Recomeços
8 Nem sempre conseguimos as respostas desejadas
Notas iniciais
Quero agradecer à Gabuh, que foi a primeira pessoa que leu, a Cessiuh que sempre deixa um lindo review, que sempre me deixa muito emocionada e a giavannacat que é minha mais nova leitora!! Amo vocês!! Xx MsShadows
Chegou o dia do tão esperado passeio para os sítios arqueológicos. Eu e os outros escolhidos já estávamos entrando no ônibus que nos levaria até o aeroporto, que nos levaria até Paris. Will estava lá para se certificar de que Nate não chegasse perto de mim. O que me confortava era que Sanders também iria nessa viagem.
- SANDERS! – Will chamou quando Michael chegou perto do ônibus.
- Fala Gray! Oie V! – ele nos cumprimentou jogando a mochila no chão.
- Escuta aqui Sanders eu conto com você para que não deixe o Price se aproximar da V, ok?
- Ok chefe, entendido! – ele disse firme batendo continência. O que eu mais gostava no Michael era esse jeito palhaço dele. – Serei seu guarda costas fofa!
- Assim espero! – Will continuava sério. Mas não demorou muito para sorrir e relaxar um pouco.
- Sr. Gray, por favor, volte para sua sala de aula. – a Sra. Baylei pedia educadamente pela terceira vez.
- Já vou, Sra. Baylei. – Will falava rolando os olhos.
- Vai, é melhor, antes que ela faça um comunicado ao diretor. – eu disse para Will voltar para sua sala.
- Se cuida ta? – ele ordenou.
- Aham, o meu guarda costas vai tomar conta de mim! – eu disse tentando fazer Will ficar um pouco mais calmo. Ele me deu um selinho demorado.
- Me liga, se acontecer qualquer coisa. – ele pediu e eu afirmei com a cabeça. Will se virou e foi embora.
No avião eu estava calma, pois Sanders estava sentado ao meu lado. A música no meu Ipod estava no último volume. Fui quase que o caminho inteiro escrevendo no diário que Will tinha me dado, já Sanders dormiu e só acordou quando o piloto disse que o avião estava prestes a pousar. Fomos de ônibus até a Caverna de Chauvet. A viagem foi muito cansativa, mas foi boa.
Na Caverna de Chauvet nós pudemos fazer muita coisa, apenas vimos os fósseis encontrados e conversamos com alguns dos pesquisadores que ali trabalham. Foi incrível, para nós, gênios da história, foi o melhor passeio que poderíamos ter tido.
Fomos ao hotel, onde passaríamos a noite, para que amanhã à tarde, após mais uma visita à caverna, nós voltássemos a Northumberland. Liguei para Will assim que cheguei ao quarto, estava extremamente cansada e ouvir a voz dele iria ajudar um pouco. Não conversamos por muito tempo, estava muito tarde e eu precisava de um banho.
Dormi, e mais um sonho com o Brian/Chocolate Carter me acordou no meio da noite chorando. Aquilo já estava virando rotina. Mas dessa vez a sensação de ter o meu irmão mais próximo de mim foi maior. Coloquei o casaco e saí do quarto tentando não acordar Michelle Thompson, minha colega de quarto. Era uma garota legal, muito inteligente e prestativa.
Andei até a varanda do andar, o frio cortante entrou em contato com a minha pele me fazendo tremer. As lágrimas ainda caíam e meu coração ainda estava disparado.
- Ainda acordada? – ouvi uma voz conhecida perguntar atrás de mim. Gelei ainda mais.
- Boa Noite Professor. – eu disse secando as lágrimas.
- Por que choravas? – ele perguntou secando uma lágrima que tinha escapado da manga do meu blusão.
- Pesadelo.
- Muito ruim?
- Bastante. – eu disse enquanto as lágrimas voltavam a cair
- Me conta. – ele pediu, e eu neguei com a cabeça. – falar às vezes ajuda!
- Não acho que nesse caso ajudaria. – eu disse com um suspiro e Chocolate Carter continuou a espera de uma resposta válida. – Minha família. Eu sonhei com o meu irmão.
- E isso é um pesadelo? – ele perguntou parecendo interessado.
- Meu irmão está morto professor. Qualquer coisa que me faça lembrar dele é um pesadelo. – ele continuou me encarando esperando alguma coisa mais.
- É recente? Digo a morte dele?
- Não, foi há dez anos, e isso é o que mais me incomoda.
- Por quê?
- Porque eu sonho com uma coisa que não é real.
- Não é a pior sensação do mundo. – eu o encarei. Como ele ousava falar assim dos meus sentimentos? Ele nem me conhecia.
- Não, não é. Sabe qual é a pior sensação do mundo? – eu o desafiei.
- Qual? – ele me encarou de volta.
- É quando cada partícula do seu corpo almeja por uma coisa que você não pode ter.
- E o que você tanto deseja, talvez eu possa ajudar? – ele perguntou enquanto de aproximava ainda mais de mim. Uma pessoa normal nessas circunstâncias estaria com medo, mas não eu. Não com o Chocolate Carter. Ele me passava uma segurança natural.
- O que eu desejo você não pode me dar. – eu disse firme.
- Me diga!
- Eu quero o meu irmão. O senhor pode trazer ele de volta? – perguntei estúpida. Já estava cansada daquela conversa.
- Não, mas...
- Sem “mas” Carter... não existe “mas”.. ele morreu, e nada que você possa fazer vai mudar isso. – conclui alterando um pouco o meu tom de voz. Virei as costas para voltar ao meu quarto, mas Carter segurou a minha mão.
- V... – ele me chamou pelo apelido. – eu sinto muito! – ele disse e me abraçou. Me deixei levar pelos braços de Alan Carter. Aquele abraço era tão quente e tão reconfortante. Era exatamente o eu precisava.
- “Oh, meu amor... Em meus braços, firmemente” – ele começou a cantar calmamente em meu ouvido. Era uma música linda. Não conhecia, mas eu adorei. Eu o abracei de volta, e o segurei com força enquanto chorava. Me perguntava se algum dia isso iria acabar. Se algum dia minhas lágrimas acabariam. A música acabou e nós continuamos abraçados.
- Venha querida. – ele pediu enquanto me direcionava para a sala de estar daquele andar.
Nos sentamos nos sofás e eu deitei minha cabeça em seu colo. Eu encarava o teto e ele acariciava meus cabelos. Era surreal, e pensar eu ele era meu professor de história.
- Morgan? – ouvi Michelle me procurando no corredor. – Morgan?
Eu me sentei e encarei o professor.
- Acho melhor eu ir agora.
- Vai lá.
- Muito obrigada! – eu me despedi com um beijinho em sua bochecha.
- Bom resto de noite, minha menina! – ele disse e beijou minha testa.
Me levantei do sofá e andei na direção do meu quarto.
- Estou aqui Michelle. Fui tomar um ar! – eu sussurrei tentando acalmar a menina.
- O que faz andando pelos corredores Morgan? – Nate Price apareceu no corredor e veio andando em minha direção.
- Nada Price. – eu respondi. Naquela altura do campeonato, eu tinha aprendido que não responder as perguntas de Nate não era a melhor opção.
- Sophia...
- O que você quer Nate? – ele não me respondeu. – vamos Price, me responda. O que você quer de mim? – eu não tinha mais medo dele. E eu sabia que se ele se aproximasse de mim Alan Carter apareceria do nada e me protegeria.
- Você! – ele disse.
- Ok Nate. – eu respondi estupida. – então vai dormir e sonha comigo! Vem Michelle. – eu a puxei de volta para dentro do quarto.
- Você vai se arrepender Primeira Dama! – ele ameaçou e eu não dei ouvidos. Não gastaria minha preciosa saliva, ou minha preciosa voz discutindo com o Nate mais uma vez. Expliquei o que eu tinha ido fazer fora do quarto para Michelle, que pareceu muito preocupada.
Michelle Thompson era realmente uma garota legal, como já disse muito inteligente, porém como nada é perfeito, ela era amiga de Kelly Price. Ficamos o resto da noite conversando sobre os gêmeos. Descobri muitas coisas sobre o passado de Nate, o passado de Kelly e também sobre Marry, a prima do Will. Era uma história realmente triste. No dia da morte dela, ela estava grávida, tinha contado ao Nate, e rolavam boatos de que o acidente teria sido provocado.
O dia seguinte foi muito menos cansativo. Nós voltamos ao sítio arqueológico e assistimos mais algumas palestras. Fiquei fascinada com os fósseis. Imaginar de onde vieram, porquê estavam ali e a história de cada um deles era simplesmente mágico.
A viagem de volta foi tranqüila. Não me encontrei com Nate desde a noite passada, nem conversei Carter. Michael voltou sentado ao meu lado, e o tempo todo fazia piadinhas infames. Acredito que dormi boa parte do caminho e quando desembarquei já em Northumberland Will estava lá para me esperar.
- Oi, como foi de viagem?
- Linda, fascinante, formidável...
- Ok, já entendi que foi boa! – ele riu e eu rolei os olhos. – Kim, nós precisamos de ajuda. – ele disse baixinho.
- Sim.
- É a Ali, ela está muito estranha, ninguém consegue falar com ela, nem mesmo o Leo.
- Mas, o que aconteceu? – eu me assustei. Se existe uma pessoa no mundo que eu achei que nunca ficaria assim, essa pessoa era Alison Miller.
- Nós não sabemos, desde ontem ela está assim. Talvez você consiga falar com ela.
Nem voltei para casa. Deixei minhas malas com Will e fui direto para a casa da Ali. A mãe dela estava muito preocupada, visto pelas olheiras profundas formadas em baixo de seus olhos.
Bati na porta do quarto. Ninguém respondeu.
- Ali, sou eu a V! – eu disse e girei a maçaneta, a porta estava destrancada e pude vê-la. Aquela visão me perturbou. Ali estava sentada na cama, os cabelos desarrumados e os olhos muito vermelhos. Ela tinha chorado, muito. Ao me ver ela levantou e correu em minha direção.
- V! – ela disse chorando.
- Sou eu Ali. O que aconteceu?
- Estou tão feliz que tenha voltado. Eu precisei tanto de você... – ela ainda me abraçava e nós duas caímos no chão.
Eu pude ver. O que estava deixando Alison tão aflita.
Notas finais
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