Reaprendendo a Amar
5 Conflitos Internos
Notas iniciais
Capítulo IV – Conflitos Internos
–Sabe quem é Scorpius Malfoy? – perguntou Rose tomando um gole de cerveja.
–O seu novo patrão? – arriscou Albus rindo.
–Que engraçado! – Rose colocou o copo na mesa e disse misteriosa: – Lembra-se do jardim de infância?
–Você está falando da escolinha? – perguntou Albus descrente, a prima concordou – Lembro e dai?
–Lembra que era eu, você, a Aileen, o Cade e outro garoto loirinho? – perguntou Rose, sua voz falhando ao falar o nome do amado.
–Mais ou menos Rosie. – disse o primo – Mas o que isso tem haver com o seu patrão?
–É ele, Scorpius Malfoy é aquele garoto. – esclareceu Rose.
–Sério? – Albus riu enquanto se levantava para abrir a porta, onde alguém batia ignorando a campainha.
–Sério. – respondeu Rose ainda esparramada no sofá.
–Rose minha flor mais linda! – cumprimentou Fred equilibrando uma pizza na mão.
–Deixa a Lily te ouvir falando isso. – respondeu a mulher enquanto recebia um beijo de Aileen.
–Falando em Lily, onde ela está? – perguntou a amiga se sentando no sofá e colocando os pés de Rose em seu colo.
–Em algum lugar do planeta terra eu espero. – respondeu Albus mordendo um pedaço de pizza.
–Ignore-o Ail, ele está engraçadinho hoje. – comentou Rose – Advinha quem é meu chefe?
–Tom Cruise? – arriscou Aileen recebendo um chute de Rose – Brad Pitt? Já sei, é o Homem de Ferro!
–O nome dele é... e você errou. – disse Albus.
–Para mim ele sempre vai ser o Homem de Ferro... ou o Edward Maos de Tesousa, mas...
–Eles não são a mesma pessoa Ail. – contou AL se contorcendo de rir no chao.
–Mentira! – disse a loira surpresa – Sério?
–Sério e não, não é ele meu chefe. Scorpius Malfoy, aquele menino loirinho que estudava com a gente no jardim de infância, lembra. – responde Rose ignorando a resposta de Ail.
–Quem? – perguntou Fred da cozinha.
–Você não vai lembrar. – respondeu Albus ligando a TV.
–Aquele que você deu seu primeiro beijo? – riu Aileen.
–Não dei meu primeiro beijo nele. – reclamou Rose chutando novamente a amiga. – Foi só um selinho. – ela se defendeu.
–Quer dizer que você está trabalhando de secretária para o seu antigo namoradinho? – perguntou Fred aparecendo na porta com uma cerveja na mão.
–Vocês são idiotas! – exclamou Rose jogando uma almofada nele enquanto Albus colocava o filme da noite.
... ... ... ...
Silêncio. Finalmente. Rose amava seus primos e seus amigos mais que tudo, principalmente por fazê-la se animar nas noites de sábado, mas tudo que ela queria era ficar sozinha em silêncio. E daí que não era saudável? E daí que ela precisava se distrair? Rose não se importava minimamente com isso. Ela só queria se enrolar nos seus cobertores e colocar uma das músicas horrorosas de Cade para tocar. Só isso. Nada mais, só queria ficar ali enquanto o final de semana passava e torcendo para a segunda-feira chegar de uma vez para ela ser obrigada a se levantar e ter alguma coisa para fazer que não envolvesse ficar se torturando com todos os ‘se’ que vinham a sua cabeça.
Depois do fiasco do primeiro dia, onde ela gritara com o chefe e quase batera no dono da empresa, Rose tinha se saído muito bem nos dias subsequentes. Principalmente por que ia dormir às quatro da manhã e acordava as seis, passava o dia todo no trabalho e quando chegava em casa, engolia qualquer coisa e passava o resto do tempo ocupando sua mente, no momento ela estava tentando aprender espanhol em um site muito promissor. Ela estava se saindo muito bem! Mesmo assim, era tão complicado que não lhe deixava tempo para pensar em banalidades e quando ela ia dormir, estava tão cansada que não tinha sonhos.
Já tinha uma semana que não sonhava que Cade entrava em casa sorrindo e a acordando – como tinha pedido para ele NÃO fazer – e acordava no meio de uma crise de choro. Era patético! Patético que mesmo depois de um ano ainda acordasse a noite chorando e chamando por ele. Ridículo na verdade. E um dos motivos para odiar dormir fora de casa, imagine que constrangedor se ela estivesse, por exemplo, na casa dos pais e acordasse a noite com o rosto molhado e o nome de Cade nos lábios? Rose sabia como isso era constrangedor, afinal, já tinha acontecido.
Então, sua nova rotina estava não apenas acabando com ela, como também acabando com os sonhos. “É um progresso”, dizia Rose a si mesma.
Portanto, quando às seis horas de segunda-feira chegou, Rose quase deu pulos de alegria. Nada mais de ter que ouvir aquelas músicas horríveis e se adormentar com os “se”. Ela até sorriu para uma vizinha ao sair de casa. Quando ocupou sua mesa aquela manhã, Rose estava tão aliviada por ter alguma coisa para fazer que nem se importou quando o mal-humorado do Draco Malfoy passou por ela sem cumprimentar.
–Bom dia Rose. – disse a voz do seu chefe, quando ela estava se levantando para pegar um café para si mesma.
–Bom dia. – respondeu ela, mas ao olhar o rosto dele, cheio de olheiras, viu que o que ele não teria, certamente seria um bom dia – Quer um café forte?
–Por favor. – respondeu indo para a própria sala.
Rose preparou dois cafés e foi em direção à sala de Scorpius.
–Obrigada, o que eu tenho para hoje? – ele perguntou assim que Rose colocou o café em cima da mesa.
–Uma reunião as 13h00min com...
–Deixa que eu adivinho? – pediu ele fazendo uma careta – Com o meu querido pai?
–Eu ia dizer presidente, mas acho que ‘querido pai’ também serve. – respondeu Rose fazendo com que ele desse um sorriso – E você tem que fazer o esboço daqueles papeis que eu te entreguei na sexta-feira para apresentar na reunião semana que vem.
–Ainda tenho muito tempo. – disse ele, tomando um gole do café.
–Leia os papeis Malfoy. – falou Rose como uma mãe que briga com o filho.
–Que papeis? – perguntou Scorpius.
–Esses papeis. – respondeu Rose apontando para a mesa dele, os papeis estavam no mesmo lugar que ela havia colocado na semana anterior.
–Tenho que ler isso tudo? – ele pegou o bloco que mais parecia uma bíblia completamente descrente.
–A ideia é essa. – falou Rose se sentando.
–Eu nem sei do que se tratam, não faço um esboço desde que sai da faculdade. – reclamou ele, com um olhar pidão em sua direção. – Será que você não podia falar que eu fui me suicidar e volto as 16h00min?
–Sem problema nenhum – Rose sorriu – qual o método dessa vez?
–Que tal... – Scorpius fingiu pensar – Morto de tedio. – dessa vez Rose riu, pegando os papeis da mão dele.
–Bem, eu dei uma lida numa cópia disso no final de semana e talvez eu possa fazer alguma coisa. – ela disse calmamente.
–Sério? – perguntou Scorpius.
–Claro que isso não seria de graça. – disse ela se levantando com os papeis em mãos.
–O que você quiser. – disse ele cheio de esperança.
–Eu vou cobrar. – Rose saiu da sala, com os papeis em mãos e pelas próximas horas se concentrou em fazer o esboço que já estava pronto em sua cabeça.
.:Scorpius:.
–Você entendeu o que tem que falar? – a voz de Rose o trouxe de volta ao presente.
–Será que você poderia repetir? – ele pediu tentando se concentrar de verdade no que ela dizia.
–Será que você podia pelo menos fingir que está prestando atenção? – ela pediu com raiva.
–Por que você não pode apresentar isso? – Scorpius perguntou afrouxando a gravata.
–Por que eu não sou o CEO dessa empresa. – ela respondeu simplesmente.
–Ah, então eu sou o CEO dessa empresa? – ele contra-atacou sorrindo – Rose eu não mando nem na minha vida, você acha que meu pai me deixaria mandar em um centímetro disso? – Scorpius fez um gesto abrangendo toda a sua sala.
–Eu sei, você sabe, mas os acionistas não sabem. – ela entregou o esboço para ele – Portanto, quando estiver lá, pelo menos finja que está interessado nisso. – Rose imitou o gesto dele.
–Mas eu não estou. – ele respondeu. Ela revirou os olhos, saindo da sala.
Scorpius estava trabalhando há exatos dois meses. Bem, trabalhando não era bem a palavra certa, ele comparecia a empresa todos os dias e cumpria seu horário, acenava quando seu pai falava como se estivesse entendendo tudo que ele dizia e assinava o que tinha que assinar, mas fora isso não fazia ideia do que acontecia com a empresa. Rose era quem cuidava de tudo, quem lia os contratos e fazia os esboços e planilhas para as reuniões. Scorpius só decorava o que tinha para falar e rezava para que ninguém perguntasse nada, mas em geral Rose fazia as coisas tão bem feitas que ninguém nunca tinha dúvidas.
Scorpius pegou o celular para jogar. Se não fazia nada na empresa, em compensação era o número um no Candy Crush... Abriu o Whatsapp, para uma rápida olhada, mas ao ver que Rose estava online, resolveu jogar em outra hora.
Scorpius Malfoy: Você não devia estar trabalhando? 16:06
Rose Weasley: Não, meu chefe é bem legal! 16:07
Scorpius Malfoy: Eu ouvi falar que ele é bem bonito. 16:07
Rose Weasley: Hahahaha, essas informações falsas!!! 16:09
Scorpius Malfoy: Que engraçada!
Vai trabalhar Weasley! 16:09
Rose Weasley: Caro Srº Malfoy, caso o senhor não se lembre, fui eu que desenvolvi a planilha que está em cima da sua mesa, planilha essa que o senhor deveria estar lendo nesse exato momento. 16:13
Scorpius Malfoy: Eu estou lendo! 16:14
Rose Weasley: Winky manda dizer que isso é impossível, uma vez que os homens não conseguem fazer duas coisas ao mesmo tempo. 16:16
Scorpius Malfoy: Fale para Winky que ela é uma traidora por te apoiar. 16:17
Rose Weasley: Nós, da classe do secretariado, temos que nos unir. Palavras da Winky. 16:18
Scorpius Malfoy: kkkkkk Quanta baboseira! 16:19
Rose Weasley: Eu também acho, mas não diga a Winky! 16:20
Scorpius sorriu balançando a cabeça. Nenhuma outra mensagem de Rose chegou, mas ela continuava online. Scorpius começou a conversar com Alika, aquela deusa havaiana! Como ele sentia falta dela, falta do calor dela... se tinha uma coisa que ele sentia falta era do calor! Ali era sempre tão insuportavelmente frio, principalmente àquela época do ano. Sim, Scorpius sentia falta do sol.
Scorpius Malfoy: O que vai fazer esse final de semana? 16:35
Rose Weasley: Por quê? 16:35
Scorpius Malfoy: Por que eu estou te devendo um ou vários favores e eu pensei em te convidar para sair. 16:37
Sim, aquela era uma boa forma de se aquecer. Scorpius estava tão incrivelmente cansado, que não lhe tinha sobrado tempo para nada que não fosse dormir quando chegava em casa e Rose parecia a pessoa certa para lhe esquentar. Ele não tinha esquecido como ela era atraente, na verdade isso seria bem difícil quando ele tinha que olhar para ela naqueles terninhos apertados todos os dias. Estava na hora de tentar alguma coisa, mas ele iria com calma. Não estava disposto a perder seu braço direito por uma noite de sexo.
Rose Weasley: Você podia me recompensar aumentando meu salário J 16:48
Scorpius Malfoy: Não seja pidona! 16:50
Ele riu com a evasiva dela. Ela era boa com as palavras, mas Scorpius era bom com as mulheres.
Scorpius Malfoy: Que tal um cinema? 16:51
Rose Weasley: Acho melhor não. 16:55
Scorpius Malfoy: Ah qual é Rose?! Sem segundas intenções, prometo! 16:56
É só para te agradecer pelo que você tem feito! 16:57
Rose Weasley: Se eu não aceitar vou ser demitida? 16:59
Scorpius Malfoy: Com certeza! 17:00
Scorpius estava digitando mais algumas linhas para convencê-la quando a porta se abriu e Rose entrou com as mãos cheias de papeis.
–Você é um chantagista, sabia? – ela atirou assim que fechou a porta.
–Sabia. – respondeu se divertindo com a cara de brava dela – Não vai ser um encontro, é só uma forma de agradecer.
–Eu já disse como você pode me agradecer. – ela lembrou, sem se deixar intimidar.
–Ah, vamos Weasley, nós saímos daqui e assistimos um filme, depois comemos alguma coisa e só isso. Nada mais que isso. – Scorpius colocou seu olhar mais sincero no rosto e tentou não rir. ‘Só isso’ era o que ele menos queria.
–Não tente dar em cima de mim. – disse Rose séria.
–E correr o risco de perder minha faz-tudo? De jeito nenhum! – Rose jogou a pasta que tinha em mãos nele e segurou o riso enquanto Scorpius se abaixava para não ser acertado – Como amigos, vamos?
–Convide a Winky se quer apenas agradecer favores. – ela resmungou.
–Tudo bem então. – ele respondeu se divertindo – Vou convidá-la, ela pelo menos vai aceitar.
–Ótimo. – Rose estava visivelmente aliviada.
–Mas se quiser pode ir, afinal a classe secretariada tem que estar unida. – disse Scorpius.
Dessa vez ele não conseguiu se desviar da pasta que acertou seu peito em cheio. Ele estava rindo quando Rose saiu da sala com cara de poucos amigos. Scorpius sorriu segurando a pasta contra si, mesmo que ela não tivesse aceitado, ele não iria desistir. Já que ele não podia ter Alika, podia se divertir tendo Rose.
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