Recomeçar

27 Emaranhado


Notas iniciais
Um agradecimento especial a natycac, pela recomendação linda que ela fez a esta história. Este capítulo vai pra você! Obrigada de coração.

POV Bella:

Durante toda a fala de Jasper, eu o observava cuidadosamente. Ele tremeu levemente em algumas partes, os olhos pareceram assombrados em outras, o desgosto por si mesmo era visível há todo momento em sua face. Eu queria me aproximar dele, colocar a mão em seu peito e tentar curar-lhe a dor. Protegê-lo. Tão risível quanto isto era, eu queria protegê-lo.

Eu imaginava um Jasper jogado em algum lugar sujo, sozinho, tendo o seu corpo desmembrado por um sem número de recém nascidos, sob o comando da mulher que ele, supunha amar. E aquilo me machucou. Eu sofri por ele. Não era pena. É só... Como alguém, qualquer um, teria a coragem de fazer isso com uma pessoa tão maravilhosa quanto ele? Aquela filha da puta, cretina do caralho. Eu queria matá-la!

Meus olhos se voltaram para a cicatriz em seu maxilar, aquela que eu tinha notado logo que o revi em sua casa. Minhas mãos abriam e fechavam em ânsia por acariciá-la.

- Eu os deixei e comecei a vagar sozinho. Eu tinha desistido de viver já. Eu só estava reunindo a coragem pra me deixar ser morto. Foi quando conheci Alice. Ela me esperava em um restaurante na Philadelphia onde eu me abriguei da chuva. Quando ela pulou do banquinho onde estava sentada e veio em minha direção, eu achei que ela queria me atacar. Então ela reclamou que eu a deixei esperando muito tempo; tomou a minha mão e pela primeira vez eu senti esperança.

Ele falou ainda com um sorriso beatífico ao lembrar a primeira vez que ele a tinha visto. E isto foi como um mergulhar em água fria para mim, porque subitamente eu entendi o por quê de ele estar me falando tudo isso.

Que pessoa horrível que eu sou! Jasper me tinha salvo, não apenas de Lúcius mais de mim mesma, deu-me a sua amizade e o seu carinho e o que eu fiz? Tentei beijá-lo. Eu sabia; eu sempre soube o quanto ele amava Alice. Eu o consolei quando ele chorou a perda dela, eu prometi ajudá-lo a reconquistá-la. E ao invés disso, eu o desrespeito e aos seus sentimentos, pedindo o que ele não pode me dar.

Eu baixo a cabeça envergonhada de mim mesma. Mas não antes de ver as linhas de sua boca endurecerem-se em uma carranca. Ele devia estar com raiva de mim. Como poderia não estar? Tão gentil quanto ele é ao concordar em me contar a sua história e assim, reviver todos os horrores de seu passado apenas para me dar o mais gentil dos foras, ele com certeza devia se sentir traído por mim. Eu não tinha coragem de olhá-lo nos olhos.

POV Jasper:

Eu podia sentir a sua solidariedade, bem como a sua incompreensão e raiva. Eu entendi. Como poderia ser diferente? Ela agora sabia que eu verdadeiramente era um monstro. Se solidarizava com as minhas vítimas, não entendia porque eu as massacrará. Quem poderia entender? Tudo por conta de uma vagabunda sádica e manipuladora. Era tão óbvio que ela fosse sentir raiva de mim! Ainda assim, eu não gostei. Eu queria apagar as palavras que eu tinha dito. Voltar no tempo, para a época em que ela só sabia o que eu era, depois dos Cullens. Eu lhe contei sobre o meu encontro com Alice. Eu vi as suas mãos abrirem e se fecharem como se quisessem me tocar. Eu senti a sua vergonha em não conseguir fazer. Sendo a pessoa doce que Isabella era, ela provavelmente estava se sentindo mau por não ser capaz de me perdoar. Eu deveria dizer que ela não deveria se culpar, que realmente eram pecados demais para qualquer um ser capaz de perdoar assim. Mas eu não disse, eu era canalha demais para fazê-lo, eu não queria abrir mão da sua amizade sem antes lutar por ela. Talvez, se eu falasse como eu melhorei depois, ela ainda me permitisse ser seu amigo.

- Alice me mostrou uma nova forma de viver, uma que eu nunca supús ser possível. Quando eu mato os animais pra me alimentar, agora, eu não me sinto deprimido; porque as suas emoções são diferentes, são mais primitivas e ...básicas. É claro que você sabe o quanto o meu controle ainda é complicado. Mas eu estou muito melhor do que eu já fui; isto é inegável. Algumas vezes agora, passam-se décadas, antes que um incidente como o que aconteceu em sua festa, torne a acontecer; onde eu perca o controle sobre a minha sede. Em muitas ocasiões a minha família conseguiu me impedir de chegar às vias de fato. Fazia dez anos desde que isso aconteceu, e antes disso, outros 18 desde o meu último deslize. A família pensa muitas vezes que eu escolhi este caminho por conta de Alice, ou então, porque caçar humanos me infelicita. Nada está mais longe da verdade. Eu faço isso principalmente, porque eu quero tentar ser um homem de novo, o homem que uma vez eu fui. Um homem que possa se olhar no espelho e se sentir digno. Aquele que meus pais humanos, me educaram pra ser. É por isso que eu vivo lendo livros do período em que eu vivi, eu quero resgatar o homem que fui; é por isso que eu sou um vegetariano. Eu escolhi este caminho, porque é o que eu quero pra mim. É claro que o fato de eu me deprimir após matar uma pessoa e Alice, me servem como incentivos. Mas a minha depressão vêm justamente, porque eu não quero ser um monstro. E quando isso acontece, quando isso acontece eu sinto que falhei com os meus pais humanos, e... comigo.

Expliquei finalmente dando um sorriso incerto e trêmulo. Eu pude sentir agora o seu carinho. Talvez nem tudo estivesse perdido? Com um pouco de sorte, ela só iria precisar de algum tempo para acomodar toda a merda que eu despejei sobre ela. Era normal, qualquer um iria precisar de tempo após escutar o que eu lhe tinha falado. Eu iria dar-lhe.

- Você está indo muito bem, melhor do que bem, na verdade. E quanto a resgatar o homem que você foi, tanto quanto eu acho importante isso, eu não me preocuparia tanto. O homem que você é, já é muito bom.

- Obrigado, Bella. É muito gentil de sua parte. Agora, acho melhor nós irmos, ou seu pai ficará preocupado – "Mais do que ele provavelmente já está". Tive vontade de acrescentar, mas não fiz..

Ela acenou silenciosamente com a cabeça e fez o seu caminho para a porta. Nós saímos do hotel em silêncio e se não fosse pelo batimento cardíaco e o rubor sangüíneo em suas faces, eu a consideraria um vampiro pela sua quietude. Eu podia sentir um leve temor e uma muito mais consistente vergonha. Ela possivelmente estava com medo de mim e com vergonha de sentir-se assim. Eu deixei os ombros caírem em derrota. Eu jamais quis que Bella tivesse medo de mim, mas não acho que isso era algo viável; não depois de ela saber sobre o meu passado.

- Será que você gostaria que eu chamasse um táxi para você?

- É o que você quer? – Ela perguntou em uma voz pequenina, triste.

- Não. É claro que não. Mas talvez você vá se sentir mais confortável?

Ela balançou a cabeça de novo, desta vez em negativa.

- Eu prefiro ir com você, se você não se importar.

- É claro que eu não me importo, pegue. Pegue o seu capacete.

Eu disse entregando-lhe o objeto. Esperei que ela o ajustasse e em seguida montei na moto. Bella se posicionou logo atrás de mim.

- Segure-se – Eu lhe avisei e arranquei. Mas logo notei que a viagem de volta seria feita em um clima muito diferente da de ida. Bella não envolveu seus braços em minha cintura. Apenas posicionou as mãos na lateral do meu tronco. Seu corpo também manteve uma distância muito maior do meu, do que tinha antes. Tudo isso, me deu um sabor amargo na língua.

"Ao menos, ela ainda está aqui". – Pensei comigo mesmo, tentando abafar a decepção.

Notas finais
Desculpa a demora. Sai da casa da minha tia e aluguei um ap. pra mim. As coisas estiveram meio doidas por uns tempos, mas agora, acho que poderemos retomar a história com muito maior regularidade. Beijos a todos, Sandra