Recomeços
5 Surpresas
Notas iniciais
Meu segundo dia de aula foi bem mais fácil do que o primeiro. Consegui com que mudassem meu horário e agora não tinha mais nenhuma aula com o Nate Price.
Dois meses se passaram e desde o ocorrido no primeiro dia de aula Nate não me dirigiu a palavra ou sequer olhou para mim. Meu pseudo-romance com Will estava às mil maravilhas. Mesmo eu não tendo muito com o que comparar, sei que encontrar alguém tão gentil e doce quanto ele seria muito difícil. Essa minha não tão mais nova vida estava sendo a melhor de todas.
As aulas de história estavam sendo as melhores. O Mr.-chocolate-Carter além de ser um ótimo professor arrancava suspiros da população feminina do colégio onde quer que fosse. Eu estava conseguindo acompanhar as aulas com muita facilidade.
Desde que eu e Will aparecemos juntos na escola que eu podia ouvir os comentários das pessoas. Aparentemente Will era um dos populares e estava com uma novata desconhecida. Não tínhamos oficializado nada, nem ficávamos nos agarrando nos corredores como se tivéssemos apenas mais um dia na terra. Era uma coisa mais íntima, mais nossa. Os meninos se tornaram meus melhores amigos. A maior parte das meninas era o estereótipo do nojo, a única com quem eu tinha me identificado era Alison Miller, namorada de Leo. Ela era um amor e estávamos sempre conversando, sobre os mais diversos assuntos.
Já estávamos em outubro e o Ozzfest estava se aproximando cada vez mais. Pela segunda vez na história do festival, este viria novamente para a Inglaterra e é claro que Alison, os meninos e eu iríamos estar lá. Nossos ingressos já estavam comprados e a viagem planejada.
Willian me chamou para jantar, estava um pouco nervosa, pois esta noite eu estava disposta a contar a verdade para ele. Coloquei um vestido vermelho curto e por isso tive que prender minha tão odiada adaga na parte interna da coxa direita. Meu pai mais uma vez me obrigou a levá-la.
Eram sete horas em ponto quando Will tocou a campanhinha de casa. Meu pai abriu a porta e pediu para que ele esperasse na sala. Meu pai veio até o meu quarto para me chamar.
- Você está linda Kimberly! – meu pai disse baixo.
- Obrigada pai.
- Está com a adaga?
- Sim. – eu rolei os olhos. – Pai...? – ele fez sinal para que eu continuasse a falar.
- Você se importaria se eu contasse para Will a verdade sobre nossa família? – perguntei com medo. Eu estava arriscando demais com aquela pergunta.
- Kim, você conhece os riscos.
- Não pai, não conheço. Se o senhor ao menos que contasse o que aconteceu eu poderia entender. Mas... eu fico tão confusa! – eu confessei e pude sentir meus olhos enchendo de lagrimas. Logo tratei de secar, pois estava usando maquiagem e não queria que borrasse. Meu pai me abraçou e sussurrou um “sinto muito” em meu ouvido. Eu me separei dele e peguei a minha bolsa que estava em cima da cama.
- Aproveite a noite Sophia! – ele desejou e percebi que aquele momento verdadeiro que tínhamos tido tinha acabado.
- Obrigada, eu vou!
Cheguei à sala e vi Will parado de costas para a escada. Ao me ouvir chegar ele se virou e pude ver que ele trazia um buquê de rosas brancas em suas mãos.
- Você está linda bela dama!
- Assim como você gentil senhor! – sim, às vezes nós voltávamos ao começo de nossa amizade e nos chamávamos assim.
- Me acompanha essa noite?
- Com prazer.
O jantar foi ótimo, o restaurante era um pouco caro, mas Will insistiu que mesmo assim nós fossemos. Estávamos voltando quando decidimos nos sentar em um dos bancos da pracinha.
- Sophia... – ele começou. – você quer namorar comigo? – ele perguntou de uma única vez.
- Sim. – eu respondi sem pensar duas vezes. Will, agora meu Will, me beijou docemente. Depois de um tempo agarradinho assim eu decidi que eu deveria contar a verdade.
- Will?
- Sim namorada? – ele disse em meio a uma risada.
- Eu quero te contar uma coisa.
- Pode falar V!
- Não é tão simples assim.
- Tudo bem. Você sabe que pode me contar qualquer coisa. – aquele medo costumeiro me invadiu, mas eu não voltaria atrás.
- Me promete que não vai contar a ninguém?
- Eu prometo.
- Prometa que não vai me deixar... – não pude impedir as lágrimas. Aquela situação era constrangedora, incômoda e acima de tudo assustadora. Eu nunca tinha ido tão longe assim. Sempre mantive minhas mentiras até o final, mas agora as coisas eram diferentes. Ele não era qualquer cara, ele era meu namorado. Ele merecia saber a verdade sobre mim.
- Nunca Sophia, eu jamais te deixaria. – pude perceber o medo tomar conta de sua voz.
- Não me chame de Sophia... – eu pedi. Não houve nenhuma reação da parte de Will.
- Meu nome é Kimberly. – eu falei.
- O que?
- Meu nome não é Sophia Morgan, meu pai não se chama John Morgan, minha mãe não morreu em um acidente de carro... – eram muitas informações para uma única noite. Eu suava frio e comecei a sentir um mal estar, como se estivesse prestes a desmaiar. Will não estava muito diferente. Sua pele já muito branca estava perdendo a pouca cor que tinha.
- Como assim Sophia? – ele insistia.
- Meu nome é Kimberly Cox, meu se chama Antony Cox, minha mãe e irmãos foram assassinados quando eu tinha apenas seis anos de idade.
- Isso é verdade?
- Nunca fui tão sincera em toda a minha vida.
- Mas... por que você mentiu esse tempo todo? Por quê?
- Meu pai é louco Will. Desde os seis anos que eu vivo pela Inglaterra sem uma identidade verdadeira. Estou sempre mudando de casa, mudando de escola, mudando de nome, mudando de história Will. Por favor... não peço para que entenda, mas peço que seja compreensivo.
- Kimberly? – ele finalmente parecia entender que não era uma brincadeira de mau gosto sem graça. – Melanie?
- Eu, Melanie, Sophia, Clara, Laura, Anne e tantos outros nomes, todos da mesma pessoa.
- Como posso saber que não está mentindo agora também?
- Terá que confiar em mim! – se eu fosse ele eu não confiaria em mim.
- Eu te amo, independente de você se chamar Sophia ou Kimberly, você é a minha V, nunca se esqueça disso! – aquele medo que a pouco eu sentia tinha ido embora. Will me abraçou novamente e não fez mais perguntas. Chegamos em casa e entrei sozinha pela porta. Meu pai estava na biblioteca, provavelmente me esperando.
- Pai?
- Sophia? – ele me olhou apreensivo. Ele sabia dos meus planos de contar a verdade e não tentara me impedir, apenas me alertara dos riscos que corríamos. Riscos estes que eu não conhecia.
- Eu contei a verdade a ele.
- Por que fez isso?
- Ele me pediu oficialmente em namoro pai, ele merecia saber a verdade.
- Você sabe o que faz Kim, não é mais uma garotinha...
- Não pai, não uma garotinha.
- Espero que entenda que os riscos são grandes.
- Mas que riscos?
- Todos. Podemos ser descobertos aqui Kimberly, assim como das outras vezes.
- Por que nós vivemos fugindo pai?
- Porque corremos perigo se ficarmos em um lugar só.
- Algum dia o senhor me contará verdade?
- Por que você quer saber a verdade Kim? É tão dolorosa, não faria diferença...
- Não faria diferença? Não faria diferença? Eu não tive uma vida pai. Nunca. E eu nunca soube o porquê disso tudo. E agora o senhor fala que não faria diferença... é claro que faria diferença... ao menos eu entenderia. – não dei a ele chance de responder, apenas saí da biblioteca e subi para o meu quarto. Eu não chorava, estava furiosa. Como assim a verdade não faria diferença em minha vida?
Tirei a maquiagem que estava toda borrada e tomei um longo banho frio. Eu precisava de um tempo para pensar. Pude ver Will acenando da janela de seu quarto e o chamei para a minha sacada. Ele veio e entrou no meu quarto.
- Oi Kimberly!
- Você pode continuar me chamando de V!
- Oi V! – ele recomeçou.
- Oi Will. – Nos beijamos e Will passou a noite no meu quarto. Calma, não aconteceu nada entre a gente, eu passei a noite inteira contando a minha longa e triste história de vida para ele, que ouviu atentamente. Acho que a muito tempo não me sentia tão à vontade na presença de alguém como me senti essa noite. Will era a única pessoa no mundo que fazia eu me sentir assim.
Agora era questão de tempo para que os meninos e a Alison também tomassem conhecimento sobre minha verdadeira identidade. Mas eu não me importava. Mas uma pergunta rodou em minha mente o tempo inteiro: “E agora?” eu nunca tive essa experiência antes, como eu saberia o que estava por vir.
Nós dormimos e na manhã seguinte Will voltou para seu quarto antes que seus pais percebessem que ele não tinha passado a noite em casa e antes que meu pai resolvesse fazer uma visitinha ao meu quarto.
Notas finais
Xx Shads
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