Notas iniciais
Último capítulo antes do epílogo.

Ele tirou a mascara e mostrou sua verdadeira face. Era ele, Chocolate Carter, com as roupas sujas de sangue e um olhar assassino no rosto.

- Responda princesa. – pediu mais uma vez – Vamos Kimberly, responda.

- Como sabe meu nome? – perguntei extasiada, nenhum professor sabia minha história.

- Como VOCÊ não sabe o meu? – ele perguntou desafiador tirando meu diário do bolso das calças extremamente largas.

- “Tenho sonhado cada vez mais com meu irmão...”- ele começou a ler, haviam páginas marcadas em vários pontos do diário. Ele devia ter pegado nossas coisas enquanto dormíamos noite passada. – Ele, seu irmão, por acaso tinha meu rosto? “mas no sonho, de um jeito estranho ele se parece com o Chocolate Carter, e não foi só uma vez.” Acho que isso responde minha pergunta.

- Brian? – perguntei a ele ainda na defensiva.

- Oi maninha!

- Você não é meu irmão! – disse passando na frente de Will.

- Será que alguém pode me explicar o que está acontecendo? – Leo, que não sabia da história pedia. Não tive tempo de responder, Carter apontou a arma para uma das pernas de Leo e atirou. Vi Leo cair no chão gemendo e gritando de dor.

- Fica bem quietinho Baker! – Carter ordenou.

- Como sabia que estaríamos aqui essa noite? – Will, agora mais calmo, perguntou.

- Sua mamãe me contou — respondeu – durante uma visita minha ontem pela manhã.

- Como?

- Meu charme natural. É claro, que depois eu corri para essa casa, já bloqueando todas as saídas, eu sabia que estariam aqui.

- Por que fez tudo isso Carter? – eu perguntei mostrando desistência, mas sem realmente baixar a guarda.

- Me chame de Brian maninha!

- Brian... Por que fez tudo isso? – tornei a perguntar.

- Porque sim minha querida, eles queriam nos separar.

- Quem queria?

- Todos eles, Leslie, Antony, Kat, Clara e Alan Carter, o marido estrangeiro de Kat...

- Como sabe todos esses nomes? – mais uma vez eu não acreditava.

- Eles queriam me mandar para a escola militar... – ele continuava sem responder minha pergunta. – E depois Antony fugiu como um cachorrinho foge da carrocinha, fugiu e nos separou como ele sempre quis.

- Você é louco Brian. – desafiei.

- Por você Princesa, eu disse que nunca ia te deixar, lembra? Mas ele conseguiu te tirar de mim. E pagou isso com a vida dele. – ele brincava alucinadamente com a faca, tirando um pedaço de papel amassado do bolso. – “Querida Kimbelrly, sinto não poder te esperar, mas tenho que partir. Ainda acho que estou fazendo uma loucura te deixando sozinha, mas não posso ver você chorar novamente... Acho que te devo uma explicação sobre o que aconteceu naquela noite. Você estava dormindo, Kat, Alan e Clara, que tinham vindo passar o feriado conosco estavam na sala se preparando para também dormir. Eu e sua mãe...” isso estava com ele na noite em que o matei. Quer que eu continue a ler, ou conte a história pelo meu ponto de vista? – ele perguntou jogando o papel no chão, com a fraca luz da vela reconheci a caligrafia delicada de meu pai, ele não estava mentindo.

- Eles me levaram para a sala de jantar, para mais uma vez tentar me convencer a ir ao colégio militar. Eu não queria ir, eu devia proteger você, como jurei que sempre faria.

Um gelo passou por todo meu corpo, eu me lembrava, bem vagamente, mas me lembrava.

~*FlashBack*~ (narrador observador)

- Kimberly... Kimberly? – Brian chamava pela irmã que brincava de esconder. A casa era grande, tinha dois andares, por isso as regras eram claras, se esconder apenas na sala. Brian que era mais velho se fazia de bobo enquanto procurava a irmã que estava escondida atrás do sofá. – Vamos princesa apareça! – ele pedia fazendo a volta no sofá. Não teve tempo de perguntar por ela mais uma vez, a menina de seis anos saiu correndo e pulou em cima dele.

- Peguei você Príncipe. – Kimberly repetia várias vezes.

- É princesa, você me pegou.

- Brian, promete que nunca vai me deixar? – a pequena pedia ainda abraçada com o irmão mais velho, na época com quinze anos.

- Eu prometo maninha!

- De coração?

- Prometo de coração. – os dois irmãos continuaram abraçados até que Kim dormiu. Os pais viviam surpresos com o amor que o menino tinha pela irmã, sempre a protegendo e ajudando.

~*End Flashback*~

- Brian?

- Sou eu mesmo Kimberly!

- Por que os matou, todos eles, por que fez isso?

- Eles queriam nos separar Kimberly. Mamãe e papai queriam me mandar para o colégio militar, Kat e seu marido apoiavam a decisão deles.

- Mas e Clara, ela era só uma criança.

- Eu não podia matar os pais dela e deixá-la viva, seria crueldade. – eu não entendia o raciocínio dele, era doentio e neurótico.

- E a Ali, Mi, Andy e Artie, o que eles fizeram para nos separar?

- Nada, mas era apenas peças descartáveis, eu queria chegar até ele – Brian apontou para Will – mas ele nunca te deixava. – agradeci mentalmente por ainda estar na frente de Will, assim ele não o acertaria, a não ser que também me quisesse morta.

- Por que ele? – a conversa tinha se resumido a mim e a Brian, já que Leo e Will não falavam mais nada, eu ainda podia ouvir a respiração ofegante de Will bem perto de meu ouvido e os gemidos de Leo ainda jogado no chão. Arrisquei um olhar rápido até ele e percebi que o tiro tinha pegado em sua perna esquerda, que estava sangrando muito.

- Ele ama você!

- E por isso quer matá-lo?

- Não, eu quero matá-lo porque assim que vocês terminarem a escola vão se casar, ou esperar até a faculdade, ou terminar o namoro, não interessa, você iria embora com ele, percebi isso quando Antony resolveu te deixar sobre os cuidados DELE! Eu devia cuidar de você Kimberly, e não qualquer cara que você conheceu na escola. – ele começou a chorar. Tudo passou em minha mente muito rápido, eu não tinha outra escolha.

- Brian! – disse indo abraçá-lo, o apertei com tanta força que meus braços doíam.

- Eu sabia que se lembraria de mim. Princesa! – ele disse me abraçando de volta. Eu comecei a chorar junto com ele. Ele soltou a arma e a faca para poder me abraçar direito. Ele caiu de joelhos me levando junto com ele. Eu tremia, minhas mãos estavam moles e meu corpo todo doía. Me lembrei de tudo o que meu pai me ensinou e chorei ainda mais agora que sabia que ele havia morrido e não me deixado. Muito lentamente e com cuidado puxei a adaga que ainda estava presa em minha perna, Brian não percebeu o movimento de meus braços, ele estava ocupado demais me abraçando para se preocupar com qualquer ataque.

- Eu sinto muito! – sussurrei em seu ouvido e antes de qualquer palavra enfiei com força a adaga em suas costas, em sua espinha para ser mais específica.

- Princesa? – ele perguntou com a voz já desaparecendo. Ele não sobreviveria, eu tinha matado meu próprio irmão. Ele caiu no chão e morreu, seus olhos ainda molhados pelas lágrimas permaneceram abertos, sem brilho algum. Eu me ajoelhei ao seu lado e chorei, chorei pelo que tinha descoberto, chorei por ter matado Brian, chorei pelos meus mais que haviam morrido por minha causa. Chorei. Procurei em seus bolsos mais alguma coisa que poderia me pertencer, mas não encontrei mais nada, então peguei do chão meu diário e o envelope com a carta de meu pai.

- Will você fique aqui. – eu ordenei pegando a arma do chão e checando as balas ainda restantes. – Eu vou abrir as portas. – Sai correndo em direção porta de entrada, dei um tiro na fechadura que cedeu mostrando a madrugada clara. Subi as escadas correndo e cheguei até a salinha onde Ali e Mi estavam presas. Atirei e a porta abriu. Pude ver Mi já morta em um canto e Ali em outro. Me aproximei de Ali e chequei seus batimentos estavam muito fracos, mas ainda existiam, Mi não teve a mesma sorte. Gritei por Will que subiu correndo e me ajudou a carregar Ali até a porta de saída. Enquanto eu ajudava Leo a se equilibrar em sua perna boa Will corria colina abaixo com Ali em seus braços. Eu me sentia mal por ter deixado os corpos dos outros para trás, mas nós não tínhamos tempo, Ali precisava de atendimento médico rápido, depois voltaríamos para buscá-los.

Sentados na sala de espera do hospital, Will e eu, não falamos nada sobre o ocorrido, Leo que já tinha sido atendido e a bala retirada de sua perna, estava sentado ao nosso lado muito aflito. Contei a ele toda a história desde o começo. Com toda a história esclarecida o silêncio mortal voltou enquanto esperávamos por notícias de Ali, que estava sendo operada. A polícia tinha sido avisada e já se dirigira até a Casa da Colina, nós deveríamos dar depoimentos, mas pedimos para eles esperarem até que Ali saísse da cirurgia, então contamos a eles um breve relato dos fatos e eles nos deixaram livres.

Uma hora se passou e então o médico entrou na sala, sua cara não era das melhores.

- Com licença, quem é o pai da criança? – o Dr. Perguntou sério. Leo vez menção de se levantar e o médico pediu para que não o fizesse. – Eu sinto muito, sua namorada, Alison Miller não resistiu, mas conseguimos salvar sua filha. – o médico disse rápido e se retirou da sala. Leo ficou branco, muito branco. Começou a chorar e não conseguia dizer nada. Eu o abracei, junto com Will, todos chorando. Muitas coisas passaram por minha cabeça.

Hoje eu não era Melanie, ou Clara. Não era Lúcia ou Roxy. Eu tinha morrido. Mas eu nunca me senti mais viva. Eu era Kimberly Cox. Apenas Kimberly. Pela primeira vez. Nós continuamos ali sentados esperando o Dr. Nos liberar para ver a criança e o corpo de Alison.