ReallityMe
1 O lançamento
17 de Dezembro, 2057
"Hoje, um dia mais que inesquecível, o dia em que entraremos no mundo 3D, graças ao casal Maxellim Smith e Rebecka Wallm." Dizia uma projeção 3D, mal feita e com chiados na sala de casa de cada telespectador com uma teve e o adaptador X912 para projeções. Nada havia superado esse projetor... até esse dia. Rebecka, com seu jaleco branco, ao lado do Dr. Max. Soavam radiantes em cada palavra dita. Suavam muito. Estavam tão nervosos quanto os espectadores ansiosos pela chegada do mais novo projeto 3D, o RealiltyMe. O nome poderia soar um tanto quanto bobo, mas fazia todo o sentido. Com o RealityMe, era possível sentir, cheirar e até apalpar o que fosse que estivesse na sua frente. Coisa jamais feita antes. Alguns já tentaram essa proeza, mas nada que desse certo. O L119 matou de intoxicação um menino de 9 anos, que foi usado como cobaia. O iReal deixou algumas pessoas cegas e outras com problemas no cérebro, complicações gravíssimas, o que quase levou a Apple a falência. Mas... O que o ReallityMe tem que os outros não tiveram? "Uma nova tecnologia e desconhecida anteriormente, estamos prestes a acordar o mundo novamente." Dizia Max, com seu olhar penetrante.
Max era jovem, tinha 27 anos e era um gênio. Alto, cabelo bem aparado e com gel, olhos castanhos claros e um sorriso de paralisar qualquer um. Tinha cursado um dos melhores cursos do MIT, na área de tecnologia e vem se aperfeiçoando desde que se formou. Foi o aluno que obteve mais destaque, o que chamou atenção de Rebecka. Ela era sua professora de Engenharia de Software e de alguns de seus cursos extra-curriculares. Um pouco mais velha que Max, com 33 anos, tinha um longo cabelo liso, sempre amarrado num perfeito rabo de cavalo, olhos de ameixa preta, bochechas rosadas e lábios reforçados pelo provocante batom vermelho. Eles se conheceram quando Max, curioso por demais, resolveu pesquisar afundo uma série de sistemas com linguagens antigas, quem nem se usam mais. Ela o chamou para almoçar em sua casa, Rebecka adora cozinhar e cozinha belamente. No dia ela fez bifes de frango fritos, com verduras ao molho de milho e arroz branco. Conversaram a tarde inteira e numa das trocas de olhares, eles souberam. Subiram o quarto e fizeram amor, Max ainda era virgem, Rebecka achou engraçado mas o ensinou como fazia e logo já estava experiente. E foi assim ao longo dos anos, ela o ensinava e ele aprendia, tão bem quanto ela.
Agora, lá estão eles. Juntos, orgulhosos um do outro e felizes, tinham concluido a obra de suas vidas, iam ser lembrados por mais de uma geração, por todas as gerações seguintes. E era isso o que queriam.
– Fomos muito alem, mais alem do que qualquer ser humano já foi. Utilizamos metodos novos, criamos e reinventamos. Estamos um passo a frente de tudo o que conhecem e jamais conhecerão. — Dizia Max, enquanto Rebecka o olhava, estava feliz por dentro e por fora. Como ele fora maravilhoso com ela todos esses anos, como foram feitos um para o outro, como são fortes e indestrutíveis juntos.
Para demonstração, eles usaram, a partir das memórias de um dos repórteres, a imagem de um de seus cachorros falecidos. Todos se espantaram na perfeição e nitidez, era um cachorro de verdade. Alguns levantaram de seus lugares e foram passar a mão no cachorro, ela incrível. Todos os aplaudiram de pé. O repórter, dono do cachorro, o abraço e sorriu, chorou, se emocionou com a perfeição em que foi reproduzida o seu fiel companheiro. Todos que estavam em suas casas ficaram encantados, como poderia alguém aparecer com uma maravilhosa invenção dessas?
Na sala da diretoria da Pollyster & CIA, empresa criadora do X912, o Sr. Marick Pollyster, um homem gordo e rude, com seus quase 60 anos, que precisa de ajuda de uma cadeira flutuante para se locomover, estava possesso de raiva. Como poderia alguém acabar com meu império? Pensava o Sr. Pollyster. Durante anos ele tentou — e conseguiu — derrubar todos os seus adversários. Adulterando resultados, fórmulas, pesquisas... Ele foi o responsável por todos os crimes e estava sendo investigado, mas até o momento não havia nenhuma ligação dele com os casos. E dessa vez não seria diferente, mas teria que tomar cuidado. O detetive Hawlsk estava a procura de qualquer brecha que pudesse por o gordo do Pollyster na cadeia. E a hora seria essa. Pensou Hawlsk, enquanto estava na delegacia, junto com o seu grupo de pesquisadores, comemorando quase que uma vitória. Estavam todos felizes e sorridentes.
– Sr. Max, e quando estará disponível para compra? — Perguntou uma voz feminina ao fundo.
– Daqui uma semana, estamos apenas terminando a fabricação e alguns ajustes finais. Mas logo cada um poderá ter o seu! — Disse Max.
– E quanto custará? — Perguntou o jornalista ao lado da mulher que tinha acabado de perguntar.
– Bom, ainda não sabemos ao certo, mas o custo de criação é baixo e queremos que todos tenham uma realidade melhor, porque precisamos de dias melhores.– Nesse momento, a entrevista acabava, todos se levantam e o aplaudem de pé, enquanto o casal saia do palco, contentes e com um sorriso de orelha a orelha. Correram para a limosine e foram direto para o hotel em que estavam hospedados. A suite era de luxo e tinha uma cama maravilhosamente confortável, onde passaram as próximas horas, fazendo amor, conversando e, por fim, dormindo. Mal sabia Rebecka, que essa seria sua última noite juntos.
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