Realidade Estranha
3 Conhecendo a escola
Notas iniciais
— Você viu como a Renata luta bem? Tem certeza que vai querer ficar com uma garota mais forte do que você? — Disse Alan, brincando.
— Ela é boa mesmo, mas essa briga poderia ter sido evitada. Ela não pode chegar assim, comprando briga com todo o mundo. Estou preocupado com ela. — Respondeu Nick, enquanto se preparava para beber seu refrigerante.
— E o pior é que ainda tem a visão da Elena.
— Sim, isso é o mais grave. Vamos ter que protegê-la.
— Talvez seja melhor falarmos com os pais dela, ou com a polícia. — Respondeu Alan, com a boca cheia.
— E o que iremos dizer? Que a nossa amiga vidente teve uma visão em que a Renata morria? Nós somos adolescentes, Alan, ninguém acredita em nós.
— Você sugere o que então?
— É o seguinte: na saída eu e ela vamos juntos para casa, assim eu a protejo e vejo o que ela acha que vai acontecer; você e a Elena vão juntos para as casas de vocês, e se a Elena tiver alguma visão, ela me conta.
— Boa ideia, cara. Sabe, eu estive pensando nestes dias, o mundo parece que está ficando cada vez mais estranho; semana passada eu vi eu um coelho comendo um animal morto, sendo que coelhos são herbívoros!
— Tem certeza? Será que não era um cachorro?
— Não, era um coelho mesmo!
— Nossa, que peculiar. — Disse Nick, entediado, com a cabeça apoiada na mão esquerda.
— Nós também não somos muito normais, só o fato de existirmos já prova que tem algo de errado acontecendo!
— Eu penso diferente. Acho que não somos os únicos especiais, talvez haja outras pessoas como nós, pessoas que ainda não conhecemos. — Respondeu, arrumando o cabelo loiro.
— Por que você acha isso? — Alan questionou.
— Pense comigo: mais de 7,5 bilhões de pessoas no mundo, fora as que já morreram, por que só nós seríamos diferentes?
— Ah, sei lá. — Insistiu Alan, inclinando-se para trás.
Os garotos ficaram no restaurante, conversando sobre vários assuntos, esportes, garotas, televisão, comida, games, etc. Enquanto isso, Renata e Elena se aventuravam pelos corredores da escola.
— Como você já deve estar ciente, aqui é o pátio. — Disse Elena, mostrando o enorme pátio para Renata.
O chão pátio era de ardósia; o pé direito (teto), alto; havia bancos espalhados, onde estudantes conversavam alegremente; havia murais, portas, corredores e escadas por ele. O pátio dava acesso a quase todas as partes da escola.
As garotas continuaram andando.
— Eu iria perguntar aonde você quer ir primeiro, mas você vai querer ir ao jardim. — Disse a vidente.
— Você acertou! — Respondeu Renata, espantada.
— Chegamos.
— Que lindo! — Disse Renata, admirada com as flores, os arbustos bem cuidados, a grama verde e uma queda d’água.
— O seus olhos estão azuis ou é impressão minha? — Elena duvidou.
— Eles sempre ficam assim na luz.
No jardim também tinha bancos, onde os casais se beijavam e tocavam serenatas em seus violões. Por ele, poderiam ir ao prédio da engenharia, ao estacionamento, a uma das saídas, ao teatro, ao ateliê e à quadra. Passaram em frente ao prédio da engenharia.
— Aqui fica quem faz engenharia.
— Podemos entrar?
— Não, mas enquanto ninguém falar nada... — Disse Elena, com um sorriso maldoso.
Elas entraram no prédio, despercebidas pelos futuros engenheiros civis, que desenham plantas e faziam cálculos.
— Esses desenhos são perfeitos! — Exclamou a morena, olhando para alguns trabalhos expostos na parede.
— Sim, mas você ainda não viu os quadros que o pessoal de artes faz.
Passaram rapidamente pela engenharia elétrica e foram embora, com medo de serem pegas.
— Vamos ao estúdio de arte? — Perguntou Elena.
— Demorou!
No caminha Renata percebeu que estava faltando um brinco na orelha da amiga.
— Cadê o seu brinco, Elena?
— Ele caiu quando eu estava no corredor e não consegui mais encontrar. Parece até que evaporou!
— Em que corredor foi?
— O que usamos para chegar à sala.
— É que eu me esqueci de te contar uma coisa...
— Tudo bem, conte agora.
— Tem um buraco de minhoca no corredor. É bem pequeno, quase imperceptível, em uma rachadura minúscula no piso.
— Então essas coisas existem mesmo...
— Sim, existem.
— Você podia ter me avisado. Era um brinco de ouro que eu ganhei do meu pai de aniversário.
— Foi mal, desculpa! É que eu estava tão preocupada com a minha morte que um buraquinho de minhoca acabou passando despercebido! — Renata falou brava.
— Desculpe, não foi sua culpa e eu não queria tocar no assunto da sua morte para não te deixar ainda mais assustada.
— Nós temos que falar sobre isso. É importante.
— Certo. O que você pensa em fazer?
— Primeiro eu preciso da sua ajuda para descobrir uma coisa. Você poderia ver onde eu vou almoçar?
— Eu posso tentar, mas não sei no que isso vai ajudar.
— Só faça, por favor.
Elena então coloca as mãos na testa, fecha os olhos, se concentra e diz:
— Você vai comer no restaurante que fica na rua debaixo. Hoje eles vão servir lasanha. — Disse Elena, com água na boca.
— Bom, a única forma de pagamento minha é o meu cartão de crédito.
Dito isso, Renata tirou seu cartão de crédito da bolsa e quebrou-o ali mesmo e jogou no lixo.
— Não acredito que você fez isso! Era um cartão dourado ilimitado! Você sabe como é difícil ter um desse?! Poderia ter dado a mim se não quisesse!
— Calma, Elena. Depois o contador do meu pai faz um novo para mim. Agora se concentre em ver novamente o que eu vou almoçar.
— A mesma coisa, lasanha ao molho vermelho, no restaurante da rua debaixo. Pare de me fazer ficar vendo essas coisas, já estou ficando com fome.
— O futuro não mudou. — Disse Renata, decepcionada e triste.
— O que você queria fazer? — Falou a amiga, com pena.
— O futuro deveria ter mudado, o cartão era a única forma de eu pagar a comida. Se o futuro não muda é porque tem algo errado acontecendo. Tente de novo, por favor. Pode ser que você não tenha se concentrado direito.
— Eu disse o que vi. Você vai comer no mesmo lugar.
— Não pode ser, não pode ser. — Renata repetia para si mesma, nervosa e preocupada.
— Será que você não tinha mais dinheiro na bolsa?
Renata abre a bolsa e começa a vasculhar. Não encontra nenhum dinheiro, mas o cartão que acabara de quebrar estava lá, intacto, guardado no mesmo bolso em que se encontrava antes de ela ter tirado. A garota deu um grito e derrubou a bolsa no chão, não acreditava no que estava acontecendo, ou melhor, não queria acreditar. Aquilo era simplesmente o seu pior pesadelo se tornando realidade, e uma realidade bem estranha, que seria melhor se não acontecesse.
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