Recomeçar
22 Outros olhos
Notas iniciais
POV Bella
Eu estava parada diante do espelho do meu quarto, observando a minha própria figura na reflexão com puro desgosto.
Tanto quanto era do meu conhecimento que eu tinha emagrecido drasticamente desde a partida de Edward, só agora eu tinha me dado conta de quanto este emagrecimento fez as minhas roupas se tornarem ridículas sobre mim. A minha calça negra (que era a minha favorita), estava presa aos meus quadris meramente por obra e graça do cinto que eu atei a minha cintura. Mas ao apertá-lo, eu tinha um monte de tecido engelhado em torno de mim.
Não dava pra eu ir com Jasper a um bar desse jeito! Como vampiro, ele era anormalmente lindo; produzido ele seria com um Deus, e eu... Bom, eu seria menos do que a figurante ao seu lado.
Sem muita opção, eu fiz algo que eu não achei que jamais fosse fazer: Desencavei as roupas aposentadas, aquelas que eu usava nos verões que eu ia passar com papai e que já não dariam mais em mim. Pois bem, uma de dois anos atrás, serviu-me a perfeição! Isso se esquecermos que ela acabava a cerca de um palmo antes do meu tornozelo. Mas para isto bastaria eu calçar uma bota de cano longo e colocar a calça pra dentro. Eu não gostava de fazer isso, mas... Era o jeito.
Olhei-me novamente no espelho e as minhas bochechas coraram. A calça cobria-me como uma segunda pele. Mas com a blusinha xadrez e a jaqueta jeans com cobertura de lã de carneiro por dentro, eu estava vestida de acordo e, melhor ainda: permaneceria aquecida (isto é algo que se têm que levar em conta, quando se está saindo com um vampiro). Ainda assim, eu estava em dúvida.
Eu apenas não era habituada a usar roupas tão justas! Voltei o meu olhar para cima da cama onde a minha calça de Maria-mijona estava, talvez eu devesse trocá-la... Afinal, o que me importa o que os outros irão pensar?
E então a memória de Jasper sussurrando em meu ouvido com aquela sua voz aveludada e ligeiramente rouca me veio ao pensamento.
Como que em um transe eu me sentei na beira da cama, tentando entender o que me deu na ocasião. Mas por mais que eu pensasse, eu não conseguia chegar a nenhuma conclusão. Eu apenas não sabia como eu podia subitamente ter me sentido tão... Quente, tão... Ah, porcaria! Tão excitada. Esta era a palavra certa. Droga! Eu sabia sem a menor sombra de dúvida que Jasper amava Alice, e que eu amava Edward, ele era a minha vida!
A minha vida que me abandonou. A minha vida que mentiu pra mim. A minha vida que não teve coragem o bastante para superar o ódio a si mesmo e me amar como eu precisava ser amada. A minha vida que nunca me deu um beijo decente, que não respeitou nenhum dos meus desejos para mim mesma e que finalmente me deixou perdida no meio da floresta , me levou a beira da loucura e que levou com ele toda a minha família e as minhas recordações do nosso tempo juntos... Mas ainda assim, a minha vida. Não é?
Todos estes pensamentos só conseguiram evocar a raiva. Não o amor. Pra mim isso foi um alívio e uma tristeza. Alívio porque se eu deixasse de amar Edward, ele deixaria de ter poder para me ferir. Tristeza por que... Bem, é sempre triste sentir um amor morrer. Mas para além disso, eu me questionei: será que era justo eu ter raiva dele? Eu não sei.
Do seu próprio jeito, ele me amou. Era um amor deformado, porque o ódio deforma tudo o que toca, mas ainda era a sua forma de amar. Tudo o mais que ele fez, foi apenas conseqüência de quem ele era.
Quer dizer, o ódio a si mesmo estava tão arraigado a sua personalidade, que ele não poderia desvencilhar-se. E possivelmente, não porque não quisesse, mas porque ele não conseguiria. Era justo odiar alguém apenas por agir da única forma que era capaz? Talvez, ao invés da raiva, ou do ódio, eu pudesse sentir pena. Porque se este era o caso, ele estava prendendo-se ao sofrimento por toda a eternidade. Ou ao menos, até que ele pudesse se libertar deste ódio. Mas então, se um amor como o nosso não o libertou, que chave poderia tirá-lo da prisão em que ele se colocou? Será que eu estava sendo arrogante em pensar que o nosso amor era tão grandioso, quando este não era o caso? Será que havia alguma coisa que eu pudesse ter feito para aliviá-lo do fardo do ódio a si próprio? Será que eu poderia ter feito algo que o fizesse me amar mais?
Existiam tantas dúvidas e tão poucas certezas. Eu achava que eu entendesse o que eu tinha vivido. Eu estava percebendo que eu era demasiado ingênua e que tinha perdido todos os vários sinais que ele tinha me dado. Talvez eu tenha perdido todos estes sinais meramente porque eu não queria ver. Era mais bonito pensar nele como uma espécie de Romeu moderno.
Finalmente, eu pude entender que se talvez eu não fosse boa pra ele, ele igualmente não era bom pra mim. E ele não era, não por causa dele ser um vampiro; mas por ele ser quem ele era.
- Filha, Jasper está aqui em baixo
- Oh, merda! Já vou pai!
Bem, com isso, acaba a possibilidade de mais uma troca de roupa. Eu então rapidamente passei um brilho nos lábios e um pouco de rímel nos cílios e desci. Quando o vi, um único pensamento passou pela minha cabeça e este foi:
- Putz grila! Mate-me agora se este não é o homem mais sexy que eu já vi! Oh merda, empata na área. Controle-se Bella, ele não pode sentir que você está se sentindo assim, isso acabaria com a nossa amizade e o faria sair correndo como...– E então diversão me preencheu – como se eu fosse a vampira e ele a pobre vítima indefesa. Hum... Ter Jasper indefeso sob mim, poderia ser divertido... Merda Bella, controle-se! Empata na área, empata na área. Quantas vezes eu tenho que me lembrar disso?
POV Jasper:
Ela estava tão gostosa! E eu não falo no sentido do cheiro do seu sangue, mas no sentido do quanto o seu corpo era desejável.
Seu decote em V me permitia ver a pele branca pontilhada por pequenas sardas de seu colo, e mesmo o início da curva dos seus seios. Mas este não era o seu único atrativo, longe disso! Havia tantos outros... O modo como a sua cintura se afunilava em curvas completamente femininas, apenas para depois se abrir em um quadril arredondado que era devidamente acompanhado por pernas longas e roliças. E com aquelas botas de cowboy...
Eu não era um homem religioso, mas Deus! Ela definitivamente poderia dar um ataque cardíaco a um cara com um pouco menos de fibra. Sem dúvida, era uma boa coisa que eu fosse um vampiro; porque eu tinha certeza que ia ter que estar tirando caras de cima dela durante toda a noite! Puta merda Whitlock! Controle a si mesmo, PORRA! Esta é Bella, aquela que supostamente, deveria ser como uma irmã pra você!
O lado menos nobre da minha mente, porém acrescentou: “Uma irmã muito, mas muito boa, diga-se de passagem.”
Eu balancei a cabeça de leve, tentando tirar os meus pensamentos da sarjeta. Foi então que as emoções de Bella me atingiram: Desejo, apreensão, raiva, determinação, irritação, diversão, desejo de novo e mais irritação.
Oh merda! Bella era um verdadeiro restaurante a rodízio para um empata. Mesmo sem entender a que se deviam todas as emoções, eu já sabia que a noite tinha tudo para ser complicada. E a este momento eu dei graças por Pedro não estar comigo e não poder ler a minha mente. Porque se ele pudesse, o filha da puta iria me encher o saco pelo resto da minha existência. O temível “Degolador do Sul”, como eu costumava ser chamado nos meus antigos tempos, temendo sair com uma humana.
Realmente, isso era ridículo! Eu certamente era capaz de fazer isso. Eu só precisava me lembrar que aquela era Bella, que ela era amiga minha e da mulher que eu amo, e que o meu pau não estava autorizado a pensar nela como nada além disso! É isso ai! Mamão com açúcar!
Sem jeito eu ajeitei as minhas calças (literal e metaforicamente), encaixei na marra um sorriso no meu rosto e estendi a mão para ajudá-la a descer os últimos degraus.
- Você está linda, querida!
Eu disse, dando-lhe um leve e educado beijo em sua bochecha que logo ficou rosada e o cheiro do seu sangue me cobriu inteiro. Eu prendi a respiração, apesar de na verdade a sede não ser um problema para mim, naquele momento. Outras coisas, eram. E quando mais uma onda de desejo pulou de Bella para mim, estas “outras coisas” só ficaram mais duras (De novo, literal e metaforicamente. Mas graças a qualquer Deus que olhe os vampiros, estas "coisas " ainda não estavam tão duras que fossem visíveis ao pai dela. Apenas eu sabia; e este segredo eu tinha toda a intenção de levar para a minha pira final).
Ah, porcaria! A quem eu estou tentando enganar? Eu tô tão fudido! E nem é de um jeito bom!
- Você também está muito... legal. — Ela falou em uma vozinha incerta e um pouco espremida.
Com o canto dos meus olhos eu vi os olhos de Charlie írem de mim para Bella e novamente para mim. Eu atentei para ele. Charlie estava se sentindo curioso, esperançoso e temeroso, tudo ao mesmo tempo.
Eu sorri, tentando aliviar-lhe as suas preocupações. Ainda que eu as dividisse com ele.
- Está tudo bem, Sr. Eu a trarei para casa em segurança. Eu prometo!
Para meu estranhamento, a frase teve o efeito oposto ao que eu imaginei. Suas preocupações apenas se aguçaram e para acompanhá-las, seu rosto se contorceu em uma careta de desgosto.
- Eu já escutei isso. Traga-a de volta no mais tardar à 1:30 da manhã.
Dor, tristeza e culpa derramaram-se de Bella. Puta merda! Eu devo ter dito algo como Edward. Era hora de dar o fora daqui, antes que as coisas ficassem ainda mais estranhas.
- Certamente, Sr. Está pronta Bella?
Ela acenou em concordância e nós seguimos em direção a porta, como um cavalheiro eu a abri para ela, mas Chefe Swan tinha vindo atrás de nós e a fechou com um único empurrão antes que pudéssemos sair. Ele ainda manteve o seu braço sobre a porta impedindo a nossa passagem. Eu me virei, um pouco surpreso pela sua rispidez.
- E não ouse correr com a minha filha. Já é bastante ruim que você tenha uma moto. Se eu souber que você andou correndo com a minha filha em sua garupa, ou se vocês estiverem sem capacete, eu posso garantir que você poderá dizer adeus a sua carteira de motorista. Estamos entendidos?
- Perfeitamente! — E eu juro que tentei encerrar por ai mesmo. Mas o meu temperamento não permitiu e eu acabei acrescentando — Só pra que o Sr. saiba: eu sou um homem. Não um moleque irresponsável.
- Acho bom que seja. Mas isso, só o tempo dirá.
- Que assim seja!
Eu lhe disse, porque realmente não tinha nada mais a acrescentar. Fingi não perceber o olhar feio que Bella estava enviando ao seu pai. Ele estava fazendo o mesmo que eu e estava ignorando-a. Foi só depois de alguns momentos encarando um ao outro, que ele removeu o seu punho da porta e nos deixou sair. Mas antes de o fazer, eu pude sentir o quanto ele amava Bella e o quanto ele se sentia protetor dela.
Eu o entendia. Não estava chateado com o homem. Ele apenas estava tentando defender a sua filha, era um direito seu. E como ela estava emocionalmente tão frágil, acho que era mais que um direito, era um dever. Mas verdade se diga, seu número de intimidação teria muito mais efeito se eu fosse quem eu pretendo ser e não quem eu sou. Se eu não fosse um vampiro e não tivesse visto tudo o que vi, se eu fosse apenas um garoto humano espinhento de 20 anos de idade, Chefe Swan teria marcado um ponto.
Bella, porém estava além de mortificada. Entreguei-lhe um capacete cinza e fiquei com o negro para mim mesmo. Ela ficou olhando o objeto em suas mãos como se não fizesse idéia do que fazer com ele.
- Me desculpe, eu nem consigo começar a descrever quão envergonhada eu estou da atitude de Charlie; ele normalmente não é assim...
- Ele está defendendo-a.
- Eu estou cansada de ser defendida.
- É para isso que eu estou aqui, lembra? Eu vou ajudá-la a se fortalecer. Assim, as pessoas pararão um pouco, de tentar defendê-la o tempo todo. O seu problema é que você é boa demais para o seu próprio bem.
Ela sorriu
- Obrigada... Eu acho.
— Disponha!
Sem mais uma palavra, sentei na moto e vesti o capacete dispensável e incômodo e em seguida, ajudei Bella com o dela. Logo ela copiou o meu gesto e sentou-se atrás de mim. Bella segurou a minha cintura, ainda bastante nervosa pelo ocorrido em sua casa, não ajudava que Charlie ainda estivesse nos observando pela janela.
Segurei-lhe a mão e enviei um pouco de conforto. Ela deitou a cabeça em minhas costas e por alguma razão, o gesto me enterneceu. Larguei a mão dela como se esta me queimasse, acelerei a moto e dei a partida.
O que diabos estava acontecendo comigo?
Devia ser a falta. Era a única explicação viável que eu podia encontrar. Eu nunca fui como Emmett; transando a cada duas horas; mas eu e Alice certamente tínhamos uma boa vida sexual. Fazia portanto mais de cinqüenta anos que eu não ficava em abstinência sexual por um período tão grande de tempo. Já se passaram mais de dois meses (pelo amor de Deus!) que eu não tinha nada nem remotamente assemelhado a sexo. Não era de se espantar que a minha libido estivesse enlouquecendo. É. Era isso. Eu só precisava de uma punhetinha pra que tudo voltasse ao normal. Cuidaria disso mais tarde.
Satisfeito com a minha própria explicação, eu sorri aliviado.
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