Recomeços

4 Mentiras e mais mentiras


Notas iniciais
Aconselho a ouvir as músicas citadas no momento em que são citadas. Ajuda a entender a dinâmica do momento.
Ambas estão disponíveis no Youtube.

- Will não. – eu pedi enquanto me levantava e corria atrás dele. – Por favor, não!

- Mas Sophia, olha o que fez com você! – ele tentava argumentar. – Olha o que ele fez com você!

- Eu sei, mas, por favor, não faça nada. Não arranje uma briga, já basta o Andy! – eu disse. Por dentro eu queria que ele fosse até Nate e não me se Will cortasse sua língua fora, mas para que Will não se metesse em encrenca eu pedi para que ele deixasse passar. Ele consentiu meu a contra gosto.

- Quer ir embora? – ele perguntou.

- Quero. – eu disse secando as lágrimas.

Will se despediu dos meninos que ficaram na escola e me levou para casa. Disse que não se importaria e perder algumas aulas. No caminho nós não falamos muita coisa. Ele até tentou puxar algum assunto, mas eu aleguei que preferia conversar quando estivéssemos em casa.

Já dentro de casa nós nos dirigimos até a sala de estar, que ficava no segundo andar da casa. Liguei a televisão só para ter alguma coisa para fazer.

- V?

- Sim, eu perguntei sem olhar para ele.

- O que aconteceu? – ele começou. – lá no corredor?

- Eu pedi para ir ao banheiro, não sabia o caminho e Nate resolveu me acompanhar, o professor deixou sem nem precisar pensar. Eu disse que podia achar o caminho sozinha, mas Nate me seguiu.Começou a fazer um monte de perguntas aleatórias e eu não respondia. E então... – eu não precisei terminar a frase e Will fechou os punhos.

- Eu sinto muito por isso Sophie.

- A culpa não foi sua, não tinha como impedir.

- Eu podia ter te avisado que o Price não é o santinho que todos pensam que ele é.

- Não mudaria nada, eu sabendo disso ou não, os professores ainda acreditariam nele.

- Isso não é desculpa. — Ele falou e passou a mão pelo meu pescoço.

- Eu acho que vou ter que começar a usar lenços ou blusa de gola alta. – eu ri, mas ele não.

- Isso não é brincadeira V, quem sabe o que poderia acontecer se o Andy não tivesse aparecido. – eu tremi com o comentário.

- Eu não quero nem pensar no que poderia acontecer.

Will me abraçou e eu me senti mais segura. Não chorei dessa vez, apenas me aninhei em seu pescoço e ali permaneci em silêncio. Ele passava as mãos em meus cabelos e às vezes fazia um carinho em meu pescoço.

- Will? – eu perguntei baixinho depois de um longo tempo sem dizer nada.

- Sim? – ele perguntou no mesmo tom. Com aquela voz rouca que passava a adorar.

- Por que você acha que o Nate fez isso comigo? – eu estava realmente curiosa.

- Porque você é diferente. Todas as garotas que chegam aqui logo vão ficando com ele e depois que ele consegue o que quer ele as deixa sozinhas. Se você não respondeu as perguntas dele você atiçou o cara. Passou a ser um desafio.

- Então eu não sou a primeira?

- Não. Teve outra garota. Marry, minha prima, veio passar um tempo aqui na cidade, no começo ela resistiu e Nate a atacou. Depois disso ela ficou com ele e eles começaram a sair. Pouco tempo depois eles sofreram um acidente de carro e ela morreu.

- Nossa Will, eu sinto muito. – eu disse me levantando.

- Tudo bem, foi há muito tempo.

- Eu devia ter deixado você bater nele.

- Eu já bati, várias vezes. Mas pode deixar que eu vou me vingar dele por você!

Dessa vez nós dois rimos e eu voltei a deitar em seu ombro. Acabei dormindo e acordei com Will tentando se levantar.

- Desculpa te acordar.

- Imagina, eu nem devia ter dormido. – eu me levantei. – Quer comer alguma coisa?

- Para falar a verdade que estou com um pouquinho de fome.

- Então vem, vamos ver se tem alguma coisa comestível no armário.

Nós descemos as escadas e nos dirigimos à cozinha. Eu vasculhei os armários e a geladeira. Tudo o que achei foi o cereal. Preparei duas tigelas, eu também estava com fome.

- Wow cereal, eu quase nunca como! – Will comentou irônico enquanto se sentava na minha frente.

- Se não quer devolve. – eu disse e puxei a tigela de volta.

- Não, não, não, eu quero. Me devolve. – ele pegou a tigela de mim e logo tratou de comer.

- Esfomeado. – eu acusei.

- Sou mesmo. – Will disse de boca cheia e não pude deixar de rir.

- Sua mãe não te dá comida não?

- Ela falou que só vai me dar alguma coisa para comer quando eu parar de colocar o som do rádio no último volume.

- E então você prefere ficar sem comer?

- Mas é claro. Música é música.

- Concordo plenamente.

Nós terminamos de comer e eu o levei para conhecer a casa. A cada corredor ele perguntava aonde as portas dariam e perguntava a história de cada quadro e escultura que tínhamos.

Chegamos ao meu quarto e ele logo foi entrando e sentando na cama. Ele notou que eu não tinha fotos nas paredes.

- Você não tem nenhuma foto?

- Não.

- Por quê?

- Fotos me lembram de um passado que eu não tive. – a cara que Will fez deixou bem claro que ele não entendeu o sentido da frase. Para minha felicidade ele não tornou a perguntar.

- Olha... CDs! – Will levantou da cama e foi dar uma olhada na minha estante de CDs. – Que CD é esse? – ele perguntou segurando o CD de Vinny na mão.

- “Para Melanie, com amor Vinny e Anna!” – ele leu. – Quem é Melanie?

Eu temia essa pergunta. Como eu já previa, Melanie Johnson tinha voltado para me assombrar.

- Melanie era a minha irmã. – eu respondi calmamente.

- A que... – ele não terminou de falar.

- Ela mesma, Vinny e Anna eram amigos dela. Não tive coragem de jogar esse CD fora. – nem tudo era mentira. – Quer ouvir?

- Adoraria.

Eu andei até o rádio e coloquei o CD para rodar. A primeira música era Your Guardian Angel do The Red Jumpsuit Apparatus. Para a minha surpresa ele conhecia a música, tanto que começou a cantar junto. Ele tinha uma bela voz.

- Dança comigo V? – ele pediu. Aceitei. Will me abraçou pela cintura e colou seu corpo no meu. Encostei a cabeça em seu ombro e sorri.

Ele cantava baixinho perto do meu ouvido. Me senti bem, me senti segura.

Quando a música estourou, ele me girou e voltou e me abraçar.

- Me diga que você vai ficar. – ele disse, e percebi que não era só porque ele cantava. Olhei em seus olhos, Will me encarava esperando uma resposta.

- Eu vou ficar! – eu sussurrei.

- Obrigado! – ele respondeu no mesmo tom baixo de antes. Encostou sua testa na minha e aproximou sua boca. Dessa vez eu não hesitaria.

Ao contrário de Nate, Will era delicado. Não forçou a barra e foi doce o tempo inteiro. O beijo de Will tinha gosto de cereal de açúcar, era muito bom!

Outra música começou, uma música mais agitada. Walk do Pantera. Nós aceleramos nossa dança. Acabou que nos separamos e começamos a dançar no novo ritmo. Parecia mais uma dança sensual do que romântica. De tempo em tempo Will me abraçava e dava um beijinho rápido. Ele cantava e eu sorria. Quando a música acabou Willian abaixou o som do rádio, que só para constar estava bem alto, e andou em minha direção.

Me beijou novamente, de leve, rápido. Um abraço quente me envolveu.

- Obrigada! – eu disse.

- Foi um prazer! – ele riu alto.

- Posso te contar uma coisa?

- Claro.

- Você foi primeiro cara que eu beijei porque tive vontade. – não fiquei com vergonha, nem medo de alguma represália.

- Depois do Nate?

- Não, em toda a minha vida. – assumi. Will sorriu e tive certeza de que estava começando a me apaixonar por ele. Mais um beijo aconteceu, e as borboletas no estômago só aumentavam. Incrivelmente a qualidade dos beijos também só aumentava, junto com a velocidade.

- Sophia? – ouvimos meu pai chamar. Nos separamos na hora e logo Will pulou para sua sacada e entrou no quarto. Mas antes ele me deu um selinho e sussurrou um “até depois”.

- Aqui no quarto pai. – eu gritei de volta. Coloquei a mão no pescoço antes que meu pai visse o estrago.

- Como foi o primeiro dia?

- Bom, muito bom.

- As pessoas são legais?

- Algumas. – já estava ficando impaciente com essa conversa. Ele já sabia que eu tinha respostas decoradas para esse tipo de pergunta.

- Ok. – sim, ele sabia que eu tinha respostas decoradas.

- Pai, eu vou tomar um banho ta bom?

- Sim, qualquer coisa que você precisar me chama.

- Pode deixar.

Meu pai finamente saiu do quarto e pude ver Will olhando pela janela.

- Eu vou tomar banho. – eu disse baixo, para que ele lesse meus lábios. Abaixou a cabeça consentindo. Me mandou um beijinho bem gay e eu não pude deixar de rir. Aumentei o volume do rádio novamente para que eu pudesse ouvir do banheiro.

Notas finais
Mais um capítulo.
Espero reviews!!
Xx MsShadows