POV Jasper

O lugar estava apinhado de gente, e eu podia sentir as suas emoções a alguns kilômetros de distância. Particularmente, eu não apreciava essa coisa de vida noturna. Não era muito confortável pra um empata a quantidade extra de luxúria, alegria, e confusão que sempre acompanhavam este tipo de lugares. As emoções de fundo, que se escondiam por baixo dessas, eram ainda mais repelentes. Você quase podia cheirar a solidão e não raro um certo desespero entre as pessoas, mesmo que elas esbanjassem sorrisos e usassem as roupas mais bonitas, ainda podia-se ver um certo ar de decadência.

Todavia, atipicamente hoje, eu estava ansioso por chegar ali. Sem dúvida, a minha ansiedade tinha tudo haver com a companhia com quem eu estava. Seria no mínimo curioso ver a pacata Srta. Swan em meio a um bar. Mais ainda, se ela resolvesse beber uma ou outra dose de álcool. Emmett iria adorar estar aqui conosco. Eu até posso imaginar o quanto ele não se divertiria arreliando Bella Droga! Eu sentia falta daquele gigante bobo.

Uma mãozinha suave e morna caiu sobre o meu antebraço.

- Ei, você está bem?

- É claro que estou! – eu lhe falei, segurando um largo sorriso em meus lábios para tentar fazê-la despreocupar-se. Eu podia ver que ela não tinha acreditado totalmente, mas com um encolher de ombros, ela esqueceu o assunto. Rapidamente, eu a ajudei a despir o seu capacete e tirei de dentro do compartimento da moto, o chapéu de cowboy que eu lhe tinha prometido e coloquei o meu próprio.

- E agora? O que vamos fazer?

Ela me perguntou, enquanto ajeitava uma mecha dos seus cabelos atrás da orelha. Ignorei a vontade de ter sido eu a fazer isso por ela e foquei em suas emoções, afinal, ao que parecia, seria muito mais fácil focar nas emoções dela, do que nas minhas.

As suas emoções me diziam que ela estava constrangida, insegura (típico de Bella), mas também curiosa e em antecipação. Sem dúvida era algo com o qual eu poderia trabalhar. Pra começar uma pequena injeção de autoconfiança.

- Bem, que tal uma pequena aposta?

Seus grandes olhos de corça se voltaram pra mim, arregalados. E eu fui incapaz impedir meu sorriso de se alargar. Era quase como ser Menfistófeles com a missão de roubar a pureza de uma jovenzinha.

Uma parte de minha mente, a parte mais suja da minha mente, não pôde deixar de opinar que isso seria uma idéia maravilhosa. Eu a calei imediatamente.

- Que tipo de aposta? Eu não tenho muito dinheiro comigo, Jasper.

Eu bufei. Como se em algum momento eu fosse querer o dinheiro dela.

- Você não precisará, ainda que eu tenha certeza de que irei ganhar.

- Não estamos confiante demais? O que você quer apostar?

- Quantos homens irão sentir-se atraídos por você. Especialmente, se você abrir apenas um pouquinho mais o seu decote.

Eu disse puxando a gola de sua blusa e deixando o seu colo um pouco mais nú.

- O que? O que você está fazendo? Jasper, pára com isso.

Tive que controlar o riso, porque a garota ficou em um tom de vermelho que eu sequer sabia que os humanos poderiam assumir, pouco antes de ela fechar a sua gola quase até o pescoço.

- O que deu em você? Eu poderia esperar que Emmett me viesse com uma dessas.

Foi a minha vez de encolher os ombros.

- Ponha na conta da convivência então. Afinal, eu vivi com ele por mais de 50 anos, era de se supor que pegasse algo dele, não acha?

- Talvez, mas não. Nós não estamos apostando isso.

- Porque não? Talvez isso lhe mostre a mulher linda que você é. Sério Bella, você precisa se olhar no espelho e realmente se ver, mulher!

Ela revirou os olhos pra mim; como se eu não soubesse do que estava falando. Porra! Eu sou um homem. Tudo bem que eu estive casado por algumas décadas, mas eu ainda tinha olhos na cara. Cacete!

- Aposto que mais de dez.

Ela riu. Que merda, ela apenas riu! Não tinha nem havido uma sombra de dúvida ou incerteza. E pela sua expressão, ela devia tomar a minha opinião como a coisa mais louca que ela já tinha escutado. Ah, Swan... Eu vou gostar tanto de fazê-la engolir esse sorriso!

- Você está realmente me dizendo que se eu deixar esse decote assim, mais de 10 caras irão me querer?

- Tenho certeza disso, madame. – Disse-lhe no meu melhor sotaque sulista, com direito a deixar cair o meu chapéu e tudo.

- Você é louco!

- Ei, se eu sou louco, porque você não aposta? Você não teria nada a perder, correto?

- Que tal, porque eu não sou louca de apostar contra um empata?

- O que isso quer dizer? Você acha que os humanos já lhe viram e eu sei que eles já estão interessados? Porque como nós ainda estamos discutindo essa porcaria no estacionamento, eu tenho que dizer que você está superestimando a visão humana.

- Não! Eu quero dizer que você pode trapacear e manipular as emoções.

- Outch! Isso dói. Você não confia em mim.

- Em apostas? Não mesmo. Você têm cara de ser um canalha sorrateiro. Do tipo que gosta de aprontar, só pra se divertir. E eu já disse que sou boa em avaliar caráter?

Eu cobri o meu peito, como se ela tivesse me dado um tiro, ou alguma coisa assim. Exagerando os gestos e ainda com um sorriso que nem eu acreditava que ia ajudar no meu caso, eu prossegui:

- Bella, não é porque o meu coração não bate, que eu não me ofendo, sabia?

Ela apenas arqueou uma sobrancelha e me deu um olhar que deixava explicito o quanto ela estava acreditando na minha encenação. Em seguida, com dois tapinhas nas costas, ela me falou:

- Você é um menino crescido, com muitos anos de vida em suas calças. Você vai superar.

Bom, talvez um pouquinho do bom e velho charme ajude. Olhei profundamente em seus olhos.

- Vamos lá, você sabe que eu não iria trapacear assim. Eu posso até não parecer, mas eu sou um carinha honrado; você sabe, de formação antiga e tudo mais.

Ela ficou com um ar meio atordoado e depois bufou.

- Eu acredito que você seja honrado, e eu acredito que você seja um pouco palhaço também.

- Bella, eu prometo a você, eu não vou usar meu dom pra manipular ninguém. Eu vou só lhe dizer quando o desejo dos homens enlouquecer quando eles a virem.

Ela bufou de novo, e assumiu uma expressão de irritação.

- Eu devo estar louca mesmo pra concordar com isso!

- Isso! – Eu vibrei – Quantos?

- Três.

- Três? – Eu reclamei! – Vamos lá, você deve ter espelho em casa.

- Por isso mesmo. Três!

- Cega! – Eu a xinguei.

- Iludido! – Ela replicou.

Eu sorri.

– Abre a porra do decote.

- É isso que dá sair com vampiros. A gente acaba com a blusa aberta e fazendo idiotices. Pra pessoas tão vividas, vocês são uma péssima influência, você sabia?

Eu joguei a cabeça pra trás e dessa vez eu gargalhei livre. Apenas para depois sussurrar ao pé do seu ouvido e ter em resposta o seu próprio desejo me atingindo.

- Oh querida, você não tem ainda idéia do quão má influência nós podemos ser pra você.

POv Bella:

Entrando no Cactus, eu ainda estava me perguntando como é que eu me meto nessas merdas. Como é que eu sou a única que sempre vai parar nessas situações absurdas. Eu abri o decote, conforme ele me pediu, de modo que dava pra ver uma boa porção do meu colo e o início da curva dos meus seios. Tão logo eu vi a entrada, o meu instinto me pediu pra correr de volta pra moto e sumir dali.

“Bella Swan. Você já encarou James, Victoria e Laurent. Você já viu a morte e sobreviveu, mostrar os peitos não deveria ser mais aterrorizante que isso. Você pode fazer isso. E por Deus, você vai fazer isso! – pensei comigo mesma, muito corajosamente — Ai, eu deveria ter enchido a cara antes de vir pra cá. No que eu estava pensando? Ao menos, isso ainda pode ser feito. Bebidas alcoólicas estão na ordem do dia, pra mim. Com certeza!”

Eu decidi.

Eu estava intensamente tentando não pensar no quão despida eu estava, quando o som de sua gargalhada desceu pelas minhas costas fazendo-me arrepiar. O que só piorou, quando eu senti o vento frio da respiração de Jasper do lado de trás da minha orelha. E quando ele sussurrou no meu ouvido... Arght! Isso apenas... Não era justo! Eu não pude evitar as fantasias estourarem na minha mente. Eu queria tanto que ele beijasse o meu pescoço e me puxasse de encontro ao seu peito, eu queria que ele sugasse o lóbulo da minha orelha e me beijasse a boca, até que eu esquecesse o meu próprio nome. Deus! Ele poderia sentir isso, eu não posso... Ele se afastou. Graças a Deus! Que ele não tenha notado, que ele não tenha notado! Por favor, meu Deus, faça com que ele não tenha notado.

Nós nos sentamos a mesa. E uma atendente logo veio pegar os pedidos. Desnecessário dizer que ela estava toda melosa pro lado do Jasper, batendo as pestanas e tudo o mais.

- O que você gostaria de beber, Bella? — Perguntou-me Jasper.

Eu pensei no assunto, eu não conhecia muito bebidas alcoólicas. Então eu já tinha tomado uma cerveja com o Jake. Mas eu não estava inclinada a isso no momento. Era demasiado casual e masculino e....

- Um vinho?

- Branco, rose ou tinto?

- Surpreenda-me.

- Um tinto suave, por favor.

- Você não vai querer nada pra si mesmo, garotão? – Questionou a garçonete. Eu não perdi o duplo significado da pergunta, especialmente porque ela claramente deu uma empinada nos seios pra fazê-los parecerem maiores. Evidentemente, Jasper muito menos, ele sorriu com o canto dos lábios, um pouco sem graça.

- Eu vou dirigir. Assim sendo, obrigada. Mas não.

- Se mudar de idéia, apenas me deixe saber. – A garota falou, antes de sair requebrando os quadris. Só para voltar no momento seguinte com uma jarra pequena de vinho e um cálice. Nem bem ela virou as costas eu comentei:

- Essa garota é bem abusada. – Disse-lhe e virei o cálice bebendo de guti-guti. Deus! Isso queimava!

- Com ciúme?

- Porque estaria? Os meus são maiores que os dela.

Disse dando de ombros e limpando a boca com a costa da mão. Jasper me olhou surpreso. Eu párei o meu gesto.

- Ué, eles são.

- Certo.

- Você ficou constrangido!

- Claro que não fiquei! É você que fica corando o tempo todo.

- E você só não corou agora porque você não pode.

- Bella, eu não fiquei com vergonha!

Eu ri dele, era tão fofinho quando ele tentava mentir sobre o óbvio!

– Droga! Ah, seu primeiro flexado já apareceu. Ele está a sua direita. O cara de camisa preta e cinto com a figura de um touro na fivela.

Jasper me disse e eu me virei para ver a quem ele estava apontando. Sem erro o sujeito estava fitando os meus peitos como se eles fossem uma TV de plasma passando a final do campeonato. Cruzes! Que nojo!

- Ele deveria contar como metade, ele tem quase a altura de um anão de jardim! – Eu sussurrei, sabendo muito bem que ele iria me escutar. Jasper riu.

- Tanto faz!

- E por que flexado? — perguntei.

- Você sabe, cupido, flexa... flexado!

- Mitologia grega num bar de cowboys, essa é nova pra mim.

Ele deu de ombros e continuou apontando-me todos os homens que ficavam me checando. Teve um que era gatinho... Muito bonitinho, não como Japer, é claro. Mas ele tinha olhos verdes e óculos, o cabelo muito liso cuja franja vivia caindo no seu rosto. Ele era a imagem de um nerd. Talvez a gente pudesse conversar sobre livros... Eu falei isso pro Jasper, eu acho que ele não gostou muito. Porque ele me disse que o sujeito provavelmente usava óculos de tanto ficar no banheiro com a playboy.

- Você sabe que isso, masturbação eu quero dizer, não causa nenhum problema a saúde humana, não é?

Ele sorriu mais largo, como se pensasse em alguma coisa particularmente divertida. Eu queria tanto ter o poder do Edward agora...

- A menos que você esteja tentando ver detalhes de algo em lugares escuros e você seja humano. Ai, você sabe, você pode sobrecarregar a sua visão.

Eu me mexi desconfortavelmente na carteira.

- Você tinha irmãs, Jasper?

- Uma irmã.

- Aposto que ela não teve um namorado antes que você fosse transformado, não é?

- Acho que não. Mas não tenho certeza. Eu não consigo me lembrar com detalhes da minha vida humana. Por que?

- Nada não. – Eu falei revirando os olhos. Cristo! Era uma boa coisa que o Jasper tenha se afastado; ou a irmã dele morreria virgem!

- Não entendi. De qualquer forma, Décimo primeiro. Aquele cara de camisa verde e jaqueta jeans. Diagonal direita. Rosto redondo e olhos escuros com pupilas dilatadas e cara de lobo mau.

- Você está brincando comigo.

- Não estou não. Acredite em mim, quando digo que ele está muito “amoroso”.

- Jasper, eu até acredito que ele esteja “amoroso”. O que eu duvido é que ele esteja amoroso por minha causa. Esse cara, está lhe secando desde que você entrou, querido.

Eu revidei imitando o seu jeito de falar. E eu lamentei tanto não ter uma câmera. Porque os olhos de Jasper se arregalaram e seu queixo absolutamente caiu.

- O que?! De jeito nenhum!

Eu ri.

- Por que não? Você até que não é de se jogar fora.

Ele sorriu todo convencido. Hora de quebrar um pouco o ego do meu cowboy.

- Você me acha bonito?

- Você não tem espelho em casa? — Perguntei devolvendo-lhe a pergunta que ele me tinha feito — É claro que eu acho. Você é ... – eu abaixei a voz pra que ninguém escutasse, embora fosse improvável com todo aquele barulho; eu tinha pena dos ouvidos ultra-sensíveis do Jasper. – Um vampiro, eu sou uma humana. É de se supor que eu o ache bonito. Mas você deve saber que eu acho a Rosália uma verdadeira deusa.

- Bella, você quer me dizer alguma coisa?

- Quero. Vá lá e agarre o seu homem, cowboy!

- Não mude de assunto. Quer dizer que você prefere a minha irmã a mim?

- Isso tudo é carência? Talvez, se ela não tivesse o gênio de uma megera...

- E eu tenho gênio do que?

- Ah, você é como uma barrinha de chocolate crocante. Um doce, com alguns pedacinhos mais duros na borda.

- Nunca, em toda a minha existência ninguém me comparou com um doce humano. Acho que está na hora de parar com o vinho pra você.

E em dizendo isso, ele puxou o meu cálice.

- Ei, devolve isso aqui! – Falei tomando de volta a minha bebida.

- Sério Bella, de onde você tira essas comparações?

Eu não me preocupei em responder, eu estava ocupada examinando o reflexo da luz na superfície do vinho. Mas então eu vi o sujeito que tinha gostado do Jasper dar uma piscadinha.

- Ele piscou pra você.

- Ele piscou pra você. Não pra mim!

Mais uma vez eu apenas fiquei olhando pra ele. Até que ele suspirou.

- Se eu mandar uma bebida a sua mesa, você vai me deixar em paz?

- Depende de como o sujeito reaja.

Em um minuto, Jasper tinha ordenado um copo de wisky pra mesa do cara de olhos negros. Particularmente, eu até acreditava que ele não estivesse afim do Jasper; mas hei, uma garota tem que encontrar os seus meios de se divertir. E eu certamente estava me divertindo bastante em ver o Jasper todo aflito, com medo de que eu estivesse certa. Isso apenas não era algo que eu pudesse deixar passar. O alívio em seu rosto quando ele leu a nota em que ele levava um fora, foi alguma coisa.

- Eu não disse?! Eu não disse?! E com isso temos mais de dez, e você está oficialmente intimada a pagar uma prenda.

Bom, eu argumentaria se eu pudesse, mas eu estava ocupada demais rindo ainda, pra ter a chance de falar.

- Você vai no touro mecânico.

Com esforço, eu consegui me controlar o bastante, pra dizer:

- Jasper, eu e um touro mecânico... (mais risos). Não combinamos bem. Eu vou acabar estatelada no chão. Piedade!

- Você não irá encontrar nenhuma misericórdia aqui, querida. Sinto muito. Ademais, vai ser bom isso pra você

- Eu estou começando a odiar esta frase.

- Qual? – Ele me perguntou. Ao que eu imitei o seu tom.

- “Vai ser bom isso pra você”. Eu estou chegando a conclusão que sempre que alguém diz isso eu me ferro. – Falei pra ele, com sinceridade, lembrando-me das atitudes de Edward. Como se soubesse para onde os meus pensamentos iam, ele explicou:

- Não é assim, você pode recusar. Você sabe que eu não a forçaria a nada. Mas se você quiser tentar, eu não vou deixar nada, machucar você. Prometo. Ademais, fizemos uma aposta, não fizemos? Acho que a minha prenda é justa. Imagine que o touro é a sua vida e você está assumindo o controle dela.

- Posso ao menos ir ao banheiro antes? Esses risos, e o vinho estão tendo o seu efeito sobre mim.

- Claro!

POV Jasper:

Ela estava demorando, mais do que o normal. Aquilo estava me deixando preocupado. Eu não tinha boas lembranças de Bella, quando ela demorava no banheiro. Na última vez que isso aconteceu...

Eu engoli em seco.

Na última vez que isso aconteceu, ela foi pega por James. A simples lembrança do que aconteceu fez eu me levantar de imediato. Eu podia ser um idiota, mas eu estava aflito. Eu precisava saber que ela estava em segurança.

Com os meus sentidos, não foi difícil localizá-la, ela estava dançando, muito próxima de um carinha. Era o mesmo que ela tinha achado bonitinho, aquele, com cara de nerd. Ele tinha uma das mãos bem recheadas sobre a sua bunda e outra estava segurando o seu braço.

Durou apenas um segundo a minha incompreensão acerca do que acontecia, entre Bella e aquele... aquela paródia de homem que a tentava agarrar. Mas durante aquele pequeno tempo eu senti dor e o meu corpo estranhamente aqueceu, em raiva.

Eu queria arrancar as mãos do desgraçado de sobre ela. Eu estava com ciúmes. Porque eu estaria com ciúmes por conta de Bella estar com alguém, eu não fazia idéia. Será que eu já estava tão dependente dela que me doeria vê-la dividir as suas atenções com outra pessoa? Sim, sem dúvida deveria ser isto. Era a única explicação lógica. Como amigo que era, fatalmente se ela se envolvesse romanticamente com quem quer que fosse, eu seria relegado a um segundo plano. E eu ignorei o incomodo que senti ao me colocar na posição de amigo.

Então, eu notei que as mãos de Bella estavam tentando (sem sucesso) afastar o peito do homem de perto de si. Ao mesmo tempo eu senti as emoções que provinham dos dois: As de Bella eram uma mistura de repugnância e medo. As dele, eram lúxuria e antecipação. Envergonho-me em dizer que tão logo eu percebi que as atenções eram menos do que bem vindas, senti alívio. Mas este durou menos do que uma fração de segundo. Porque então a compreensão do que aquilo representava me atingiu.

Minha visão se tingiu de vermelho e eu já não via ninguém senão a eles dois. Me movi em sua direção sem sequer me dar conta disso, até que estivesse ao lado deles.

- Me larga!

Ela pedia, o pânico já tingindo a sua voz. Aquilo me fez apertar os punhos. Olhando para trás, eu gostaria de ter podido enviar-lhe alguma calma. Mas eu estava tão furioso que isso seria totalmente impossível naquele instante.

- Ah, gatinha, eu sei que você quer. Não precisa se fazer de difícil. Eu já tô parado na sua, gostosa! – Falou o canalha tentando enfiar o seu focinho na curva do pescoço dela.

- É melhor você a ouvir, se você têm ainda algum amor pela sua vida.

Disse em um tom baixo e mortal.

Notas finais
Espero que tenham gostado, desculpem a demora. Eu comecei um novo trabalho e estou feliz da vida com ele. Só espero que tudo dê certo. Beijos e até a próxima.