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21 Games
Notas iniciais
Eu pus o braço sobre os ombros de Bella e a conduzi até a nossa sala de multimídea.
- Eu confesso que estou bastante ansioso por ver como você vai reagir ao seu presente.
Ante as minhas palavras Bella estancou e encolheu-se sensivelmente.
- Não. Você não fez isso comigo, não é? Por favor, diga-me que você não me comprou nada.
Sorri pra ela.
- Eu pensei que você gostasse que eu fosse verdadeiro com você. Isso mudou? Ok, então.
Fiz uma cara extremamente séria, segurei-a pelos ombros, dizendo-lhe com toda a convicção:
— Bella, eu não lhe comprei nada.
- Você comprou, não foi?
Mudei a minha expressão para uma de confusão, apenas pra me divertir.
- Agora, o que eu devo fazer? Continuar com a mentira ou voltar a ser verdadeiro?
- Sério Jasper, nem sempre é preciso ser um idiota completo!
Reclamou ela fazendo um beicinho absolutamente adorável.
Eu ri. Para alguém tão simples como Bella, ela tinha verdadeiramente pêgo todos os trejeitos de uma boa faneca. Mas então eu fiquei um pouco inseguro. Quer dizer, vamos lá: aquela era Isabella Swan, a garota conhecida por sangrar com papeis de embrulho (literalmente) e ter urticárias nas mãos quando tinha que desfazer algum fitilho das embalagens (apenas um pouco de exagero aqui; bem pouco). Suponho que fazia parte da ritualistica de se dar um presente a ela, ter esse sentimento de não saber se você estava em seu juízo perfeito, na hora que decidiu fazê-lo.
- Nada demais – expliquei com um dar de ombros que tentava minimizar a minha ação — É só que você parecia tão triste a primeira vez que veio aqui... E quando falou a respeito, eu pude sentir a sua saudade e... Bom, eu queria poder apenas vê-la com um sorriso no seu rosto, apenas pra variar, então... Eu lhe comprei isso e isso – Expliquei apontando-lhe o vídeo game e os muitos jogos que lhe tinha comprado.
Durante alguns segundos ela nada disse, mas a sua boca caiu em espanto e ela ficou parada como uma estátua no meio da sala. E eu que pensei que ficar paralisado assim, fosse uma coisa que apenas os vampiros faziam... Acho que era hora de eu rever meus conceitos e voltar para a escolinha de como fingir ser humano. Ou isso, ou Isabella caía em uma categoria totalmente diferente (coisa que aliás, eu não descartava; afinal de contas, a garota não exibia uma série de atitudes que os humanos normais exibiam. Por exemplo, ter medo de vampiros de um modo geral; ou de mim, especificamente. Mas por isso, eu estava grato).
Como ela ainda não tinha feito o menor movimento, eu comecei a me inquietar um pouco.
- Bella?
- Você me deu um vídeo game?
- E jogos.
Ela piscou confusa.
- Ah sim, e jogos. Bom então – ela se virou pra mim ainda um bocado estarrecida – devemos jogar?
- Você detestou!
- Não! É claro que não! Eu adorei! Realmente! Obrigada Jasper!
E com isso os braços dela se enrolaram no meu pescoço. Eu pousei preguiçosamente as mãos em sua cintura.
- Bella?
- Sim? – Ela perguntou ainda abraçada a mim.
- Só uma palavra que eu gostaria de lhe lembrar:
Disse-lhe virando o rosto e sussurrando em seu ouvido.
- Empata.
Bom, foi ai que a coisa ficou diferente: eu esperava que ela ficasse constrangida, talvez decepcionada por sua mentira ter sido pêga. Mas o que senti vindo dela foi uma leve onda de desejo que foi rapidamente afogada por uma, muito mais consistente, onda de confusão, culpa e constrangimento.
Eu gostei e isso me fez sorrir ainda mais largo. Afinal de contas, me processem, mas era bom saber que eu ainda podia despertar esse tipo de reação; mesmo sem eu estar ativamente trabalhando nisso e mesmo sem nenhum o uso do meu dom.
Espere, ativamente? Como assim? Eu não estava fazendo nada neste sentido de nenhum modo; correto? Eu balancei a cabeça minimamente apenas para limpar os meus próprios pensamentos.
Ela se afastou muito rapidamente de mim e o rubor de suas faces mostrou que ele poderia até se atrasar, mas sem duvida iria fazer-se presente. Ainda que fosse por razões que eu não supus a priori. Eu mantive o meu sorriso.
- Agora, isso é um exemplo perfeito de quando o seu dom de empatia é chato, não é? Porque eu não posso mentir e você acreditar?
Eu fiz uma mesura, tal como era costume ser feita às damas em meu tempo e deixei o meu sotaque sulista pesado em minha fala.
- Queira perdoar-me, senhora.
Nova onda de desejo veio dela, seguida desta vez por mais confusão e irritação. Quando levantei a minha cabeça, ela tinha cruzado os braços sobre o seu peito e o seu cenho estava franzido em raiva. E eu comecei a ficar um pouco intrigado. Nem tanto pelos picos de desejo dela, afinal de contas esta era uma reação normal humana aos de nossa espécie. E tão incomum quanto Bella era, ela ainda era humana. Mas realmente, o que estava acontecendo? Por que eu a estava provocando? Ela era a minha amiga! Isso estragaria tudo, eu não deveria incentivar.
- Você vai querer jogar comigo ou não?
Eu dei de ombros: — Se for isto o que você quer... Mas agora que ficou claro que você não é nenhuma aficionada em jogos eletrônicos, se importa de me dizer o por quê de você se sentir saudosa quando perguntou a respeito deles, no primeiro dia em que veio aqui?
- Nada, eu só estava sendo idiota. – Falou ela sentando-se no sofá e baixando os olhos, claramente envergonhada. Lentamente eu me sentei ao seu lado, observando-a atentamente. O que havia em jogos eletrônicos que pudesse fazer-la se sentir assim?
- Em outras palavras, isso quer dizer que você se importa.
- Não é que... – ela mordeu o lábio e desviou o olhar, fazendo uma pausa longa. O que quer que fosse, era sério. Assim, eu me preparei para confortá-la caso fosse necessário. – Quando Edward me deixou, ele disse que eu era uma distração. Eu considerei que eu não deveria nem ser uma boa distração. Porque eu podia apostar que Emmett teria levado o seu vídeo-game e eu fui deixada para trás. Nada importante como você pode ver. Foi só um momento de auto piedade meu. Eu só estava Checando se a minha suposição estava correta.
Claro! Porque a dúvida? É claro que isso teria algo que ver com ele. Não acho que eu já tenha sentido mais raiva de Edward do que senti naquele instante. Eu podia sentir os meus punhos se fecharem em bolas ao lado do meu corpo, antes de eu segurar-lhe o rosto com firmeza entre as minhas mãos e a obrigar a olhar pra mim.
- Quantas vezes? Quantas vezes eu preciso dizer que você é importante. E assim, o que se passa com você é importante.
Em um segundo eu estava arrancando o vídeo game com fio e tudo da estante e o joguei contra a parede. O barulho repercutiu na sala de maneira estrondosa. Bella pulou do sofá e se afastou de mim, o medo pela primeira vez inscrito em sua feição bonita. Uma parte de mim lamentou ter feito isso com ela. Eu não a queria com medo de mim, nunca! Outra parte, porém, gostou que ela se sentisse assim; eu não tenho certeza do por que. Acho que como toda e qualquer coisa a que se está acostumado, um certo lado meu se sentia confortável, apesar disto não ser algo que eu gostasse. Triste, mas real. Vampiros e humanos têm isto em comum: Nós somos capazes de nos habituar a qualquer coisa.
Apesar disso, ela não tinha realmente razão para me temer; eu estava perfeitamente no controle de mim mesmo. Com raiva, mas no controle.
- Você é muito melhor do que esse lixo. Como você ousa se comparar, mesmo que por um instante com esta porcaria?
Eu lhe perguntei arrancando os jogos e os estatelando em uma bagunça de caixas e CDs quebrados no chão.
- Como você ousa acreditar que possa valer menos do que este monte de merda? Edward foi um idiota, mas isso não é desculpa pra que você pense isso de si mesma. Nunca mais, você está me ouvindo bem?
Perguntei-lhe enquanto avançava perigosamente em sua direção. A cada passo que eu dava ela recuava. Até que eu a tinha presa entre os meus braços e contra a parede. Eu estava ofegante, ela também. Nenhum de nós se importou. E foi aos gritos que eu exigi.
- Nunca mais você vai se rebaixar tanto. Nunca mais você vai dizer ou mesmo pensar, que você não é importante. Isto está claro?
Ela balançou a cabeça em confirmação. Eu não estava aceitando nada disso. E gritei ainda mais alto, bem na sua cara.
- Responda!
- Está... Está claro.
- Me prometa, Bella. Nunca mais.
- Nunca mais!
Nisso ela começou a chorar e em um instante eu estava com os braços em torno dela, beijando a lateral de sua cabeça. Eu a levei de volta ao sofá e a sentei em meu colo. Ela escondeu a cabeça na curva do meu pescoço e ombro. Foi com suavidade que eu a embalei e falei com ela.
- Você precisa entender Bella, você é tão especial. Todos vêem isso em você, mesmo o babaca do meu irmão viu isso em você. Só você parece cega ao seu próprio valor. Você é meiga, corajosa, leal, linda, inteligente, doce e engraçada. E quando se apaixona, você é tão feroz em seu amor... Qualquer homem, vampiro ou não com quem você escolha estar, será inegavelmente um privilegiado. E se ele não agir de acordo com isso, eu já lhe disse uma vez, mas não custa repetir: você me fale porra, que eu vou dar uma surra no imbecil. Mas você nunca mais pode duvidar de seu próprio valor desse jeito. Quebra meu coração vê-la fazer isso. Ou eu juro que da próxima vez eu vou abrir a sua cabeça e meter a porra de um papel escrito “eu sou preciosa” na merda do seu cérebro.
Ela levantou a cabeça e eu enxuguei as suas lágrimas com os polegares.
- Você faria mesmo isso?
- Eu ficaria com vontade.
Ela sorriu, o que gostei.
- Obrigada.
- De nada, mas isso não acaba aqui. Eu quero entender, por que? Por que você se sente tão insegura de si mesma?
- Jasper, é meio difícil eu ser segura de mim, quando pareço ser incapaz de sequer andar em uma superfície plana sem cair.
- Será que alguém já a provocou a respeito de você ser desastrada?
- Bastante. Na outra escola, eu tinha algumas pessoas que adoravam chamar atenção para o fato. Mas isso acontecia há muito tempo, você sabe? Existe uma excelente razão para eu ter abandonado o estudo do balé e para eu não usar sapatos altos.
Isso podia explicar algumas coisas: pelo jeito, Bella tinha sido vítima de Bullying. Eu nunca gostei de matar crianças, mesmo nos meus tempos mais trevosos. Mas eu estava tentado agora.
- Bom, isso vai ter que mudar. A gente vai começar a trabalhar o seu equilíbrio. E eu ainda a verei em um salto agulha.
- Salto ... Agulha? N... Não. Você não entende. Eu não posso! Eu vou acabar me matando. Ou a alguém. Eu não posso, Jasper! Por favor, nada de saltos agulha. Eu troco uma bolsa de sangue pra que você esqueça isso.
Eu tinha certeza que do jeito que ela estava apertando o meu antebraço, se eu não fosse um vampiro, eu teria alguns hematomas para me recordar desta conversa. Da forma como era, a única coisa que estava me machucando, era a quantidade de medo que eu sentia se derramar dela. Isso dava uma boa medida do quão insegura ela estava de si. Eu detestava isso.
- Não tem graça! Bella, você confia em mim?
- Você sabe que eu confio.
- Então, por favor, acredite que você usará um salto agulha pra mim. E que você será magnífica! Porque querida, você vai!
- Por favor, Jasper!
- Nada de “por favor, Jasper”, pra cima de mim. Não quanto a isso. Eu não vou abrir mão disso. Você precisa se olhar no espelho e ter orgulho da mulher que é. Porque a mulher que a olha no espelho todas as manhãs é digna de orgulho. E você sabe que isso pode ajudar, não sabe?
Ela balançou a cabeça em confirmação.
- Assim sendo, você concorda com isso?
Ela balançou novamente a cabeça
- Eu ainda não gosto desta idéia. Eu vou acabar me estabacando no chão.
- Você sabe? Isso chega a ser um pouco ofensivo. Você não acredita que eu a deixaria cair, não é? E quanto a não gostar, isso não é preciso. Você sabe por que? Porque isso não fará com que andar de salto agulha, no seu caso, seja menos necessário. Mas se lhe servir de consolo. Não será esta noite, tudo bem? Então se acalme.
- Ok, e agora que você tornou inviável nós jogarmos vídeo game, o que você sugere que façamos?
- Assistir a um filme, talvez? Há vários DVDs aqui. Na verdade, acho que tenho um que se encaixa muito bem a tudo isso.
- Qual?
- “Desafiando limites”. E a historia de um cara, já de uma certa idade que se propõe a bater o recorde de velocidade em sua moto. Todos o desacreditam. É baseado em fatos reais, então não venha com a conversa de que estas coisas só acontecem nos filmes, ok? Mas eu acho que você vai gostar, o filme é muito bonito. E tem o Anthony Hopkins no elenco.
- Ok. Ponha pra nós assistirmos.
Eu levantei Bella do meu colo e fiz como ela me pediu. Tão logo me sentei ao seu lado, ela deitou a cabeça no meu colo e se fez confortável. Enquanto ela assistia as venturas e desventuras de Burt Munro, eu a observava. Ela era tão bonita! Doía só de pensar que ela não visse isso em si mesma e me enraivecia além da razão que Edward tivesse aguçado os seus sentimentos de inferioridade. Eu esperava que eu conseguisse amenizá-los.
Cada vez mais, o meu irmão caía no meu conceito. Eu não conseguia aceitar o que ele tinha feito. E a história de sequer a beijar direito... Quão idiota é preciso ser para namorando uma garota como Bella, sequer a beijar como ela merecia ser beijada? Se eu fosse seu namorado, eu certamente faria isso.
Agora de novo, de onde diabos estas idéias estão vindo? Quem é o idiota agora, Sr. Whitlock? Eu suspirei e voltei a minha atenção para o rosto da garota em meu colo. Ela sorria nas ocasiões adequadas, e tal como imaginei, ao cabo do filme, uma lágrima solitária estava escorrendo pela sua face. Lágrima esta que ela não tardou em enxugar.
- Acho que esta na hora de eu ir, Charlie dentre em pouco estará em casa.
- Certo daqui a uma hora eu estarei em sua casa. Hoje é dia de nós irmos ao bar country que eu lhe falei.
- Tudo bem, mas você terá que me arrumar um chapéu de cowboy, eu não tenho nenhum.
- Sem problemas.
- Até mais então, Bella.
- Até. – Disse-me ela estalando um beijo em minha bochecha e correndo para o caminhão.
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