Realidade Estranha
4 Conspiração
Notas iniciais
O capítulo está falando bastante sobre comida, mas eu não tive escolha.
— Você está bem, está ficando branca?!
— Eu só preciso de um pouco de ar. — As palavras quase não saíram.
— Nós já estamos ao ar livre. Sente-se aqui, nesse banco, que eu vou pedir ajuda.
— Não precisa, fique aqui. — Renata disse, se recuperando.
— Você pode me explicar o que aconteceu? Eu estou muito confusa.
— É o destino, Elena, ele voltou.
— Como assim? Não estou entendendo nada.
— Todos nós nascemos com o livre arbítrio, com o poder de tomar as nossas próprias decisões e mudar o nosso futuro.
— Sim, eu sei disso. — Cortou.
— Acontece que nem sempre foi assim. Acredita-se que um ser alegórico, conhecido como Fate, que nasceu provavelmente junto com o Universo, começou a observar os seres humanos, a se interessar pela vida deles e, por isso, passou a nos dominar.
— Então ele controla a nossa vida.
— Sim, nós éramos como que escravos dele, todo o nosso futuro já era pré-determinado. Até que um dia apareceu um mago chamado Raimundo, que selou o Fate um cristal que escondeu e nos devolveu a capacidade de fazer o nosso próprio futuro. Pelo menos é isso que diz a lenda.
— E o que aconteceu com o mago? — Perguntou Elena, curiosa.
— Ele foi muito elogiado pelos reis e pelas pessoas da época, foi um grande herói. Não me lembro muito bem dessa parte, mas acho que ele já era rico e depois de famoso ficou ainda mais rico.
— Que bom que esse mago consegui selar esse Fate. Devia ser um mago incrivelmente poderoso!
— Sim, mas por algum motivo, alguém mal intencionado, com uma capacidade além do normal, reviveu a criatura. A única coisa que eu não entendo é como ainda consegui escolher que tênis iria usar hoje.
— Talvez o Fate não esteja cem por cento revivido. Ele deve estar meio fraquinho por enquanto, por isso ainda podemos tomar algumas decisões. — Disse Elena.
— Faz sentido o que você disse, então é melhor eu agir rápido, antes que ele fique mais forte.
— Eu vou te ajudar, Renata. Pode contar comigo com qualquer coisa que precisar.
— Obrigado, mas eu não quero te envolver nisso, é muito perigoso.
— Então o que vai fazer? Como vai parar essa criatura?
— Eu quero ficar cara a cara com ele, vou enfrenta-lo, pois, ao contrário de você, eu não tenho nada a perder.
— Então por que você ficou passando mal agora pouco, se não tem medo dele?
— Porque se eu fosse me jogar da ponte, ou alguém fosse me empurrar, se ainda tivéssemos o livre arbítrio, seria fácil de reverter a situação. O Fate é poderoso, enfrenta-lo vai ser arriscado.
— Como você vai fazer isso? Como vai encontra-lo?
— Eu ainda não sei. Por que você não me diz?
— Ok.
Elena então fechou os olhos e se concentrou, forçou a visão e se esforçou, mas não conseguiu.
— Não dá. Eu estou com muita fome. De barriga vazia não consigo ver nada.
— Eu também estou com fome. Vamos comer?
— Vamos, vamos ao restaurante daqui mesmo. Os garotos estão lá também.
— Por mim tudo bem. É uma pena que não conseguimos ver o colégio todo.
— É. E eu nem consegui falar das passagens secretas.
— Sério? Agora eu fiquei curiosa. Da próxima vez que um professor faltar você me fala?
— Claro, pode deixar.
— Elena, eu queria te pedir para não contar nada aos garotos por enquanto.
— Pode deixar, da minha boca não sai uma palavra.
As garotas saíram de perto do estúdio e foram para o restaurante, onde estavam os garotos. A entrada do restaurante ficava no pátio, mas uma parte dele “invadia” o jardim, de forma que quem as pessoas se sentiam dentro dele quando estavam almoçando.
— Até que enfim vocês chegaram! — Disse Alan, olhando para as garotas.
— E nem deu para vermos tudo. — Respondeu Elena.
— Vocês já almoçaram? — Perguntou Renata.
— Sim, mas eu vou repetir. Preciso matar a saudade do hambúrguer daqui. É melhor do que o de qualquer fast food. Por que vocês não experimentam?
— Vou comer aqui também. E você, Renata, onde vai almoçar? — Perguntou Elena.
— Já que estamos aqui, vai pode ser aqui mesmo. — Afirmou Renata.
De repente, ela teve uma sensação estranha, como se algo tentasse impedi-la de fazer a própria vontade.
— Pensando bem, acho que vou ao restaurante da rua debaixo. — Renata disse isso e tapou a boca com a mão, pois as palavras saíram sozinhas.
Ela então virou as costas e começou a andar, andava contra a sua própria vontade. Era como se as suas pernas tivessem criado desejo próprio e não quisessem mais responder aos comandos dela. Para quem via era uma cena um tanto engraçada, parecia que era de propósito, ou que ela não sabia para onde ir. A cena era semelhante a uma foto tirada do ex-presidente Jânio Quadros.

Renata acabou indo. No começo até tentou resistir, mas essa força que a dominava era mais forte do que ela. Por fim, acabou cedendo.
Na escola, seus novos amigos estanharam a reação.
— Ela não tinha acabado de dizer que iria comer aqui? — perguntou Nick, esperando o lanche.
— Ela vai comer naquele restaurante que fomos no dia da última prova de geografia, lembra? — Disse Elena.
— Acho que lembro, mas por que não aqui?
— Hoje eles servem lasanha. O meu lanche está pronto, vou lá pegar. — Afirmou Elena, se levantando.
— Pensei que essas garotas bonitas e esbeltas como a Renata e a Elena vivessem fazendo dieta. — Disse o Alan.
— Vai ver ela faz academia depois da aula.
— Cheguei. — Disse Elena, trazendo uma bandeja com um sanduíche light de salmão defumado. — O seu já é o próximo. — Continuou, olhando para o Nick.
Enquanto isso Renata chegava a onde suas pernas a levaram. Não mais resistia, mas se perguntava por qual motivo aquilo era tão importante, que diferença faria na sua vida.
Ela até gostava de lasanha, mas sempre evitava ingerir alimentos calóricos e cheios de gordura, por isso preferiu uma salada. Agora é possível notar que a garota tomou uma decisão, pois decidiu o que iria pedir.
Renata se sentiu livre novamente para fazer o que quisesse, mas logo depois tentou sair do local e não consegui. Era como se houvesse uma parede invisível bloqueando sua passagem, e apenas a sua, pois as outras pessoas podiam entrar e sair livremente.
Notas finais
Deixem reviews e digam com qual personagem vocês se identificam/gostam mais.
No próximo vamos falar de algo que não seja comida. Me sinto empanturrado só de escrever sobre isso.
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