Recomeçar

35 Capítulo 35 - Finalmente, o fim... Ou um começo?


Notas iniciais
Oieee! Foi mal, eu sei que não é sábado - não brinca?! - mas pelo menos eu postei U-U. Meu sábado foi agitado MESMO, então me perdoem. Bem, talvez eu poste quarta pq ainda não postei o capítulo de outra fic por causa do atraso dessa Ò.Ó Ohh, diacho.
Beijoooos! Aproveitem ^^. - Prometo q respoderei os reviews deste capítulo e do ultimo qnd tiver um tempinho! To muito apertada esses dias :s -
Ami ~

Mitsue

É difícil descrever tudo que se passava com meu corpo naqueles instantes. Como eu disse antes, poderia ser comparado a uma enorme sensação de paz que fazia me sentir tão leve que eu voaria além do limite do céu. E meio que isso aconteceu.

Graças ao fluxo do meu chakra, eu me afastava do chão de pouco em pouco, sendo levada junto com todo meu chakra para o alto até que eu ficasse acima dos muros altos que cercavam Konoha e de todas as árvores daquela floresta, e lá no alto fiquei, com os braços abertos e os olhos fechados enquanto sentia no interior do meu corpo, algo sair de dentro de mim para todos aqueles no chão. Algo além de chakra e algo que me faria falta mais tarde, mas não me importo com oque seja. Agora eu estava em paz comigo mesma, e tinha certeza absoluta que salvaria a todos, mesmo que custasse minha vida.

Tinha certeza que todos me olhavam lá de baixo, provavelmente se perguntando se aquela estranha não seria apenas mais uma farsa interessada apenas no poder. Até que compreendo esse pensamento. A pouco até mesmo eu me perguntava se merecia viver depois disso, mas então agora percebo que ainda não sou digna da morte. Tenho muito a fazer para pagar tudo que eu fiz e permiti que fizessem a eles e só depois de fazer tudo que é necessário que eu poderei aceitar a morte.

Mas na verdade, nem toda a atenção deles era voltada apenas a mulher que brilhava, e sim as próprias pessoas feridas no chão. Todas recebiam grandes quantidades do meu chakra junto com algo que não puderam identificar, e quando uma era curada, a torrente de chakra que estava sobre ela volta a mim e ela se ergue magicamente, curada não de todas as feridas, confusa e a cima de tudo: Viva.

- Elas... Ressuscitaram?! – Uma mulher exclamou ao ver um homem antes morto, se sentar no chão com uma expressão completamente desorientada.

- É oque parece – Um jovem ao seu lado respondeu. Ao ouvir, Yuuto pressionou os lábios.

- Essa é uma técnica especial criada pelo primeiro líder do clã, mas até hoje ninguém sabe como funciona exatamente. É algo que vai além do que compreendemos – Ele falou para ninguém especial, mas os dois escutaram com atenção.

- Então não é só o chakra que é usado nessa técnica, certo? – Perguntou a mulher.

Yuuto olhou para ela com a face séria.

- Se trazer os mortos de volta dependesse apenas do chakra, então todos nós seriamos praticamente imortais. Mas eu tenho um pequeno palpite – Yuuto ergueu o olhar para mim, observando as ramificações de chakra voltarem de uma em uma. Sinal de que vários já foram ressuscitados – É provável que através do seu chakra, ela esteja dando sua própria energia vital para os outros.

- É provável mesmo, mas mesmo que seja energia vital, como apenas a energia de uma pessoa pode trazer milhares a vida? Isso só torna o Jutsu mais misterioso.

- Por isso que eu disse que é um palpite. Tem muita coisa envolvida nisso e eu não cheguei nem perto de explicar – Yuuto deu um leve suspiro – Me pergunto como nosso líder foi capaz de desenvolver algo tão complexo na época dele. Já faz mais de um século desde que ele estava vivo.

A mulher seguiu o olhar dele para mim.

- É... Sabe, eu já ouvi boatos de que o nosso fundador já viveu três séculos apenas usando seu chakra numa técnica misteriosa.

Yuuto riu.

- Isso é impossível.

- Ressuscitar os mortos também.

Yuuto olhou para ela, pego de surpresa, mas ela continuou olhando para mim admirada.

- Sabe... Hoje em dia não podemos duvidar mais de nada. As pessoas tem habilidades que tornam o impossível algo próximo de ser alcançado, como agora.

Yuuto sorriu, sem poder discordar.

- É... Tem razão. Por isso tenho tanto orgulho da minha irmã e do meu clã. – Respondeu e então a mulher olhou para ele, abrindo um sorriso também.

- Eu também me orgulho – Respondeu.

Yuuto sentiu algo naquela troca de sorrisos que o deixou confuso, mas estranhamente feliz. Já iria voltar a falar com ela quando um leve gemido perto da cratera chamou sua atenção. Quando decide ver oque é, ele prende sua respiração assim que vê o corpo do grisalho se erguer devagar de cima da cratera até que ficasse de joelhos no chão. Mesmo chocado, seu corpo se moveu sozinho na direção da cratera, correndo, e então parou de frente para ele, incrédulo.

- Ka... Kakashi? – Perguntou numa voz baixa.

O grisalho tira a mão que estava no rosto e então ergue a cabeça para o Yuuto com os dois olhos bem abertos, revelando a cor rubra do charingan num deles.

- Yuuto? – Franziu o cenho, tentando enxergar melhor o rosto dele – Oque você faz aqui?

Yuuto abre um sorriso e então passa automaticamente a mão pelos cabelos.

- Caramba... – Ele murmura, ainda custando a acreditar que ele estava lhe perguntando aquilo – Sou eu quem devia estar surpreso Kakashi...

- Hã? – Perguntou, sem entender direito. Sua cabeça latejava e não conseguia raciocinar tão rapidamente como antes.

Yuuto passou a mão pelos olhos marejados discretamente e então ofereceu a mão para ele.

- Esquece. Vem, se levante.

Kakashi aceitou a mão dele, apertando-a com força enquanto Yuuto o puxava. O grisalho apertou o olho com o sharingan quando tentou erguer uma das pernas, e com certa dificuldade, ele conseguiu pisar com força a neve para se levantar. Mesmo em pé, Kakashi não conseguiu se equilibrar com tanta facilidade e então Yuuto teve que apoia-lo em si.

“Parece que nem tudo está tão perfeito assim” – Pensou Yuuto, olhando para as pernas do Kakashi. Mas apenas o fato de conseguir dar pequenos passos era uma coisa muito boa.

Yuuto conseguiu levar o Kakashi para uma pedra desregular ali perto e o sentou. Mas desde o momento que levantou ele, Kakashi já parecia ter notado o estranho brilho vindo do alto e ainda não havia tirado os olhos daquilo.

- O que está acontecendo? – Perguntou devagar, mas sem desviar o olhar.

Yuuto sorriu para ele, pensando no que ele deveria estar sentindo ao ver aquilo.

- O que você acha que aconteceu? – Retrucou, e então Kakashi franziu o cenho de novo.

O olho negro dele seguiu uma das ramificações e então pousou numa área distante da vila, notando apenas destroços e pequenos focos de incêndio recente que soltavam fumaça.

- A vila foi destruída – Respondeu com certo lamento na voz, mas ao pensar na vila sendo destruída, algo importante lhe veio na mente – Espere! Onde está o Naruto? – Virou o rosto para ele – E a Mitsue?! Ah meu deus... O bebê! – As mãos dele foram para os cabelos e ele os apertou com força, nervoso só de pensar na pior hipótese. Mas ele pareceu voltar ao mundo real quando Yuuto lhe tocou o ombro.

- Eles estão bem – Ele levantou a cabeça para mim, sorrindo – Todos estamos agora – Yuuto viajou alguns instantes no que aconteceria dali em diante, quando um detalhe lhe surgiu na memória – Ahh, Kakashi...

- O que?

Yuuto enfiou a mão no bolso e então colocou o objeto em cima do joelho do Kakashi.

- Com certeza você não percebeu, mas sua mochila se rasgou e caiu na floresta. Eu não consegui resgatar ela, mas achei que isso seria importante.

Kakashi pegou o pequeno objeto e sorriu, sem a máscara, ao lembrar dela.

— É mesmo... Por um momento eu havia me esquecido disto – Falou em voz baixa, abrindo a caixinha para ver se não havia quebrado nada.

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Apesar da paz interior, dava para sentir que meu corpo realmente estava completamente esgotado, e me manter concentrada na distribuição daquele jutsu para o restante das pessoas agora era muito custoso. Franzi as sobrancelhas ao senti uma gota de suor escorrer da testa para a ponta do nariz e então abri os olhos, tendo uma visão mais que privilegiada de toda a destruição para tentar organizar as informações.

Haviam agora apenas uma dúzia de ramificações e elas já começavam a voltar para o meu corpo. Me concentrei em conta-las para ignorar todo o cansaço, mas quando chegou na sexta ramificação, comecei a sentir as dores nos músculos e meu corpo começou a descer devagar, oque significava que o fluxo estava diminuindo. Ou mais exatamente: Meu chakra estava acabando.

Me forcei, sentindo meu corpo se molhar de suor, até a terceira ramificação, mas até ali eu não aguentava mais. Meus olhos não me obedeciam mais e se fechavam de pouco a pouco, a força, enquanto eu descia mais e mais rápido. E então, quando a ultima ramificação sumiu, meu chakra quase se esgota e meu corpo, acabado, cai livremente no ar até os escombros em baixo de mim.

Meus olhos se fecharam completamente depois de dois segundos caindo, e entreguei meu corpo à queda, sabendo que muito provavelmente cairia contra os escombros e desta vez não haveria chakra que me curasse.

Mesmo assim... Mesmo caído eu sentia que não podia sentir medo de nada. Eu me sentia tão livre que quase pareceu como da ultima vez... A mesma sensação daquela EQM esquisita...

Aquela mulher...

No instante que pensei na doce mulher da campina, senti meu corpo parar de cair subitamente, mas a sensação de que eu ainda estava no ar não me abandonou e continuei de olhos fechados, entorpecida pelo cansaço.

Querida... Minha querida, consegue abrir os olhos?

Abrir os olhos? Impossível, eu estou cansada. Pensei comigo mesma.

Abra os olhos e prometo que não se sentirá tão cansada.

Falou a voz, como se lê-se meus pensamentos. Mesmo que a sensação fosse a de entorpecimento, eu abri os olhos lentamente avistando uma luz clara, mas confortável, e logo a sensação ruim de cansaço se amenizou rapidamente.

Pisquei algumas vezes, flutuante, e então foquei meu olhar no lugar onde eu estava.

Toda a vila, as árvores, os morros altos, as montanhas distantes e tudo de Konoha, desapareceram. Em vez de estar prestes a cair como pensei que estava, meu corpo estava deitado numa espécie de divã cor creme, dentro de um pequeno espaço redondo e aberto, com com um telhado pontudo erguido por pilastras brancas que acompanhavam o formato circular do espaço até chegarem num canto onde havia uma escada pequena que dava acesso a enorme campina coberta de pequenas e charmosas flores da mesma cor das que eu vi na ultima EQM. Passei a mão pelo rosto, mas parei no meio do caminho, me surpreendendo com a aparência impecável de minhas mãos, limpas, com as unhas cortadas e sem feridas. Mas não era só isso. Eu estava completamente limpa, sem nenhum tipo de machucado, com o vestido esfolado novo de novo, na sua brancura natural.

- Meu Deus! – Me sentei no divã, tocando meu rosto atrás do sangue que havia manchado ele, mas também parecia limpo, e então eu comecei a ficar realmente preocupada – E-eu... Morri mesmo?!

Uma risada, tão suave e limpa que mais pareceu o soar de sinos de cristal no ar, encheu meus ouvidos. Virei o rosto para o lado, me surpreendendo pela ducentésima vez no dia ao ver uma mulher jovem, com longos e cheios cabelos azulados caindo nos ombros em perfeitos contornos, vestida num delicado e esvoaçante vestido cor pêssego enquanto os olhos claríssimos me observavam com doçura.

- Sempre quando visita este lugar pensa que está morta? – Perguntou ela, na mesma voz de sino.

Continuei com o meu olhar chocado nela, mas a voz pareceu surgir na garganta.

- Eu só visito este lugar quando estou prestes a morrer – Respondi, e então ela voltou a rir, concordando.

- Verdade — Ela caminhou para o lado e então alcançou a cadeira branca de jardim que estava ali não sei há quanto tempo e se sentou – Mas infelizmente são estes os momentos em que podemos falar com você com facilidade.

- Sei – Respondi mesmo sem compreender nada e então dei mais uma olhada no lugar, e me pareceu por um momento que aquele lugar estava ainda mais bonito que da ultima vez – Mas se não morri, qual a razão de eu ter voltado aqui? Ou então... Eu morri mesmo?

- Não. Apesar de tudo, ainda não é sua hora. É que é necessário que eu fale com você agora.

Virei o rosto de volta para ela.

- Pode falar então. Estou aqui agora.

Ela sorriu e se levantou da cadeira, indo até a beira do divã para se sentar ao meu lado. Pegou minha mão e a colocou em seu colo enquanto a segurava, mas me decepcionei quando não senti formigamento.

- Você sabe o que acabou de fazer, certo Mitsue?

- Hm... Usei o Kinjutsu “Reencarnação da Luz”, certo?

- Sim, e tenho que dizer que não esperava que conseguisse utiliza-lo – Abriu um meio sorriso, olhando para a minha mão enquanto passava o polegar nela – Mas quando eu perguntei se você “sabe” oque fez, não me referi ao nome do Jutsu.

- Então...? Fiz algo errado? – Perguntei em voz baixa, ficando mais preocupada.

- Não. Mas, pense comigo querida. Porque acha que este jutsu foi classificado como Kinjutsu?

Fiquei calada, pensando por um momento na pergunta, mas não encontre algo que não fosse vago ou simples de mais.

- Bem, — Tomou a frente, compreendendo que eu não sabia – Como percebeu claramente, esse jutsu é incrível por conseguir trazer a alma dos vivos de volta ao seu corpo. Mas apesar da eficiência, só se pode trazer alguém de volta se essa pessoa tiver deixado um corpo.

Comprimi os lábios.

- Quer dizer que nem o Ryo, e nem a Arisu voltaram, certo?

A mulher ficou em silêncio, e então aceitei aquilo como um sim.

- Mas, oque é que tem esse Kinjutsu? – Mudei de assunto. Não queria mais falar sobre a morte dele por mais que me importasse.

A mulher apertou a minha mão e voltou a sorrir.

- Há muitos anos atrás, esse jutsu já foi usado no nosso clã num acidente gravíssimo que quase matou todos do clã quando ele havia acabado de surgir no mundo ninja. Ninguem sabe ao certo o motivo do acidente, mas muitos ainda pensavam que não foi um acidente. Enfim, naquela época, quem liderava o clã ainda era o nosso fundador e ele era mais poderoso que qualquer um no mundo, dizem as lendas. Mas não era só isso, aquele homem... Diziam que guardava os jutsus mais poderosos consigo e um deles o fez se tornar imortal.

- Isso é impossível – Respondi de pronto, mas ela apenas continuou sorrindo.

- Bem, então a pessoa que inventou isso é muito criativa. Diziam que de alguma forma, o chakra dele foi melhorado de forma que sempre renovasse as células do corpo dele, assim, os tecidos do corpo não envelheciam, nem os órgão e consequentemente todo o organismo. É oque eu já ouvi.

- Criativo – Concordei, sorrindo – Mas oque é que tem isso?

- Nesta tragédia, o nosso líder só achou uma forma de trazer todos de volta e trazer a paz novamente. Mas para isso, ele precisava usar um dos seus maiores jutsus: “Reencarnação da Luz”. Este era o nome. – Arregalei os olhos, me sentindo corada só por pensar que acabei de usa-lo – Com isso ele trouxe todos de volta a vida, e então todos do clã voltaram, felizes pelo líder ter salvado a todos. Então, tudo ficou bem de novo e continuou assim por vários anos, mas todos no clã perceberam que o líder estava estranho, parecia a cada dia mais... Velho.

- Falei que imortalidade era impossível – Falei em voz baixa e então ela riu.

- Enfim, ele realmente estava envelhecendo. Mas chegou um dia nesses anos todos que todo o clã ficou marcado para sempre – Ela fez uma pausa, observando minha expressão curiosa indisfarçável e com um sorrisinho, conclui – O fundador havia morrido.

- Assassinato? – Sugeri.

- Morte natural – Respondeu – Mas ninguém quis acreditar naquilo apesar de ser verdade, porque, afinal de contas, aquele homem era imortal! Mas então, um homem velho e sábio, um dos poucos presenciadores vivos da época que todos foram revividos, pareceu descobrir o que fez o líder perder a imortalidade.

Juntei as sobrancelhas, parecendo adivinhar a resposta.

- O jutsu, não foi? – Perguntei, séria.

Ela assentiu com a cabeça, deixando uma pequena mecha de cabelo ondulado escapar no rosto.

- O jutsu que ele usou para trazer todos de volta a vida era tão poderoso que era necessário mais que apenas seu chakra. O jutsu precisava de todos os fluidos vitais dele, incluindo aqueles que te dão resistência para usar o próprio chakra e outras coisas que por enquanto não poderei revelar já que não compreenderia. Então, o chakra dele perdeu boa parte da força de antes junto com seu corpo e isso pareceu anular seu jutsu de imortalidade. Mas como não era mais forte como antes, não pode refazê-lo. Mas a lógica mesmo por trás da morte dele, é que sua energia vital, oque te permite viver até a idade avançada, diminuiu drasticamente para que os outros pudessem voltar a vida.

Ela se calou e eu também, digerindo aquelas informações com cuidado. A todo o momento, a mulher permaneceu me olhando, esperando pacientemente que eu me manifestasse.

Respirei fundo, entendendo onde ela queria chegar e então a olhei nos olhos.

- Está dizendo que minha vida foi reduzida – Não foi exatamente uma pergunta e sim uma afirmação. Mesmo assim ela assentiu.

- Agora você “sabe” oque acabou de fazer.

Mordi o lábio, sentindo minha cabeça pulsar novamente e juntei coragem para a pergunta a seguir.

- Quanto... Tempo eu tenho de vida?

- Não posso te falar uma coisa destas Mitsue – Respondeu ainda com doçura, mas eu dei um suspiro decepcionado. A mulher sorriu e afastou uma das mãos da minha para tocar com leveza, o meu queixo – Olhe para mim.

Levantei os olhos violetas para ela e então tive uma visão perfeita de suas bochechas coradas, lábios vermelhos e olhos faiscantes.

- Eu não disse isso para que se preocupe com a morte, e não vou contar quando morrerá para que não passe o resto da sua vida se preocupando com os dias que ainda te faltam. A única razão que eu te trouxe aqui e lhe disse isso é para que entenda, minha querida, que a partir do momento que voltar para “lá”, dê o valor que sua vida merece.

- Mas eu dou valor a ela... – Murmurei, mas ela negou com a cabeça.

- Não... Você dá valor a vida dos outros e na hora do perigo, logo se esquece da sua para ajuda-los. Isso é oque te torna ainda mais teimosa – Falou com a voz risonha no final e eu fui obrigada a sorrir também, admitindo – Agora você precisa dar valor a ela de verdade. Porque agora sabe que está mais frágil que antes.

Peguei a mão dela e a afastei do meu rosto.

- Você quer dizer inútil. Sim?

Ela apertou os lábios, me olhando feio como uma mãe contrariada, oque me fez rir de novo.

- Você já fez mais que o suficiente para uma vida, não acha? – Me perguntou, erguendo uma sobrancelha – Você precisa deletar da sua cabeça a necessidade de salvar todo mundo que está em perigo Mitsue, porque essa parte da sua vida de salvar alguém já terminou. Agora você tem outro dever a cumprir. Um mais importante.

- Ficar sentada numa cadeira de rodas enquanto o Yuuto me dá papinha na boca? – Perguntei, rindo.

- Você não vai ser uma velha Mitsue! – Ela voltou a fazer aquela cara feia e meu sorriso só se alargou. Ela soltou um suspiro e então continuou – Você vai ser mãe – Agora sim. Aquela mulher conseguiu prender totalmente minha atenção – Não se esqueceu disso, não é?

- Nunca – Falei de mediato – Eu sei que preciso cuidar dele, mesmo que sozinha... – Deixei a ultima frase no ar, prevendo que ela talvez já saiba do acontecido.

- Bem, talvez não cuide dele sozinha afinal... – A mulher sorriu, percebendo que eu me esqueci de um detalhe – Mesmo que não perceba o que eu digo agora, vai entender quando voltar.

- Sabe... – Comecei, ainda sem perceber oque ela quis dizer – Tenho medo do que pode vir a acontecer. Tenho mais medo se nessa história toda o Lance ressuscitou.

- Não. Parece que de modo inconsciente, você o excluiu do Kinjutsu, então ele continua morto.

Dei um suspiro enorme de alivio ao escutar isso e me joguei no encostou do divã.

- Graças a Deus... Eu estou muito cansada para enfrenta-lo de novo!

- Entendo... – Ela sorriu e sem avisar, se levantou da beirada do divã, caminhando para a escadinha do espaço, mas antes de descer os poucos degraus, se virou para mim – Vem, vamos andar um pouco.

Mesmo que quisesse ficar deitada para dormir de uma vez, aceitei o convite. Me levantei e então percebi que ao lado do divã havia um par de sapatilhas confortáveis. As calcei e corri para alcançar a mulher que já estava na campina florida.

- O Ryo passou por aqui? – Perguntei de repente, enquanto andávamos juntas pelo lugar.

- Hm... – Ela pensou um pouco no que dizer enquanto andava até que enfim me respondeu – Acho que ele foi para um lugar diferente.

- Desde que não seja o inferno, acho que está tudo bem – Dei de ombros e então ela riu mais uma vez.

- Não... Apesar de ele ter ficado do lado do Lance, não acho que ele iria para um lugar tão ruim. É um bom garoto.

- É... Você realmente sabe de muita coisa.

Ela se aproximou de mim sorrindo e então pegou a minha mão.

- Mais que você pode imaginar, querida.

Sorri, apertando a mão dela enquanto andávamos, mas depois de certo ponto, a mulher parou, mas não soltou minha mão.

- Eu tenho uma pessoa para te apresentar antes de ir – Falou numa voz mais macia que o costume, e então percebi que as bochechas dela estavam mais coradas que o normal.

- Alguém que talvez eu tenha visto? – Perguntei e então ela assentiu.

- Há muito tempo. Talvez não se lembre.

- Vou me esforçar então – Sorri e ela retribuiu, corada.

Ficamos nós duas paradas ali, perto das árvores incrivelmente verdes e saudáveis a minha frente. Mesmo não entendo muito bem oque iria acontecer, me mantive paciente, olhando para as árvores à alguns metros como ela.

Mas num momento, entre aquelas árvores incríveis, eu pensei ter visto uma silhueta andando ali, e logo que pensei que estava imaginando coisas, a silhueta ficou mais próxima até assumir a forma de uma pessoa.

Especificamente, um homem.

A mulher apertou mais minha mão, parecendo notar também e logo o homem surgiu além das árvores e parou de andar de frente para nós. O olhei fixamente, sentindo-me de alguma forma ansiosa ao vê-lo na minha frente sendo que não me lembrava de já tê-lo visto. Mas algo no fundo de mim tinha certeza de quem ele era, mas tinha medo de chama-lo e ser mentira.

O cara olhou a mulher por um bom tempo, com um sorriso suave nos lábios, mas então seu olhar se pregou em mim em seguida.

E então ele riu.

- Você esta maior que da ultima vez que te vi. Bem maior mesmo – Fiquei parada como uma pedra até a mulher soltar a minha mão e fazer um sinal para que eu me aproximasse dele.

Me senti uma completa boba enquanto dava passos cuidadosos na direção do homem como se tivesse medo dele e parei numa boa distancia. Ele abriu um sorriso bem grande quando me viu nervosa e então andou na minha direção, me puxando num abraço forte. Fiquei ainda mais desorientada que antes ao me sentir embrulhada por ele.

- Deixe de ser boba... – Falou para mim, me apertando um pouco mais – Que tipo de filha teria medo do próprio pai?

Meu corpo ficou rígido de repente naquele abraço, me sentindo incapaz de fazer qualquer coisa depois de ouvir algo assim. Meu suposto pai afrouxou o abraço para me olhar, percebendo minha mais que evidente confusão.

- Isso é impossível... – Murmurei, encontrando minha voz – Meus pais estão mortos.

- E pareço vivo para você? – Perguntou.

Não... Apesar de eu vê-lo, senti-lo, escuta-lo e tudo mais, aquele lugar e aquela pessoa eram incríveis de mais para estar no mesmo mundo que o meu. Olhei nos olhos dele, enxergando aquela característica íris clara e aqueles cabelos negros como os meus que, aliás, haviam voltado à cor natural depois que meu chakra quase se esgotou. Aquele homem... Não importava como eu o visse, eu havia herdado todas as características dele. E foi então que meus olhos se encheram de água.

- Pai! – Falei com um sorriso imenso e logo voltei a abraça-lo como uma criancinha, encostando meu rosto no peito dele enquanto me envolvia novamente com os braços e me levantasse do chão por alguns momentos antes de me por de volta.

- Fiquei tão preocupado com você... – Falou com o rosto enterrado em meus cabelos e então eu apertei mais o abraço.

- Eu sempre, sempre, sempre estive esperando ver você... Ouvir você... E a minha vontade de te encontrar só aumentou quando meu irmão me contou sobre você e a mãe.

- Então o Yuuto te protegeu mesmo... Que bom – Ele apertou os olhos e me embrulhou mais em seus braços como uma criancinha enquanto aspirava o cheiro de meus cabelos – Apesar de sua mãe já ter me dito que você precisa ir... Eu não quero te deixar de novo Mitsue. Eu nunca me perdoei por te deixar órfã e não tenho a mínima vontade de te deixar ir da mesma maneira.

Abri os olhos vermelhos de lágrimas e o afastei a contra gosto.

- Mas se você não me deixar ir, o seu neto vai ficar órfão de uma mãe e será pior – O rosto dele ficou mais surpreso ao ouvir isso, e então eu corei um pouco – Eu tenho que proteger o meu filho como vocês me protegeram até que eu venha permanentemente e não numa EQM maluca.

Ele sorriu, um pouco triste por eu ir, mas assentiu.

- Tudo bem. Já estou satisfeito o suficiente em saber que cresceu sendo responsável Mitsue. Então eu serei paciente ao lado da Miwa – Falou e então lançou um olhar caloroso para a mulher atrás de mim, e depois de pensar por alguns segundos foi que meus neurônios despertaram para a vida.

Afastei do meu pai e virei para ela, apontando o indicador.

- Você era a minha mãe esse tempo todo e me disse nada?! – Perguntei em voz alta, e meu pai alargou um belo sorriso humorado.

- Ora! Eu pensei que soubesse – Se desculpou e então eu fiz uma cara feia.

- Claro que eu não sei! Eu não lembrava dos meus pais até agora! – Enquanto eu dava um ataque de nervosismo, Ichirou – o meu pai – foi até a minha mãe e a puxou pela mão até mim.

- Acho melhor darmos uma despedida calorosa enquanto está aqui. O tempo está escasso – Falou meu pai e foi ai que me toquei que minhas mãos já começavam a brilhar daquele mesmo jeito da ultima vez.

Senti meus olhos se encherem de água outra, vez, inevitavelmente triste por ter que deixa-los agora que finalmente os vejo.

Mas para tudo tem seu fim, e tenho que aceitar isso.

- Certo – Falei finalmente, já deixando escapar uma pequena lágrima nos olhos no exato momento em que eles me abraçam juntos.

Nos mantivemos assim, abraçados até o momento que meu corpo todo brilhava e então sinto os braços deles cada vez mais distantes de mim até que eu sentisse um vento forte e gelado bater nas minhas costas.

Abro os olhos, voltando a sentir as dores e o cansaço no corpo e então os arregalo quando lembro que caia no momento que entrei na EQM. Meu coração se acelerou mil vezes enquanto eu virava o corpo de peito para a queda e tentava retarda-la abrindo os braços, mas nada do que eu fazia dava certo e usar o chakra não adiantava já que poderia morrer se usasse na quantidade atual.

Dê valor a sua vida – Disse a minha mãe, e eu vou ouvi-la fazendo a minha parte.

Quando sinto os escombros prestes a tocarem meu corpo, eu fecho os olhos, esperando pelo impacto doloroso. Então eu finalmente caio.

Ouço o barulho característico de pedras se quebrando e sinto toda a poeira se levantando, mas quando espero a dor chegar, ela não aparece.

- Mitsue! – Ouço uma voz distante de mim, bem parecida com a do meu irmão.

Yuuto...

Interrompo meus pensamentos quando sinto algo macio se mover ao redor do meu corpo.

- Mitsue...? – Desta vez não era o Yuuto, mas a voz ainda era familiar de mais.

Tento me mover, mas meus músculos protestam de dor, então decido abrir os olhos já que era a única coisa que não doía. A primeira coisa que vejo então é um rosto preocupado, confuso, mas que me observava apenas com um dos olhos abertos.

- Q-Quem...? – Me calei, sentindo até mesmo a minha garganta doer.

- Shh... – Levei um leve susto quando senti meu corpo ser levantado, e então raciocinei que alguém havia me pegado antes que eu caísse.

- Kakashi! Deixe que eu pegue ela, você ainda não consegue andar direito! – A voz do Yuuto de novo, e então ele surge no meu campo de visão também preocupado.

- Deixe que eu faça isso. Eu devo fazer – Respondeu numa voz enérgica e então Yuuto se afasta, assentindo.

Abri mais meus olhos, ouvindo apesar de toda a confusão o nome que o Yuuto chamou. Mas... Não podia...

- Mitsue – Levantei meu olhar para o rosto dele de novo e então fico completamente hipnotizada quando finalmente vejo os cabelos grisalhos balançando com a ventania – Não fale nada – Pediu com cuidado – Quero que descanse agora.

- Mas...!

- Shh, deixe tudo comigo.

Continuo hipnotizada, olhando ele enquanto sentia as lágrimas virem sem precisar serem chamadas. Kakashi beija minha testa suja e então dá alguns passos para frente com uma dificuldade que não pude deixar de perceber no modo que andava. Mas alguns momentos depois ele parou, olhando com o rosto sério para frente, sem aquela máscara insuportável no rosto desta vez, mas ao ver ele tão focado em algo, viro meu rosto devagar para o lado e então levo um susto imenso quando vejo uma multidão gigantesca a minha frente, todos olhando fixamente para o Kakashi num silêncio absoluto.

Eles são da vila... – Pensei comigo mesmo, mas obedecendo o Kakashi quando me pediu para falar nada.

- Olhem. Olhem fixamente para ela. – Kakashi pediu num tom veemente que me causou um arrepio, e todos, absolutamente todos olharam para mim. Alguns sentidos, penalizados, com medo e até mesmo bravos – Agora, quero perguntar a vocês, e quem ainda tiver rancor que fale agora na frente dela ou se manterão calados no resto dos dias que virão – Kakashi respirou fundo e então falou sua pergunta – Vocês ainda são capazes de odiá-la?!

Me surpreendi com a pergunta, me sentindo nervosa e temendo ouvir tudo aquilo que aquelas pessoas guardavam para si mesmas desde o momento que apareci.

Mas para meu completo choque, o impossível aconteceu diante dos meus olhos.

Ninguém falou nada. Pelo menos não ousaram. E então, um por um, se curvou até que toda a massa de pessoas estivesse curvada, num pedido de desculpas e demonstração de respeito silenciosos, mas que me tocarão tão profundamente como qualquer palavra que eles pudessem ter dito.

Mas ainda me pergunto até hoje se o silêncio foi pelo medo ou por aceitação.