Recomeços
17 Há alguém na casa
Notas iniciais
Digamos que a noite foi bem tranqüila, dentro do possível é claro. Passamos horas conversando e de tempo em tempo se ouvia um dos meninos gritando, dizendo que tinha visto um fantasma e criando assim o caos entre as meninas, que acompanhavam o primeiro grito.
No que parecia ser a sala, foi onde nós dormimos os casais e a vela (Artie).
Acordamos com a luz do sol que entrava por uma frestinha na porta fechada.
- Bom dia Batman! – V me cumprimentou assim que eu abri meus olhos.
- Bom dia Joker! – Ah, ainda não comentei que às vezes eu a chamava assim, sabe Batman e Joker, ou The Joker, então, piadinha de namorados, relevem.
- V, onde você deixou sua mochila? Eu quero bolacha! – perguntava Ali olhando em volta, acredito que procurando a mochila.
- Eu deixei ali... – Sophia começou, mas sua voz sumiu quando não encontrou sua mochila. – Você pegou Will?
- Não, eu que pedi para você guardar a minha!
- Leo, sabe onde estão as mochilas? – Ali perguntava a Leo que ainda dormia, pude ouvir um resmungo vindo de debaixo das cobertas, acho que foi um “não”, já que a cara de Ali não foi de satisfação. Todos nos levantamos e começamos a procurar pelas mochilas.
- Será que não deixamos do lado de fora da casa? – sugeriu Andy, já cansado de procurar na sala.
- Não!
- Vou dar uma olhada! – disse Artie indo em direção a porta. Ele a puxou, mas esta não abriu. – Que estranho, não está abrindo.
- Me deixe tentar. – eu pedi e fui em direção a porta. Ela realmente não estava abrindo e o pior é que essa era a única saída livre que nós achamos na casa, as outras portas foram lacradas pela polícia há muito tempo atrás. Se não conseguíssemos abrir essa porta, não poderíamos sair.
- COMO ASSIM NÃO ESTÁ ABRINDO? – V se desesperou, nunca a vi tão aflita como nesse momento.
- Não abre, mas não como se tivesse emperrado, como se estivesse trancada. – Leo que também tentava abrir a porta disse.
- Ah meu Deus, nós precisamos sair daqui! – disse Andy, que começava a ficar nervoso.
- Eu disse que era uma má idéia! – Ali começava a chorar, arrastando Mi junto com ela.
Passaram-se duas horas e nenhuma das portas no primeiro andar da casa estava abrindo. Teríamos que encontrar outra saída.
- Gente, vocês não estão entendendo? – perguntou V.
- Como assim? – perguntou Leo confuso.
- Estamos presos aqui. – ela disse.
- Dãhn, isso a gente já percebeu. – Ali, que começava a se irritar, criticou a observação de Sophia.
- Não, alguém nos prendeu aqui! – V disse fazendo Mi arregalar os olhos.
- Como assim “alguém”?
- Não é obvio, nós dormimos e nossas mochilas, com as lanternas e tudo mais, somem. A porta, que ontem estava super boa, hoje não abre. Alguém não quer que nós saiamos.
- Está dizendo que um fantasma nos quer aqui? Qual é Sophia, isso é ridículo. – continuava Ali.
- Eu não disse fantasma.
- Ela está certa. – eu concordei. Consegui acompanhar o raciocínio dela e cheguei à mesma conclusão. Alguém queria nos manter dentro da casa. Mas quem? Ninguém além de nós sabia da visita, apenas nossos pais, mas isso não tinha sentido nenhum.
- Nós precisamos achar uma saída daqui. Com urgência! – Mi recomeçava a chorar.
- As saídas do andar de baixo estão todas fechadas, temos que encontrar uma saída no segundo andar, ou nos outros. – Nós começamos a planejar nossa saída. Era inconcebível, não podíamos pular da janela, as meninas podiam se machucar e principalmente a Ali que estava no sexto mês de gravidez.
- É nossa única opção. – entendeu Leo, mesmo sabendo dos riscos. Nós subimos, mas não existiam janelas no segundo andar da casa, todas se encontravam lacradas. O desespero começou a se apoderar de todos do grupo. V tremia agarrada no meu braço, ela mal conseguia dar um passo. Eu suava frio e queria que tudo acabasse para podermos voltar para casa.
- Vamos continuar subindo, deve haver alguma saída. – eu disse tomando a frente do grupo que já estava sendo abalado pelas histórias e teorias que tínhamos sobre a casa.
- Não se separem, vamos continuar todos juntos. – Leo ordenou abraçado com Ali.
Estava tão escuro que não podíamos ver um palmo a nossa frente, o que realmente dificultava as coisas. Andávamos em fila pelos corredores da antiga casa, hora entrando nos quartos a procura de uma janela aberta.
- Hey, acho que vi uma luz! – Mi saiu correndo com Ali em seu encalço em direção a um quartinho no terceiro e último andar da casa. A porta do quarto se fechou separando o grupo, ouvimos o barulho da tranca e em seguida, gritos. Aqueles gritos foram assustadores, e vinham de Mi e Ali. Leo batia e gritava incessantemente na porta.
- Nós vamos buscar ajuda! – eu gritei sem nem ao menos saber o que gritava. Assistir filmes faz isso com as pessoas, em um dos momentos mais difíceis de sua vida, tudo o que consegue gritar é “vou buscar ajuda!”, mesmo quando sabe que isso não é possível se você está preso dentro da casa.
Os gritos pararam, não conseguia ouvir mais nada. V tentava levantar Leo que estava ajoelhado no chão, ao lado de Andy que tinha sentado.
- Vamos continuar a busca, quando acharmos a saída, voltamos para buscá-las. – Leo voltava, parcialmente, a sanidade. Ele se levantou e começou a correr em direção à escada que nos lavaria de volta ao segundo andar da casa. Nessa escada existia um tipo de porta, pois estávamos no sotom*. Todos nós descemos e logo em seguida a porta pela qual acabamos de passar se fechava. Não havia mais volta até as meninas.
- AH NÃO, NÃO DE NOVO! – Artie gritou antes de sair correndo. Ele não sabia aonde ia, apenas corria sem direção. Logo não podíamos mais ouvir seus passos. Eu não o criticava, eu tinha essa mesma vontade, de correr e me deixar perder dentro daquela casa, me livrar desse pesadelo.
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