–Prologo-

Ano de 2030,

No início, nós não sabíamos o que estávamos criando. Gastávamos milhões, até mesmo bilhões, para tentar criar um pequeno aparelho capaz de realizar cálculos 300 vezes mais complexos que o computador mais moderno daquela época. Ainda assim, mesmo com esse novo computador tão potente, precisaríamos quase duplicar sua capacidade para poder ser comparável ao cérebro humano (que possui 100 milhões de MIPS, ou, “Milhões de Instruções Computacionais por Segundo”). Estávamos quase no limite do tamanho do hardware, porém, um novo material fora descoberto, um que conseguia encurtar o caminho entre a CPU, os registradores e as memórias de forma ainda mais eficaz, trazendo assim, a tão esperada dobra no processamento.

A próxima complicação era programar esse hardware tão robusto. Os programadores precisaram manipular os mais de 50 núcleos do processador desse aparelho: um trabalho que se provou mais árduo e extenso do que se imaginava. Ao final, levaram 3 anos para isso e, no ano seguinte, já estavam criando um corpo para esse cérebro artificial que havia se formado. Esse corpo, juntamente com o cérebro, formou o que chamamos hoje em dia de Replai (Replicant Artificial Inteligence), que, logo após sua produção, teve sua capacidade colocada em teste: uma simples partida de xadrez onde a máquina fora mais que aprovada, pois além de ganhar o jogo, ela também conversou com seu adversário humano como se fosse um igual.

A notícia repercutiu pelo mundo todo. As ações da principal empresa por trás da criação dos Replais, a Fukushima enterprises, cresceram rapidamente, batendo qualquer expectativa. O cientista chefe inglês, Isaac A. Newman, líder do projeto, foi prestigiado com diversos prêmios e congratulações.

Poucos anos depois, vários modelos de teste foram criados e colocados nas ruas New York, para a manutenção e limpeza da cidade. Após três anos de testes, os androides mostraram incrível capacidade de apoio aos serviços humanos e foram remodelados para o comércio.

A versão comercial não custava muito caro e possuía uma incrível semelhança com os seres humanos por culpa de seu material (que se assemelhava incrivelmente com a pele humana, a não ser por uma tatuagem característica na região da face para reconhecer se aquele era humano ou não), motivo esse que acabou gerando certa polêmica, como a teoria de “termos criado versões escravas de nós mesmos”. Porém, a utilidade e acessibilidade que eles representavam extinguiu qualquer controvérsia que pudesse surgir. Afinal, eles podiam ajudar facilmente em tarefas de construção e de transporte, pois podiam levantar até 1400kg, o peso de um carro comum de hoje em dia, e correr até 80 km por hora em missões de resgate ou entrega.

Rapidamente o mundo se desenvolveu, e Newman estava tão orgulhoso e confiante com esse resultado, que chegou ao ponto de criar um androide especial, mais poderoso que qualquer outro. Seu principal diferencial era o livre arbítrio, coisa que os demais não possuíam, pois todos eram fadados a cumprirem exclusivamente determinadas tarefas ordenadas pelos seus donos.

Por medida de precaução, as diretrizes desse robô foram colocadas em avaliação por 5 anos, onde foram testadas sua confiabilidade e segurança, para eventualmente não colocarem uma máquina assassina nas ruas. Após esse período, ele finalmente fora colocado nas ruas.

Ano de 2045, Japão, Tokio.

Um menino, de aproximadamente 8 anos, brinca com uma menina na sala.

A menina grita em voz alta:

— Eu sou a Magatsu!— (Famosa heroína de um manga publicado nos últimos anos)

— Eu sou o Son Go... — Antes de terminar, o garoto é golpeado no rosto pela menina, caindo para trás. Uma brincadeira bem bruta por sinal.

— Karen, pare! Não bata no Kai! — Um empregado gritou ao longe, era um Defai de cabelos negros. — E brinquem lá fora!

— Culpa sua, molenga! — Karen exclamou ao seu colega — Vamos lá pra fora!—Completou.

As crianças então saíram do aposento. O lugar mais parecia uma mansão, era gigantesca. Quadra de esportes, piscina, coisas que eram felizes e tristes ao mesmo tempo, afinal, por motivos de segurança, eles não podiam se comunicar com as outras crianças na rua.

—Vamos continu...— Interrompendo-a desta vez, Kai a empurrou para longe no chão, usando a palma das duas mãos e gritando:

—Kamehamehaaaaaaaaaa...

Ela, que era pequena, caiu com o rosto no chão, onde uma gigantesca poça de lama havia se formado por conta da chuva passageira do dia anterior. Rapidamente, ela se levantou furiosa. — Pera ai! Trapaceiro! Não deveria bater em mim!

— Me... Me desculpe. Eu não controlei minha força! — A menina lhe deu outro soco, desta vez mais forte. — Só eu posso lhe bater! HAHAHA — O garoto a olha com uma cara confusa.

Enquanto brincavam, um carro, que parecia extremamente caro, estacionou em frente à mansão. Ao perceber, os olhos da menina, que eram de tom escuro, brilharam, se desligando completamente da brincadeira.

— Papai!

O homem que saiu do carro era o famoso Isaac A. Newman — Filha! Está brincando direito com seu irmão? Lembre-se, não quero que se machuquem. — Saudou o homem. Ele aparentava ter idade acima de trinta, barba grande, cabelos pretos e usava um óculos simples, com uma aresta preta padrão — Sim. Viemos brincar aqui fora, o x35 nos obrigou.

— Entendo. E quanto a você, Kai? — O rapaz se aproximou juntamente com sua amiga — Estou me divertindo também. HEHEHE!

Deixando as duas crianças, que retornaram a brincar, de lado, o homem se voltou ao robô empregado. — E como está o andamento do trabalho? — Perguntou.

— Está tudo certo. Ele consegue controlar os movimentos bem e tem total controle da força depois de termos colocado o sensor nele.

— Hmm, interessante. — Newman expressou um sorriso no rosto.

Notas finais
Agradecimento a Magatsu, que tanto me ajuda na parte da correção de erros da fanfic.