Era uma menina e Leo escolheu o nome de Leslie, em homenagem a minha mãe. Como ela nasceu prematura, teve de permanecer no hospital durante um longo período. Todos os dias Leo ia até lá para vê-la. Uma semana tinha se passado desde o ocorrido na casa da colina. Os depoimentos tinham sido dados e os corpos retirados da casa. A escola estava passando por um difícil processo, pois tinha admitido um assassino de nome falso em seu corpo discente. Ontem os corpos foram finalmente liberados e o enterro seria hoje. Acho que a parte mais difícil de tudo foi contar aos pais deles o que tinha acontecido na noite em que morreram.

Foi um único enterro, todos os cinco corpos foram sepultados juntos. Dezenas de pessoas foram até lá para dar seus pêsames para os familiares das vítimas. Emissoras de TV tentaram filmar o velório, mas com um mandato de policia conseguimos mantê-los longe. Apenas eu fui ao enterro de Brian, que foi em uma parte separada do cemitério. Ele fez o que fez, mas ele era meu irmão, ele era doente. Estava ajoelhada em frente sua lápide quando ouvi alguém me chamando.

- Sophia? – era Leo, com o rosto muito vermelho e a bebê em seu colo. Leslie tinha tido alta, mas deveria estar sobre os cuidados da mãe de Leo, que por milagre era enfermeira e se prestou a cuidar da criança em casa, junto do pai.

- Me chame de Kimberly! – eu pedi levantando e andando em sua direção. Ele me deu um beijo na testa.

- Vai ficar tudo bem! – ele dizia encarando Leslie que dormia calmamente em seus braços. Dei uma última olhada na lápide de Brian, onde estava escrito: “Amado filho e irmão, protetor absoluto”.

- Agora eu sei que vai. – disse por fim andando junto de Leo até alcançar Will e sua família.

- Vamos para casa? – Sr. Gray perguntou.

- Vamos. – Will disse dando um último abraço em Leo e um beijinho em Leslie, que era nossa afilhada. Me despedi de todos e junto a minha família eu voltei para casa. Foi um longo caminho em silencio, ninguém queria falar sobre o ocorrido. Fiquei abraçada a Will até que cheguei a casa e fui direto para o quarto. Meu diário estava em cima da cômoda. Os diversos pontos que Brian tinha marcado eram passagens como a do Ozzfest, minha primeira noite com Will, meus pesadelos e a partida de meu pai. Finalmente criei coragem e resolvi ler a carta que meu escreveu para mim.

“Querida Kimberly, sinto não poder te esperar, mas tenho que partir. Ainda acho que estou fazendo uma loucura te deixando sozinha, mas não posso ver você chorar novamente... Acho que te devo uma explicação sobre o que aconteceu naquela noite.

Você estava dormindo, Kat, Alan e Clara, que tinham vindo passar o feriado conosco estavam na sala se preparando para também dormir. Eu e sua mãe estávamos na sala de jantar conversando sobre o futuro de nossos filhos e de repente Brian apareceu. Ele tinha um olhar assassino e suas roupas estavam sujas.

- Olá querido! – sua mãe disse andando até ele. Brian tinha uma faca na mão e enfiou nas costas de sua mãe, sem dó. Eu não entendi. Ele dizia coisas como “Não vão nos separar”, “Não podem nos separar”, “Eu vou ficar com ela”. Logo percebi que ele falava de você, instintivamente peguei a cadeira e o acertei deixando-o no chão. Corri para a escada, na sala estavam os corpos de Kat, seu marido Alan e sua filha Clara, todos mortos, em seus rostos havia uma expressão tranqüila, ele devia ter os matado enquanto dormiam, contando que não ouvimos gritos. Eu corri escada acima e te peguei no colo.

- KIMBERLY, KIMBERLY. – eu gritava enquanto corria até seu quarto.

- Kim, acorda meu amor, vamos, nós temos que ir. – te peguei colo e corri, corri com todas as minhas forças, passamos pela sala, aonde vimos os corpos de nossos familiares no chão. Logo Brian tinha voltado a consciência e começava a gritar, chamando por você. Você, não diferente dele começou a chamá-lo de volta. Eu continuei correndo, sem destino, até que chegamos a um lugar onde Brian não nos acharia. Engano meu, desde então tenho fugido com você, mudando de nome, de cidade de emprego. Sempre que eu recebia uma ligação dele eu fugia e te levava junto. Sinto muito por tudo isso. A polícia nunca soube do que aconteceu porque Brian colocara fogo na casa, cobrindo todos os seus atos. E aqui nós chegamos. Não posso te levar comigo agora, talvez se eu for embora sozinho ele me siga e nunca saiba que você ficou para trás. Espero que dê certo.

Te amo com todo meu coração menina!

Seu pai, Antony Cox”

Junto à carta tinha uma foto de nossa família. Minha mãe, meus irmãos, minha sobrinha, todos vivos, todos felizes. Agora eu sabia a verdade. Meu pai morrera por mim, ele fugira por mim. Agora eu era eu mesma, não precisava mais fugir ou me esconder, eu estava livre, graças a meu pai. Ele me ensinara a lutar e a me proteger. Ele cuidou de mim sozinho durante onze anos.

- Kim? – Will me chamava com calma – Tudo bem?

- Agora está! – eu disse largando a carta em cima da mesa, junto com a foto e correndo até a cama onde beijei Will mais uma vez.

Fim...

Notas finais
Fim da história gente, muito obrigado por terem chegado até aqui. Vou sentir saudades dos meus personagens, mas a probabilidade de um continuação é nula...
Então é isso, espero que tenham gostado.
Beijos
MS
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!