Reboot

13 Uma boa ação não se paga


Notas iniciais
Voltei!!! Estive sem postar capítulos por um tempo pois estava me dedicando à minha nova fic; mas eu ainda pretendo terminar a série "Reboot", então não fiquem assustados se eu demorar a postar novos capítulos, O.K? Espero que gostem!

Pode-se dizer que os médicos ficaram assustados com o pedido/ordem do diretor. Claro, a menina já estava no leito da morte, mas seria muita maldade desligar os seus aparelhos. O diretor do hospital – cirurgião famoso pelas redondezas e muito popular pela sua competência – assentiu com a ordem do homem (diretor da escola), o que gerou certa revolta por parte dos funcionários do estabelecimento.

“Não discutam, apenas façam!” ordenava o cirurgião.

“Nem os funcionários nem as enfermeiras tem permissão para desligar os aparelhos de alguma paciente”, dizia um médico. Pediatra de respeito e muito justo.

“Então faça isso você mesmo, ora!”

“Mas senhor... Isso é errado, e nós precisamos da permissão dos pais da garota para...”

“... Não me interessa! Ou faz o que eu estou mandando ou está despedido!”

O pediatra não entendia os motivos de seu superior para mandá-lo fazer aquilo. Sim, ela iria morrer em questão de horas (no máximo), mas retirar a vida de uma pessoa não era o correto a se fazer. Mas ele não tinha escolha. Caso não o fizesse seria demitido.

O homem, de nome Evaldo, saiu da sala do cirurgião cheio de pensamentos na cabeça. Era inevitável. Ele tinha que fazer aquilo!

Então, ele estufou o peito e pôs-se a andar rumo ao UTI, que era onde estava menina, internada. Ao chegar lá, ele abriu a porta, um pouco hesitante, algo lhe dizia para não fazer isso. Pacientes que estavam sentados em alguns bancos próximos olhavam curiosos para Evaldo.

O homem enfim criou coragem, e entrou. Mas ele desejaria não ter entrado. Ao lado da menina em coma jazia uma cadeira, que estava voltada para a direção da porta; e nessa cadeira havia, sentada, outra menina. Pálida, cabelos castanhos e olhos de mesma cor; tinha cerca de oito anos, usava uma camisa de botões, branca, e uma saia azulada, sem muitos detalhes. Seu cabelo era cortado na altura do pescoço, e de vez em quando balançava um pouco. Seus olhos não tinham vida nem brilho. Seus lábios também eram cadavéricos (sem cor). Ela olhava para o pediatra de forma indiferente, e não demonstrava alegria alguma. Estava estática.

O médico se assustou, deu um passo para trás, e isso chamou a atenção dos pacientes que estavam por perto. Tanto que um deles foi para perto de Evaldo e perguntou-lhe: “o que foi doutor, algum problema?”. O médico apontou o dedo para a garota sentada. O rapaz que veio a seu encontro, olhou, procurou, mas não viu nada sentado na cadeira. Ela estava vazia. Ao dizer isso ao pediatra ele surtou. Começou a correr por aí, sem rumo. A menina cadavérica sorriu, e desapareceu como um fantasma. Tanto que, quando Evaldo retornou, ela já não estava mais lá. Em compensação, ele avisou ao cirurgião (o seu patrão) que não voltaria mais naquela sala de UTI. Pelo menos não naquele dia...

***

Isadora estava completamente entusiasmada com a possibilidade de dar uma última alegria à Fabiana. Todos já estavam em suas casas, trabalhando para encontrar os pais da garota; mas ela, antes de ajudar na busca, queria visitar Fabiana na UTI. Mesmo que fosse a sua última visita a ela...

A supervisora já estava em sua aconchegante casa. Esta, era bem grande e cheia de luxo por toda parte. Sim, ela era uma pessoa rica; apesar de que não gostava muito de admitir isso para os amigos... Ou melhor, colegas, pois ela não tinha muitos amigos.

Seu quarto fazia jus ao dinheiro de seus pais: grande, cheio de móveis caros, e tudo bem organizado. Seria o sonho de qualquer garota mimada viver ali; mas Isadora não era uma garota mimada. Ela se achava uma garota comum – apesar de ser rica e albina—, como qualquer outra... Mas, claro, as pessoas sempre têm opiniões diferentes das dela. “Você é albina, o Sol pode te fazer mal”, “você é rica, então por que estuda para algum dia entrar em uma faculdade, se os seus pais podem pagar uma para você?”, e até mesmo: “você não é bonita. Onde já se viu? Uma garota defeituosa tentando ser normal”... Ela não era defeituosa... Só era albina, é diferente... A supervisora já chorou muitas vezes em seu quarto por causa de tais palavras. As pessoas não lhe entendem, e nunca vão entender. Por isso ela aceitou a proposta do diretor para ser uma supervisora social e ajudar os necessitados. Graças a isso, ela fez amigos, ela se sentiu menos presa à opinião das pessoas. Ela se sentiu mais livre...

Ao longe, o sino da igreja badalou. Uma vez, duas, três, quatro... Cinco vezes. Eram cinco horas em ponto -- o tempo havia passado muito depressa. Já estava ficando muito tarde e logo seus pais não lhe deixariam sair de casa. Ela tinha que ser rápida!

O trabalho de supervisora lhe rendia um pequeno salário todo mês, que era pago pela prefeitura. Não que ela precisasse de dinheiro, pelo contrário; mas era bom não ter que depender de seus pais para tudo. Ela pegou algumas cédulas em seu cofrinho e saiu da casa luxuosa. Seus pais estavam trabalhando nesse momento, então ela achou que seria melhor trancar a casa --para evitar algum assalto, pois aquela “mansão” era um prato cheio para bandidos.

No caminho do hospital a garota se encontrou com uma pobre senhora; idosa e com vestes bem velhas por sinal. Ela estava vendendo flores, sozinha. Quando as pessoas passavam perto dela, logo se distanciavam. Elas faziam isso tanto por medo, quanto por repulsa.

Isadora comprou dela, um buquê lindo e enorme, cheio de rosas de cores variadas. A velha senhora lhe falou:

“Esse buquê custa...” ela tossiu um pouco e depois continuou. Era óbvio que sua saúde andava debilitada. “Quarenta reais...”

A garota retirou do bolso uma nota de cem reais. Ela imaginava que as flores da velha fossem mais caras. Então, por bondade, ela decidiu lhe entregar os cem reais mesmo.

Os olhos da idosa brilharam em meio às lágrimas. Mal ela podia acreditar que alguém fosse tão generoso com uma velha. A senhora começou a agradecê-la por várias vezes. Abençoando-a com vários “Deus lhe pague tudo em dobro...”

A menina se despediu e continuou a andar em direção ao hospital. Pelo menos ela havia ajudado uma pessoa necessitada no caminho!