Recomeçar

33 Capítulo 33 - Mortes e assassinos.


Notas iniciais
Yo!!
Desculpe a demora gente, é que já iniciou meu ano letivo e agora vou demorar a postar mesmo D: A coisa está pesadíssima na escola, então me perdoem!
Beijos meus amores e aproveitem!
Ami ~

Akizuki Arisu.


Aquela floresta estava mais arrepiante que nunca. Já estava no território de Konoha, ou oque sobrou dela, e aquela nevasca fazia até mesmo meus ossos tremerem de tanto frio, mas naquele lugar a neve era a única companhia disponível no final das contas, o que me deixava profundamente chateada.


Depois de ser largada pelo idiota do Kakashi naquele lugar frio, eu tive que me virar para conseguir amenizar a dor da minha pele perfurada que empapava minhas roupas com o sangue que já havia secado. Meus esforços foram vãos. Cada movimento que eu fazia repuxava a minha pele e acabava abrindo mais os ferimentos doloridos, mas como a minha companheira permanecia ao meu lado, a própria neve foi quem aliviou minhas dores com seu toque gelado que a adormecia. Um bom analgésico natural. No final eu consegui sair dali em direção à Konoha, mas com um frio insuportável rodeando o corpo. Bem, eu tinha que ceder a ele, caso contrário eu nem conseguiria andar de tanta dor.

Deixando isso de lado, eu finalmente cheguei aquele lugar. Depois de tanto teatrinho para que a Mitsue não viesse a ter seus ataques de descontrole e colocar tudo a perder, de novo, eu finalmente conseguir ser eu mesma ali. A Arisu de verdade. A incontestável Arisu solitária e ex-ANBU que simplesmente vive fazendo trabalhos legais e outros ilegais fora e dentro da vila sem algum motivo concreto.

Como este, por exemplo.

Depois de viver oque eu vivi sendo uma ANBU, acho que comecei a insuportar essa ideia irracional de estar fazendo o “bem”, tudo pela “paz da vila”, sendo que a ANBU é insensível com os que estão envolta. A regra é: Se algum companheiro não pode lutar, cale-o e continue a missão a todo custo. Traduzindo: Mate seu amigo se ele virar um inútil no meio da missão porque a droga da missão é muito importante para ser atrapalhada por um inútil que poderia falar coisas importantes sobre a vila caso fosse seqüestrado. Se lixe para o seu parceiro.

– São um bando de merdas sem emoções – Murmurei com o queixo batendo, mas sem tirar os olhos do portão que já surgia na minha frente – Que eles se danem... Não mato pessoas que estão do meu lado por motivos tão egoístas.

Pousei assim que a multidão de árvores alcançou seu limite e então pisei os pés na neve espessa no caminho da entrada e comecei a caminhar para lá com uma das mãos segurando o braço esquerdo completamente arrebentado graças ao cachorro gigante que mordeu ali. Agora meu braço nem se mexia de tão fundo que o cachorro mordeu.

– Maldito Kakashi... – Murmurei de novo, apertando meu braço dormente enquanto alargava os passos para a vila.

O barulho dos meus passos se afundando na neve eram altos, então só depois de eu diminuir um pouco os passos quando finalmente vi as portões abertos da vila que percebi que meus passos não eram os únicos ali. Parei de andar de repente e então me virei para trás.

– Quem está ai? – Perguntei sem muita energia. Eu já estava arrebentada mesmo, levar mais alguns golpes de um inimigo não faria diferença. Pelo menos não uma que eu me importasse.

Seja lá quem fosse, falou nada, apenas continuou com aquele barulho irritante e apressado de quem corria, e então ele finalmente surgiu entre as árvores num estado muito melhor que o meu, claro, e parou de correr quando me viu. Já vi logo que o cara não falaria nada que prestasse, então resolvi me adiantar.

– Eu não estou a fim de ficar aqui esperando você falar, então poderia logo responder a droga da pergunta ou está complicado?

Ele aproximou mais alguns passos e então levantou mais o rosto de modo que eu pudesse ver o rosto dele.

– Sou o Yuuto, Arisu. Oque faz aqui?

Soltei um suspiro e olhei para o portão.

– Dentre as milhares de pessoas nesse lugar, logo o Yuuto tinha que aparecer – Resmunguei e então voltei a olhar para ele – Nada que realmente te importe, para ser sincera. E, apesar de eu estar um pouco surpresa de te ver, não vou perder tempo perguntando oque veio fazer aqui já que é óbvio o motivo. Então, Boa sorte em salvar o mundo.

Me virei e voltei a andar para o portão no desejo latente que aquele cara me deixasse em paz para completar meu trabalho sozinha. Mas esses parentes da Mitsue são tão teimosos quanto ela.

– Ao contrário de mim, você não parece que irá salvar o mundo. Pelo menos não nesse estado.

– Excelente observação, depois vou me lembrar de conseguir uma estrela dourada para você – Resmunguei sem parar de andar, mas ele fez questão de me seguir.

– Pare com isso Arisu, não é hora para suas brincadeiras...

– Muito menos para um bate-papo, então pode largar o meu pé?

– Já disse para parar – Fiz uma parada brusca graças a mão dele no meu ombro consideravelmente bom do braço direito, então me virei para ele já que fazia tanta questão – O que você veio fazer aqui Arisu?

– Já disse que não te importa.

Ele juntou as sobrancelhas, provavelmente me analisando e então eu comecei a perder a paciência de vez.

– Será que pode largar?! Sério Yuuto, você me irrita.

– Você não engana mais ninguém Arisu – Ele falou de repente, ignorando por completo meu comentário – Sei que não é a mesma pessoa de meses atrás.

– Você é um cara muito inteligente. Deve ter muitas estrelas douradas penduradas no teto para se lembrar do quanto é esperto, não é? Ah! Foi mal, como um ANBU você deve se achar muito melhor para ter uma mera estrelinha...

– Cala a boca Arisu – Falou com uma secura que me tiraria do sério se eu estivesse importando comigo mesma. – Seus problemas com os ANBU são seus, então os mantenha consigo quando ninguém se interessa. E está mais que na cara que não esta em Konoha com boas intenções já que virou uma espiã, estou certo?

Suspirei, cansada com a pose de machão dele.

– Não sou espiã, apenas aceito os trabalhos que me convém.

– Não importa. Você é uma traidora de qualquer maneira Arisu.

Dei de ombros.

– E oque vai fazer se for verdade? Me prender? – Dei uma risada sarcástica – Acorda Yuuto, a vila está virando ruínas nesse exato momento. Não duvido que aquele velho fumante já esteja morto com toda a vila...

Yuuto me calou, agarrando minha roupa e me erguendo do chão. Tentei ignorar o melhor que eu pude a dor que atingiu meu corpo.

– Não ouse falar do Hokage com tanto desrespeito! Ele fez mais por essa vila que você faria em toda a sua vida – E então me soltou bruscamente, me fazendo cambalear até parar em pé de novo.

– Que se dane. Não tem mais nada que você precise salvar nessa vila Yuuto, então simplesmente desista e deixe eu terminar a minha missão.

– E fazer oque? Matar a Mitsue?

– Não. O Kakashi e qualquer traidor maldito que esteja do lado dele ou da Mitsue. Não tenho nada com a Mitsue para matá-la.

Yuuto arregala os olhos e então se põe na minha frente com o rosto irritado.

– Não se atreva a se meter na vida da minha irmã. Ela já está com problemas o suficiente para você interferir!

– Nossa! Que trágico – Dei mais uma risadinha e então comecei a caminhar para a vila – Depois avise a ela que a vida não é tão linda e perfeita quanto nos contos de fada, e que inevitavelmente as pessoas simplesmente desaparecem dela.

Provavelmente o idiota me pararia e me agarraria pela camisa de novo, mas algo mais interessante surgiu para que nenhum de nós fizesse algo.

Uma coisa gigantesca que parecia uma chama negra surgiu nos céus, além dos portões da vila, e todo o ambiente foi tomado por uma energia pesada e até mesmo depressiva.

– Parece que chegamos um pouco tarde – Falei com pura calma enquanto o Yuuto passava correndo por mim em direção ao portão.

Dei outro suspiro e apressei os passos para o portão, observando-o correr inutilmente até ele, mas assim que alcança a entrada, ele para em vez de atravessar. Observo mais um pouco a imagem petrificada do poço de razão de agora a pouco e paro na entrada do portão também, mas mantendo uma boa distancia dele.

Olho para frente, em busca do que fez ele parar assim e então eu vejo uma cena... Interessante. Lance, o cara que me contratou, com uma aura violeta escura ao redor dele e com um rosto irreconhecível de tão selvagem. Ele lutava com uma rapidez assustadora contra outra coisa interessante: Uma pessoa que não pude identificar coberta na chama negra de agora a pouco, com uma postura estranhamente calma para quem lutava contra a figura selvagem a frente dela. Depois de algum tempo assistindo a luta das duas criaturas, meus olhos foram mais além. Analisei o estado daquele lugar que agora me parecia tão deprimente.

Foi então que minha atenção foi atraída para uma cratera não tão longe dali, de modo que meu queixo caísse no chão.

– Não... Não pode ser! – Avancei um passo ao ver aquela cena impossível na minha frente.

Yuuto apertou as mãos com tanta força do meu lado que jurei que ele quebraria os próprios dedos contra a palma.

– Poupe seus esforços Arisu... – Ele virou o rosto para mim, com o rosto distorcido de rancor – Alguém já fez seu trabalho sujo por você.

Um chiado escapou dos meus lábios e uma raiva profunda despedaçou minha calma de agora a pouco.

– Merda! – Falei em voz alta, encarando o corpo caído do maldito grisalho que tinha um corte horrível nas costas, espalhando uma quantidade infinita de sangue – QUE MERDA! – Gritei, irada, então preguei meus olhos no Lance – Seu maldito... Eu disse que eu mesma mataria ele! – Soquei o canto do muro ao meu lado, e uma boa parte dele quebrou e esfolou mais a minha mão, espalhando uma dor dos diabos pelo meu braço – Maldito Kakashi... Como um cara desse pode ter sido morto tão fácil...?!

– Não sei...

– NÃO ESTOU FALANDO COM VOCÊ! – Me virei para ele, louca de raiva, mas ele apenas me ignorou.

–... Mas não somos os únicos a assistir tudo isso, Arisu – Ele fez um sinal de cabeça para frente e então eu parei para olhar o lugar.

Ele tinha razão. Ali havia praticamente todo o pequeno exercito de Terasu revoltados que o Lance juntou para sua guerrinha, assistindo em vários pontos ao redor da área em que os dois ali lutavam como se houvesse algo muito interessante naquela luta.

– Que merda eles estão fazendo...?

– Mitsue – Yuuto respondeu, como se aquilo fosse a melhor resposta para tudo.

– Será que poderia ser mais claro?

– É a Mitsue quem esta lutando contra o Lance.

– OQUE?! – Encarei os dois que lutavam e então preguei os olhos na pessoa de chama negra, mas ainda sem conseguir ver direito o rosto – Que merda aconteceu aqui...? Não me diga que tudo isso é pelo...?

– É o mais lógico.

Droga... Lance é um imbecil.

Pelo menos é isso oque ele é se por algum acaso ele resolveu ter a brilhante ideia de matar o Kakashi na frente dela só para acabar logo com a vida de todo mundo.

Mesmo assim, parece que perdi alguma coisa importante naquilo tudo porque quando pensei que estava tudo ferrado o bastante, logo “ele” resolveu entrar no meio do campo de batalha e acabar logo com tudo assim que Lance para, distraído o suficiente para não impedir a merda que estava prestes a acontecer.


Terasu Mitsue.



Seja lá quem tivesse dominado aquele corpo que a pouco era tão frágil, não era eu. Era uma parte obscura de mim. Um lugar negro, fundo e frio que eu não mostro a ninguém e nunca havia permitido se mostrar.


Era o pior de mim ali e não a Terasu Mitsue de sempre.


Dezembro, dia 1 – Perto do inicio da madrugada, dentro da vila sob destruição.



O poder era magnifico. Nunca havia experimentado ao máximo o meu chakra e essa experiência não me fez arrepender, e sim brotar um sinistro sorriso nos meus lábios para meu pior inimigo. Mas... Mesmo com a cabeça fora do lugar, dava para sentir que havia algo de errado naquele poder, mas eu pouco ligava. Agora só tinha uma ambição: Matar aquele que sempre odiei.


Esse pensamento só aumentou meu sorriso, e então um jato de adrenalina agitou meu chakra e me fez sentir invencível.

– Vou acabar logo com isso – Falei numa voz calma, até mesmo tranquilizadora se não estivesse nessa situação. Mostrei meu sorriso irracional para o homem a minha frente.

Lance não soltou uma sílaba. Já havia falado o bastante para uma noite. Ele só precisou de um segundo para aumentar a lâmina de chakra em volta do seu braço para avançar e me atacar. A lâmina chocou-se contra meu braço que mesmo protegido pelo chakra, um corte profundo se formou quase atingindo o osso, e então desci o punho e o levei para cima num golpe certeiro no maxilar dele. Lance desviou do golpe, me fazendo acertar o ar, mas ele não se preparou quando o cotovelo do braço que cortou o golpeou no estômago. Saliva escapou pela boca dele até o chão quando foi atingido e então olhou de relance o meu braço, arregalando os olhos quando percebeu que o corte já havia se fechado.

Assim que ele recuou, avancei dois passos e alcancei a gola da roupa negra que usava e o ergui enquanto meu punho já acertava o rosto dele e deixava escapar sangue da boca dele em vez de saliva. Lance gemeu com o murro, mas quando eu já lançava outro, ele aumentou os olhos e bateu sua testa na minha com bastante força. Atordoada com a cabeçada o soltei e então ele chutou minha cocha com uma força tremenda e cai sentada no chão de dor. Lance cravou os joelhos em cada lado do meu corpo, e com um berro irado, acertou meu nariz em cheio com um murro e logo o sangue escapou, manchando meus lábios de rubro. Forcei-me a abrir os olhos com força e então recebi outro murro num dos cantos do rosto.

– M-maldito... – Grunhi assim que sentir a pontada de dor do soco no rosto. Com uma força tremenda, o empurrei usando meu chakra para ter força, e assim que ele caiu para trás, me levantei, passando a mão pelos lábios para que o sangue não entrasse mais na minha boca.

Lance apoiou o corpo com uma das mãos e mesmo agachado, começou a correr na minha direção com os olhos amarelo vivo pregado nos meus violetas enquanto soltava um grito carregado de raiva. Ele foi muito rápido quando me alcançou, me fazendo saltar para o alto quando me alcançou, mas quando estou em cima dele sua mão alcança meu calcanhar e me trás com violência para o chão, batendo meu corpo contra ele de modo que ficasse uma marca proporcional ao meu corpo no chão da entrada da vila.

– Você... – Ele rugiu enquanto puxava meu calcanhar e me jogava para o outro lado diretamente no piso da entrada – Você merece a morte.

Senti meu calcanhar ser solto, mas uma dor irritante permaneceu nele graças ao aperto de seus dedos. Tremendo um pouco, me levantei, mas Lance ressurgiu e me atingiu outro soco no rosto e quando ia cair de novo com o susto, ele agarra meu braço e me arrasta com ele para algum lugar e então me joga novamente ao chão, desta vez apenas parado para olhar.

– Olhe – Ordenou com a voz trovejante – Preste bastante atenção.

Mesmo estando um traste soltei uma risada, grata por meu chakra começar a curar meus ferimentos novamente.

– Você só deve estar de brincadeira... – Falei com a voz tremula e com um ar quase doentio.

– Ah, estou? – Ele se inclina para mim e agarra meus cabelos, levantando meu rosto a força enquanto eu gemia de dor – Nunca falei tão sério Mitsue, agora olhe.

Mesmo irritada por ser tocada por ele, abro bem os olhos e olho oque tem a minha frente. Ao ver oque ele queria me mostrar, eu soltei outra risada, desta vez mais baixa.

– Eu já vi isso – Falei como se o homem morto a minha frente fosse nada de mais.

– Eu sei, mas parece que não prestou atenção – Ele apertou mais meus cabelos e então aproximou meu rosto no do grisalho, praticamente grudando-o ao dele – Este, Mitsue, é Hatake Kakashi, considerado o homem mais forte da ANBU, e poderoso o bastante para se tornar o próximo Hokage da vila. Pelo menos era. Mas apesar disso ele morreu quando podia ter sobrevivido muito mais e reinado. E tudo para que? Você sabe?

Desfiz meu sorriso no momento que ele falou o nome dele, e então apertei os olhos quando ele me perguntou, me negando a obedecer aquilo. Ele soltou um chingamento baixo e então sacudiu minha cabeça.

– Eu disse para olhar! – Praticamente berrou no meu ouvido, e então eu abri os olhos, irada pela voz dele e toda essa situação – E então? Vai me responder?

– Isso não importa mais. Pare com seus joguinhos infantis...

– Ahh Mitsue, importa sim – Deu uma risada nada divertida – Mas se nega a falar a resposta, deixe que eu mesmo fale. Este homem poderoso que te falei, Hatake Kakashi, mesmo tão forte e inteligente, jogou tudo isso fora por causa, apenas, de uma pessoa. Quer que eu diga o nome dela?

– Isso não vai funcionar – Falei numa voz grave, mas ele apenas me ignorou.

– Por causa de uma maldita mulher, porém, tão forte quanto ele, mas muito fraca para lidar com a própria força. Isso mesmo... Terasu Mitsue – Ele deu uma risada trovejante, e então eu apertei os olhos – Sabe! Isso me lembra da pergunta que te fiz no nosso ultimo encontro, lembra dela? – Ele apertou mais os dedos nos meus cabelos e então me puxou para cima, aproximando meu rosto no dele – Eu perguntei quantas pessoas ainda morrerão por sua causa. E ai está – Ele abriu um meio sorriso – Mais uma para a lista.

Meu lado negro, doentio e irracional, quase cobre meu ser de novo naquela ira incontrolável para mata-lo, mas mesmo fora de mim, eu ainda consegui falar algo antes de atacar.

– Você não presta Lance... – Falei com a voz mais controlada – É um lixo tão podre quanto eu, até pior. Eu sei que Kakashi morreu, não precisa jogar isso no meu rosto. Você já jogou a morte da minha família inteira na cara então não ache que cairei apenas com isso. Então me faça um favor e cale a merda da sua boca, porque não adianta quantas mortes você queira esfregar em mim, mesmo sendo a pior das pessoas, mesmo que isso seja o pior dos pecados que posso cometer ainda, eu vou te matar e não vai mais usar as pessoas. Não o meu clã.

Lance me analisou com seus olhos bestiais, mas apenas deu de ombros, me jogando no chão outra vez, de modo que eu caísse por cima do Kakashi.

– Boas palavras, mas tão inúteis quanto seu amado morto – Falou com o cumulo da frieza – Não adianta o quão corretas sejam suas heroicas intenções, elas não valem nada. Agora que olhou para ele, porque não para e olha para o seu próprio estado?

Depois que ele falou aquilo que eu me lembrei de eu mesma. Passei meus olhos sem muita disposição pelo meu corpo. A chama havia diminuído drasticamente com a pausa na batalha, mas mesmo assim eu conseguia ver meu corpo completamente sujo e mal cheiroso, meus dedos calejados e ásperos, minhas unhas quebradas e outras rachadas com um pouco de sangue acumulado nas beiradas dela, meus pés cobertos de feridas e os grandes arranhões nas minhas pernas misturando sangue em alguns hematomas. E o vestido... Nem se fala. Estava aos farrapos, cheio de gotas gordas do sangue que a pouco escorreu do meu nariz.

Eu era um lixo humano.

– Você está um completo traste – Continuou ele, com a mesma voz sem emoção – E pior, está louca, sedenta por sangue, selvagem e violenta até os ossos. Qualquer um diria que não passa de uma mulher que precisa ser impedida de cometer uma catástrofe a qualquer momento e para isso estou aqui – Ele estende os braços, relevando-se por inteiro – Eu sou quem irá te impedir não custe oque custar, porque é isso que os heróis fazem.

Meu rosto se contorceu de nojo diante do péssimo uso daquela palavra.

– Herói... Você? – Falei com completa repulsa.

– Claro! – Ele abriu um sorriso – Bem, pelo menos seu clã acha isso e devo dizer que isso me favorece um pouco mais do que você agora – Ele alargou o sorriso – Eles confiam em mim! Ótimo, não é?!

– Esta é a pior das catástrofes – Murmurei, conseguindo ter um leve momento de lucidez – Você matou o restante do clã e mentiu a eles sobre minha pessoa para que conseguisse me encurralar e me matar. Você age como um cínico.

– Oras, não fale como se não tivesse sido tão cínica quanto eu. Mas, deixando isso de lado, esse é o seu fim definitivamente. Isso está demorado de mais para uma luta e eu preciso destruir o resto desse lugar para me tornar líder de seu Clã. – Ele riu e então ergueu a mão em forma de lâmina com o olhar faiscante – Sabe... Aquelas pessoas são tão fáceis de controlar quanto você, e tudo isso por sua causa. Obrigada Mitsue, eu tenho que te agradecer do fundo do meu coração.

– Vai se danar... – Murmurei com nojo, apertando o colete sujo do Kakashi sob minhas mãos e então tirei um segundo para olhar para ele. Eu só podia ver os cabelos grisalhos dele se balançando com o vento da nevasca que começava a diminuir e então minhas mãos se cerraram em punhos, e meus olhos ficaram opacos.

– Acho que já falei o bastante – Refletiu Lance, mas então se calou quando viu minha expressão ficar igual a de antes, quando perdi o controle.

– Você fala de mais para alguém que está tão apressado em matar alguém – Preguei o olhar nele – Me irrita ter que repetir a mesma cena de te interromper para evitar minha morte, mas não tenho escolha.

Antes que ele resolvesse atacar de verdade, ergui uma das mãos e lancei uma grande quantidade de chakra na direção dele, de modo que ele fosse lançado não tão longe. Tirei os olhos daquela figura sem importância e voltei ao Kakashi. Com o cuidado de uma mãe para com o filho, virei ele para que ficasse de costas no chão e passei uma das mãos pelo rosto dele para afastar os longos fios grisalhos do rosto perfeito, e então olhei sua face pálida e fria com pesar. Envolvi os ombros dele com meus braços e então o levantei até que ficasse sentado na minha altura e deixei uma lágrima solitária escorrer pelo rosto vazio que eu expressava.

Suspirei.

– Acho que no fim das contas, apesar da tristesa ser um sentimento tão inútil, é inevitável que a mais forte das pessoas seja pega de surpresa por ela – Me inclinei para ele e encostei meus lábios na sua testa gelada com força, apertando os olhos até que eu me afastasse e deitasse-o de volta – Não deixarei sua morte ser em vão. Nem a sua, nem a da senhora Yume, nem a dos meus pais, a de ninguém.

– É mesmo... Por falar em mortes – Me levantei assim que ouvi a voz da criatura desprezível novamente e então me virei para ele, vendo ele novamente de pé, mas com o cansaço claro em seu rosto – Já faz algum tempo, mas quase que fui descoberto por um de seus amigos, Mitsue.

– Amigos? – Perguntei, confusa.

– Sim. Era um homem e se apresentou como Kinoshita Akio. Sabe de quem eu falo, certo? – Perguntou cínico outra vez.

Meu rosto ficou mais gelado quando ouvi o nome do Akio.

– Akio... Sensei? – Falei lentamente.

– Ora, desta vez era o seu sensei? – Ele sorriu e então passou uma das mãos pelos cabelos zoneados – Tenho que admitir que esse seu sensei era um cara bem durão.

Meus batimentos falharam uma batida.

– Era?

– Sim, devia ficar orgulhosa de ter um sensei tão bom, mas não foi o bastante para que depois de me pegar no flagra com os Terasu, conseguisse escapar com uma informação tão importante. Então... Eu simplesmente fui obrigado a mata-lo. Não... – Ele balançou a cabeça para os lados como se tivesse cometido um erro bobo – Não eu, mas sim o meu fiel parceiro. Sabe, Ryo é mais frio que eu pensava.

Ryo...?

Minhas mãos tremeram, ainda em punhos, e então o sangue voltou a inundar meu rosto com a ira pulsante dentro do meu corpo e meus olhos ficaram ainda mais vivos que antes.

– Já disse que você fala de mais Lance – Grunhi, mas quando ele resolveu prestar atenção no que eu iria fazer eu já havia socado ele de maneira que fosse lançado para longe, mas mesmo com o soco, ele alcançou a neve com a mão enquanto era lançado e retardou a velocidade até que colocasse os pés na neve e se lançasse para mim novamente.

Mais uma luta começou. Uma luta que não parecia que ia acabar tão cedo já que nossa recuperação era veloz de mais, mas mesmo com os bons reflexos dele, desviando dos meus golpes, eu arrisquei baixar parte da minha guarda para agarra-lo pela gola e esmurra-lo até sua ultima respiração. Mas fui muito descuidada e ele logo de alcançou com uma mão enquanto preparava sua lâmina e me acertava em cheio no ombro. Soltei um grito meio contido de dor e então coloquei a mão na ferida quando sua lâmina foi retirada, mas desta vez o Lance prestou atenção em não falar de mais e perder a oportunidade e logo cravou a lâmina no meio da minha barriga e um gemido agoniado escapou pela minha boca. Quando pensei que a lâmina avançaria até atravessar minhas costas, de repente ela parou no lugar completamente. Um misto de confusão e alívio se passou pelo meu rosto e então pousei os olhos nele para saber oque diabos havia acontecido.

– Morra... Traidor.

Desta vez, a fala não foi dita pelo Lance, muito menos dirigida a mim. Lance tinha os olhos esbugalhados e então baixou o rosto, levando sua outra mão na lâmina azul que estava atravessada no meio de seu peito, com incredulidade. Em pouco tempo a lâmina azul foi retirada do seu peito e então Lance caiu de joelhos enquanto seu braço em forma de lâmina saia da minha barriga e se desfazia devagar.

– Porque você... Ryo? – Perguntou com a voz tremula ao homem que havia abaixado a Katana e o olhava com o rosto sério.

– Você traiu o clã. Enganou a todos para se tornar líder e nos manipular. É um traidor que merece morrer.

Olhei com os olhos duros a face do meu ex-melhor amigo, analisando se não blefava, mas para o meu choque ele não estava.

– Você o atacou por trás mesmo... – Murmurei enquanto a cascata de sangue rubro escorria do peito do Lance e suas pálpebras se fechavam.

Ryo nem se deu ao trabalho de me olhar, apenas encarava o Lance, mas abriu a boca para dizer sua resposta.

– Eu te disse que o mataria se estivesse mentindo – Respondeu simplesmente e então eu assenti, deixando aquilo de lado para apertar minha barriga com força de modo que o sangue não escorresse muito até que meu chakra fosse capaz de curar a pior parte.

Lance ainda teve a coragem de rir.

– E oque vai fazer... Terminar de fazer o meu trabalho de destruição da vila e liderar tudo?

– Não é da sua conta – Falou numa voz mais baixa e então ergueu a lâmina na direção dele – Agora é a sua vez de morrer, Lance. O inferno te aguarda – Ainda sorrindo, a lâmina atravessou a garganta dele e finalmente, Lance desfez o sorriso e seu corpo deslizou da lâmina ao chão.

Olhei a morte do traste sem demonstrar muita emoção no rosto e então voltei o olhar opaco ao Ryo.

– O que faz aqui? – Perguntei com uma leve rouquidão na voz.

– Vim mata-la – Respondeu e então embainhou a Katana e me olhou – Mas cheguei a tempo de ouvir oque ele disse.

– Agora deve acreditar no que eu disse, não é? – Abri um meio sorriso irracional de novo, mas ele permaneceu com sua máscara de seriedade.

– Sim, mas duvido que tenha sido esta pessoa que vejo que me falou a verdade.

Dei de ombros e soltei os braços da minha barriga quando o sangramento parou, mas com o corte ainda aberto.

– Tanto faz, mesmo que me digam que estou louca, esse desgraçado finalmente está morto – Falei numa voz sem emoção, olhando o cadáver no chão com repulsa.

– E agora? Vai salvar a vila? – Perguntou, mantendo a mão firme na katana.

Dei uma risada sem humor diante daquela frase.

– Salvar a vila? – Repeti com a voz distante – Eu nem sei se posso me salvar agora e espera que eu salve esta vila? – Virei o rosto para ele e ergui os braços para o cima para então solta-los livres até baterem na minha cintura – De mim só se sobraram restos miseráveis Ryo. Tudo ao meu redor ruiu, e as pessoas se foram muito rápido. Eu nem ao menos sei como me mantenho de pé ainda.

– Se mantem de pé porque se importava com todos, Mitsue. Mas o modo que está lutando agora é perigoso, você sabe.

Bufei, ainda fora de mim.

– Desde quando se importa tanto comigo? Você estava prestes a me matar antes.

Ryo apertou a Katana e então seu rosto se suavizou, quase igual ao antigo Ryo. Isso me atraiu a atenção e então meu coração se acelerou quando vi que parte dele ainda estava ali. Viva. Mas meu lado irracional não permitiu que essa sensação continuasse ali.

– Eu sei disso, mas sendo sincero, eu estou confuso diante de toda a situação. Pelo oque eu sabia, você matou o clã e agiu como uma verdadeira traidora. E agora... Eu ouço isso – Ele suspira e então coloca seu olhar sobre o meu, sem parecer se perturbar com ele – Eu não acredito em nada agora, então estou neutro.

– Sei... – O olhei de cima para baixo, mas logo dei de ombros e passei a mão no rosto – Tanto faz. Eu estou presa dentro de uma vila destruída, com pessoas que eu amava mortas por minha causa. Nunca me senti tão morta antes, então... Se seu ódio por mim ainda for o bastante, pode me matar agora.

Ryo arregalou os olhos diante do pedido que eu fiz, mas eu simplesmente o olhava com seriedade, sem um pingo de duvida de que queria ser morta.

– Está me dizendo que lutou até agora para pedir para morrer? – Perguntou, começando a realmente duvidar de minha sanidade.

– Não. Eu lutei até agora para matar aquele quem me trouxe uma vida que mais parecia um pesadelo, e assim, proteger as poucas pessoas que me restaram. É por isso que lutei. Mas agora... Todas estão mortas. E mesmo que eu salve a vila, outras pessoas virão atrás de mim e matarão o resto de pessoas que me sobraram. O certo é que eu morra – Respirei fundo e então encerrei – É muito provável que até em meu estado mental normal eu pediria o mesmo.

– Você nunca pediria para morrer...

– Ryo. Se não fosse o Kakashi antes eu já teria me entregado a morte. Se eu estivesse como antes, eu teria morrido de qualquer maneira – Ergui a palma da mão e então observei a quantidade grande de chakra escuríssimo correr sobre a pele – É só isso que me mantem viva.

– Mesmo assim. Eu não vou te matar por um motivo tão irracional quanto esse – Ele caminhou até mim e tocou meu ombro que havia acabado de se regenerar – A Mitsue que eu conhecia antes de o Lance me contar tudo isso, sacrificou anos de sua vida para ser aceita, fazer justiça, ajudar os amigos e salvar sua família. Você sabia que ia ser difícil desde o início, e agora que a hora chegou, vai desistir por medo de sofrer mais?

– Eu tenho medo de ferir mais pessoas Ryo!

– Mas se você morrer, a ferida vai ser maior para quem te amava! É lógica Mitsue! E você pode salvar a vila – Ele apertou meu ombro e então eu senti um leve formigamento – Olhe... Eu estou neutro, então até que eu ajeite as coisas na minha cabeça, eu vou estar do seu lado para ajudara a vila. Não da maneira de antes, mas vou estar do seu lado. Apenas acredite um pouco na sua capacidade e controle a suas emoções para voltar a ser lúcida.

– Eu estou lúcida! Eu penso, falo, raciocino... Porque dizem isso?!

– Porque você não é fria assim! Você não sorri quando machuca alguém, não aprecia a morte, não ignora que o Kakashi está morto na sua frente! Isso é doentio. Você é... Ou pelo menos era, uma pessoa teimosa, responsável e dura quando se tratava dos seus direitos e dos outros! Sempre, sempre se importou até mesmo com o Kakashi apesar de odiá-lo na época. E... Você ama o Naruto. Cuida dele como um filho. Você é tudo isso e não essa mulher fria e impenetrável que se diverte matando seus inimigos!

Dobrei a boca e então afastei um passo.

– Se você não me matar, eu me mato. Eu deixei de ser assim Ryo, agora não me sobrou nada. Nem você está presente de verdade. Se por acaso acreditar naquilo de novo, vai me matar pelas costas sem pensar duas vezes.

– Não se você me provar que realmente é aquela pessoa – Falou, convicto.

– Impossivel. Agora é impossível.

– Vamos tentar, então. Se o que eu vou fazer agora não funcionar, e continuar a ser fria assim, eu te matarei.

Apertei uma das mãos e o observei cuidadosamente.

– Promete? – Perguntei em voz baixa.

– Sim – Respondeu, e então eu assenti e voltei a me aproximar dele.

Ryo tirou a mão da sua Katana e tirou as luvas que cobriam as duas mãos, jogando-as na neve.

– Me de suas mãos Mitsue – Pediu com a voz mais suave e eu as estendi.

Ele as segurou, se arrepiando quando sentiu o toque gelado junto com todo aquele formigamento.

– Está mais forte que da ultima vez – Murmurou ele enquanto apertava mais minhas mãos.

Continuei calada, com os olhos fixos onde aquele delicioso formigamento familiar me atingia. Ryo respirou fundo e então entrelaçou nossos dedos e fechou os olhos para manifestar seu próprio chakra. Em pouco tempo, uma chama suave e bem mais clara que a minha, mas da mesma natureza, o cobriu e então o formigamento inundou nossos corpos quando nos conectamos. O segundo tipo de ligação segura entre chakras, mas sem uma transferência, apenas contato direto sem que pudesse se fixar no organismo. Meus olhos se fecharam imediatamente quando senti o poder dele em mim e o meu nele, e então me senti numa paz repentina, graças à nostalgia que aquilo me provocava.

Aquilo me lembrou os dias de infância, quando tive a primeira conexão de chakra com o Ryo, e então tudo teve seu inicio oficial: Kakashi e eu participamos da guerra e então nos reencontramos mais tarde e pela primeira vez, viramos parceiros de verdade. E então eu e a Kurenai, Ryo, Gai, Kakashi saiamos em missões e nos divertíamos muito. Depois de um tempo eu e o Kakashi finalmente admitimos oque sentíamos um pelo outro, e logo vieram mais experiências novas que nunca tinha experimentado. E nessas experiências eu descobri a gravidez e todos ficaram muito animados com isso. Agora... Dei a luz a ele no pior dos momentos e todo o pesadelo se iniciou. Junto, a morte do pai do meu filho.

– Kakashi... – Murmurei numa voz tremula, e então baixei o rosto, sentindo muitas lágrimas virem de uma vez e molharem meu rosto ensanguentado e sujo.

Ryo abriu os olhos sem me soltar e então observou-me chorar descompassadamente, um bom sinal de que estava conseguindo me controlar.

– C-como eu vou ser capaz de ser uma boa mãe se... Eu deixei o pai do meu filho morrer? Que tipo de exemplo eu vou dar a ele...? – Liberei meus pensamentos, chorando muito ao pensar no quanto Naruto sofreria e meu filho também quando ficasse mais velho – Eu não quero que ele passe pelo mesmo sofrimento que o meu Ryo...!

– Eu sei... – Murmurou e então se aproximou mais de mim – Por isso tem que ser forte. Como mãe, você tem que dar um bom lar ao seu filho. Tem que reconstruir a vila natal dele e proporcionar a ele uma boa vida apesar do Kakashi não estar mais presente. Conhecendo ele, Kakashi te deu coragem para lutar até agora não é?

Assenti, lembrando das palavras dele antes de morrer pelas mãos do Lance.

– Ele falou comigo... Ele disse que lutaria pela minha família comigo.

– E você realmente vai permitir que Kakashi morra em vão? Para mim isso é crueldade para quem deu a vida por você.

Levantei o rosto e abri os olhos, e então vi um sorriso fraco surgir no rosto dele, feliz por eu parecer mais comigo mesma e pelo meu chakra estar ficando claro.

– Volte a ser a Mitsue que eu acho que conheço. Por favor.

– Ryo... – Murmurei, abrindo o primeiro sorriso saudável desde que perdi o controle.

Mas logo o pior tinha que acontecer.

– SEU MALDITO!

Viramos os rostos para a voz e então vimos Arisu em pessoa correndo na nossa direção com um rosto cheio de puro ódio para o Ryo.

– TRAÍDOR!! VOCÊ NOS TRAIU!

– Oque...? – Perguntei confusa, mas o Ryo rapidamente soltou minhas mãos para se defender da Kunai que ela havia sacado, mas a garota foi muito rápido.

Antes que ele pudesse pegar a Katana, Arisu crava a kunai no peito esquerdo dele tão fundo que toda a lâmina desapareceu e sobrou apenas a ponta arredondada.

– A-Arisu... – Ryo segurou a mão dela para que não afundasse mais a arma.

– VOCÊ MATOU O LANCE! – Ela gritou, enraivecida – Não vou permitir que traia seu próprio clã juntando-se a ela. Você vai morrer!

Notas finais
Desculpe qualquer erro, é que estou com pessa :x