Recomeços
10 Noite
Notas iniciais
Senti o chão fugir de mim. Minha respiração já falha começou a diminuir o ritmo, até que parou.Eu não queria respirar, não queria acreditar que aquilo estava realmente acontecendo. A dor que eu sentia a cada vez que o ar entrava em meus pulmões era horrível.Me senti tonta e minha visão começou a ficar embaçada. O quarto rodava e eu sentia meu estomago revirar.Os gritos do meu pai foram ficando mais distantes e logo senti meu corpo entrar em contato com o chão gelado do quarto.Tudo o que eu ouvia era o barulho das batidas descompassadas do meu coração, vi meu pai soltar a mala que arrumava e vir para cima de mim. Eu não sentia mais nada, apenas o vazio.Abri os olhos e a imagem continuava desfocada. Senti meu pai tirando meu corpo inerte do chão e me colocar de volta na cama. Podia ouvir meu pai chamar por Will que logo apareceu no quarto novamente.
Ambos me rodeavam e chamavam pelo meu nome.Recuperei a consciência e logo me virei para abraçar Will.As lágrimas rolavam livremente.
- Eu sinto muito Kim! – meu disse antes de sair do quarto. Eu não consegui dizer nem mesmo uma palavra. Will também não, apenas ficou cantando Your Guardian Angel, a música que nós dançamos no meu quarto quando ele me beijou pela primeira vez.
Tudo estava acontecendo muito rápido. Meu namoro, meus pesadelos e o fim de tudo.
O dia já estava chegando ao fim e eu permaneci deitada chorando o tempo inteiro.Às vezes, Will também chorava, outras, apenas ficava cantando e tentando me animar. Não teve sucesso, pois como uma pessoa que está deprimida pode tentar animar outra que se sente pior ainda?
Ali havia me ligado, fingi animação ao falar com ela no telefone. Os pais dela ficaram super animados com a idéia de serem avós. O mesmo aconteceu com os pais de Leo.
- Kimberly? – meu pai reapareceu no quarto chamando meu nome.
- Sim? – eu perguntei sem me virar para olhá-lo.
- Posso conversar com você?
— Pode. – eu me sentei na cama e me apoiei minhas costas em Will, estava sentada entre suas pernas. Meu pai se sentou aos pés da cama e começou a falar.
- Enquanto você dormia, eu pensei...
- Sim...
- Eu conversei com os pais de Willian...
- Sim...
- Você poderá ficar na casa deles...
- Isso é sério?
— Sim, mas tem que prometer manter contato comigo...
- Ahhh papai... eu nunca vou deixar você! – eu dizia. Minha voz saiu abafada por eu estar agarrado com o meu pai. Ele chorava e me abraçava de volta.
- Eu achei injusto com você, passar a vida fugindo. Quero que você... eu quero que você fique. – ele disse com a voz falha.
- Muito obrigada pai! Eu amo tanto você, vou te ligar todos os dias e te visitar todo mês, onde quer que você esteja e quem quer que você seja.
- Assim espero! – ele brincou, mas com um tom sério. – Cuide bem da minha menina Willian Gray.
- Com certeza senhor. Sempre, jamais tirarei os olhos dela! – Will dizia rindo enquanto chorava e me abraçava.
- Você poderá se mudar amanhã mesmo se quiser.
- Não, eu vou ficar com você até o dia que você for embora.
- Então não vai mais ao Ozzfest? – ele perguntou esperançoso.
- Não exagere pai, estamos esperando esse festival a dias, não perderia isso por nada.
- A propósito, quando é?
- Em duas semanas! – eu disse rindo.
O Ozzfest é um festival de música pesada pelo qual eu estava esperando há muito tempo. Dois dias de shows com minhas bandas favoritas. E todos nós já estávamos preparados para acampar e agüentar dois dias seguidos de muita música, bebidas e loucuras. Meu pai nunca foi à favor desses meus interesses excêntricos, mas depois de muito discutir, ele acabou cedendo aos meus desejos. Ali e eu já estávamos fazendo camisetas e faixas para usar nos dias de show. Avenged Sevenfold, Atreyu, Papa Roach e muitas outras bandas de hardcore e metalcore de primeira qualidade. Leo, Will e os outros meninos já estavam com as barracas preparadas e ingressos comprados.Chegaríamos três dias antes, para podermos ficar bem perto do palco principal. Encontraríamos lá um amigo de Will que levaria as bebidas e acredito que até algumas drogas. Claro, que essa parte eu contei para o meu pai. Nem Will para os pais dele, ou qualquer um de nós. Uma vontade de rir incontrolável me invadiu. Alison, a garota que mais estava animada para encher a cara de Smirnoff se drogar seria a única a não fazer isso.A não ser que Leo se sensibilizasse pela situação precária de sua namorada, mas eu não acredito que isso aconteceria. Eu tentaria beber pouco, mas não garanto nada. Não, eu não sou uma adolescente bêbada como todas as outras. Para falar a verdade, a única vez em que eu tinha bebido, foi na festa de aniversário do Vinny, quando eu ainda era Melanie.
O resto da noite eu passei com o meu pai. Will voltou ao seu próprio quarto e eu fiquei com o meu pai na biblioteca. Nós conversamos sobre diversos assuntos. Assuntos aleatórios, e bobos. Eu e meu pai sempre fomos muito ligados e me separar dele assim seria muito difícil. Fizemos bagunça com os livros e CDs. Comemos cereal açucarado, e ainda acrescentamos mais açúcar, o que nos impediu de dormir tão cedo. Foi uma das noites mais divertidas e ao mesmo tempo mais tristes de toda a minha vida.
Notas finais
Beijos
MsShadows
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