Notas iniciais
Eu posso atualizar os capítulo por conta de alterações no livro, mas espero que gostem.

-Arista, vamos logo! Daqui à quinze minutos virá outra família para te conhecer! – pediu Sra. Kirke arrumando meu quarto. Como sempre faz quando temos visitas, ela esconde todos meus desenhos numa gaveta e tranca esta logo depois.

-Não sei por quê insiste tanto nisso Sra. Kirke! Quando famílias vão à um orfanato, querem crianças pequenas e doces para cuidar, e não adolescentes malucas e bizarras – disse saindo pela janela do quarto. Ouço ela suspirar, mas não faz nada além de concordar comigo.

Não entendo porque ela ainda tem esperanças, afinal, daqui à alguns dias irei fazer 19 anos (me deixaram ficar mais um ano no orfanato) e irei embora para nunca mais voltar. Não que eu me sinta triste por ter que sair, muito pelo contrário, eu finalmente poderia viver minha vida fora desse orfanato feio.

Você ainda tem chance, penso ás vezes, mas logo depois volto á realidade. Já tenho 19 anos e não vou arrumar uma família agora. Eu só tenho que aprender á me virar sozinha. É irônico como eu digo isso para mim mesma sempre com tanta determinação, mas eu nunca peguei se quer um ônibus.

Isso tudo realmente parece um tipo de lamentação por eu não ter pais, mas eu nunca liguei para isso. Nunca liguei para o fato de não ter família, e se ligasse, não faria diferença.

Por isso sair daqui seria ótimo para mim; finalmente poderia conhecer a Rússia e viver livremente. Claro, teria a questão do emprego e de um lugar para morar, mas isso não será um problema tão grande... Espero que não.

Depois de sair pela janela, corro até o depósito do orfanato. É estranho esse lugar ter um depósito, mas no final acabou sendo a minha batcaverna; infelizmente, é um lugar muito frio por conta da falta de aquecedores, mas eu me viro. Quando entro, vou direto para uma das camas reservas que deixam lá e pego a minha Matrioska escondida. Se eu pegasse esta na frente de alguém, se perguntariam porque eu escondo uma Matrioska comigo, mas se eu respondesse, descobririam onde guardo meu chocolate reserva.

Me deito com a boneca no colo e começo a abrir suas camadas até chegar nos bombons caros da Sra. Kirke. Enquanto como, pego meu diário e começa a fazer o mesmo de sempre: catalogar meus diferentes sonhos diários. Então vamos lá:

“Caro não vou dar um nome bobo (espero que goste desse novo nome, não estava bom Sami), noite passada sonhei com uma das coisas mais legais e mais terríveis que já ‘vi’. Não tenho certeza do que era, mas aquilo me lembrou uma coisa: Koschei, o imortal.

Vou dar uma pequena aula sobre mitologia para você: Koschei é um ser imortal eslavo que não possui a alma dentro dele. Para destruir este, você deve encontrar a agulha na qual ele esconde a alma. Enfim, é algo muito estranho, e espero que amanhã apareça algo bonitinho em vez disso.”

Logo volto a comer meus bombons sem mais nada para fazer, apenas pensar no mesmo de sempre: Por que eu sempre tenho sonhos com monstros? Eles começaram aos 12 anos e nunca mais pararam, e isso é frustrante! É por isso que eu desenho tudo que eu sonho... Infelizmente ninguém entende. Mas se entendessem, não entenderia porquê. Quero dizer, entender o que? Eu tenho meus sonhos e as outras pessoas têm os delas. Também tenho crise de bipolaridade, mas isso não importa.

Começo a folhear meu diário tentando decorar o que escrevo sem nenhum objetivo específico. Talvez um dia precise de minhas maluquices comigo...

-Arista! Você tem que parar de sumir do nada! – a porta do depósito se abre rapidamente interrompendo meus pensamentos enquanto Ana surge de lá – A família já está visitando o lugar, e adivinha só... Eles querem conhecer você!

Engasgo e acabo cuspindo um dos bombons no chão ao saber disso. Como assim eles querem me conhecer? Uma família nunca quis me conhecer todos esses anos!

-Mentira sua! – exclamei voltando a comer. Ana é a filha do dono desse lugar e isso à torna meio, como posso dizer, mimada. Sempre que me pede uma coisa acha que eu devo fazer, como se ela mandasse em mim. Mas mesmo ela sendo assim, é o mais próximo de uma amiga que eu tenho. Eu não gosto dela, mas ela gosta de mim e por isso somos amigas.

Ela suspira e vem até mim frustrada. Sem eu perceber, me derruba da cama e começa a me puxar para fora do depósito, e assim, para o orfanato. Acabo trazendo meu diário junto, o que dificulta as tentativas de me soltar dela, mas sempre são em vão, afinal, Ana tem uma força incrível para uma garota tão delicada como ela!

Acabo seguindo-a e quando entramos no meu quarto pela janela, percebo que não é exatamente uma típica família que está lá. É um homem adulto com outro garoto e uma garota com talvez a mesma idade que eu tenho.

Quando chego, o homem sorri e estende a mão em minha direção. Ao aperta-la noto que Sra. Kirke está chorando de felicidade ao ver que uma família talvez me queira. E eu me sinto feliz com isso, mas algo está errado, por que eu não me sinto muito feliz com isso.

-Olá Arista. Meu nome é Sergei e eu tenho uma pergunta à lhe fazer... Gostaria de fazer parte de nossa família? – o homem pergunta sorrindo e logo todos no quarto estão esperando minha resposta. Nunca pensei que iria fazer isso, mas se for para fazer, é agora.

Posso ter sucesso e dinheiro quando sair daqui, mas também posso ter um lar se me juntar á eles. Não tenho certeza do que fazer, até que meu individualismo ilumina minha mente.

-Sr. Sergei... Não... – digo isso tão brevemente e depois saio novamente pela janela e vou calmamente em direção ao depósito. Preciso pensar.

Ah, o que foi que eu fiz?

Notas finais
Comentem suas opiniões