Realidade Estranha
2 O dom de Renata
Notas iniciais
Nick: Então não vamos deixa-la ir a um lugar alto, pronto.
Alan: Renata, por que você não nos conta o que está pensando?
Renata: Como assim?
Alan: Como você já deve saber, eu não sou normal, pois leio mentes. Eu não consigo saber o que a pessoa sente, e só posso ler alguns tipos de pensamentos, tipo quando alguém está fazendo uma conta, lendo um livro ou tomando alguma decisão. É difícil, ora pego só parte do raciocínio, ora interpreto errado, fora que eu tenho que manter a minha mente vazia para ler a de alguém.
Eu sei que você é como nós, sei que está escondendo algo. Nós já te contamos nossos segredos, nos conte o seu agora.
Renata: Segredo? O que, por exemplo?
Nick: Você vai responder logo vai responder com outra pergunta?
Renata: Como assim? Eu não estou entendendo vocês.
Elena: Não precisa falar se não quiser, mas amigos de verdade sempre contam tudo uns para os outros.
Renata: Então já somos amigas? Que ótimo...
Nick: De novo.
Renata: Tudo bem, eu falo, mas vocês juram que não contam a ninguém?
Nick: O seu segredo só vai estar 100% seguro se estivermos todos mortos, mas vamos nos esforçar.
Elena: Que horror, Nick!
A aula de matemática acabou e o professor de história ainda não chegou. Durante a troca de aulas, Renata aproveita a oportunidade para contar o seu segredo aos novos amigos enquanto o resto da turma está distraído, fazendo uma competição de luta, que por acaso a Roberta está vencendo todos os garotos.
Renata: Eu vejo coisas que vocês não veem.
Alan: O Nick também vê isso. Se você joga uma bola para o alto, ele consegue ver a parábola que ela fez, e nem por isso ele faz tanto drama assim.
Renata: Não é isso, é outra coisa.
Alan: A Elena também vê o futuro, e daí?
Renata: Também não é isso.
Alan: Ah, eu sei o que é. O Nick também vê isso, mas eu não podia imaginar que uma garota como você via esse tipo de coisa.
Nick: Será que você pode deixar ela terminar de falar?
Renata: Eu vejo a felicidade, a tristeza, a dor de uma pessoa; vejo a morte iminente; vejo coisas que não são reais; quando algo está faltando ou sobrando; vejo quando alguma coisa está errada e coisas que não existem.
Elena: Vê a morte iminente? Você também é uma vidente?
Renata: Não, não sou. O que vejo é diferente e difícil de explicar.
Alan: Vê a felicidade, a tristeza, a dor de uma pessoa. Você não é a única que pode perceber sentimentos.
Renata: Ver é diferente de perceber. Quando alguém está feliz, vejo uma aura alegre, colorida e dançante a envolvendo, por exemplo.
Nick: O que quis dizer com coisas que não existem?
Renata: Significa que eu vejo e interajo com coisas que não fariam sentido a vocês. O vento, a água, a morte, a vida, o Sol, a Lua, a saudade, enfim, são como pessoas para mim. Uma vez pedi para a saudade me deixar esquecer o meu periquito que fugiu.
Nick: E deu certo?
Renata: Não, ela ficou morando na minha casa por uma semana, o que só piorou a situação até que eu comprei um novo e ela foi embora.
Nick: Que demais! Você é incrível, Renata.
Alan: O que mais você vê? Radiações eletromagnéticas? ETs?
Renata: Olhe, eu não quero mais falar disso. Vamos arrumar as carteiras antes que o professor de história chegue?
Elena: Gente, gente, a Roberta vai quebrar o braço do Lucas agora se não fizermos nada!
Nick: Eu vou lá resolver isso.
Renata: Não, deixe que eu vá. Já estou de saco cheio dessa garota.
Renata se levantou e foi para o fundo da sala, onde viu Roberta e Lucas lutando. A garota se divertia torturando ele com golpes de jiu jitsu, ele estava sofrendo e vários garotos ficavam olhado, alguns até filmando. Renata se aproximou, mas teve medo de levar um chute na cara. Ela tentou chamar a atenção deles, mas ninguém a ouviu, as pessoas só ficavam gritando: “Soco na cara!”, “Chute!”, “Dedada!”, “Voadora!”, etc. Roberta provocava dizendo que ele não é homem o suficiente para vencê-la; foi então que Renata tirou uma buzina do bolso e apertou bem forte para o alto.
Biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Roberta: O que foi isso?! A gente podia ter ficado surdo!
Renata: Vocês quase se mataram!
Roberta: Tivemos olho roxo, dentes quebrados, hematomas, algumas coisas fraturadas, outras esmagadas, mas nada de morte aqui.
Renata: Olhe só para você, uma garota decente não deve se comportar assim.
Roberta: O que é, hein? Você acabou de chegar aqui e acha que tem o direito de dizer como as pessoas podem ou não agir? Tá a fim de trocar de lugar com o Lucas?
Renata: Violência é para os fracos, que não conseguem resolver seus problemas de forma civilizada.
Roberta: Eu vou te mostrar quem é o fraco aqui!
Roberta então parte para cima de Renata com um soco;
Renata segura o braço de Roberta e a faz dar um mortal em direção ao chão e a imobiliza.
Roberta nunca se sentiu tão humilhada em sua vida, a sala inteira, até seus amigos, comemorou a sua derrota, até que o inspetor chegou.
Inspetor: O que está acontecendo aqui?! Vocês não podem ficar sozinhos por um minuto que já fazem essa bagunça! Ei, você, solte essa garota agora e venha comigo para a diretoria!
Nick: Se ela não tivesse chegado a tempo, a Roberta teria machucado o Lucas. Eles estavam brigando a um tempão, você deveria agradecer a Renata por ter feito o seu trabalho. A Roberta é que partiu para cima dela e ela só se defendeu.
Inspetor: O professor de história não veio hoje, vocês estão dispensados. Lucas e Roberta, vocês dois ficam.
Dispensados, alguns foram para casa, outros foram ao shopping e também tiveram os que ficaram na escola, como Renata, Nick, Elena e Alan. Elena tinha combinado de mostrar a escola para Renata, e essa era a melhor oportunidade para fazer isso, pois sem a aula de história teriam tempo de sobra para conhecer detalhadamente todas as salas, corredores, andares e passagens secretas desse enorme colégio.
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