Recomeçar
9 Chapter VIII
Notas iniciais
Eu tive alguns problemas, mas estou tentando voltar. Eu estagio pela manhã e tenho aulas à tarde e a noite, então vou tentar postar nos finais de semana.
Espero que gostem! ;)
Nos capítulos anteriores:
Freddie e Sam começaram a namorar no colegial, e o fizeram por todo o tempo de universidade. Próximo a formatura, Freddie consegue uma oportunidade de trabalhar na NASA, e acaba na primeira missão tripulada para Marte. Durante a preparação, ele conhece uma astronauta e se encanta por ela. Acreditando não amar mais Sam, ele termina com ela, mas logo descobre que etsva errado.
Arrasada, Sam aprende a viver sem ele, mas muda muito sua personalidade. Ela vira uma renomada neurocirurgiã e volta para Seattle para acompanhar Carly, agora advogada criminalista, já que sua mãe morrera quando ela estava no primeiro ano de faculdade. Spencer morava na Europa, e Carly tinha que cuidar do avô doente, mas não podia deixar Sam sozinha. O avô dela morreu em seis meses.
Depois de três anos, Freddie finalmente volta, disposto a ter Sam de volta.
Com medo de que eles acabarem se magoando ainda mais, ela dá ao Freddie duas semanas, até o aniversário da Sam, dia 17 de abril de 2021, antes que ela começasse a interferir contra.
Eles saíram pra almoçar, mas uma enfermeira os ofereceu a companhia dela e de mais três, e , para evitar boatos, Sam aceitou. No dia seguinte, ele vão tentar de novo.
É dia 6 de abril de 2021, e o tempo está correndo.
Agora, um capítulo novo de Recomeçar.
Freddie fizera as reservas na noite anterior, então o maître os levara logo a sua mesa.
Dormira muito pouco, tentando, em vão, se preparar para esse momento, e o fato de ela ter pedido apenas uma salada não ajudava em nada. Apenas o lembrava de como ela estava diferente, de como o sofrimento a mudara. A culpa era dele, e só dele. Tinha medo de não a conhecer mais...
O silencio começava a apertar seus ouvidos, quando Puckett finalmente resolveu que era hora de dizer algo. Ela não sabia o que, então a chagada da carta de vinhos foi uma interrupção muito bem-vinda.
Benson olhou para as páginas como se elas estivessem escritas em grego. Era muito difícil algo de que ele não entendesse, e ela havia esquecido como ele ficava lindo confuso. Teve vontade de rir e de chorar ao mesmo tempo. Precisava mudar o rumo dos pensamentos.
–Chateau Lafite 65, por favor, Peter. – disse calmamente, sem olhar para a lista. O outro sorriu levemente.
–É claro, Srta. Puckett.
Ele recolheu a carta e saiu.
–Vem sempre aqui?
A pergunta de Freddie pareceu uma cantada ruim que ela teve vontade de rir, mas se limitou a responder, formal.
–Gosto daqui. É tranqüilo, e não é muito romântico, então muitas pessoas vêm aqui sozinhas. É um lugar interessante para se ficar um pouco sozinha, ou para conhecer alguém que não seja um completo idiota, como é o casso da maioria dos homens que se conhece em boates nessa cidade.
Benson fez um esforço colossal para não parecer incomodado com o fato dela sair para conhecer outros homens. Ela era jovem, bem-sucedida, bonita e, por enquanto, solteira. E novamente, a culpa era toda dele.
–E então? Há quanto tempo está no hospital?
Sam esperou o garçom servir o vinho e sair, antes de responder.
–Eu voltei pra Seattle junto com a Carly, e comecei residência lá. Depois fui contratada, e estou lá até hoje. Sem previsão de sair.
Eles riram juntos. Era um som tão familiar, e ao mesmo tempo tão novo, que os fez suspirar involuntariamente.
–E você? – continuou a loira – Quando terá que voltar a Houston?
–Em alguns meses. Mas estou revendo isso ainda. Não sei se quero continuar sendo astronauta... Não gostaria de deixar Seattle. Nunca mais.
E de repente, o assunto da conversa mudara. Ele não estava realmente falando de Seattle. E ela sabia. Mas era melhor fingir que não.
–É uma boa cidade.
Não seria tão fácil.
–Não se faça de desentendida. Você sempre foi mais esperta do que isso.
–Eu mudei muito, Freddie. Eu não sou mais a mesma garotinha que você deixou pela primeira astronauta que conheceu.
O tom ácido foi involuntário.
–Você sabe que não foi assim, Sam. Que droga, eu cometi um erro estúpido! Eu fui estúpido. Mas eu sei quem você é, e você sabe quem eu sou, independentemente de qualquer coisa!
–Não acho que o inferno pelo qual você me fez passar se encaixe facilmente na definição de “qualquer coisa”.
Estava cada vez mais difícil manter o tom civilizado. Ela respirou fundo.
–Freddie, esse não é o melhor lugar nem a melhor hora para conversarmos sobre isso.
–Onde e quando?
–Nunca e em lugar nenhum parece bom pra mim.
O tom de desdém dela apenas o deixou nervoso.
–Não.
–O que disse?
–Eu disse que não. Eu não posso. Desculpe-me, Sam, mas eu não vou simplesmente desistir assim.
–Você já desistiu, Freddie. Desistiu há três anos. Foi você quem foi embora. A escolha foi sua. Agora lide com ela.
–Eu paguei três anos por isso, Sam. Nós dois já sofremos o suficiente. Eu amo você. Eu quero você de volta.
Seu tom intenso não foi capaz de tocá-la. Pelo menos não visivelmente. Mas ouvir aquelas palavras revirou com força algo dentro dela.
–Não ama não, Freddie. Não tente se enganar. E não tente me enganar. Vamos apenas seguir com as nossas vidas.
–Você é minha vida. Eu amo você. Não me diga que é mentira, porque é verdade e você sabe disso! Eu preciso de você. Preciso que me perdoe!
–Eu já perdoei você Freddie. Estou aqui, não estou? Mas isso não quer dizer que eu vá voltar pra você. Eu não consigo mais acreditar em você. Eu sofri demais, não dá pra...
–Eu também sofri, Sam! – interrompeu – Sofri muito! E o pior de tudo é que a culpa é toda minha! Eu fui idiota o suficiente pra te expulsar da minha vida! E isso me fez sofrer por três anos.
–Exato! A culpa foi sua! – seu tom era firme e irritado, mas ela ainda mantinha a voz baixa – você escolheu terminar! Você foi embora! Você me deixou! Você pode até ter sofrido, mas você foi embora sabendo que eu te amava!
“E quanto a mim? O que você me deixou? Nada! Eu fiquei parada, vendo o homem que eu amava virar as costas para mim e ir embora com outra! Eu vi o meu melhor amigo me abandonar! Eu vi o cara com quem eu imaginava que ia ficar para sempre dizer que não me amava mais!”.
“Você? Você sabia o quanto eu te amava! Eu? Eu não tinha nada! Então não venha me falar de sofrimento!”
Por um minuto, eles apenas se olharam.
–Eu sei que estou soando egoísta. – continuou, em um tom mais calmo – mas a minha mãe morreu, eu não sei onde meu pai está, eu só falo com a minha irmã em datas comemorativas, o cara que eu amava me deixou, e eu atrasei meses da vida da minha melhor amiga. Aprendi a contar só comigo mesma...
–Me parece uma vida solitária... – disse ele, depois de algum tempo.
–Não é como se eu tivesse escolha...
–Você tem agora.
E de repente ela não precisou dizer mais nada. Tudo o que foi necessário foi um olhar. E ela via, dentro dos olhos dele, uma promessa. Ele estaria com ela. Para sempre.
Ela o queria de volta.
E lá estava aqueles olhos castanhos a fazendo querer mudar de idéia. De novo. Como sempre fizeram.
–Me perdoa. Volta pra mim.
–Eu não posso confiar em você de novo, Freddie. Eu não sou hipócrita para dizer que não te amo mais. Eu amo. Mas você não merece esse amor, e certamente não merece uma segunda chance. Então minha resposta é sim, eu te perdôo. E não, eu não vou voltar pra você.
Juntando todas as forças que ela tinha dentro de si, ela levantou. Quando virou de costas, sentiu uma mão forte e firme segurar seu pulso e forçá-la a olhar pra trás. Lá estavam eles de novo. Os olhos. As promessas. As tentações. Mas dessa vez, seria diferente.
–Eu te amo. Acredita em mim. Por favor.
–Não dá...
Sem dar-lhe tempo de dizer mais nada, Sam se virou e saiu, deixando Freddie sozinho.
***
Eu estava triste. Ele estava indo embora, então era lógico que eu estivesse triste. Mas eu tentava a todo custo me concentrar na parte em que ele voltaria. Eu tinha concordado com aquela loucura, afinal. Claro que eu tinha concordado. Era o sonho dele! Eu tinha que apoiá-lo!
Minhas reflexões e ponderações foram felizmente interrompidas por batidas suaves na porta do meu dormitório. Ele estava lindo, pronto para viajar, mas estava estranho, distante.
Presumi que ele também estivesse triste e o abracei. Ele correspondeu, mas não foi com normalmente...
Resolvi não dizer nada.
Ele havia pegado um ônibus do Massachusetts até Rhode Island, e agora iríamos no meu carro até Connecticut. De lá, um avião o levaria até Houston, onde ele ficaria na base da NASA por um tempo, antes de partir para Cabo Canaveral e, finalmente, o espaço!
Foram as duas horas mais incrivelmente longas da minha vida. Eu dirigia, e isso ajudava a me manter ocupada. Eu gostava de dirigir, era boa nisso, era fácil pra mim. Ao mesmo tempo, prestar atenção no transito sempre era uma boa opção quando eu queria me distrair. Me distrair com o transito, me ajudava a não pensar no Freddie, ao meu lado, agindo como se quisesse estar em outro lugar. Qualquer outro...
A passada em Yale foi rápida. Carly estava atarefada, então não nos acompanhou ao aeroporto. Provas finais.
Eu estacionei o carro e olhei para Freddie. Ele olhava para frente. Eu havia dirigido por duas aulas, eu estava abrindo mão dele por um sonho dele. Porque ele estava daquele jeito?
–Vai falar o que houve ou eu vou ter que perguntar?
Ele se sobressaltou, respirou fundo e tentou falar.
–Eu não sei como dizer isso...
–Bom, eu não sei o que “isso” é. Então não posso te ajudar.
O tom brincalhão não surtiu efeito algum.
–É complicado, Sam.
–Você tem ido e vindo de Houston há um ano, e agora vai passar mais três fora. O que pode ser mais complicado?
–Sam, eu... – ele demorou um pouco a responder. – Eu não vou voltar.
–Como assim? – eu estava realmente confusa e assustada.
–Eu não vou voltar. Pelo menos não pro que temos...
Eu continuava olhando-o, confusa. O que ele estava dizendo?
–Eu vou passar três anos nessa missão, e depois eu acho que fico por lá. Sam, eu... Eu estou terminando com você.
Ele disse. Com todas as letras. E mesmo assim eu não entendia. Existia uma parte de mim que bloqueava o real significado daquilo. Ele estava visivelmente nervoso, agitado. Ele falava e gesticulava. E mesmo assim...
–Eu não entendo...
–Você está escolhendo não entender. Olha, Sam, me perdoa, por favor. Eu não planejei isso. Eu não queria, mas aconteceu e...
–O que aconteceu. Eu não entendo...
–Sam, eu conheci alguém.
E aí eu entendi. Ele estava me deixando. De verdade. Por outra.
–Ah.
Ficamos em silencio por um momento.
–Eu tenho que fazer o check-in.
Eu tentei achar minha voz, mas não me senti segura para falar. Dei um sorriso curto, falso e amargo a assenti.
–Olha, Sam, eu...
–Não. – eu o interrompi, surpresa comigo mesma por estar conseguindo falar normalmente. – Está tudo bem, Freddie. De verdade. Eu só quero que você seja feliz.
Eu o abracei e destravei as portas. Ele deu um sorriso triste e desceu.
Eu tentei levantar e ajudá-lo com as malas, mas minhas pernas tremiam demais.
Esperei que ele colocasse as malas dentro de um carrinho e saísse. Ambos acenávamos, sorrindo sorrisos falsos.
Eu consegui ficar calma na hora. E teria que conseguir por mais quinze minutos. Eu sabia exatamente de quem eu precisava, e ela estava a poucos quilômetros de distancia. Mas a visão embaçada denunciava que não seria tão fácil.
***
As lágrimas desciam fracas e inexpressivas. Sam as limpou com força, enquanto se recriminava pela própria fraqueza.
Ela tentou voltar a encher a taça de vinho, mas foi em vão. A garrafa estava vazia. Aparentemente, iria parar de beber. Não porque pensasse que deveria, mas porque passara as últimas doze horas sentada na confortável cadeira estofada da varanda do próprio quarto, e não tinha intenção de levantar.
Ela saíra do restaurante com a intenção de voltar ao Hospital. Mas aquela conversa tinha deixado-a devastada, e ela resolvera seguir direto pra casa. Pegara uma garrafa qualquer de vinho na pequena adega da cozinha e passara a tarde, a noite e entrara na madrugada remoendo a própria dor.
Abraçada às pernas e com o rosto vermelho e molhado, Puckett adormeceu.
***
Benson chegou em casa horas mais tarde. A noite já estava avançada, depois de cancelar os pedidos do almoço, bebeu toda a garrafa de vinho sozinho. Era realmente muito bom...
Depois disso, vieram algumas doses de uísque. Do restaurante para um bar. Mais uísque, algumas doses de vodka.
A combinação não foi uma boa idéia, e a expressão vulgar “bêbado com um gambá” é provavelmente a mais apropriada para descrever seu estado naquele momento.
O taxi o deixou na porta, roubando seu troco, mas ele nem se importou. Sua cabeça latejava e o mundo estava retorcido e confuso. Ele não saberia dizer como, mas conseguiu abrir a porta do apartamento da mãe.
Marisa Benson estava, como sempre, à sua espera. Ficou assustada ao ver o filho naquele aspecto. Mas o tempo que ele teve que passar longe fora um tratamento doloroso e que dera resultados. A neurose da mãe coruja havia diminuído bastante nos últimos anos, o que a ajudou a ter presença de espírito o suficiente para ajudar o filho a entrar no chuveiro.
A água fria apenas o deixou mais sonolento. Ela o trocou e o ajudou a deitar. Teria tempo para brigar depois.
–O que houve, Freddie? – sussurrou, mas para si. O que não o impediu de responder co apenas uma palavra semiconsciente.
–Sam...
E ela entendeu. Com um sorriso triste e choroso, ela fechou a porta atrás de si.
Deitada na própria cama,ela se permitiu derramar duas lágrimas, antes de finalmente pegar no sono.
Notas finais
Agradecimentos especiais a minha amiga sem conta no Nyah! que corrigiu meus erros.
Valeu, coelhinhaaa! ;)
bJOEss
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