Recomeços

18 Adeus Andrew Moore


Notas iniciais
De volta na visão de Kimberly Cox/Sophia Morgan

Nós corríamos gritando por ajuda, gritando por Artie que desaparecera. Era por isso que devíamos ter permanecido juntos. Will não largava de minha mão, Leo e Andy estavam muito mal, suas namoradas estavam presas no último andar, uma delas grávida. Eu sentia uma sensação estranha, como um dèjavu. Mas não era possível, eu jamais estivera naquela casa antes, disso eu tinha certeza.

Nós adentramos em um quarto, ainda no segundo andar, procurando por Artie. Ali existia um cheiro ocre, forte, muito forte, cheiro de sangue. Leo que andava na frente tropeçou em algo que estava no chão. Quando cheguei mais perto para ver o que era, eu desejei jamais ter estado ali. O que estava no chão, exalando aquele cheiro forte e com uma expressão de puro terror era Artie. Ele estava ali, deitado e sangrando. Ele estava morto. Sua barriga fora cortada e aquela visão me fez vomitar. Todo aquele sangue, nas paredes, no chão, nele. Não podia ser real, simplesmente não podia.

Eu abracei Will com tanta força que foi difícil até para eu respirar. Agora mais do que nunca nós precisávamos sair dali. Acredito que esse tenha sido o destino das meninas que estavam presas no último andar.

- Eu não quero mais correr, não quero mais fugir! – Andy se entregava ao desconhecido ajoelhando-se no chão.

- Não faz isso Andy, por favor! – Will pedia, agora chorando, para que o amigo levantasse.

Em minha cabeça rodava a pergunta, quem estaria fazendo isso? Não era um fantasma, com certeza não, os ferimentos de Artie eram bem reais para serem provocados por um fantasma. Era uma pessoa, uma pessoa má e fria. Um assassino. Enquanto Will estava abraçado com Andy e Leo e me aproximei mais do corpo de Artie. Em seus braços havia marcas de quem havia lutado. Ele morrera como um lutador. Me abaixei e dei um beijo em sua testa, pedindo para que sua alma ficasse em paz.

- Temos que continuar! – avisei os meninos que estavam muito abalados com a perda do amigo. Will me ajudou a levantar e então saímos do quarto fechando a porta em seguida. Continuamos nossa busca pela saída, agora já devia ser noite, pois não podíamos ver a pouca luz do sol. Descemos para o primeiro andar, sem esperança alguma de sair dali.

Os cobertores ainda estavam no lugar onde havíamos deixado. Andei em direção a eles e me sentei abraçando meus joelhos. Will me seguiu chamando os meninos. Eu chorava, nunca fiquei com tanto medo com agora.

- É assim que a gente vai morrer? – perguntou Leo depois de um longo silêncio.

- Ninguém mais vai morrer Leo! – Will disse firme, Andy estava mudo, desde aquele momento suicida no quarto de Artie que ele não dizia nem mais uma palavra.

- Por que ele tinha que fazer isso? – Andy perguntou de repente.

- Ele quem?

- Artie, por que ele tinha que correr?

- Eu não sei.

- POR QUÊ? – Andy gritou me assustando ainda mais.

- O medo muda as pessoas Andy! – eu disse tentando juntar toda a dignidade e força que me restavam.

“When I see your smile, tears roll down my face, I can’t replace…. And now that I’m strong I have figured out…” – Will começou a cantar e eu o acompanhei. “I will never let you fall, I’ll stand up with forever, I’ll be there for you through it all…”- Aquilo não me fazia sentir melhor, nem ao menos me acalmava, era como um último suspiro, nós havíamos desistido. A música logo acabou e mais um interminável silêncio começou. Deitada no colo de Will, vi uma luz longe. Parecia vir do próximo cômodo, como eu tinha noção da hora em que estávamos, arrisquei em dizer que era o sol que tornava a nascer. Nos levantamos dos cobertores e andamos em direção a luz, mesmo que isso não fosse aconselhável.

Era a cozinha e a luz que eu havia visto era a luz de uma vela que estava parada perto da pia. Não fazia o menor sentido, eu já tinha estado ali e não havia nenhuma vela. Só cheguei a essa conclusão quando estava perto da pia, me virei para dizer aos meninos que não podíamos ficar ali, pois o assassino estava por perto. Não foi tempo suficiente, ele estava parado perto da porta, tinha Andy preso em seus braços e uma faca colada no pescoço do garoto. Muito lentamente ele foi descendo a faca, rasgando a pele de Andy, matando ele. Eu não conseguia mais respirar, minhas mãos estavam em volta do braço de Will que permanecia na minha frente. Leo agora também se posicionava ao meu lado, como que para me proteger.

Andy caia no chão sem fazer barulho, o homem o chutou para o lado e se aproximou de nós, ele tinha um capuz no rosto e a roupa toda preta, era assim que não podíamos vê-lo no escuro, por isso ele andava perto do grupo sem ser notado.

Ele chegou perto o suficiente para que nós pudéssemos vê-lo com clareza. Na mão ele tinha uma faca, no momento suja de sangue e um revolver preso na cintura. Gelei só de vê-lo.

- Gostou do que fiz com seus amiguinhos? – ele perguntava nos encarando. Não respondemos, não tínhamos condição nenhuma de responder. – Respondam!

Nós permanecemos em silencio.

- RESPONDAM! – ele pediu de novo, ainda sem nenhuma reação de nossa parte, eu tentava formular frases ou ao menos uma palavra, mas nada vinha até minha mente. O medo era muito poderoso para se combater com palavras.

- Responda você! – ele disse apontando a faca em minha direção.

- Deixe-a em paz! — Will disse me protegendo. Sua voz era firme e áspera, nunca o ouvi falar daquele jeito, nem mesmo em nossas piores brigas.

- Cale a boca garoto, eu falei com a menina! Vamos menina responda, gostou do que fiz com seus amigos? ‘ ele gesticulava com as mãos, fazendo assim a faca balançar e espirrar um pouco de sangue em nós, pois o sangue de Andy não estava seco ainda.

- hunpf! – foi isso que saiu da minha boca quando tentei dar a ele uma resposta nojenta.

- Responda direito... – ele agora apontava a faca em direção a Will. — ...Responda Primeira Dama!

Notas finais
Reveiws por favor...
Chegando no final!