Recomeçar

28 Temores e confusão


Eu não queria que a noite acabasse. Na verdade, era muito mais do que não querer. Eu temia que a noite acabasse. Porque eu não fazia idéia do que pudesse esperar, se é que ainda poderia esperar algo da minha amizade com Jasper. Será que ele iria embora? Será que a raiva que ele sentia de mim iria arrefecer com o tempo, ou ele iria começar a me odiar por eu ter desrespeitado os seus sentimentos por Alice? E Alice? Como eu pude fazer isso com ela? Onde eu estava com a cabeça? Imagine se Jasper iria me ver como mais do que a amiga mais nova de sua mulher. Sim, apesar dos papéis, na medida em que ele ainda estava apaixonado por ela; e pelo que pude entender, ela ainda estava apaixonada por ele; então, na minha cabeça, ela ainda era a sua mulher. E agora, eu estraguei tudo! Eu sou uma idiota mesmo! Burra! Como eu posso ser tão burra?

Cedo demais, ele estacionou em frente a minha casa. E logo o som do motor da moto foi devidamente silenciado.

- Chegamos. – Escutei-o dizer em um tom que não continha o mais remoto resquício de animação, apesar do sorriso educado em seus lábios. Muito lentamente, eu desmontei da moto.

- Jasper, eu...

- Está tudo bem, Bella. Eu entendo. Nós só precisamos de tempo.

- Você... Você não está querendo dizer que vai embora, está?

Ele franziu o cenho. E inclinou a cabeça para o lado me observando com bastante atenção.

- Você quer que eu vá embora?

- Não! Nunca! – Eu disse me atirando em seus braços. — Me perdoa, por favor! Eu não faço mais isso. Por favor, apenas...

- Bella, já é tarde. – Falou o meu pai da janela de casa. – Despeça-se de Jasper e entre.

- Você vai voltar? Diga-me que você irá voltar.

- Ei, calma Bella. Eu vou voltar.

- Promete?

- Prometo. Agora entre, antes que seu pai pegue a espingarda pra me matar e eu tenha que dar um monte de explicações acerca de porque eu não estou morto.

- Tá, eu vou entrar. Volte.

- Eu vou.

- Bella, entre logo! – Gritou o meu pai.

- Já vou!

- Te vejo em uma hora, ok?

- Uma hora e meia, eu tenho alguns... assuntos a tratar antes de ir pra reunião com os lobos.

- Certo. Uma hora e meia então. Até lá!

- Bella!

- Tô indo Charlie!

Eu disse me virando de supetão e encontrando o meu pai a porta, com as mãos nos quadris e um olhar beligerante em sua face.

- Já está tarde. – Disse-me ele. Tão logo eu passei pelo umbral da porta. Pouco antes de escutar o motor da Ducati ser ligado de novo e Jasper sair mais que depressa da mira do meu pai.

- Esse garoto! Ele não estava dirigindo nesta velocidade com você na garupa, estava?

- Não Charlie, acredite em mim: Jasper se comportou pelos mais altos padrões de cavalherismo e responsabilidade.

- Acho muito bom, ou eu posso ser obrigado a assassinar o moleque e esconder o corpo.

- Pai!

- Você é minha filha, Bella! Eu já falhei com você uma vez e deixei um engomadinho, machucar você. Eu não vou falhar de novo e deixar o seu irmão repetir a dose.

Declarou o meu pai muito seriamente. As faces vermelhas pela sua determinação e os olhos duros. Eu envolvi os braços em sua cintura e beijei-lhe a bochecha.

- Isso é doce. Mas você não têm com o que se preocupar. Jasper jamais me feriria. Ademais, a natureza do meu relacionamento com ele é muito diferente da que era o meu relacionamento com Edward. Jasper e eu somos apenas amigos.

E isso é o máximo que jamais iremos ser. Pensei com tristeza.

Charlie beijou o alto de minha cabeça.

- Um dia, você vai encontrar o cara certo. Ele vai te amar e te tratar como a dama que você é, e você irá amá-lo em retorno.

- E então, você será vovô?

- Vovô não! Eu sou novo demais pra ser avô.

- Ok Charlie. – Falei-lhe rindo e já me dirigindo as escadas.

- Você não está pensando em me fazer avô, está Bella?

- Claro que não, pai.

- Acho bom! – Ele disse com severidade, apenas para logo depois baixar a voz a um quase sussurro, que ainda era suficientemente alto para que eu escutasse – Deus, essa garota ainda vai me dar um ataque cardíaco!

Apesar do meu estado de espírito, eu ri do meu pai e de seus temores, enquanto vou para o meu quarto. Se ele soubesse...

Pov Jasper:

Dizer que o meu humor não era o melhor no momento em que eu cheguei em casa, era um eufemismo incrível! Falar que era uma boa coisa eu estar sozinho; também. Ao menos assom, eu não teria que me preocupar se estava ou não projetando e afetando algum pobre coitado com o meu estado emocional. Naquela hora, eu lamentei não ter um inimigo a quem eu pudesse usar de saco de pancadas.

- Merda! – Esbravejei socando um dos grandes carvalhos que envolvia a propriedade e com isso abrindo um rombo no tronco do coitado.

Oh sim, isso era muito bom! Quando Esme soubesse, iria ficar tão feliz! Mas Esme não estava aqui. Ninguém estava aqui. E a única pessoa que estava, eu consegui assustar, tal como eu quis. Eu deveria estar orgulhoso por ser um estrategista tão bom, não é? Afinal, eu obtive sucesso!

Infelizmente, orgulho não era um sentimento que eu estivesse sentindo. Na verdade, se eu fosse nomeá-lo, seria algo próximo à agonia ou a amargura. Algo como os humanos sentem quando são defrontados com uma realidade que eles desejariam poder mudar. E não podem. Era uma certa dor...difícil de descrever.

Eu rosnei, enquanto recordava o olhar dela no estacionamento. A tristeza, a vergonha e a culpa rodavam sobre Bella, como um vórtice de um furacão.

“Bom trabalho Whitlock!” – eu pensei em cumprimento a mim mesmo. Pouco antes de desabar no sofá, tentando desesperadamente me acalmar. Eu precisava me centrar, se eu planejava ser capaz de ensinar aquela ninhada de filhotes pulguentos a serem úteis na proteção de Bella.

Talvez eu devesse tomar o “remédio” de Emmett? Bem, com algumas adaptações é claro! Seria muito estranho conseguir umazinha com a minha irmã Rosália. Não que eu quisesse transar com a minha irmã, porque isso seria realmente errado. Mas Bella... Isso ainda era errado. Pensei interrompendo os meus próprios pensamentos. Eu devo me concentrar em Alice, Alice é a minha mulher... ou era... não, ainda é. A nossa história não pode acabar com apenas um mísero par de assinatura em alguns papéis, o que são papéis? Eu os mando falsificar a cada quatro ou cinco anos. Eles não são nada. Nós somos; nós sempre fomos. Eu sei que ela ainda me ama. Ela me disse isso antes de sair. Então, nós voltaremos a ser. Eu farei com que voltássemos a ser, o que sempre fomos destinados a ser: um casal.

Com essa decisão tomada, eu vou para o banheiro; tiro as minhas roupas e me ponho sob o jato do chuveiro, estupidamente quente. A temperatura da água não me incomoda. Na verdade, é muito confortável; quase como ter Bella abraçada a mim sob os lençóis de sua cama... O que é que eu estou pensando? Alice! Eu devo me focar em Alice.

Então eu a imagino: chegando em casa, alegre e saltitante como é o seu habitual. Os braços carregados de sacolas de compras, parecendo trazer o sol em seu sorriso. Eu a recebo logo à porta.

- Muito animada querida? – Eu iria lhe perguntar pouco antes de envolver a mão em sua cintura fina e a trazer para o meu corpo. Ela me daria um leve beijinho nos lábios.

- Oh, Jasper, você precisa ver o que eu comprei pra nós.

- Depois. – Eu lhe diria em uma voz rouca.

- Depois?

- Depois. — eu confirmo, antes de perguntar em um um tom sugestivo — Você não pode adivinhar o que eu planejo fazer agora?

- Hum.... deixe-me ver.

Pede ela, apesar de que eu sei que ela já sabe, ao menos em linhas gerais o que eu tenho em mente. Eu sei disso, apenas olhando em seu rosto e encontrando lá, um pequeno sorrisinho matreiro. Mesmo assim, ela fecha os olhos. Eu passo a mão em sua nuca. Lamentando o fato de seu cabelo curto não poder envolver a minha mão em maciez. Oh, o que diabos? Esta é a minha fantasia. Ela pode ter cabelos longos na minha fantasia, não é? E assim, os cabelos de Alice, ficam compridos, quase tocando as nádegas.

- Não veja, sinta. – Eu lhe peço, pouco antes de arrebatar os lábios em um beijo cheio de necessidade. Meus dedos se emaranhando em seus longos cabelos negros. Fazendo-a se aproximar ainda mais de mim. Eu a tomo nos braços e a carrego para o nosso quarto, a nossa cama e me deito sobre ela. As sacolas simplesmente desaparecem em algum lugar, nas escadas.

Eu deixo escorregar a minha mão por todo o meu corpo. Encosto a testa no azulejo frio e espalmo a mão na parede em busca de apóio. Quando a minha mão encontra o meu membro. Eu acaricio a ponta, imaginando que estou esfregando-a no corpo doce de Alice, em sua coxa.

Eu vou até a base, deslizando os dedos com suavidade ao longo da veia e envolvo-os em torno de minha ereção. Imagino Alice suspirando e as suas emoções derivando mais e mais para a luxúria e o amor a que eu estive tão acostumado. Eu me acaricio. Da base a ponta, da base a ponta, repetidamente; em um ritmo crescente.

- Eu preciso de você, minha pequena fada. Eu preciso tanto de você! Não me deixe sozinho.

- Eu estou aqui. Eu não vou a lugar nenhum, eu estou aqui. Nós estamos juntos.

Ela me diria; momentos antes de eu rasgar a sua blusa e saia de seu corpo. Seus olhos se abririam de súbito, arregalados pela surpresa, seus grandes olhos de corça castanhos, cravariam-se nos meus de ouro. Eu passaria a mão sob a sua cintura, obrigando a sua coluna a curvar-se, fazendo as costelas precionarem contra a pele fina e macia de Bella.

Eu posso sentir os meus músculos começarem a contrair-se, enrrolando-se, preparando meu corpo para o prazer que logo irá me tomar. Eu quero parar. Mas eu não consigo. Eu estou muito longe em minha excitação. Eu a quero.

Bella está lá: com seus cabelos compridos espalhados no travesseiro, como uma deusa ou uma oferenda. Emanando ondas poderosas de desejo.

- Arght! — Eu gemo, ao imaginar a mim mesmo deslizando a língua sobre o seu ventre, passando por entre as costelas e abocanhando um de seus seios em minha boca. Quente! Tão quente, tão gostoso! Eu sugo o mamilo, enquanto com a outra mão eu aperto com delicadeza o outro. Seus lábios rosados se afastam em um gemido surdo, as pupilas tão dilatadas que fazem seus olhos parecerem negros.

- Jasper, por favor... Eu quero...

- Diga-me, Bella: o que você quer?

- Eu quero...

- Você quer isso?

Eu pergunto enquanto deslizo a mão pelo seu corpo bonito, até entrar sob a sua calcinha. Acaricio as suas dobras úmidas, fazendo-a afastar as suas pernas mais, para encontrar o meu dedo e eu encontrar o montículo que é o cerne do seu prazer. Ela engasga, sendo tocada ali pela primeira vez.

- Sim.

- Diga que você me quer.

- Eu quero...

Ela começa, nitidamente com dificuldade de elaborar a frase simples; perdida demais na onda de prazer que minhas ministrações estão lhe dando. Esfregando sem parar os seus quadris em mim. Eu prendo o seu clitóris entre o polegar e o indicador e aperto com a mais leve pressão. Enquanto beijo-lhe o pescoço e sugo o lóbulo de sua orelha.

- Diga-me Bella, Diga-me que me quer e apenas a mim. Diga meu nome.

- Eu quero você, Jasper. Eu quero tanto você!

- Bom... Eu quero você também.

Eu a penetro com um dedo, ela se contorce e solta pequenos sons de gemido. Seus quadris se aceleram, minha mão também.

- Mais... Eu quero...

Eu não a espero completar a frase, eu introduzo um segundo dedo dentro dela, preparando-a para mim. Abrindo-a para mim. Ela está cantando o meu nome junto ao meu ouvido. E a minha necessidade por ela se avoluma. Eu me alinho a sua entrada e com delicadeza, porém firmeza, eu a preencho. Nós seguimos juntos em uma dança crescente, até que meu orgasmo se derrama em minha mão e eu grito o nome de Bella, no banheiro da minha casa.

A força do orgasmo é algo que eu não conhecia até então. Não com Maria, não com Alice. Ele como que me eleva do chão e me obriga a contorcer o meu rosto em um gemido, quando a forte emoção aos poucos deixa o meu corpo. É então que o ocorrido chega a mim: eu acabo de gozar gritando o nome da namorada do meu irmão!

O choque pelo que tinha feito, me faz dar uns bons três passos descuidados para fora do Box, quebrando-o em minhas costas. Vidro se espalha por todo o banheiro em uma confusão dispersa. Mas mesmo o barulho terrível não têm o poder de me tirar do meu estado de choque.

- O que diabos foi isso?

Eu pergunto a mim mesmo, completamente perdido.

- Deus..., se Edward soubesse...