Recomeçar

24 Um cheiro do passado


Notas iniciais
Este capítulo contém uma cena de tortura. Não é muito gráfica e nem têm muitos elementos, mas ainda acho que vocês deveriam ser avisados antes, assim... Se você é alguém que se aflige com isso, talvez seja melhor aguardar pelo próximo capítulo.

BPOV

Eu tinha acabado de sair do banheiro, quando o carinha com pinta de nerd se aproximou de mim. Ele me disse que seu nome era Július. Em princípio, sua conversa foi relativamente agradável. Quer dizer, falar sobre o tempo, não é algo que cause irritação a ninguém. Apenas... Bom, apenas não lhe causa nenhuma empolgação também. Eu já tinha definido que conversar sobre livros era algo completamente fora do universo mental do sujeito e já estava pronta para fazer o meu caminho para voltar para Jasper, quando Július me agarrou.

Aquilo me surpreendeu tanto, que pelo menor dos instantes eu fiquei sem reação. O que lhe permitiu me puxar para mais próximo e encaixar sua mão sobre a minha bunda. A partir daí, foi tudo ladeira abaixo.

Ele começou a alugar o meu ouvido com obscenidades, dizendo o quanto queria meter dentro de mim, o quanto as suas calças estavam apertadas. E cada vez que ele falava isso, ele me puxava para ele, me obrigando a sentir a sua ereção contra o meu quadril, eu percebi então que ele estava me puxando para uma porta que tinha aos fundos do estabelecimento. Não fazia a menor idéia do que poderia haver ali, mas eu logo decidi que não tinha a menor intenção de descobrir.

Com mais afinco, eu me pus a empurrá-lo. Mas ele era muito forte e eu, eu estava levemente tonta do vinho. O que também não ajudava em nada. Eu estava com medo e com nojo. Só de imaginar aquele homem me tocando. Eu queria ir embora. Fugir! Mas apesar de todos os meus esforços, a maldita porta estava agora a apenas dois passos de nós. Logo seria muito tarde. Logo eu...

Foi uma surpresa mais do que agradável quando escutei a voz profunda e grave de Jasper, dizendo ao homem que ele atendesse ao meu pedido e me largasse.

Eu sorri, sabendo que Jasper jamais deixaria essa coisa me tocar da forma como ele, tão vividamente tinha descrito. Apesar de ainda estar nos braços Július, eu sabia que estava segura, simplesmente porque Jasper estava comigo.

- Ah, cara; vai passear! Eu e a gata estamos nos entendendo.

- Ela já disse não estar interessada. Este é o seu último aviso: largue-a!

O homem ainda não se moveu.

Jasper então tomou a decisão por ele. Ele me arrancou das suas garras e me colocou às suas costas. Foi um movimento bastante rápido, mas não tão rápido quanto poderia ter sido. Afinal de contas, eu ainda fui capaz de ver. Em seguida, com um empurrão ele obrigou Julius a ultrapassar a porta que ele tão ardorosamente quis que eu ultrapassasse.

Eu estava logo atrás. Eu não queria me afastar de Jasper. Saímos em um beco escuro, com uma grande lata de lixo que exalava um cheiro pútrido. O som do bar ainda podia ser facilmente ouvido. Eu me arrepiei ante a hipótese de ter estado naquele lugar sozinha com aquele homem. E sem nem me aperceber do que fazia, me aproximei um pouco mais de Jasper.

Eu agora estava trabalhando no sentido de me tranqüilizar, eu não queria que Jasper sentisse isso. Mas eu devo confessar que não estava tendo tanto êxito quanto gostaria; eu ainda estava um pouco trêmula e abalada. Jasper prendeu com uma mão Július contra a parede. E com a outra, ele acariciou com a ponta dos dedos a minha bochecha e o meu maxilar. Seus olhos eram preocupados e doces.

- Ele a machucou?

Eu balancei a cabeça em negativa

- Você chegou a tempo.

- Bom. Me desculpe por ter demorado. Pode só me fazer um favor?

Eu novamente acenei-lhe com a cabeça. Só que desta vez, em concordância.

- Mantenha as suas mãos sobre os meus ombros, ok? Eu só quero ter certeza de onde você está.

Ele me pediu. No que eu estava mais do que feliz em atender.

- E não diga nenhum nome. Ele sabe o seu?

- Não. Mas ele me disse o nome dele: é Július.

- Ótimo!

- Ah, beleza! – Falou Július — Então a gata é sua. Eu não sabia que ela tinha dono. Agora pode me deixar sair, porra!

JPOV

Eu lhe falei para escutar o que Bella disse. Mas o idiota, era arrogante demais. Ele não disse, mas eu podia ler no seu semblante: ele achava que agüentaria um confronto comigo. Em outra ocasião, a sua pretensão me faria rir. Agora, tudo o que eu poderia controlar era não enrolar a minha mão em seu pescoço e decapitá-lo. Eu gostaria de não beber uma gota do seu sangue envenenado. Esse homem me enojava! Apesar disso, eu estava bastante certo de que se o seu sangue viesse a luz, não seria o chão que o iria beber; seria eu. E isso, isso me enojou de mim mesmo. O que só fez aumentar a minha raiva.

Quando após o meu segundo aviso o traste, ainda não tinha largado Bella, eu agi. Em um movimento que levou todo o meu auto-controle para não executá-lo a velocidade vampírica, eu a arranquei de suas mãos e a pús atrás de mim. Assegurando-me assim que ela fosse estar segura. Ato contínuo, eu empurrei o babaca para fora do club; o prendi a parede para que não me escapasse e chequei Bella.

Ela ainda estava se recuperando do abalo. Seu coração batia tão rápido que bem poderia furar seu caminho através de seu peito. Ela ainda fedia a medo. Ela nunca deveria sentir-se assim. Principalmente, quando estava em minha companhia. Eu senti como se tivesse falhado com ela. Que bela paródia de um soldado eu era, quando eu não conseguia nem mesmo manter segura a minha amiga dos perigos de humanos sujos; como aquele canalha que estava sob a minha mão.

Eu gostaria de lhe pedir desculpas de maneira mais apropriada depois. Mas por agora, teria que servir as poucas palavras que eu lhe disse.

De volta ao cretino, que Bella me informou chamar-se Július, eu prometi a mim mesmo que ele de um jeito ou de outro, jamais iria atacar mais ninguém. Nem que pra isso, eu tivesse que atacá-lo. Mas antes, como uma regra bastante básica, eu deveria descobrir o quão ruim ele era. Eu gostaria de ter o poder de Edward a minha disposição para poder arrancar dele tudo quanto eu queria. Se bem que eu sempre tive um certo jeito em interrogar os outros. Sim, de uma coisa eu tinha absoluta certeza: aquele passarinho ia cantar a sua história todinha pra mim, e ele o faria rapidamente. Eu não suportaria mais nenhuma ineficiência da minha parte.

Mas antes, eu precisava deixar claro as regras da coisa, primeiro para Bella, e depois para o tal do Július. Pedi-lhe que nunca tirasse as mãos de sobre o meu ombro. Isso tinha duas grandes e boas razões.

Com o medo correndo forte em seu sistema, ela cheirava para mim como presa. E por tanto, eu precisava saber onde ela estava para que nenhum erro fosse cometido. Mas se eu fosse sincero comigo mesmo (o que eu não estou sendo), a principal razão para o meu pedido era simplesmente senti-la e saber que ela estava segura. Eu precisava disso. Eu precisava muito mais do que eu mesmo estava disposto a admitir.

Július escolheu aquele momento para interromper, dizendo que ele não sabia que Bella tinha dono. Hora de fazer as regras conhecidas para o candidato a falecido.

Com um soco de baixo impacto no estômago – Ainda que pra um humano, provavelmente fosse bastante forte – eu comecei a explicar-lhe:

- Isso, é por você ter dito que uma mulher teria um dono. Elas nunca têm dono, imbecil. Elas podem ter namorados, amigos, irmãos, pais. Mas nenhum destes é seu dono. Elas são donas de si mesmas. Comece aprendendo isso.

Outro soco, desta vez na linha de sua cintura.

- Isso babaca, é por você ter subentendido que uma mulher desacompanhada, não mereceria respeito. O que há com você? Por um acaso você é um viado enrrustido? Porque homem que gosta de mulher, homens de verdade, tratam bem as mulheres, independente delas estarem acompanhadas ou não.

- Vai para o inferno, filha da puta! – Ele disse meio curvado sobre si mesmo, depois de tossir algumas vezes afim de recuperar o fôlego.

Eu sorri maldosamente. Cara! Fazia tempo, muito tempo que eu não via razão para saborear uma tortura. Mas por Deus, eu ia gostar daquela.

Eu dei um passo em sua direção, propositadamente invadindo o seu espaço pessoal. Peguei a sua mão e com um único movimento, quebrei o seu polegar.

Ele abriu a boca para um grito de dor. Eu o soquei pela terceira vez, acertando em cheio o seu diafragma e arrancando com isso todo o ar dos seus pulmões. O grito morreu como mágica.

- Isso, é por você tentar mentir pra mim. Július, aprenda uma coisa e aprenda rápido, muito rápido, se você quiser sair daqui vivo e andando por si mesmo:

Eu o olhei bem nos olhos, porque eu queria que ele soubesse o quão verdadeiro eu estava sendo sobre o que eu iria falar. Tanto é que pontuei cada uma das palavras chaves de minha fala.

- Primeiro, eu teria muito prazer em matá-lo. Você não faz idéia do quanto eu gostaria de apenas rasgar a sua garganta. Neste momento, é praticamente irresistível. Você é um retrato de tudo quanto eu mais desprezo, por tanto, não me tente. Eu não sou muito bom em resistir a tentações. Entendido?

Por entre gemidos o escroque balançou a cabeça, me deixando saber que ele tinha compreendido. Eu podia sentir as mãozinhas delicadas de Bella apertarem os meus ombros. Um pouco de horror e desconfiança estava se imiscuindo dentro dela. Eu me fechei para isso, eu apenas não poderia lidar com as suas emoções agora.

- Em segundo lugar, nunca, jamais tente mentir pra mim. Você pode dizer que eu sou uma espécie de detector de mentiras ambulante. Eu vou saber. E cada vez que eu perceber que você está mentindo pra mim, eu vou quebrar algum osso. Eu não tenho o menor problema em quebrar todos e cada um dos ossos do seu corpo, e se eu ainda precisar, depois, eu vou começar a amputar membros. Por isso, não me teste. Fui claro?

Eu lhe perguntei desnecessariamente, porque eu podia sentir o pavor se elevar dele como um perfume ruim. Sim, eu sabia que eu tinha sido bastante claro.

- Querido, por favor – Me pediu Bella – Isso realmente não é necessário. Vamos embora!

Eu a ignorei. Eu poderia até deixar esse traste viver, mas não se ele ainda fosse ser uma ameaça a outras garotas.

- Quantas vezes você já estuprou alguém?

- Por favor!

- Quantas?! – Exigi.

- Eu nunca...

Eu avisava, eu sempre avisava, mas eles não acreditavam que eu era capaz de ler as suas emoções; que eu saberia quando eles estivessem mentindo. Eu sempre tinha que fazer o meu ponto de novo. Com Július não foi diferente. Lamentável! Tapei-lhe a boca com uma das mãos e com a outra, quebrei o seu outro polegar. O estalo doentio veio acompanhado por mais uma onda de gemidos. Seus olhos eram selvagens, cravados nos meus.

- Continue assim e eu vou matá-lo.

E eu definitivamente o faria. Bella tentava me arrastar dali. Era evidente que ela não era capaz, mas ela ainda estava tentando.

- Você sabe? – Eu respirei ativamente o seu perfume, gravando a sua essência com ainda mais relevo em minha memória já perfeita. – Eu quase posso sentir o cheiro de seu medo. Ele é um cheiro que me agrada muito, você sabia?

Neste momento, uma mancha escura começou a aparecer na virilha de Július. Eu olhei pra baixo e sorri, erguendo apenas um lado dos meus lábios. O grande e malvado Július tinha apenas feito xixi nas calças. Eu sabia que eu iria me divertir esta noite.

- Correção: Não há nenhum quase aqui, eu realmente posso sentir o seu medo. Você fede!

- Por favor, por favor cara, eu não vou fazer mais. Eu juro! Só me deixa ir embora!

- Quantas?

- Por favor!

- Por favor! – Bella ecoou.

Mais um soco, dessa vez no rim esquerdo.

- Eu lhe fiz uma pergunta. Responda!

Ele estava chorando agora. Eu podia sentir que ele já não acreditava que fosse sair vivo.

- Duas! A terceira os pais dela chegaram antes e não deu pra prosseguir. A quarta, você sabe o que aconteceu.

Bella estancou. Choque percorrendo todo o seu corpo.

Eu peguei-o pela parte mais externa do seu ombro, e o girei sobre si mesmo, jogando-o sem nenhuma delicadeza de cara para a parede. Puxei a sua carteira.

- Isso, você pode pegar toda a grana, pode pegar. Só me deixa ir embora, por favor!

Eu enterrei um murro em suas costelas, e desta vez escutei um estalido, me garantindo que eu a tinha quebrado. Eu não me importei.

- Não me ofenda bastardo! Eu não quero a sua grana.

Eu passei em rápida revista os seus documentos. E saquei o meu telefone. Liguei imediatamente para Jenks.

- J?

- Senhor Jasper? Está tudo bem? Espero que o senhor não tenha ficado muito chateado com os papéis.

Alice, eu não queria pensar em Alice; eu não poderia pensar em Alice, não aqui. Não agora. Eu precisava me focar. Segurando o bagaço de homem pela nuca, contra a parede e o meu celular com a outra mão, eu fechei os olhos tentando me concentrar, apesar da ladainha de “por favor” que o babaca estava entoando.

- Estou bem. Grato pela preocupação. Tenho uma tarefa para você.

- Pois não?

Eu lí o código de aluno na Universidade de Washington, onde Lúcius Manzollo (este era o nome verdadeiro dele. Ao que parecia o desgraçado tinha mentido para Bella a respeito do seu nome. Esperto!) estudava no curso de economia. Também lhe passei o número da identidade e de seu cartão de seguridade social.

- Anotou tudo?

- Perfeitamente senhor. O que o senhor gostaria que se fizesse com isso?

- Esse sujeito é um estuprador reincidente. Eu quero que ele seja acompanhado. Se ele tentar atacar quem quer que seja, eu quero que vocês o matem da forma mais dolorosa que sua imaginação puder conceber.

- Terei prazer nesta atividade senhor.

- Eu sugiro a queima do órgão genital e depois a sua lenta extirpação; sem anestesia, é óbvio. Isto não é muito criativo, eu sei. Mas as vezes, o tradicional têm um efeito bom demais para ser dispensado.

- Certamente. Penso que já tenho a pessoa certa para colocar no caso. É um ex-boina verde, cuja filha foi violentada. A menina morreu. Parece-lhe adequado? Gostaria de relatórios semanais das atividades do vigiado?

- Sim, relatórios semanais seriam muito bem vindos, e esta pessoa que você citou, dê-lhe o poder para montar a sua equipe. Quero que ele seja vigiado 24 horas por dia, sete dias por semana. Inclusive, acho interessante que ocasionalmente Lúcius seja, reconfirmado de que ele continua sob vigília. Afinal de contas, não queremos que ele se sinta solitário, não é mesmo?

- Não senhor. Hum, isso sairá caro.

- Você sabe que isto nunca foi um problema.

- Eu sei. Considere isso feito, Senhor. É sempre um prazer tratar com o senhor.

Eu desliguei e joguei a carteira no rosto de Lúcius.

- Está feito. Saia da linha mais uma vez e você pedirá pela morte muito antes que ela lhe seja concedida. Até mais Lúcius, não foi um prazer conhecer você.

E com isso dito, eu sai puxando Bella pela mão. Eu precisava de ar, precisava me acalmar e precisava realmente de um tempo pra garantir a mim mesmo que o que eu tinha feito, era melhor do que simplesmente matar o desgraçado. Bella estava em silêncio. Não escapou ao meu conhecimento que ela parou de implorar em favor do homem, após saber que as minhas desconfianças eram verdadeiras; de que ele realmente era um estuprador.

Eu não gostei de estar certo. Eu senti como se tivesse roubado um pouco mais de sua inocência e eu não gostei disso. Eu foquei meu poder nela, no intúito de ler como estavam suas emoções após todo o ocorrido.

Ela estava nervosa, chocada e amedrontada. De súbito ela voltou a tremer, coisa que ela tinha parado em algum momento durante a minha pequena conversa com Lúcius. Eu despi a minha jaqueta e a joguei por sobre os seus ombros. Gostaria de lhe dar um pouco do bom e velho calor humano, mas isso jamais seria possível para mim. Assim sendo, eu fiz a segunda melhor coisa: eu a abracei. E cantei com doçura em seu ouvido.

- Está tudo bem, eu estou aqui. Você está segura, eu estou aqui.

Notas finais
Gostaram? Acharam que o Jasper foi duro demais com o Lúcius? Me digam o que pensam no seu review. Beijos.