Notas iniciais
Espero que gostem.
O capítulo está falando bastante sobre comida, mas eu não tive escolha.

— Você está bem, está ficando branca?!

— Eu só preciso de um pouco de ar. — As palavras quase não saíram.

— Nós já estamos ao ar livre. Sente-se aqui, nesse banco, que eu vou pedir ajuda.

— Não precisa, fique aqui. — Renata disse, se recuperando.

— Você pode me explicar o que aconteceu? Eu estou muito confusa.

— É o destino, Elena, ele voltou.

— Como assim? Não estou entendendo nada.

— Todos nós nascemos com o livre arbítrio, com o poder de tomar as nossas próprias decisões e mudar o nosso futuro.

— Sim, eu sei disso. — Cortou.

— Acontece que nem sempre foi assim. Acredita-se que um ser alegórico, conhecido como Fate, que nasceu provavelmente junto com o Universo, começou a observar os seres humanos, a se interessar pela vida deles e, por isso, passou a nos dominar.

— Então ele controla a nossa vida.

— Sim, nós éramos como que escravos dele, todo o nosso futuro já era pré-determinado. Até que um dia apareceu um mago chamado Raimundo, que selou o Fate um cristal que escondeu e nos devolveu a capacidade de fazer o nosso próprio futuro. Pelo menos é isso que diz a lenda.

— E o que aconteceu com o mago? — Perguntou Elena, curiosa.

— Ele foi muito elogiado pelos reis e pelas pessoas da época, foi um grande herói. Não me lembro muito bem dessa parte, mas acho que ele já era rico e depois de famoso ficou ainda mais rico.

— Que bom que esse mago consegui selar esse Fate. Devia ser um mago incrivelmente poderoso!

— Sim, mas por algum motivo, alguém mal intencionado, com uma capacidade além do normal, reviveu a criatura. A única coisa que eu não entendo é como ainda consegui escolher que tênis iria usar hoje.

— Talvez o Fate não esteja cem por cento revivido. Ele deve estar meio fraquinho por enquanto, por isso ainda podemos tomar algumas decisões. — Disse Elena.

— Faz sentido o que você disse, então é melhor eu agir rápido, antes que ele fique mais forte.

— Eu vou te ajudar, Renata. Pode contar comigo com qualquer coisa que precisar.

— Obrigado, mas eu não quero te envolver nisso, é muito perigoso.

— Então o que vai fazer? Como vai parar essa criatura?

— Eu quero ficar cara a cara com ele, vou enfrenta-lo, pois, ao contrário de você, eu não tenho nada a perder.

— Então por que você ficou passando mal agora pouco, se não tem medo dele?

— Porque se eu fosse me jogar da ponte, ou alguém fosse me empurrar, se ainda tivéssemos o livre arbítrio, seria fácil de reverter a situação. O Fate é poderoso, enfrenta-lo vai ser arriscado.

— Como você vai fazer isso? Como vai encontra-lo?

— Eu ainda não sei. Por que você não me diz?

— Ok.

Elena então fechou os olhos e se concentrou, forçou a visão e se esforçou, mas não conseguiu.

— Não dá. Eu estou com muita fome. De barriga vazia não consigo ver nada.

— Eu também estou com fome. Vamos comer?

— Vamos, vamos ao restaurante daqui mesmo. Os garotos estão lá também.

— Por mim tudo bem. É uma pena que não conseguimos ver o colégio todo.

— É. E eu nem consegui falar das passagens secretas.

— Sério? Agora eu fiquei curiosa. Da próxima vez que um professor faltar você me fala?

— Claro, pode deixar.

— Elena, eu queria te pedir para não contar nada aos garotos por enquanto.

— Pode deixar, da minha boca não sai uma palavra.

As garotas saíram de perto do estúdio e foram para o restaurante, onde estavam os garotos. A entrada do restaurante ficava no pátio, mas uma parte dele “invadia” o jardim, de forma que quem as pessoas se sentiam dentro dele quando estavam almoçando.

— Até que enfim vocês chegaram! — Disse Alan, olhando para as garotas.

— E nem deu para vermos tudo. — Respondeu Elena.

— Vocês já almoçaram? — Perguntou Renata.

— Sim, mas eu vou repetir. Preciso matar a saudade do hambúrguer daqui. É melhor do que o de qualquer fast food. Por que vocês não experimentam?

— Vou comer aqui também. E você, Renata, onde vai almoçar? — Perguntou Elena.

— Já que estamos aqui, vai pode ser aqui mesmo. — Afirmou Renata.

De repente, ela teve uma sensação estranha, como se algo tentasse impedi-la de fazer a própria vontade.

— Pensando bem, acho que vou ao restaurante da rua debaixo. — Renata disse isso e tapou a boca com a mão, pois as palavras saíram sozinhas.

Ela então virou as costas e começou a andar, andava contra a sua própria vontade. Era como se as suas pernas tivessem criado desejo próprio e não quisessem mais responder aos comandos dela. Para quem via era uma cena um tanto engraçada, parecia que era de propósito, ou que ela não sabia para onde ir. A cena era semelhante a uma foto tirada do ex-presidente Jânio Quadros.

Renata acabou indo. No começo até tentou resistir, mas essa força que a dominava era mais forte do que ela. Por fim, acabou cedendo.

Na escola, seus novos amigos estanharam a reação.

— Ela não tinha acabado de dizer que iria comer aqui? — perguntou Nick, esperando o lanche.

— Ela vai comer naquele restaurante que fomos no dia da última prova de geografia, lembra? — Disse Elena.

— Acho que lembro, mas por que não aqui?

— Hoje eles servem lasanha. O meu lanche está pronto, vou lá pegar. — Afirmou Elena, se levantando.

— Pensei que essas garotas bonitas e esbeltas como a Renata e a Elena vivessem fazendo dieta. — Disse o Alan.

— Vai ver ela faz academia depois da aula.

— Cheguei. — Disse Elena, trazendo uma bandeja com um sanduíche light de salmão defumado. — O seu já é o próximo. — Continuou, olhando para o Nick.

Enquanto isso Renata chegava a onde suas pernas a levaram. Não mais resistia, mas se perguntava por qual motivo aquilo era tão importante, que diferença faria na sua vida.

Ela até gostava de lasanha, mas sempre evitava ingerir alimentos calóricos e cheios de gordura, por isso preferiu uma salada. Agora é possível notar que a garota tomou uma decisão, pois decidiu o que iria pedir.

Renata se sentiu livre novamente para fazer o que quisesse, mas logo depois tentou sair do local e não consegui. Era como se houvesse uma parede invisível bloqueando sua passagem, e apenas a sua, pois as outras pessoas podiam entrar e sair livremente.

Notas finais
Não vejo a hora de escrever o próximo capítulo. Vocês vão descobrir o motivo de esse restaurante ser tão importante para o futuro dela.
Deixem reviews e digam com qual personagem vocês se identificam/gostam mais.
No próximo vamos falar de algo que não seja comida. Me sinto empanturrado só de escrever sobre isso.