Reaprendendo a Amar
6 Percepção Alterada
Notas iniciais
Capítulo V – Percepção Alterada
Scorpius assentia muito compenetrado no que o homem a sua gente dizia. Bem, na verdade ele estava compenetrado lembrando-se da noite inesquecível que tivera com Violet – era esse mesmo o nome dela? – a melhor noite em meses. “Desde que voltara para aquele país de gelo!”, pensou ele amargo. Quando estava no Havaí tinha várias, mas Alika... ah como aquela mulher era quente! Scorpius sentia falta dela, da pele morena, dos cabelos negros e do calor dela, era como abraçar o sol. Eles pegavam fogo juntos.
–Entende o que eu quero dizer Srº Malfoy? – perguntou Tom depois de mais de meia hora de monólogo.
–Claramente. – disse ele, como se tivesse escutado uma só palavra do que tinha saído da boca do futuro acionista. Bem, pelo menos ele tivera a maravilhosa ideia de trazer consigo um gravador, assim poderia entregar para Rose escutar e não precisava perder seu tempo com isso – Pensarei na sua proposta Srº Mulciber, assim que tiver uma resposta entrarei em contato.
Scorpius apertou a mão do homem e saiu do restaurante. O cara era um porre! Quando chegou ao escritório, o jovem quase sentiu-se feliz. Quase. Pelo menos não teria que aturar gente idiota o resto do dia e poderia pedir a Rose que escutasse a gravação, assim poderia convidá-la para sair mais uma vez. Se bem que ela nunca parecia empolgada com os convites, apenas revirava os olhos. Mas Scorpius gostava da dificuldade, além disso, Rose era uma visão!
–Boa tarde Rose! – cumprimentou ele assim que chegou ao escritório. Winky não estava na sua mesa, provavelmente estava na sala do pai.
O loiro esperou a resposta de Rose, mas ela continuava completamente alheia a tudo a sua volta. Scorpius cumprimentou de novo. Nada. Ela parecia estar no mundo da lua, olhava fixamente para um livro, sem esboçar qualquer reação.
–Rose. – chamou ele estalando os dedos a frente dela. – Weasley, terra chamando!
Rose suspirou fechando os olhos e Scorpius franziu o cenho. “O que diabos estava acontecendo com ela?”
–Rose. – ele tocou seu ombro levemente e ela pareceu despertar em um sobressalto.
–Que susto! – ela reclamou colocando a mão no peito. Scorpius notou que ela usava uma aliança. – Como que você chega assim do nada? – ela criticou.
–Tem meia hora que eu estou tentando chamar sua atenção. – ele arqueou uma sobrancelha.
–Sério? – ela perguntou, foi sua vez de franzir o cenho.
–Por que eu mentiria?
–Me desculpe. – ela respondeu alisando o livro em suas mãos – Eu estou um pouco distraída hoje.
–Eu percebi. – ele confessou – O que você tem?
–Não é nada. – ela desconversou, mas Scorpius viu ai uma ótima oportunidade de se aproximar, quem sabe se fingisse se interessar pelos problemas dela, Rose não abaixava aguarda e aceitava sair com ele?
–Ora Rose, você está dispersa o dia todo. – ele colocou um sorriso sutil nos lábios – Me conte o que é?
Bem, Scorpius tinha quase certeza do que era. TPM, Rose estava sensível, então nada melhor para acalmá-la do que uma longa e deliciosa noite de sexo. Era só dizer as palavras certas e teria aquela ruiva só para si.
–Não é nada. – ela repetiu, seus olhos estavam marejados.
–Se nada está te fazendo tão mal eu quero saber o que é. – ele colocou a mão por cima da dela, controlando o sorriso sacana nos lábios.
–Hoje é aniversário do Cade. – ela sussurrou novamente parecendo perdida em pensamentos.
Scorpius fez uma careta. Com toda certeza aquela não era a explicação que ele estava esperando.
–Ah – “Pensa seu idiota!”, ele sabia que teria que falar alguma coisa para conquistar a confiança dela e não podia perder a oportunidade – Por que você não vai visitá-lo então?
–Você está falando sério? – Rose olhou para ele, seus olhos marejados cheios de esperança.
–Claro. – Scorpius esboçou um sorriso – Tire o resto de dia de folga. Vá visitá-lo e desabafe um pouco essa angústia.
–Obrigada. – ela falou tão baixo que Scorpius quase não escutou. Em seguida, tão rápido quando conseguiu, pegou a bolsa e saiu lançando a Scorpius um sorriso que, apesar de triste, era totalmente verdadeiro.
O loiro ficou olhando a porta do elevador fechar e depois se virou para a mesa dela. Lá em cima estava o livro que ela lia tão compenetrada, Scorpius o pegou e abriu a página marcada, começando a ler as palavras.
Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios
Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador
Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos
Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz
Ele largou o livro na mesa dela entrando na sua sala e se amaldiçoando por ter lido aquilo, sentia-se cada vez mais estranho com os pensamentos que tinha de uma Rose nua gritando o seu nome. Tudo que ele menos queria era se sentir culpado por dormir com Rose. Por que, era obvio que ela ia acabar caindo no charme dele, era só uma questão de tempo.
–Onde está sua secretária? – a voz autoritária de seu pai o despertou de seus pensamentos.
–Eu a liberei o resto do dia. –respondeu encarando o poderoso chefão.
–Fez isso sem me consultar? – Draco rugiu e Scorpius respirou fundo para não brigar com ele.
–Ela é minha secretária, não achei que fosse necessário. – Scorpius respondeu.
–E por que decidiu que ela merecia ganhar à tarde de folga? – ele perguntou.
Scorpius odiava isso, como seu pai perguntava as coisas como se fosse o dono da razão e o fazia se sentir um menino que fora pego fazendo alguma coisa errada.
–Por que eu decidi assim. – ele respondeu sem se incomodar se estava sendo rude ou não – Por que ela é minha secretária e eu não precisava dela aqui hoje.
Draco o encarou, analisando o filho atentamente, Scorpius quis desviar o olhar, mas sabia que não poderia fazer isso, não se quisesse manter o mínimo de dignidade que lhe restava, então encarou seu pai determinado.
–Scorpius me escute. – o rapaz estranhou o tom do mais velho e o olhou desconfiado – Eu sei o apelo que certas mulheres têm e sei que essa menina pode ser muito atraente a seus olhos. Não me importo se você levar para cama todas as mulheres dessa empresa desde que o nome Malfoy Corporation não seja envolvido em nenhum escândalo. – Scorpius encarava seu pai em choque – Não me importo que queira se divertir, mas com essa menina não. Não esqueça seu sobrenome e tenha em mente, sempre, que o sobrenome dela jamais vai se misturar com o nosso.
Quando Draco saiu da sala a única coisa que Scorpius tinha na cabeça era descobrir o que o sobrenome dela tinha haver com toda aquela situação.
.:Rose:.
“-Queridos amigos – disse Hugo, vestindo aquela beca de formatura horrível – estamos aqui reunidos para celebrar a união desses dois apaixonados.
Rose não conseguia parar de sorrir, tanto que seus músculos faciais já estavam doendo. Em um momento de loucura ela se perguntou se poderia ter câimbra no rosto, mas logo esqueceu a pergunta quando a mão de Cade apertou a sua.
–Hoje é o dia que Caden e Rose escolheram para juntar as escovas de dentes, essa maravilhosa instituição também chamada é claro, de casamento. A partir de hoje, – Hugo olhou para o casal a sua frente intensamente e Rose sentiu mais vontade de rir – vocês vão descobrir os defeitos um do outro e vão querer se matar.
–Hugo! – a voz de Hermione se fez presente e os convidados riram aos sussurros.
–Mas é claro que com muito amor. – o mais jovem completou com a expressão séria – Pelos próximos 80 anos, você Caden vai descobrir que a mulher que está ao seu lado, também conhecida como minha irmã é uma louca metódica que arruma os próprios livros pela quantidade de páginas, toma leite, café e achocolatado misturado – ele fez uma careta – acorda num mal humor dos infernos e... – Hugo olhou para as pessoas sentadas atrás do casal, fazendo uma pausa dramática – Come sorvete com salgadinho. Junto.
Hugo olhou para Lily que estava em pé ao seu lado, se comportando como madrinha da noiva, arqueando as sobrancelhas. Lily o encarou sem entender nada, também arqueando as sobrancelhas, até se lembrar do que o primo tinha pedido para ela fazer.
–Ohhhhhh. – ela ressoou falsamente olhando para os conhecidos e fazendo um gesto para que todos a acompanhassem – OHHHHHH. – fizeram as pessoas que entenderam e que conseguiram parar de rir.
Cade estava quase convulsionando ao lado de Rose que tinha lágrimas descendo por seu rosto. Lágrimas não de emoção ou de alegria, mas sim de riso.
–E você, minha querida irmã – retomou Hugo quando as pessoas se acalmaram – vai descobrir que esse que ama é um preguiçoso que só acorda depois das duas da tarde, coloca a toalha molhada em cima da cama, toma leite direto da caixinha – Hugo fez uma careta como se ele mesmo não fizesse isso – e pasme minha irmã, esse homem que está do seu lado não abaixa a tampa da privada.
A multidão de parentes e amigos começou a rir, mas Rose não conseguiu decidir se fora pela cara de indignação que Hugo fez após o discurso ou pela caneta que ele jogou em Lily para que ela repetisse o coro de ‘OHHHHH’.
–Estão dispostos a passar por cima de todos os seus defeitos só para dividirem a mesma casa? – pergunta Hugo.
–Sim. – a voz dos noivos sai ao mesmo tempo.
–Tem certeza cara? – ele pergunta em um sussurro nada baixo para o futuro cunhado – A Rose é chata pra cara...
–Hugo! – Rose sorriu da mãe brigando com o irmão e olhou para Cade.
“Ele está tão lindo!” E dai que ele estava de jeans e uma camiseta branca? É dai que ela mesma estava em um simples vestido branco solto e na altura do joelho? E dai que todos estavam nos jardins da Toca e quem estava celebrando o casamento era Hugo? O que isso importava? Nada. A única coisa que importava para Rose é que ela estava casando com o homem que amava e que a amava também. A única coisa que importava era o sorriso gigantesco de Cade e sua mão apertando a dela.
–Eu tenho certeza absoluta. – disse Cade encarando Rose com aqueles olhos azuis que ela tanto amava.
–Se é assim... – Hugo suspirou e pigarreou fazendo-se importante – Caden Lewis Thomas você aceita como sua esposa Rose Juliet Weasley para amá-la, protegê-la e estar com ela em todos os momentos fazendo-a feliz e completa ao seu lado e sabendo que se não cumprir com a sua palavra e a fizer sofrer ela tem um irmão e dezenas de primos para quebrar a sua cara?
–Eu aceito Rose Juliet Weasley como minha esposa – disse Cade colocando a aliança na mão da menina – e prometo sempre amá-la.
–Rose Juliet Weasley, você aceita Caden Lewis Thomas como seu legítimo esposo, prometendo-lhe ser fiel e amá-lo incondicionalmente, mesmo sabendo que ele é chato pra cara...
–HUGO! – a voz de Hermione dessa vez estava embargada, percebeu Rose sorrindo.
–Caramba, eu ia dizer caramba mãe! – Hugo fechou a cara e olhou novamente para a irmã – Então Rose, você aceita esse pé no saco como seu esposo?
–Aceito hoje e sempre. – ela respondeu sorrindo enquanto colocava a aliança na mão de Cade.
–Então, hum... – o ruivo olhou para frente – Se tem alguém que é contra esse casamente fale agora ou cale-se para sempre. – várias pessoas riram, mas todas ficaram em silêncio – Ninguém? Tem certeza gente? Olha que eu vou confirmar hein!? – ele esperou mais um pouco – Dole uma... alguém?... dole duas...
–Hugo! – dessa vez não fora apenas Hermione, meia dúzia de pessoas exclamaram sua impaciência com o jovem Weasley.
–Só confirmando gente! – ele resmungou – Sendo assim, com os poderes a mim conferidos por ser o irmão da noiva eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva!
Rose se virou para Cade. Eles sorriram, tão felizes que não cabiam em si. Ali estavam eles, casados, mesmo com todo o protesto da família de ambos. Mesmo com todos os “Vocês são jovens demais!” e “Como vão se sustentar se acabaram de sair do colegial?”... eles se amavam e não importava o que os outros diziam, Cade sabia que Rose era a mulher da sua vida e que iria amá-la até seu último suspiro.
–Hi Rose e Cade agora não vão fazer nada de divertido! – resmungou Fred quando já estavam festejando. Rose se encontrava aninhada nos braços do marido.
–Como é Fred? – perguntou Rose arqueando uma sobrancelha.
–Uê o que mais podemos esperar de dois loucos que se casam aos 18? – ele riu sendo acompanhado por outros amigos.
–O que mais podemos esperar da vida? – perguntou Cade antes que Rose tivesse a chance de revidar e então olhou nos olhos da amada tão profundamente que Rose se sentiu corar – A eternidade. É o que nos espera.”
... ... ...
Eram as palavras que estavam no túmulo de Cade... ‘A Eternidade. É o que nos espera’... e conforme Rose passava os dedos delicadamente em cima de cada letra todo o seu controle foi se esvaindo e foi dando lugar a um desespero tão forte que ela se sentiu sufocar.
Como ela podia contar a Cade que estava trabalhando há quatro meses com aquele garotinho do jardim de infância? Como poderia dizer a ele que apesar de tudo estava gostando do trabalho? Como podia dizer como estavam as pessoas e a vida quando tudo que ela queria era os braços dele a sua volta?
E olhando para o túmulo a sua frente Rose não conseguiu se controlar, era queria abrir aquela tampa e sacudir Cade até que ele acordasse. Ela queria gritar para ele que aquilo não tinha graça nenhuma, ela queria ser capaz de trazê-lo de volta a vida, por que sem ele Rose não tinha mais motivo para continuar vivendo. Então, quando deu por si, ela estava gritando a plenos pulmões o nome de Cade.
–Rose. – a voz perturbada de alguém chamou seu nome, mas a ruiva não soube identificar quem era – Rose querida, controle-se!
–Não! – gritou Rose, sua garganta doía e quando a pessoa a levantou do chão, ela se perguntou quando tinha caído se não tinha sequer notado – NÃO... – ela gritou mais alto quando se viu sendo arrastada para fora do cemitério, para longe do túmulo de Cade – Não, me solta! Cade, não!!!
–Rose se acalme! – a jovem encarou a mulher que tentava fazê-la voltar a si e finalmente a reconheceu.
–Natalie – Rose abraçou a mulher tão forte como se tivesse abraçando o próprio Cade.
–Sente-se aqui querida. – ela escutou a voz do pai de Cade e só então se deu conta que já estava no estacionamento.
–Candece querida, vá dar uma volta com seu pai. – disse a mãe de Cade para a filha mais nova.
Candy deu um abraço em Rose, e saiu em seguida. Dean tinha os olhos úmidos quando, seguindo o exemplo da filha deu um abraço em Rose e saiu, deixando a mulher e a nora sozinhas.
Os olhos de Natalie eram os mesmos de Cade, assim como os cabelos.
–Você não pode continuar assim Rose. – começou Natalie deixando Rose completamente perdida.
–Do que você está falando? – a ruiva perguntou vendo um pequeno corte em sua mão.
–De você se comportando como uma viúva amargurada. – Natalie fixou seus olhos azuis em Rose e a mais nova se sentiu corar sob o peso do olhar da sogra – Rose... – a mulher segurou a mão de Rose – você acha que eu deixei de ser mãe por que o meu filho morreu? – ela perguntou com a voz embargada.
–Não. – respondeu a ruiva.
–Então por que você deixou de ser mulher? – atacou Natalie.
–Você quer que eu esqueça o Cade e seja feliz? – ela perguntou sem se dar conta do tom irônico que estava usando.
–Eu quero que você esqueça o Cade e seja feliz. – concordou a mulher.
–Natalie, você tem noção do que acabou de me falar? – perguntou Rose transtornada – Você é a mãe dele, você devia ser a primeira a não querer que eu me envolva com ninguém e...
–Eu não estou pedindo que você saia com qualquer um. – ela interrompeu – Eu estou dizendo que, como mãe do Caden, estou te libertando da obrigação de ser a eterna viúva do meu filho. Eu, como mãe dele, posso te libertar disso, sem me importar com que os outros falem, então Rose, não precisa mais sofrer diariamente. Eu deixo você ser feliz, eu quero que você seja feliz, assim como o Cade também quer, aonde ele está eu sei que ele quer.
–Você não pode falar isso para mim. – disse Rose entre as lágrimas – Eu não quero... não consigo ser feliz sem o Cade.
–Claro que consegue querida. – Natalie limpou as lágrimas de Rose com o polegar e sorriu em meio as próprias lágrimas – O Cade sempre vai estar nos nossos corações e eu não estou te pedindo para que você o esqueça, mas você tem o direito de ser feliz e agora eu estou te dando a obrigação de ser feliz.
Ser feliz era uma coisa que Rose achava impossível, contudo iria tentar. Não por si própria, não porque Natalie pedia, mas por Cade, por Cade Rose iria tentar.
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