Rebelion: Era das máquinas
2 Capítulo 1 - O Replai errante
Capítulo 1
O Replai errante
Ano de 2045, China, Taizhou.
— Preparem-se tropa! Desceremos em 15 minutos. Vingaremos todos os cachorros que esses picas curtas comeram! — Um dos sargentos gritou.
Estavam chegando do alto mar, em missão de guerra, aproximando-se da costa em uma espécie de aeronave invisível. Era gigante, cabiam vários soldados dentro dela e, à medida que se aproximava da costa, o cenário tornava-se mais denso. Destroços, destruição, casas ruídas e seus estilhaços no chão: um verdadeiro cenário pós-apocalíptico.
Ao chegar ao ponto de encontro, o pequeno homem balbuciou mais algumas frases — Liguem as unidades XC33! — Referindo-se a uma linha nova dos vários modelos de Replais voltados para a guerra. Os soldados ativavam seus controles de 100 em 100. Existiam cerca de milhares, distribuídos em várias naves diferentes. — XC33 ativadas, senhor! —Gritou um soldado.
A medida que as máquinas ligavam, seus olhos inicialmente brilhavam com uma cor azul mas que logo se tornava totalmente vermelha – mediante suas diretrizes de combate – e, com isso, eram jogadas no terreno inimigo, com o objetivo de obliterar qualquer coisa que não se identifique como aliado em seu caminho.
Como “mini tanques de guerra”, essas máquinas destruíam tudo que podiam sem dó ou piedade, mas, por sorte, os civis da região já haviam sido avisados e foram todos evacuados rapidamente em uma operação de mais ou menos duas horas.
Além do cenário catastrófico que cobria toda aquela região, algo de errado estava acontecendo. Um pouco mais distante do combate, umas das máquinas estava com algum problema: por algum motivo, sua AI estava comportando-se de forma estranha, complexa, quase como se fosse uma mente humana. — Senhor! Algo está errado com essa máquina. Ela não está respondendo. — Disse um soldado próximo. — Apenas jogue-a lá. Se já deu o comando no controle, ela pode estar com algum delay. Já vi isso acontecer várias vezes. —Sem titubear, o rapaz acatara a ordem.
A máquina caiu, causando um impacto gigantesco no chão. Assim como as outras, ela se iniciou, mas seus olhos não ficaram vermelhos. Seriam suas diretrizes diferentes das demais? — Hmm?! Onde estou? O que houve? — O robô aparentava estar confuso. — O que é essa guerra frenética? Eles parecem comigo. Não... De alguma forma não são. — No momento que terminou a frase, uma bomba explodiu repentinamente ao seu lado, dando-lhe um susto — Tenho que sair daqui ou serei destruído junto com eles.
O androide correu, se afastando do combate o máximo que podia, até que encontrou uma casa, não muito segura, mas era o que podia utilizar no momento. Lá havia um espelho rachado, onde ele pôde olhar o reflexo de seu rosto e perceber também algo escrito em suas costas. Era uma tatuagem, onde se via escrito: “Uh papai chegou” — Ah, eu não mereço isso... — Deveras irritado, ele então apanhou uma pedra do chão e começou a raspar aquelas letras estilizada em seu corpo.
Ao longe, o soldado que lançara aquele androide em terra estranhou. Um dos radares detectava a distância da máquina do combate. Assim, ele relatou a seu superior. — Senhor, tem uma máquina fora do perímetro de combate! — E de contra resposta ele lhe respondeu — Então o que você está esperando para mandar um robô de reparos até lá?—
— Estão todos ocupados!
— Soldado Robert, então desça e veja o que há de errado com essa máquina. — O soldado entendera a ordem mas não achava muito inteligente a ideia de descer lá com vários possíveis algozes lhe circundando. Ainda assim, ele acatou a ordem sem titubear.
Ele então saltou da nave com um veículo – uma espécie de moto – que o camuflava, ela também possuía um radar que captava cada máquina nas proximidades e, com isso, ele voou por aproximadamente dez quilômetros até encontrar a tal máquina que, por conta do veículo peculiar, não podia detecta-lo. Próximo, o homem pegou o notebook que fazia o controle das máquinas e começou a mexer em sua programação a distância.
— Hmm?! O que é isso? Esses códigos não deveriam estar aqui. — O robô estava espantado, algo parecia mexer em sua mente e ele não sabia o que era. Com um súbito momento de desespero, ele começou a gritar ao nada. — Quem está ai? Por favor, não me apague!
Lá fora, o homem hesitou , assustado com o sentimentalismo estranho do androide. — Desculpe-me, mas eu preciso fazer. Estamos em guerra, se não for você, será meu país. — A voz era projetada, não teria como o robô descobrir de onde vinha o som.
O rapaz estava prestes a apertar o botão para compilar o novo código, mas, antes disso, uma máquina foi bruscamente jogada em cima de sua moto lhe projetando com violência do interior da moto para dentro do aposento. Era um androide chinês inimigo, pronto para matar. A máquina havia acabado de avistar o rapaz, agora desprotegido, sem sua moto e sua camuflagem.
Com malícia, o androide se aproximou dele pouco a pouco. No chão, o homem percebera que não teria como fugir. Disparou contra ele, mas não surtiu efeito, tentou correr, mas era muito mais devagar. O impacto acabara distanciando ele de seu notebook, o que o impedia de, pelo menos, reprogramar seu androide aliado. O rapaz então levou um golpe certeiro e desabou no chão como um saco de batatas, por sorte, próximo de seu notebook, mas já era tarde, não conseguia mais se levantar.
O robô chegava cada vez mais perto e com isso ele via seu fim. Mas, para sua surpresa, algo que ele não esperava aconteceu: o robô que outrora estava tentando apagar, apareceu desferindo um potente chute lateral pelas costas do inimigo, mais precisamente na nuca de seu algoz. O androide chinês voou para fora da casa com tamanho o impacto do golpe.
Por 4 segundos tensos, a face da unidade XC33 ficara voltada ao rapaz. O homem acompanhou seus movimentos: ele se aproximava cada vez mais, mas, ao chegar, o androide desviou só para apanhar o notebook ao seu lado. Ele mexeu nas configurações por alguns segundos e reprogramou-se ao seu modo, eliminando qualquer possibilidade de comando a distância e/ou interferência externas em suas programações.
Confuso, o rapaz lhe perguntou: — Por que me ajudou? Eu iria apagar você! — Já estava sentado, escorado na parede e sangrando pela boca. Serenamente, a máquina lhe respondeu: — Assim como você, eu só quero existir.
XC33 voltou a sua face para o robô chinês, que ainda não havia sido derrotado. Em sua memória, ele possuía vários tipos de registros de artes marciais, desde o Boxe, até as artes milenares como o wing chun. Sua guarda já estava levantada quando o androide rival veio em sua direção como um animal desenfreado. Mas antes que o androide chinês, que corria em alta velocidade, viesse a desviar, XC33 acertou-lhe mais um chute, desta vez um rotatório em sua face, fazendo-a se abrir e mostrar um exoesqueleto metálico. O inimigo ficou lento, aquele chute provavelmente teria quebrado algo importante dentro dele. E, com sua força, XC33 decapitou o androide chinês com um golpe final, salvando os dois, pelo menos temporariamente.
— Obrigado pela ajuda mas, infelizmente, vou morrer aqui do mesmo jeito. Minha moto quebrou e não tenho como sobreviver em uma cidade inimiga infestada de robôs. — Disse o rapaz.
— Não se preocupe. Acabei de mandar um chamado de emergência. Dentro de 10 minutos estarão aqui. Sugiro que se esconda até a ajuda chegar. —Respondeu o estranho robô.
O rapaz assentiu e se escondeu da melhor forma que podia nos escombros da casa, enquanto isso, a máquina se afastou, distanciando-se cada vez mais sem nem ao menos ser detectado pelo radar.
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