Notas iniciais
Esse capítulo foca mais na Renata. Espero que gostem.

A garota insistia, mas sem resultado nenhum. Esperou uns dez minutos e tentou novamente. Conseguiu. Agora que finalmente estava livre ela iria para casa descansar e meditar sobre esse dia emocionante e louco, sobre os novos amigos que conhecera, a briga com a Roberta, o garoto que ela gostou (Nick), etc.

Porém, ao sair, Renata viu algo que lhe chamou a atenção — uma garota idêntica a ela — alta, morena, olhos verdes, pele clara, cintura fina, etc.

— Hey, garota, qual é o seu nome? — Perguntou Renata, se aproximando.

A menina não respondeu, olhou assustada para ela, largou a bolsa no chão e disparou a correr.

— Espere aí, eu preciso falar com você um minuto!

A garota não parou, continuo correndo e atravessou a rua tão rápido que quase foi atropelada pelos carros. Renata fez o mesmo.

— Eu só quero conversar. Por que você está fugindo? — Ela tentou.

A garota corria muito rápida. Renata já estava ficando ofegante. A menina então entrou no meio de uma multidão. Renata entrou junto, abrindo espaço com os cotovelos.

— Com licença, com licença, desculpe. — Ela dizia enquanto empurrava as pessoas.

Ela se livrou da multidão e pode ver a garota correndo. Tomou um impulso e foi atrás dela. Correu intensamente por quase dois minutos até que tropeçou em um relevo da calçada e levou um tombo. Caiu com força no chão e ralou o joelho esquerdo. Quando viu, a garota já tinha sumido.

Com muito esforço, Renata se levantou. Foi ajudada por um casal que caminhava com um cachorro.

— Você está bem? — Perguntou a esposa.

— Sim, obrigada.

— O seu joelho está sangrando. — O marido apontou.

— Isso não é nada. Eu vou ficar bem. Obrigada. — Renata disse isso e foi embora, tirando um lenço da mochila para limpar o sangue.

Ela não sabia para onde ir. Já havia passado por lá de carro algumas vezes, mas tinha um péssimo senso de direção. Estava perdida. Renata sentou-se na escadaria de uma loja, pegou o seu galaxy s4 e, com a ajuda de um aplicativo, calculou o caminho mais próximo até ou seu apartamento. Feito isso, foi embora.

Seu apartamento não estava muito longe. Era só virar a esquina, atravessar a rua, virar à direita e ir reto. Ela só pôde ir com a ajuda do aparelho porque sempre se confunde com aura do lugar, que está em constante transformação.

A ferida já não sangrava mais, o que foi um alívio para ela. Para as pessoas normais, aquilo era apenas um líquido vermelho escuro saindo de dentro da perna dela, mas para Renata não era só isso, era sua vida escorrendo em forma de líquido. Se estivessem lá, Nick veria hemácias, plasma, plaquetas e leocócitos vazando dela; Elena provavelmente iria oferecer ajuda e Alan pensaria que ela se esqueceu de usar absorvente.

Enquanto isso, Nick estava em casa, no computador, investigando a vida da Renata nas redes sociais. Não havia nada muito interessante para ver. O perfil era modesto; a única coisa que lhe chamou a atenção foi uma foto dela de biquíni na praia, que recebeu mais de vinte curtidas. Apesar de rica, Renata não postava fotos de joias caras, comidas exóticas nem de roupas novas.

Depois de algumas horas seu celular tocou. Além de o toque ser barulhento, o celular vibrava e isso fez com que o garoto se assustasse. Era a Elena ligando.

— Oi, Elena.

— Nick, você está muito ocupado agora? — Perguntou a garota, com a voz meio fraca.

— Não, não. Pode falar.

— É que eu não estou me sentindo muito bem.

— O que você está sentindo?

— Uma dor de cabeça in-su-por-tá-vel. Parece que a minha cabeça vai rachar no meio!

— Já contou isso para os seus pais?

— Eles não estão aqui, vão fazer plantão no hospital hoje. Mas a minha mãe mandou eu tomar um remédio aqui.

Nick não era médico, não sabia bem o que fazer para ajudar a amiga, mas não podia deixa-la na mão.

— E você tomou? — Perguntou ele.

— Sim, e não funcionou. Olha, Nick, isso não é só dor de cabeça comum. Eu estou tendo várias visões, todas embaralhadas e confusas. Não sei o que fazer.

— Quando isso começou?

— Eu estava vendo aquele anime do qual eu havia te falado, aí sem querer eu vi como que ele acaba. Depois disso comecei a ter um ataque de visões.

— Tente não pensar em nada.

— Não pensar em nada?

— Sim. Isso mesmo.

— Tem certeza que vai dar certo?

— Nenhuma, mas não custa tentar. Qualquer coisa você me liga de novo.

— Tá, obrigada.

— De nada. Até amanhã.

— Tchau. Beijos.

Ele não sabia se o que falou daria certo, mas fazer o quê? Não era médico como os pais dela e não estava esperando uma ligação daquela. Aquilo foi estranho, mas agora Nick só queria dormir em paz.

No dia seguinte foi para escola, como sempre. Lá reencontrou seus amigos e a garota que acabara de conhecer.

Renata estava sentada conversando com mais outras três garotas da turma. Era a mais bonita entre elas, apesar do uniforme limitar um pouco a beleza.

Nick a cumprimentou com um beijo no rosto; para as outras apenas sorriu e disse oi.

Depois foi falar com o Alan. Os dois se cumprimentaram como sempre, com alguns tapas nos ombros.

— E aí, Alan, beleza?

— Beleza, e você?

— A Elena te falou do que aconteceu com ela ontem? — Perguntou Nick.

— Ela me mandou uma mensagem, e eu disse para ela ligar para você, mas agora ela já está melhor.

— Que bom.

— E o que você vai fazer no feriado? — Perguntou Alan.

— Qual, o do final do mês?

— Não o outro, depois desse.

— Não sei. Por quê?

— Eu vou para aquela casa de praia da é da minha família. O meu irmão vai levar a namorada e a minha mãe deixou eu chamar alguns amigos. Por que você não vai? Eu já combinei com a Elena, só falta você.

— Fechou! Vou só avisar o meu pai.

— Aí sim! Não vejo a hora de subir na prancha, tomar sorvete, afogar você e a Elena...

— Hahaha, me afogar o caramba. Eu sei nadar, tá? — Disse Nick.

— Huhum, da última vez tivemos que chamar a salva vidas, lembra?

— Nem lembro. Faz tanto tempo.

— Lembra sim, eu sei.

— Você está espionando a minha mente?!

— Você é quem está dizendo. — Respondeu o Alan, cínico.

— Que seja. A Elena chegou. Vou lá falar com ela sobre ontem.

— Tá. Vai lá.

Notas finais
Deixem reviews.