entanto trocou tudo o que tinha com ela por uma aventura.
Se ele tivesse pedido, ela teria esperado por ele. Ele sabia que ela teria. Mas ele não queria prende-la sem saber se estava preso também, ou se sentia realmente algo por Jennifer Williams. Eles trabalhavam juntos, e Williams era linda. Bem feita de corpo, loira, alta, olhos claros. Chegaram até a se envolver, mas ainda não tinham saído do chão quando Benson percebeu que ela nunca seria nem de longe tão perfeita para ele. O que ele sentira era só atração, nada mais.
Mas ele não podia mais sair, muito menos ir até Seattle, e não podia ligar, ou mandar o e-mail. O treinamento já começara. Ele passaria os próximos três anos na companhia de Jennifer Williams, e mesmo assim, não sentiria nem vontade de beijá-la.
Lembrar de Jennifer o fez sorrir. Ela era uma boa amiga, e tinha sido extremamente compreensiva quando ele explicou que realmente ainda amava a ex-namorada. Fora ela quem o incentivara a voltar para Seattle assim que possível e resolver o que precisava ser resolvido. Se ele a amava, ele teria que lutar por esse amor.
O banho acabou durando mais do que o previsto. Ele se vestiu rapidamente e se jogou na cama. Contra sua vontade, acabou adormecendo com o lindo rosto sorridente de sua amada em seus sonhos.
***
Eram 8h45 quando a campanhia começou a tocar insistentemente. Shay tinha tanta certeza de que era Benson que sequer parou para pensar que apenas uma pessoa queimava sua campanhia daquela forma, e apenas em uma situação.
Ela abriu a porta com um sorriso, pronta para fazer uma piada sobre o porteiro não tê-lo anunciado. Mas seu sorriso murchou e as palavras morreram em sua garganta ao ver o rosto a sua frente, coberto por lagrimas, ainda tomado por soluços.
-Sam! – sussurrou, antes de puxar a amiga para si e fechar a porta.
Elas sentaram no sofá. Não era preciso explicações. Shay sabia exatamente o motivo da tristeza da outra. Só havia uma situação em que Puckett se permitia exprimir toda a sua tristeza e dava vazão à suas lágrimas: era quando ela sonhava com o dia em que ele a deixara.
Carly não estava com eles. Ela já havia se despedido dele, e ele não comentara nada com ela. Só ficou sabendo de tudo quando encontrou com Sam. Na verdade, ela não se encontrou com ela, Puckett fora ate seu dormitório, destruída. Jamais esqueceria aquele dia.
Flashback on
Eu estava sentada na minha escrivaninha, relendo o último e-mail de Spencer. Era bom saber que meu irmão estava tão feliz em Paris. Eu voltaria a Seattle em alguns dias. Estava pensando em morar em nosso antigo apartamento mesmo. Eu cuidaria do meu avô que andava adoentado.
De repente, alguém começa a, na minha concepção, tentar quebrar a porta do meu dormitório. Abri rapidamente. Fiquei meio surpresa ao ver quem era. Quer dizer, o namorado dela tinha ido passar um ano e meio trancafiado em treinamento e mais um ano e meio viajando, o que totalizaria três anos sem vê-la. Mas ela estava realmente desesperada!
-Sam! O que houve?
Ela se jogou nos meus braços.
-Ele me deixou, Carly! Ele me deixou de vez.
Guiei-a até a cama.
-Não, Sam. Ele vai voltar. É apenas um sonho antigo dele. Você sabe que ele sempre quis estar nessa...
-Não! – ela me interrompeu – Ele me disse que acabou! Que conheceu outra pessoa! Ele me deixou, Carly. Ele não me ama mais!
Eu fiquei sem palavras. Era surreal, e não era de um jeito bom. Ele era meu amigo, tanto quanto ela. Eu os amava. Como ele podia fazer isso com ela?
Eu estava arrasada.
Mas Sam estava devastada, e ela precisava de mim.
-Vem comigo pra Seattle. – disse, mais ou menos meia hora depois, quando ela finalmente parou de chorar. – Eu sei que você consegue terminar sua residência lá, só falta um ano mesmo. Você pode morar comigo por um tempo, refazer sua vida longe das lembranças.
Sam riu, sem humor.
-Longe das lembranças? Em Seattle?
-Sim. Eu sei que Spencer comprou o nosso antigo apartamento há alguns anos, mas eu não preciso morar lá. Alugamos outro. Eu sei que vocês começaram o namoro lá, mas as lembranças daqui são mais recentes. Além disso, eu tenho que voltar pra lá. Vem comigo, por favor?
-Eu vou pensar, ok? Por hora, só... Me abraça, amiga. Por favor.
Foi o que eu fiz.
Flashback off
Ela estava tão devastada naquele primeiro dia como estava naquele momento. Mas levou a metade do tempo para se acalmar. E Shay agradecia mentalmente pelo atraso de Benson.
-Você tinha razão, Carly. Está na hora de aprender a viver sem ele.
-Quanto a isso... – tentou, desconcertada. Mas o som da porta se abrindo a fez parar.
-Eu nem precisei ser...
A voz que entrava pela porta morreu, quando os olhos castanhos encontraram chorosos olhos azuis.
Notas finais
Eu não sei se eu tenho tempo de escrever essa semana, mas vem aí um feriadão pra mim, e eu vou tentar adiantar a fic.
Daqui pra sábado, depenendo da minha felicidade, vem mais. E vocês sabem como fazer pra eu ficar feliz, né?! ;D
Então comentem, recomendem, cobrem... ;DD
Até a próxima!
bJOEss
ps.: Pra quem não viu ainda, eu tenho uma one-shot Seddie. É bem simples, tá?! Mas se vocês quiserem ver, taí o link:
http://fanfiction.com.br/historia/157329/iLove_You
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