Realidade em conto de fadas
5 O enlace
Notas iniciais
– Hummmmm, está muito bom! – Fala Benjamim olhando para mim.
– Que bom que gostou. Esta receita é famosa em nossa família, vamos dizer que é uma receita que contém ingredientes secretos que só é passado de geração em geração a uma mulher escolhida. – Diz minha mãe sorrindo para todos.
– Ou você pode pesquisar na internet! – Fala Meu pai ironicamente.
Todos começam a rir, e de repente meu pai começa com suas piadas. – Isso vai demorar – pensei comigo mesma.
Já era quase 9 e meia da noite, e Benjamin começa a ficar nervoso. De repente ele se levanta da mesa e pergunta aos meus pais:
– Gostaria de levar sua filha ao cinema! Os senhores me permitem? – Fala Benjamin educadamente.
– Não acha que é tarde para ir ao cinema Benjamin?! Em uma hora dessas não deve ter mais sessões! – Fala meu pai.
– Na realidade pai, a última sessão começa às 11h e 30 m! Por favor! – Eu falo ao meu pai carinhosamente, afinal sei como conquista-lo.
– Está bem minha filha! Juízo viu! Não me faça se arrepender! – Ele fala para mim. Eu sei que papai está preocupado, ansioso, nervoso, afinal tudo isso é novidade para ele!
Esse convite de Benjamin além de inesperado é muito curioso, eu nem imagino qual seja o plano dele, só sei que posso esperar grandes coisas vindas da parte dele.
Eu seguro nos braços de Benjamim e nós seguimos até a porta, eu me despeço dos meu pais e vou em direção a um carro preto, que aliás é muito lindo como Benjamin. Antes de chegarmos perto do carro ele se vira para mim e diz:
– Espero que goste da surpresa – ele abre a porta do carro para mim entrar – Você não vai se arrepender.
– Tudo bem então – eu digo entrando no carro – Confio em você.
Ele fecha a porta, vai para o seu lado do carro, senta e começa a dirigir. Enquanto ele dirigia começou a falar.
– Que tipo de filme você gosta? – Falou ele olhando rapidamente para mim e voltando a prestar atenção no transito.
– Todos os tipos de filme, menos terror. Não sei porque mas não suporto coisas assustadoras.
– Então você nunca irá gostar de mim.
– Porque diz isso?
– Porque eu sou assustador, não sou normal. Se você me entende?!
– Tenho certeza de que você não é assustador, e também tenho certeza de que não precisa se preocupar em ser “normal” afinal, nem eu sou normal. As pessoas classificam umas às outras como se tivessem o poder de julgar, mas elas não têm.
– Que tipo de “normal” você acha que eu sou então?
– Nunca pensei que houvesse tipos de “normais” afinal ninguém é igual a ninguém para se auto denominar “normal”.
– Acho melhor mudar de assunto.
– Concordo plenamente.
– Então Safira, Como você se imagina daqui a cem anos?
– Não sei como vou estar daqui a cem anos!
– Você e eu tivemos uma ligação?
– O que seria a ligação para você? – Perguntei um pouco envergonhada, percebi que quando me perguntou ele também hesitou para falar.
– Sei lá, nem sei por que perguntei sobre isso. – Ele falou de cabeça baixa.
– Acho melhor você prestar atenção no transito se não vamos bater.
– Não confia em mim?
– Confio
– Você confia o suficiente para guardar um segredo?
– Sim, mas você não acha cedo para segredos?
Ele me olhou com um sorriso malicioso, meu palpite que está imaginando algo, mas não perguntei sobre isso.
– Já ouviu falar em amor à primeira vista?
– Sim, mas fico pensando em como as pessoas são extremamente confusas em relação ao amor.
– Por que diz isso?
– As pessoas falam em amor à primeira vista, porém admitem que o amor é cego.
– E?
– As pessoas dizem que se amam a se olharem, e como pode acontecer isso se o amor é cego? É como se elas olhassem, mas não pudessem ver.
– É um pouco confuso, eu admito.
– Mas – Eu hesitei um pouco ao completar a pergunta, mas olhei nos seus olhos e continuei – Você já se apaixonou?
– Acho que chegamos! – Ele estacionou o carro e apontou para o cinema.
– Chegamos mesmo! – Falei um pouco decepcionada, precisava da resposta.
Ele saiu do carro e abriu a porta para mim, ele estendeu a mão para mim e me ajudou a sair do carro — como se eu precisasse de alguma ajuda – pensei comigo. Ele foi tão cavalheiro comigo. Nós fomos até a bilheteria e escolhemos uma comédia romântica. Nós esperamos um pouco na fila, mas nada que estressasse.
– Que tipo de pipoca você gosta? – Ele perguntou para mim enquanto segurava minha mão.
– Doce e você?
– Doce é minha favorita também.
– Perfeito! – Eu exclamei.
– Então está decidido. – Ele me olhou empolgado – Uma pipoca gigante doce.
Ele pediu uma pipoca gigante para nós dois e um refrigerante para cada um, achei esse gesto fofo. Logo após da compra dos ingressos e da comida fomos em direção a sala onde começará o filme, nos sentamos e começamos a assistir ao filme. Em várias ocasiões durante o filme nossas mãos se encontravam quando tentávamos pegar mais pipoca, nós nos olhávamos e sorriamos. Nas partes românticas do filme eu apoiava meus braços na cadeira e assim Benjamin colocava sua mão em cima da minha, fazia carinho, as vezes ficávamos com nossos dedos entrelaçados e nos olhávamos, chegávamos muito perto um do outro, mas sempre eu me distanciava, acho que não era o momento.
Quando o filme acabou e as luzes acenderam ele se levantou e estendeu a mão, eu a segurei. Naquele momento aquele simples toque significava o mundo para mim. Nós saímos da sala de mão dadas, com dedos entrelaçados e com vontade de nunca mais largar.
– Gostou do filme? – Perguntou Benjamin.
– Achei interessante, só que... – Por um instante eu hesitei – Gostaria que fosse real sabe.
– Real como?
– Gostaria que tudo que aconteceu no filme acontecesse de verdade. Só que as chances de acontecer são uma em um milhão. Sei que é só um filme, mas ele despertou um desejo estranho em mim que não consigo explicar.
– Não é só um filme, é uma história. Os atores por mais que estivessem interpretando viveram essa história. – Ele parou e olhou para mim, nós já estávamos fora do cinema. – E eu também gostaria que acontecesse, que tudo fosse real.
– E você acha que é possível?
– Acho, não sei se exatamente igual ao que aconteceu ali no filme, mas acho que pode acontecer algo parecido – Ele falou e continuamos andando em direção ao carro. Quando chegamos no carro ele como sempre abriu a porta para mim entrar e logo em seguida também entrou pelo outro lado. Antes de dar a partida no carro ele se virou para mim e disse:
– Gostou da noite? – Ele olha profundamente nos meus olhos – Quer dizer ... – Ele hesita, mas continua – Você faria isso de novo?
– Eu me diverti muito hoje
– E? – Ele perguntou curioso.
– E ... – Eu hesitei – O que importa?
– Tudo Safira.
– Tipo? – Eu parecia ingênua demais.
– Se você gostou podemos fazer isso mais vezes. – Ele chegou mais perto de mim – Não acha?
– É claro que eu gostei, Benjamim – Eu disse – Espere – Agora caiu a ficha – Isso é um convite?
– Talvez – Ele chegou mais perto ainda e colocou uma de suas mãos no meu rosto e a outra colocou meu cabelo para atrás – Se permitir. – Acho que entendi suas intenções e tenho que admitir que estava ficando assustada.
Eu havia beijado garotos antes, só que já fazia algum tempo e como dizem que a pratica leva a perfeição, eu não tenho muita prática, na realidade eu acho que tinha, mas acho que esqueci. Complicado.
– Se você me permitir – Eu disse chegando mais perto. Ele dá um sorriso sedutor, fecha os olhos e eu faço o mesmo. Eu apenas sinto o toque dos seus lábios e começo a esquecer de tudo. Eu não me lembrava como era bom beijar, estranho, pois, eu nunca senti muita vontade de fazer isso. Eu sigo em movimentos leves e delicados. Acho que isso torna o momento especial. Ele se afasta um pouco e eu abro os olhos. Me deparo com um olhar profundo que me toca na alma.
Quando nós estávamos nos beijando é como se completássemos um ao outro, acho que é por causa da ligação, apesar de eu não ter certeza se ele é um imortal. Minha conclusão sobre tudo isso é confuso, totalmente confuso.
– Então? – Ele diz quebrando o silencio e olhando a hora no seu celular – Está tarde, aliás muito tarde.
– Obrigado pela noite. – Eu digo me ajeitando no assento do carro e olho para a frente e ele faz o mesmo.
– Quando quiser – Ele diz sorrindo, como eu sei disse? Eu olhei de canto dos olhos para ele que estava com as mãos no volante olhando para frente.
– Se depender de mim, quando podemos sair de novo? – Eu me viro de novo para o lado.
– Quando quiser – Ele se vira também – Que tal ... Amanhã?
– Amanhã tem aula!
– Eu sei disso, mas eu estou falando depois da aula. – Ele pensa um pouco e depois continua – Que tal um piquenique depois da aula, a tarde você está livre né?
– Sim, mas que horas Benjamim?
– Pode me chamar de Bem!
– Tudo bem, que horas Bem?
– Assim está melhor – ele fala – Que tal as três e meia no parque?
– Tudo bem, só que tenho que admitir que eu nunca fui em um piquenique e nem tenho as coisas para um piquenique. – Eu disse um pouco pensativa em dizer – O que eu tenho que levar?
– Nada – ele falou empolgado – Deixe tudo comigo e compareça perto da fonte na hora marcada que estará ótimo.
– Tudo bem, mas eu ainda vou te ver na escola?
– Talvez, não tenho certeza – Ele falou – tenho algumas coisas para resolver amanhã, então não estranhe se eu não for. Tudo bem?
– Claro, então vamos para minha casa? – Acho que não era isso que eu queria dizer, eu gaguejei um pouco mas continuei – quer dizer ... me leve ... quer dizer ... você entendeu! – Eu disse envergonhada.
– Sim entendi – ele disse rindo, ele estava se divertindo com tudo aquilo o que me deixou com mais vergonha ainda. – Eu te levo sim, seus pais devem estar pirando.
– Ai meu Deus! – Coloquei minhas mãos na cabeça, como eu havia me esquecido – Acho que eles tão mais que pirados, eu vou matar meus pais! – Comecei a rir de mim mesma e Benjamim fez o mesmo.
– Então vamos – Ele disse ao dar partida no carro, sem antes botou o sinto de segurança em mim e nele é claro. Não quero esquecer essa noite. Minha alma agora está em paz, apesar de tudo ser rápido demais.
Quando chegamos na frente da minha casa ele desligou o carro e se virou para mim como se pedisse um beijo de despedida. Foi o que aconteceu. Dessa vez foi doce e um pouco mais demorado, tenho que admitir mais nada além de meus limites que eram muitos. Logo após do beijo de despedida eu sai do carro com um sorriso e me despedi com um gesto com a cabeça. Eu sou estranha.
Amanhã ele não ia para a aula e eu decidi que também não ia em poucos segundos. Quando eu cheguei em casa meus pais estavam dormindo, eu acho, pois quando eu entrei a casa estava silenciosa, mais ou menos.
Quando eu cheguei no meu quarto minha irmã estava deitada na minha cama lendo um livro. Quando ela me viu deu um sorrisinho sacana no rosto. Estava tão na cara assim?
– Me conte tudinho – Ela disse sentando na ponta da cama rapidamente e colocando o seu livro ao seu lado – Quero saber dos mínimos detalhes.
– Posso ao menos trocar de roupa? – Perguntei tirando meus sapatos e pegando o pijama com a minha mão. Eu tinha sido rápida ao andar. – E alias eu não quero te contar. – Eu disse já dentro do closet.
– Como assim? – Ela disse levantando-se e indo na minha direção – Eu sou sua irmã.
– Não quero te contar hoje – Eu disse enquanto colocava o pijama e minha irmã estava me olhando.
– Safira – Resmungou Elena. Ela não vai me deixar dormir.
– Elena – Resmunguei também. Terminando de colocar o pijama me sentei de frente a minha penteadeira e comecei a escovar meus cabelos e depois a tirar a maquiagem – Está tarde Elena, eu só quero – Falei depois de um tempo de silencio – Descansar.
– Mas – Antes de ela terminar sua frase fiz um gesto com as mãos fazendo ela se calar – Tudo bem, você não confia em sua irmã mesmo.
– Elena para de fazer pirraça, entenda meu lado – Eu disse me virando para ela e ainda penteando meu cabelo – Estou cansada, o dia foi longo. Poxa! Poderia entender meu lado e me deixar em paz por um segundo, agora eu só quero deitar na minha cama e dormir como uma condenada. – Parece que ela entendeu.
– Tudo bem, Boa noite – Ela disse se retirando do closet e eu só ouvi a porta do meu quarto fechar.
Eu queria dormir, mas era para sonhar mesmo. Acho que o dia não foi o suficiente, eu precisava ver o seu rosto de novo e saber o que ele irá dizer a mim. Se ele aparecer, pois tem essa probabilidade de não acontecer.
Eu termino de pentear os meus cabelos e tirar minha maquiagem aos suspiros, longos suspiros. Eu me dirijo a minha cama e acendo as pequenas luzes de decoração e apago as luzes do meu quarto. Sempre que eu fazia isso parecia que eu tinha um céu dentro do meu quarto. Minha mãe havia colado alguns adesivos a alguns meses atrás no meu teto, eles eram florescentes e quando ficava escuro eles acendiam fazendo com que estrelas aparecessem no meu lindo teto azul bebe. Eu amo minha vida, em partes.
Eu me ajeito entre os cobertores, pois ainda que esteja quente o ar condicionado deixa o ambiente sempre em uma temperatura média onde nunca é frio ou quente demais. O clima do meu quarto está perfeito para dormir, mas o clima da minha mente está bem diferente. Agora que eu consegui despachar minha irmã para meus pensamentos entrarem essa noite será longa.
Como os seus lábios eram macios e eu sentia que estava voando. Seus cabelos eram perfeitos, mil vezes perfeitos. E daí veio a pergunta que desapareceu por instantes da minha mente: Ele é imortal? Ele tem que ser imortal para ocorrer a ligação? Ele sente o mesmo por mim? Que problemas ele vai resolver amanhã? Eu devia me importar com isso? Estou ficando louca? E a mais importante: será que perdi algum pedaço da minha alma enquanto não completei a ligação? Será que tem algum efeito colateral essa ligação? Conclui que preciso perguntar para minha mãe.
Eu sei que foi dois dias, mas todo cuidado é pouco, e alias como minha mãe soube tão rápido o que tinha acontecido, eu duvido que seja só pela minha cara, isso eu tenho certeza. E sabe de outra coisa que eu tenho certeza? Estão me escondendo muitas coisas sobre o que está acontecendo, acho que até Benjamim mesmo eu conhecendo ele há dois dias mais profundamente. Profundamente? Eu já o conhecia de vista, pois ele era da outra sala e eu e ele sempre estudamos no mesmo colégio em salas diferentes, até dois dias atrás. Isso não é possível. Isso é um plano do universo, uma pegadinha. E agora eu tenho a curiosidade de saber das minhas origens, de saber porque eu sou assim. E tenho certeza absoluta que eu vou descobrir.
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