Perto da parede havia um lixinho da mesma cor das paredes, lilás. Dento do lixo, que estava aberto, vi um teste de gravidez usado. O resultado? Positivo. Alison Miller, a garota perfeita, estava grávida do namorado. Abracei Ali com mais força e também comecei a chorar. Era a primeira vez que eu chorava por alguém além de mim mesma. Ficamos sentadas no chão até que meu celular tocou, era meu pai.

- Fica aqui. - Ali sussurrou para mim, e assim fiz. Disse ao meu pai que minha amiga precisava de ajuda e que nada me faria ir embora.

Ajudei Ali a levantar e nos sentamos na cama. Depois de algum tempo em silêncio, decidi perguntar como aquilo tudo estava acontecendo.

- Eu não sei, sempre fomos tão cuidadosos... — Ali dizia com a voz falha.

- O Leo já sabe? — perguntei, ela negou com a cabeça. — Você tem que contar a ele Ali!

- Vem comigo? — ela pediu.

- Não posso Ali, isso você vai ter de fazer sozinha! — me senti hiper mal ao negar dessa forma um pedido da Ali, mas era a verdade. Ela deveria conversar com o Leo sozinha. — Mas eu posso ir com você até ele, só que você que irá falar com ele.

- Obrigada V. Você é minha melhor amiga! — Ali disse chorando e voltando a me abraçar com força.

- Você também é minha melhor amiga Ali! – fui sincera, afinal, Ali se tornou minha melhor amiga. – Você quer falar com o Leo hoje? Ele está muito preocupado com você!

- Aham, quanto mais rápido melhor.

- Certo, vou ligar pro Will e pedir para que ele leve o Leo até...

- A praça. – Alison completou meu pensamento e assim fiz.

Nós fomos até a praça que ficava ha poucas quadras da vila. Pude ver Leo e Will sentados em um dos bancos, seus olhares estavam apreensivos. Ali e Leo se distanciaram de mim e Will para que pudessem conversar. Eles não estavam longe, mas mesmo assim eu não podia ouvir o que falavam. Will não fez perguntas ou falou alguma coisa, ele apenas me abraçou e junto comigo assistiu a verdade.

O espanto estava estampado no rosto de Leonard, Alison tinha voltado a chorar e o medo tomou conta dos meus pensamentos. Medo de ver Ali e Leo se separarem, medo de Ali sofrer sozinha. Mas então Leo a abraçou e assim permaneceu por um bom tempo.

Aquela cena me deixou realmente abalada, ver Ali e Leo abraçados me mostrava o quão real aquilo era. Recuperado do choque Leonard e Alison vieram contar a Will sobre a gravidez. Para minha surpresa, Will reagiu muito bem e logo começamos uma discussão sobre quem seriam os padrinhos da criança. E mais uma novidade, Leo e Alison se casariam, antes da criança nascer. Para isso eles precisavam da autorização dos pais e era essa parte que mais os assustava. O casal decidiu que conversariam com os pais de Ali naquela mesma tarde, por isso eu voltei para casa, a fim de encontrar o meu pai, e tomar um longo banho.

A noite chegava calma e minha preocupação com Ali, Leo e meu afilhado só aumentava. Depois de muita discussão hoje cedo, decidimos que eu e Will seríamos os padrinhos. Desfiz a pequena mala que tinha levado para a viagem e já me troquei para dormir. Não demorou muito e Will já estava pulando para a minha sacada.

- Bela dama!?

- Gentil senhor!? – eu nunca me cansaria disso. Ele deu um beijinho na minha testa. Nos deitamos na cama e não falamos mais nada. Apenas nos beijamos e trocamos algumas carícias. Sabe aquele silêncio que incomoda, com Will o silêncio nunca era constrangedor ou chato, era apenas silêncio.

Acordei no dia seguinte, percebi que Will ainda dormia ao meu lado e não pude evitar um sorriso. Não o acordei, só o assisti dormir. Eu não queria morrer, não dessa vez. Esse era meu medo. Eu sabia que um dia eu iria embora, que um dia Sophia Morgan morreria, e só restaria uma menina triste, sem nome e sem vida. Antes que eu começasse a chorar Will acordou e me tirou do meu transe.

- Eu amo você Kimberly Cox! – ele me disse.

- Eu também te amo Willian Gray! – respondi. Ele fez menção de me beijar, mas eu o impedi. – Não antes de escovar os dentes. – eu disse firme e ele rolou os olhos. Nós escovamos os dentes e voltamos a deitar na cama exatamente como estávamos.

- Posso agora? – ele perguntou.

- Eu esqueci onde a gente estava! – disse e abri o meu sorriso mais cínico. – Tente fazer com que eu me lembre.

- Eu amo você Kimberly Cox! – ele repetiu e antes que eu pudesse dizer a minha parte, seus lábios encontraram os meus com urgência. Tentei dizer que o amava, mas ele sempre me interrompia com mais beijos, alguns urgentes outros calmos, mas todos bons. Eu estava tão concentrada em Will que nem percebi meu pai se aproximando da porta. Quando eu o ouvi, já estava perto demais e Will não conseguiria voltar para seu próprio quarto a tempo. Tratei de esconder Will embaixo da cama e fingir que acabava de acordar.

- Bom dia Sophia!

- Bom dia pai!

- Kim... nós precisamos conversar...

- Não...

- Eu sinto muito Kimberly, mas...

- Não pai, eu não quero ouvir... – eu já chorava. – Não toque em mim! – eu disse quando ele veio me abraçar.

- Kim...

- Vai embora Antony! – eu pedi com a voz falha. Ele parou na porta e me olhou.

- SAIA DAQUI! – eu gritei. As lágrimas corriam livres pelo meu rosto. Ele fechou a porta e Will sentou na cama com lágrimas também escorrendo em suas bochechas.

- Kim... – ele começou, mas não conseguiu terminar. O abracei e choramos juntos, até que meu celular tocou. Atendi correndo, pois ainda esperava a ligação de Ali. O número era privado e por isso eu não sabia quem era.

- Alô? – eu comecei tentando controlar a voz.

- Kimberly? – perguntou a voz do outro lado da linha. Senti meus joelhos tremerem e um frio repentino passou por todo meu corpo. Will percebeu meu desespero e permaneceu ao meu lado.

- Quem é? – tentei perguntar, porém minha voz saiu estranha. Will me encarava como se perguntasse o que estava acontecendo.

- Não está reconhecendo a minha voz? – ele, sim ele, era a voz de um homem, perguntou. Eu não sabia quem era, não conseguia reconhecer a voz e comecei a ficar nervosa.

- Quem é você? – eu praticamente gritava ao telefone.

- Sou eu, Brian! – a voz disse ao mesmo tempo em que meu entrou pela porta. Aparentemente meus gritos chamaram a atenção dele.

- Brian? – eu sussurrei e tive o celular arrancado de minha mão.

- Deixe ela em paz seu monstro! – meu pai disse firme. Eu nunca tinha visto tanta raiva nos olhos dele. A presença de Will no meu quarto não parecia incomodá-lo. Não tanto quanto aquela ligação misteriosa.

- Willian, volte para seu quarto.

- Sim senhor. – Will obedeceu meu pai, pois acima de tudo Will era educado e sabia o seu lugar. – Eu amo você! – ele disse e me deu um selinho demorado.

- Kimberly, arrume-se. – meu pai dizia e começava a tirar as minhas malas do guarda-roupa. – Nós vamos embora. – ele dizia aflito já guardando minhas roupas de qualquer jeito na mala.

Não acreditei que isso estava acontecendo de novo. Não agora, não comigo.

Notas finais
Desculpem pela interminável demora da att!
Eu tive alguns problemas que me impediram de atualizar antes. Cheguei até a cogitar HIATUS, mas felizmente consegui postar esse capítulo. Vou continuar com a história até o final, a única diferença é que agora as atualizações serão mais demoradas do que as outras.
Muito obrigada pela leitura.
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MsShadows