Recomeçar

34 Amores e dores


Notas iniciais
Queria aproveitar a oportunidade para agradecer a biaculler e a Tassi, as recomendações que fizeram a esta estória. Obrigadão meninas! Vocês não fazem idéia do quão feliz e bobona eu fiquei. O capítulo vai pra vocês. Beijos calientes do Jasper pra vocês duas!

POV Jasper:

O silêncio no carro era enlouquecedor; tanto para mim, quanto para Bella. Mas duas vezes pior para mim, afinal eu tinha que sentir as minhas emoções e as dela. Vendo por este lado, suponho que caberia a mim resolver o problema, na medida que eu era o maior interessado. Sentindo-me inseguro; há muito que as interações que tinha com Bella perderam o seu caráter fácil e espontâneo; eu arranhei desnecessariamente a garganta e soltei, antes que vacilasse:

- E então, o que... O que você está achando do treinamento?

- Você quer falar do treinamento de modo geral ou de você como professor de um modo específico?

Ela questionou com um sorrisinho no canto dos lábios como se estivesse em vias de aprontar alguma coisa. Aquilo me deixou intrigado, pra dizer o mínimo.

- Você tem algo a falar sobre mim?

Ela sorriu largo. Definitivamente, aprontando alguma. O que poderia ser?

- Eu sempre tenho algo a falar de você.

Bem, critique-me se quiser, mas isso me deixou curioso. O que ela poderia ter para falar de mim? Sorri um tanto autoconfiante. Não havia muito que pudesse ser questionado sobre mim, quando se tratava de lutas ou de como ensiná-las. Tanto quanto aquela era uma parte do meu passado que eu detestava, eu não fingia não saber que era muito habilidoso no que fazia. Por isso, sorri com presunção.

- O que você falaria de mim?

- Do quanto você é bom na luta?

Como disse, havia pouco sobre mim, neste aspecto que pudesse ser retocado.

- Sim? – Perguntei. Por que, quem não gosta de receber elogios, principalmente se estes vêm de uma garota bonita de quem você gosta. Acrescente a isso o fato de está ser a primeira conversa decente que tínhamos em semanas e havia muito pouco o que eu não fosse fazer, apenas para mantê-la falando.

- Sério Jasper! Nunca vi nada parecido

Disse-me ela excessivamente empolgada. Isso não era exatamente o padrão de comportamento de Bella. Mas o que eu poderia fazer senão, jogar junto e esperar pra ver no que isso daria? Ainda assim, era meio impossível não ficar um pouco vaidoso. Como disse, você pode até me criticar, mas aposto que você teria a mesma reação se estivesse no meu lugar.

- Ora, muito obrigado.

- Parece até um Deus. Um Deus da guerra. Eu diria Ares, mas você sabe que ele só entendia de força bruta. Não, você é muito mais estratégico. Acho que... Atena.

- O que?!

Eu perguntei completamente chocado e indignado. Mais do que isso, me senti emasculinizado. Ela realmente acabou de me comparar a uma mulher? Ou ela disse que meu estilo de luta era feminino? O que porra, ela realmente queria dizer com isso? Estreitei os olhos e senti as suas emoções, eu podia sentir um certo desânimo como pano de fundo (o que tinha se tornado comum, desde que ela e eu nos distanciamos), esperança e diversão. Oh, ela queria me provocar? Bom, quem sou eu pra negar-lhe o divertimento?

Em velocidade vampírica eu enterrei uma das minhas pernas entre as dela para pisar no freio. Paralelo a isso eu tomei o controle do volante e conduzi o caminhão, seguramente, até o acostamento. Girei os meus quadris e me estabeleci confortavelmente sobre as suas pernas.

- Sim, Atena era loirinha também, não é? E ela era a Deusa da estratégia em guerra.

- O que... – Que porra! O que ela pretende? Porque se há algo a respeito do qual eu não tenho a menor dúvida, é a minha masculinidade. E se ela queria brincar com isso, talvez eu realmente deve-se puni-la um pouco. — O que você quer dizer com isso, Srta. Swan?

Ela engoliu na marra o seu riso e eu defini que a meiga Srta. Swan, estava a ponto de beijar a lona, por assim dizer.

- Nada!

Eu rosnei pra ela. Eu sabia que aquilo não era uma dúvida verdadeira; ainda assim ela iria pagar. Prendi suas duas mãos acima de sua cabeça com uma das minhas e sussurrei-lhe ao ouvido o anúncio de que ela estava em um mundo de problemas. Se ela queria rir de vampiros, eu a faria rir ao estilo Whitlock!

Com a mão livre eu lhe fiz cosquinhas e, apenas como a cereja no topo, amplifiquei tudo com os meus poderes. Em segundos, ela gritava as suas gargalhadas e convulsionava descontroladamente sob mim. Pensamentos de todas as formas como eu gostaria de fazê-la perder o controle começaram a me assaltar. Em minha mente, eu me imaginava beijando os seus seios e todo seu corpo, até que ela chegasse ao seu clímax. Bella (é claro!) tentava de todas as formas defender-se do meu ataque. Muito ruim que ela precisaria mudar de espécie, para ter alguma chance. Seu rosto estava em um lindo tom de vermelho. E seus lábios pareciam apenas implorar pelos meus beijos.

- Por favor, Jasper. – Ela me pediu já quase sem fôlego; preciso fazer isso rápido antes que ela realmente fique sem ar. Por isso, resolvi aumentar ainda mais a pressão que o meu poder exercia sobre os seus risos. Ela não sairia dessa, antes que se desculpasse adequadamente.

- Diga que se rende – Eu exigi.

- Ah, por favor..., eu não consigo... não consigo respirar! Me rendo!

Bom, agora só falta fazê-la retirar a ofensa a minha masculinidade. Pensei divertido.

- Diga que eu sou sexy e gostoso.

- Você é! ... Eu quero lamber você! E ... Beijar você até que você se lembre de como é sentir falta de ar!

Bem, isto era uma grande revelação. Será, será que ela realmente pensa em mim desta forma? Ou será que ela só está dizendo isso como um exagero? Uma espécie de troça pelo que eu lhe tinha pedido pra fazer? Eu só poderia torcer para que este não fosse o caso, porque contra o meu melhor julgamento, eu estava começando a me sentir esperançoso. Eu parei as cócegas e também a minha manipulação de suas emoções. Eu não queria que nada, nada a influenciasse. O que quer que ela me falasse, precisava ser a exata expressão de sua vontade. Todavia, não custava dar mostras de que qualquer declaração sua seria bem vinda, não é?

Meus olhos se perderam na beleza que era seu rosto. Toda ela irradiava vida. Seus olhos estavam brilhantes e brincalhões, uma pequena lágrima, fruto do seu riso exagerado ainda escorria pela sua bochecha que estava corada. Seus lábios... Ah, os seus lábios, um homem se perderia com facilidade em meio a eles: gordos e voluptuosos, eles enchiam a minha mente há muito tempo, provocando fantasias, fazendo eu me perguntar que gosto eles teriam. Eu acariciei-lhe toda a curva do maxilar com ternura, permitindo que ela sentisse; não através do meu dom, mas apenas da forma como eu a olhava, o quanto ela era importante pra mim e o quanto eu a desejava.

- Diga isso de novo – Eu lhe pedi com uma voz densa, temeroso de que ela me negasse isso, ou que dissesse que tudo não passava de uma brincadeira. – Diga que você me quer.

Ela respirou fundo, e eu senti os seus seios elevarem-se quase tocando o meu peito. Fechei os olhos me concentrando no calor que o seu corpo desprendia e que quase me fazia queimar. Abri os olhos e vi as suas pupilas dilatarem, tornando o seu olhar mais escuro; da forma como só a luxúria pode.

- Eu quero.

Ela não precisou dizer mais nada. Nem bem as palavras tinham deixado a sua boca e eu já a beijava. Pêga de surpresa, seus lábios entreabriram e eu; é claro; aproveitei a oportunidade para degustar o sabor de sua boca.

Doce. Inigualável. Era assim que ela provava. Eu liberei suas mãos para envolver o seu corpo em meus braços. Bella de imediato entremeou os dedos em meus cabelos, brincando com os fios e me puxando para mais perto dela. Era tão bom! Havia um sentimento tão forte de pertencimento, de querer, de... amor.

Eu rosnei, também ansiando estar tão junto a ela quanto fosse fisicamente possível. Mas como estávamos ambos sentados, o que conseguíamos não bastava. Eu sequer pensei: abri a porta do caminhão (e é uma prova da existência de milagres que eu não a tenha arrancado das dobradiças), carreguei-a ao estilo noiva para fora do carro, apenas para imprensá-la contra a sua lateral. Meu corpo, agora, tocava o dela desde os joelhos até os ombros.

E embora para os meus padrões eu estivesse sendo gentil; suponho, que para os de um humano, o meu beijo fosse bastante exigente. Todavia, não existia nenhum tipo de desconforto exalando de suas emoções, muito pelo contrário. Ademais, eu já não poderia lutar contra a minha necessidade por ela. Fazia muito tempo que eu aguardava por este momento, onde eu poderia verdadeiramente estar com Bella, da forma como eu tanto sonhei.

Só o seu cheiro já me deixava louco! E quando falo isso, não estou me referindo ao aroma do seu sangue. Curiosamente o líquido rubro que corria em suas veias, era a última coisa em que pensava. Não. Era apenas ela. Sua delicadeza, sua feminilidade, sua sensualidade... Isso era tudo o que me enfeitiçava e tudo o que eu queria.

Minha língua brincou dentro de sua boca, instigando, provocando... Ela inclinou o rosto para o lado, permitindo que a minha exploração se aprofundasse ainda mais. Cada toque seu, parecia deixar-me ainda mais ansioso por ela e eu podia perceber que o mesmo se dava com Bella.

Apesar de inexperiente, como ela parecia ser; seu corpo ansiava pelo meu. Para mim, aquilo também era inteiramente novo. Eu nunca tinha estado assim com uma humana. O calor, a lentidão dos gestos, a delicadeza deles... Longe de tornar o seu poder sobre mim menor, apenas o ampliava. Eu tinha tempo de sobra para sentir cada nuance, cada toque seu em minha pele. Os pequenos arranhões que suas frágeis unhas tentavam fazer em minha nuca, eram como pedrinhas que caíam em um lago. Muito depois que elas tinham caído, as ondulações ainda estavam sendo desenhadas na água que era a minha pele. E eu sentia, sentia os efeitos em lugares do meu corpo que ela jamais tocou. Tão intensamente quanto eu jamais senti antes.

Eu estava adorando tudo aquilo, porque era ela. Era Bella. Comigo, ali. O calor do seu corpo, o som dos seus batimentos cardíacos acelerados... Tudo isso me envolvia e eu estava incrivelmente feliz em me perder. Nela. Eu já era um viciado e por Deus: eu não queria nunca superar o vício que era Bella. Meu nome escorregou dos seus lábios em meio a um gemido de prazer e eu não pude deixar de me sentir orgulhoso.

Mas eu era ganancioso e eu queria mais. Eu queria tocá-la e aos seus seios. Eu queria devastar o seu corpo inteiro. Ela virou o rosto por um instante em busca de ar e eu usei isso para beijar todo o seu pescoço e o lóbulo de sua orelha, propositalmente deixando a minha respiração fria banhar a sua pele super-aquecida.

Bella ergueu um pouco a perna entrelaçando-a na batata da minha. Eu empurrei o meu quadril contra o dela, deixando-a sentir a minha ereção. O cheiro de sua excitação era forte e evidente. Eu precisava parar, ou eu a tomaria ali mesmo; no meio da rua; há dois quarteirões da casa do seu pai.

- Jasper... – Ela gemeu mais uma vez.

E eu voltei a beijar os seus lábios, mas agora com mais suavidade. Com o meu poder, enviei-lhe todos os meus sentimentos por ela; meu carinho, desejo, ternura, admiração, devoção, gostar e até mesmo o meu ciúme e a minha ânsia por protegê-la; que eu não tinha certeza se iria ou não agradar-lhe, eu lhe enviei. Desenhei seus lábios com a ponta da minha língua, dei mais um puxão no seu lábio inferior e um pequeno beijo e me afastei.

Surpreso, eu percebi que a minha respiração estava tão ou mais ofegante quanto a dela, mesmo que eu não precisasse respirar. Encostei a minha testa na sua, tentando recuperar o fôlego e a compostura.

- Devemos, devemos ir – Disse-me ela – Jacob e Charlie...

Em um piscar de olhos eu estava longe. Como ela pôde? Então era isso? Ela me beijava da forma como tinha beijado e ia, o que? Voltar para o cão?

- Entre no carro.

Seus olhos eram confusos pelo meu tom severo e raivoso. O que ela poderia esperar de mim, após trazer o nome do seu namorado?

- Jasper? O que houve?

- Agora! – Eu gritei. Seus olhos se arregalaram e dessa vez, ela me atendeu. Tão rápido quanto a sua humanidade permitiria, ela estava sentada atrás do volante do caminhão.

- Jasper, me desculpe. Eu achei, achei que você também quisesse...

- Sim. Claro, quem não, não é mesmo? Quantos já estão em sua lista? Meu irmão, Jacob, Eu... Para alguém de aparência tão inocente, deixe-me dizer-lhe que a sua volubilidade é impressionante!

Uma onda de mágoa e dor me atingiu. Eu a feri. Mas ela também me tinha ferido. Ainda assim, eu não a queria machucar.

- Não é assim.

- Por favor, cale-se. – Eu pedi. Não queria mais dizer nada que a fosse magoar, mas se ela continuasse a falar, eu não sabia o que sairia da minha boca. – Vá embora Bella. Não se preocupe. Você está bem perto de casa e entre eu e o seu namorado lobisomem, você estará perfeitamente segura pelos últimos dois quarteirões até que você chegue a sua casa.

- Jasper, me deixe explicar!

Eu fechei os meus olhos, eu queria destruir alguma coisa. Qualquer coisa, e se ela continuasse ali, eu não tinha certeza de que eu não destruiria a ela.

- Eu — não – quero — falar – com – você.

Falei destacando cada palavra para ver se finalmente ela me entendia. Prossegui, aumentando a minha voz cada vez mais:

- Será que eu não me fiz claro? Vá embora, Bella!

E dessa vez, ela foi.

Notas finais
Por favor, não me matem! isso é gancho pra eles resolverem os mau-entendidos deles, confiem em mim! O caminho pode ser tortuoso, mas ele os está levando aonde todas nós queremos que eles cheguem.