Reccantis: A 13ª Reencarnação
2 Capítulo 2
–Mas o que foi que você fez!? – está cansando a Sra. Kirke ficar gritando comigo – Quer saber, eu cansei! Adiantaremos a sua saída do orfanato para hoje. Prepare suas malas, pois aqui você não fica mais!
Bufo e vou direto para meu quarto. Ela não pode simplesmente me expulsar daqui! Isso seria errado! Talvez não seja errado com o orfanato, mas é errado comigo!
–Tudo bem? – se tivesse bombons na minha boca agora, com certeza cuspiria eles. Não reparei quando entrei, mas o garoto que estava com Sergei continua no meu quarto! O que ele está fazendo no meu quarto?! – Ah, e esses desenhos são ótimos!
Lanço a ele um olhar gélido para ele e sem dizer nada me sento na minha cama, o analisando lentamente. É um garoto com seus dezessete anos, cabelos escuros, olhos azuis e pele clara. Nada de mais.
–Sabe, não precisa ficar fazendo isso... Eu só quero te dar um toque – disse ele indo em minha direção nervoso. Quando fica a um metro de mim, me estende um cartão – Não vamos te forçar à se juntar à nós, mas quando precisar, vá até esse endereço. Estaremos sempre de portas abertas.
Depois de dizer isso, vai embora do quarto e me deixa olhando para o vazio. Não entendi praticamente nada do que acabou de acontecer, mas tudo bem. Só sei que eles devem ser doidos que querem fazer sei lá o que comigo.
Deixo de lado isso e começo a preparar minhas coisas. Pego minha mala e junto as melhores roupas que eu tenho: calça, casaco, blusa e bota. Já tenho a roupa que estou vestindo, então estou bem. Recolho todos os meus desenhos e anotações e depois disso, não tenho mais nada pra pegar. Espero que isto sirva para o que está por vir.
Olho mais uma vez para meu quarto, aquele em que cresci minha vida toda, e percebo como vou sentir falta deste lugar. Mas tenho que desapegar disso tudo!
Ando pelo corredor dos dormitórios até a recepção, e lá me despeço de Ana; é uma pena que ela tenha que viver só aqui. Eu pelo menos posso conhecer o resto da Rússia.
Saindo do orfanato, vou até um ponto de ônibus e espero até este chegar. Infelizmente, o orfanato é num lugar afastado de Moscou, o que dificulta tudo, mas tudo bem.
Se passa meia hora, e nada do ônibus. Por sorte, aparece um carro na estrada e me oferece carona. Não devia aceitar, mas é o melhor agora. Além disso, o motorista parece simpático!
–Bom dia! – digo entrando no carro. Vejo que quem dirige é um senhor de idade com sua mulher no banco traseiro – Obrigada por me oferecer carona.
Ele sorri para mim e começa a segui pela estrada. Conversamos por alguns minutos e descobri que ele estava indo para o centro de Moscou, como eu. Durante a conversa, percebi que ele estava ficando suado e parecia estar sentindo dor.
De repente, ele para e respira fundo com a cabaça apoiada no volante. A mulher dele parece achar isso normal, pois dá de ombros quando eu olho para ela. Quando volto à olhar para o senhor, quase solto um grito. O senhor não parece mais um senhor, e sim um tipo de homem lobo terrível.
Olho assustada para ele, mas logo ele volta a ficar como antes. Acho que foi algum tipo de ilusão, mas quando o senhor percebe minha cara de assustada... Eu juro que se ele pudesse arrancar a porta e sair correndo, ele faria isso.
–Está bem! Eu te dou meu carro! Só não nos puna, por favor! – exclamou me entregando as chaves e saindo do veículo. Sua mulher soltou um grito quando entendeu a situação que nem mesmo eu entendo. Logo os dois estavam na estrada me entregando dinheiro e inda para a direção oposta de onde estávamos.
Acho que o certo seria devolver o carro de dizer que tudo foi um mal entendido, mas... Se eu não precisasse de um carro e de dinheiro, eu até devolveria, então que se dane!
Ligo o carro e começo a dirigir em direção à Moscou. Não sei o que acabou de acontecer, mas não foi tão ruim. É claro, vou precisar ir a um psicólogo, mas estou bem.
Demoro uma hora para chegar em Moscou e quando chego, abandono o carro numa rua deserta. Sem nenhum objetivo específico, começo a andar perto de um rio, esperando logo chegar no centro.
Nunca tinha visitado a cidade antes. Isso dificultará muito tudo, mas é boa a sensação. Agora está nevando fraco e poucas pessoas estão andando pela rua como eu. A rua perece estar coberta com um fino lençol branco, e em alguns pontos você consegue ver anjinhos de neve como os que as crianças fazem. É uma cidade bonita, mas ainda tenho que conhecer o resto dela para ter uma opinião melhor.
Sem olhar para onde estou andando, acabo esbarrando com uma criança que está vendendo chocolates numa barraquinha. Acidentalmente, ela deixa cair boa parte do dinheiro que conseguiu.
No começo me desculpo, até perceber que ela está ficando pálida. Quando toco sua testa para ver se ela não está doente, seu rosto se transforma em algo terrível! Ela assume a aparência de um cadáver com poucos cabelos e um osso podre á mostra. A delicada menina que antes vi se tornou um monstro zumbi!
Pulo para trás, agora sim gritando, enquanto me afasto dela. Novamente, quando ela percebe sei lá o que, joga o dinheiro no chão e se joga no rio, o que seria impossível, pois o rio mataria qualquer um de frio.
Me levanto e me recupero do susto. Vou até a ponta do rio e procuro por um corpo congelado em suas águas quase congeladas, mas não vejo nada além de um rio. O que está acontecendo comigo? Bem, isso eu não sei, mas não posso ficar aqui na rua congelando. Não sei o que faço agora...
Na verdade sei. Com uma ideia completamente doida, volto para o carro e começo a dirigir para o endereço do cartão.
–Não sei quem vocês são, mas são minha melhor opção.
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