Recomeçar

33 Cócegas


Notas iniciais
Eu acredito que é sintoma de um bom homem e de uma boa mulher agradecer todos aqueles que lhe ajudam. É por isso que eu faço questão, quando recebo uma recomendação de agradecer publicamente a pessoa que a fez. Infelizmente, eu acreditei já ter feito isso, e na verdade não fiz. Ficou só no pensamento. Mas eu queria corrigir isso e agradecer a BN2 a recomendação que ela tinha feito a minha estória algumas semanas atrás. Desculpa querida, ter demorado a perceber o meu erro. Mas eu adorei o que você me escreveu e estou muito agradecida pelas suas palavras, viu? Beijos no coração. O capítulo hoje vai pra você.

POV Bella:

Dia de escola. Eu não via a hora de me formar e acabar com isso. Eu ainda não tinha decidido o que fazer da minha vida após este marco. Houve um tempo, em que tudo que eu poderia pensar era em me transformar em vampira e viver junto de Edward. Agora, ele estava longe. Fazendo o que quer que vampiros com tendências dramáticas façam. Com sorte, ele estará escutando Fígaro. Parece mais salutar ouvir ópera ao autoflagelamento.

A aula de espanhol acabou e eu suspirei em alívio. Fui para o refeitório e me sentei a mesa junto a Ângela, Ben, Éric e Mike (Lauren nunca mais sentou-se conosco, não desde o tabefe que eu lhe dei. Se eu soubesse disso, teria esbofeteado-a antes. As conversas do almoço tornaram-se significativamente mais interessantes depois disso). Jéssica costumava sentar-se conosco. Mas hoje ela não estava em nenhum lugar. Estranhei. Normalmente, Jéssica poderia ser confundida com a sombra de Mike, que aliás era a razão por ela se sentar conosco. Eu tinha certeza de que se fosse apenas pela vontade dela, Jéssica ficaria ao lado de Lauren. Mas pra que dizer? Eu adorava a sua presença constante, isso garantia que Mike não tentasse passar nenhuma cantada em mim.

- Onde está Jéssica? – Perguntei.

- Conjuntivite. Vai passar duas semanas em casa, de molho.

- Sortuda!

Comentou Ben. Imediatamente, Ângela deu um tapinha em seu braço em repreensão, apenas para depois deitar a cabeça em seu ombro. Eles eram tão bonitos juntos... Porque eu não posso ter a sorte dela no amor? Era um amor tão simples o deles. Mas não! Eu tinha que me apaixonar só por garotos vampiros e por conseguinte, receber toda a carga de problemas que sempre os acompanhava. Vampiros psicóticos tentando me matar sendo apenas um dos itens.

- Ela me pediu pra lhe perguntar, se você poderia emprestar-lhe os cadernos para ela copiar a matéria. – Disse Mike a Ângela.

- Meus cadernos não estão tão completos. Eu escrevo muito lentamente e bem... Faltei uma ou duas aulas.- Explicou Ângela com um dar de ombros. E um rostinho cujas maçãs estavam vermelhas como morangos – Os cadernos de Bella estão bem melhores que os meus.

Será que alguém além de mim notou que o sorriso de Ben triplicou de tamanho? Será que... Ângela?!

Eu ainda estava tentando descobrir quanto a minha tímida amiga tinha avançado com a sua vida sexual, quando Mike me perguntou:

- Bella? Será que você poderia?

- É claro! Quando ela quiser, basta passar em casa. Qualquer coisa, se eu não estiver, é só falar com o meu pai. Eu vou avisá-lo. Ela pretende fazer isso hoje? – Eu perguntei, ainda um pouco atordoada com a novidade.

- Oh, não. Apenas quando estiver pra acabar o seu período de quarentena. Não adianta ficar pegando a matéria de pouquinho. – O garoto explicou com um dar de ombros.

- Ok.

O sinal tocou e todos voltamos para as nossas salas. Ainda nos corredores, com a minha visão periférica, eu pude notar Ângela me lançando pequenos olhares. Acho que ela já sabe das minhas desconfianças. Eu lhe dei um sorrisinho com o intuito de fazê-la mais confortável.

- Bella?

- Só saiba que estou aqui para o que quer que você precise.

- Obrigada!

O dia passou, da forma como ele sempre passa: em uma nuvem. Ocasionalmente eu voltava meus olhos para a floresta, procurando por Jasper ali. No período da manhã, era sempre ele quem tomava conta de mim. Tanto porque a maioria dos meninos-lobo também tinha que ir para as suas escolas, quanto porque por eles nunca terem sido alunos de Forks High, em caso de necessidade e de eles precisarem entrar no prédio, isso poderia ser um obstáculo.

Tão logo o sino tocou eu arrumei os meus livros e cadernos e segui em direção ao estacionamento. Jasper já estava lá, me esperando em frente ao meu caminhão. No início, todos no pátio olhavam-nos. Contudo agora, já se tinham habituado; era quase como se ele fosse invisível. Bom, para todos exceto para o público feminino. Mas então, isso tinha mais haver com o quão belo Jasper era, do que descobrir alguma fofoca sobre nós com a qual o corpo discente (e docente) do colégio pudesse se entreter. E se isso me aliviava um pouco, por não ser mais o alvo número um dos fofoqueiros de Forks High; também me incomodava por outro. Quer dizer, eu não culpava nenhuma garota por olhar. Como poderia? Jasper sem dúvida era uma grande visão, ainda assim...

- Bom dia, Bella! Tudo bem na aula de hoje? – Perguntou-me Jasper, enquanto abria a porta do caminhão para eu entrar e ele próprio pulava no banco do passageiro.

- Mais ou menos, o professor marcou um teste pra próxima aula de física e eu realmente estou um pouco insegura quanto a ele. Será que você se importaria de me dar uma aula?

- Nenhum problema. Qual a matéria?

- Ótica. Mais precisamente, princípios da Ótica. Eu apenas não entendo direito isso.

Ele acenou uma vez com a cabeça.

- Vou ligar para Embry e Sam, deixá-los saber que você passará a tarde comigo, e que eles podem cancelar a sua vigia. Será que desta forma fica bem?

- Sim – Respondi sentindo-me triste; era sempre assim agora entre nós: frio e distante. Mesmo Jasper sempre sendo cortês comigo, não havia calor, nem a amizade com a qual eu me habituara. Não havia mais nada. Culpa me corroeu.

- Isabella?

- Não é nada Jasper. Só estou cansada.- Murmurei em um sussurro tentando conter as lágrimas.

Logo a mansão dos Cullens surgiu a minha frente. Mas agora, a vontade de estudar para me preparar para o teste já tinha ido embora. E embora eu realmente tivesse dito que estava cansada apenas como uma desculpa; neste instante, era exatamente isso o que queria fazer: dormir. Esquecer toda a confusão que era minha vida e o quão triste era que eu tivesse me apaixonado, de novo, por alguém que jamais poderia corresponder aos meus sentimentos.

- Estou com sono, Jasper. Será que podemos começar os estudos um pouco mais tarde?

- Como queira. Você sabe o caminho para o quarto de hóspedes. Gostaria que eu pedisse algo para você comer?

- Por favor.

- Chinesa?

- Pode ser.

Respondi, já subindo as escadas, desanimada. Nem bem cheguei ao quarto e me joguei na cama. Queria chorar, mas na verdade não ousava. Sabia que Jasper escutaria e eu não queria isso. Acabei dormindo abraçada a um travesseiro, fingindo que era um certo vampiro de cabelos loiro-mel, ao meu lado.

Tão logo meus olhos se fecharam, as imagens começaram a correr pela minha mente.

A escuridão me cercava e eu podia sentir o meu coração disparado dentro do meu peito. A floresta de alguma forma parecia silenciosa e perigosa. De repente, algo puxou os meus pés, tirando-me do chão. Olhei para baixo e eu tinha sido pega em uma dessas armadilhas de laço; dessas que aparecem em desenho animado. Meus olhos digitalizaram a área. Mas tudo que eu poderia ver eram árvores e mais árvores. Então, minha garganta estava sendo puxada para trás e eu senti o frio da lâmina da faca pousar sobre a minha garganta, separando a carne como se fosse manteiga. Sangue, o meu sangue se derramou no chão.

Então, eu já não estava ali, estava em frente a casa dos Cullens. Mas ela estava diferente. Toda iluminada com uma placa escrito “Charlie´s restaurant”. Meu pai abriu a porta pra mim, ele estava tão elegante, todo vestido de preto. Mas tinha algo errado. De alguma forma a casa me assustava. Eu não queria entrar lá. No entanto, eu não sei porque, eu entrei. Olhei em torno e como se esta fosse a coisa mais normal do mundo, fui direto pra cozinha. Jéssica estava ali, ela sorriu pra mim e me apresentou um prato; parecia um porco assado. De súbito, porém, já não era um porco era a própria Jéssica, com uma maçã segura na boca e eu olhava a cena sentindo uma sensação de pavor, culpa e dor. Era como um acidente de trem, eu não conseguia desviar o olhar. E então, como se tivesse sido puxada para dentro de Jéssica eu vi as luvas brancas da cozinheira segurando a minha bandeja. Naquele momento, era como se eu fosse Jéssica. A cozinheira nos levou até o forno de pizza. Fumaça foi a última coisa que eu senti.

Acordei assustada, olhando o meu entorno.

- Jasper! – Eu quase gritei.

Em um instante ele estava no meu quarto. Olhos arregalados e uma expressão visivelmente atemorizada. Ele se sentou ao lado da minha cama e colocou a mão sobre o meu ombro.

- Aconteceu alguma coisa? Eu estava arrancando o mato do jardim da frente. Você está bem?

Ainda aflita eu passei a mão pelo meu cabelo e mordi o lábio, agora um pouco constrangida por tê-lo chamado assim, por nada. Afinal, foi só um pesadelo.

- Tô, tô bem. Me desculpa. Eu só tive um pesadelo.

- Aquele tipo de pesadelos?

Eu acenei a cabeça em silêncio e seus olhos amoleceram.

- Conte-me sobre ele.

E eu contei, tanto quanto me lembrava. Ao término, Jasper tinha um olhar pensativo.

- Eu não entendo tudo do seu sonho, não entendo o por que da presença de Charlie e Jéssica nele. Mas Jung dizia que os sonhos são a nossa realidade contada de maneira simbólica. Eu vou pensar a respeito. E se descobrir alguma coisa, lhe conto. Agora, você gostaria de estudar física ou prefere ir pra casa?

- Casa? Eu... Não acho que tenha cabeça para estudos agora.

- Ok. Ao menos coma antes de ir, a sua comida a está esperando no andar de baixo.

Disse-me ele, dando-me um pequeno tapinha na coxa e um beijo rápido no alto da minha cabeça, tal como ele poderia ter feito com uma criança. Será que é assim que ele me vê?

- Certo. – Falei um tanto mau humorada.

A comida estava realmente muito saborosa, mas eu não posso dizer que tenha desfrutado. Eu apenas precisava encontrar um jeito de quebrar a parede que existia agora entre Jasper e eu. Eu só não tinha ainda descoberto, como fazer isso.

- Quando acabar, basta jogar a caixa da comida no lixo. Eu estarei esperando-a no carro.

- Ok.

A próxima coisa que escutei foi a porta da frente batendo. De súbito o meu apetite foi embora. Lavei o garfo e joguei a caixinha dos alimentos no lixo, tal como fui instruída a fazer. Peguei as minhas coisas e corri até o caminhão.

Já estávamos quase em casa e o silêncio ainda não tinha sido quebrado. Eu estava incomodada... Muito. Acho que Jasper também porque logo ele arranhou a garganta e perguntou:

- E então, o que... O que você está achando do treinamento.

Talvez eu pudesse usar isso pra quebrar a barreira? Talvez se eu colocar um pouco de humor... Nós costumávamos ser capazes de brincar um com o outro, não?

- Você quer falar do treinamento de modo geral ou de você como professor de um modo específico?

Ele ergueu uma sobrancelha, olhando pra mim de modo intrigado.

- Você tem algo a falar sobre mim?

Eu sorri largo.

- Eu sempre tenho algo a falar de você.

Foi a vez de ele sorrir; muito presunçosamente, devo dizer. Hora de pisar um pouquinho no ego do rapaz? Sim, eu acho que sim.

- O que você falaria de mim?

- Do quanto você é bom na luta?

- Sim?

- Sério Jasper! Nunca vi nada parecido! – Disse-lhe empolgada, dando corda para depois puxar. Estava dando certo, eu podia ver o quão vaidoso ele estava se tornando.

- Ora, muito obrigado.

- Parece até um Deus! Um Deus da guerra. Eu diria Ares, mas você sabe que ele só entendia de força bruta. Não, você é muito mais estratégico. Acho que... Atena.

- O que?!

Ele perguntou, dando um jeito (não me perguntem como) de colocar um pé entre as minhas pernas e pisar no freio, enquanto jogava o volante para o lado e nos fazia parar no acostamento. Agora, ele estava quase sentado no meu colo. Toda a expressão convertida em uma máscara de indignação e choque completamente risível.

Eu não recuei. Ainda rindo, consegui explicar:

- Sim, Atena era loirinha também, não é? E ela era a Deusa da estratégia em guerra.

- O que... O que você quer dizer com isso, Srta. Swan?

Eu engoli o riso a força, ele tinha girado o corpo e agora estava de frente para mim, sentado no meu colo

- Nada!

Ele rosnou, embora seus olhos fossem brincalhões e maliciosos. Eu não cheguei a ver, mas de súbito, as minhas duas mãos estavam presas no alto da cabeça, por uma das suas. Seu rosto desceu sobre a curva do meu pescoço, até que seus lábios estavam quase encostando no lóbulo da minha orelha direita. Foi em uma voz perigosa que ele sussurrou:

- Você vai pagar por este comentário querida. Então, você quer rir dos vampiros? Eu vou fazer você rir.

E ele fez. Com cosquinhas e o seu dom para amplificar tudo, eu gritava os meus risos e convulsionava incontrolavelmente, tentando de todas as formas tirá-lo de cima de mim. Mas é claro, não estava tendo nenhum sucesso. Eu sentia meu rosto ficar vermelho.

- Por favor, Jasper. – Eu implorei.

- Diga que se rende – Ele exigiu e eu senti o seu poder pressionar ainda mais os meus risos.

- Ah, por favor..., Eu não consigo... Não consigo respirar! Me rendo!

- Diga que eu sou sexy e gostoso.

- Você é! ... Eu quero lamber você! E ... beijar você até que você se lembre de como é sentir falta de ar!

E então tudo parou, a vontade de rir passou e Jasper ainda estava sobre mim. Olhando-me com seriedade enquanto acariciava a linha do meu maxilar e bochecha com as pontas dos dedos. Os risos morreram na minha garganta e finalmente eu percebi o que tinha dito. Vergonha teria me coberto até o último fio de cabelo, não fosse o olhar cheio de ternura e desejo que ele estava me dando. Isso, não poderia estar acontecendo, poderia? Quer dizer, será que ele me queria?

- Diga isso de novo – Ele me pediu com uma voz densa, seus olhos descendo até os meus lábios. – Diga que você me quer.

Eu respirei fundo, tentando me acalmar. Ainda assim, foi em um fio de voz que eu respondi:

- Eu quero.

No segundo seguinte, a sua boca estava sobre a minha. E nós estávamos nos beijando como se não houvesse amanhã.

Notas finais
Então meninas, finalmente o Beijo. No próximo capítulo tem a visão do Jasper e a descrição do beijo em si. Espero que tenham gostado. Abraços pra todas (porque hoje, nós estamos deixando os beijos só pro Jasper e pra Bella).