Real Love 2.0
14 Descobrindo o passado. Parte 1
Notas iniciais

Miguel estava incrivelmente entediado. Seus pais haviam viajado, sua irmã estava ocupada dando atenção a Liam e por fim, seu primo e melhor amigo, Danny, havia viajado para Europa afim de estudar.
Não tinha nada interessante para se fazer, a não ser ler. E disso ele realmente gostava.
Estava decidido então. Iria para a biblioteca do castelo.
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Sebastian já estava há dois anos em Beacon. Mas ainda era difícil lembrar que todo seu reino, seu povo e seus familiares haviam sido destruídos. O pior de tudo era o fato de ele não saber o por quê.
Sempre ouvira de seus pais e de sua ama, que seu povo tinha uma pequena rincha com os lobisomens, mais não entendia o motivo. Isso nunca lhe fora contado. E entendia menos ainda, o fato de seus pais sempre lhe aconselharem a procurar o rei Derek, que ele sabia claramente se tratar de um lobo alpha.
Com os anos vivendo ali, percebera a bondade do rei e o amor dele por sua família e reino. Mas não podia negar que ainda sentia uma pequena pontada no coração toda vez que os via transformados. Sempre voltava as cenas dos lobos atacando seu lar, destruindo tudo que seus pais e avôs construíram, matando amigos e familiares. Era muita dor para um jovem.
Havia crescido muito financeiramente desde que chegara a Beacon. Graças a um terreno que o rei lhe dera, agora era um grande comerciante do ramo de suco e vinhos, já que fizera de seu terreno, plantações de vinhas que foram exportadas e depois ele mesmo começara com a produção dos vinhos e dos sucos das uvas, o que já começava a lhe dar lucros, mesmo que com os vinhos só ganharia mais depois de alguns anos de envelhecimento.
Mais uma vez, ele não havia conseguido dormir graças aos seus pesadelos que iam de todo o sofrimento que havia presenciado, até seus pais lhe acusando de traidor e covarde por não ter morrido junto com o povo e ainda ter ido se abrigar com seus inimigos. Aqueles pesadelos o atormentavam há dois anos e ele sentiam que estava a um passo de enlouquecer totalmente. Sua ama, que parecia já estar perdendo suas forças, lhe aconselhara a ir a biblioteca pesquisar um pouco mais sobre sua família, seu passado, seu reino. Talvez aquilo lhe ajudasse a compreender um pouco tudo que acontecera e talvez o livrasse do tormento de seus pesadelos.
Às vezes ele odiava o fato da mulher ser tão enigmática e não lhe contar de uma vez tudo que sabia. Mas não podia brigar ou contrariar ela, então respirou fundo e depois do café da manhã foi para a biblioteca do palácio, afim de saber mais sobre sua família. Porém, duvidava que em Beacon tivesse algum livro relacionado ao reino de Chaser, mesmo assim ler poderia lhe clarear a mente.
Chegou no local e como era de costume o encontrou vazio. Saiu em busca de algo que lhe chamasse atenção. Passou por filas e mais filas de livros, a biblioteca de Beacon era incrivelmente maravilhosa. Sebastian agradecia por ela não ter sido destruída na grande guerra como ficara sabendo. Quase na metade da biblioteca ele pareceu ser puxado para olhar mais de perto uma prateleira especifica. Olhou livro por livro daquela prateleira e o último realmente prendera sua atenção.
Era de capa dura, feita de couro. Tinha uma aparência de velho e na verdade mais parecia um diário. O tirou do lugar e espirrou ao tentar tirar a metade da poeira que estava nele, mesmo tendo vários empregados que limpavam o local corriqueiramente. Aquele livro parecia ser do tipo que todos ignoravam ou evitavam mexer.
Olhou por uns instantes a capa do livro e não sabia explicar o que estava sentindo, entretanto, ele tinha certeza de que precisava ler. Era intitulado apenas com T e E, mas o que lhe chamara atenção mesmo fora os emblemas nas bordas. Uma triskle, que ele sabia perfeitamente ser o emblema dos Hales e um arco e flecha. E foi isso que atraiu sua atenção, pois esse era o emblema de sua família.
Pegou o livro e se sentou em uma das inúmeras mesas. Antes de começar a leitura, se serviu com uma xicara de chá e pegou um punhado de biscoitos que eram constantemente reabastecidos pelos servos para a degustação de quem fosse ler.
Ele porém, tinha uma péssima mania de ler apenas em voz alta. Olhou ao redor e não viu ninguém então não haveria problema algum de fazê-lo.
Reino de Beacon 16 de junho de 1560
Sou Tália Hale, futura rainha do reino de Beacon, herdeira primogênita ao trono. Mas na verdade meu coração não se importa com nada disso.
Estou sendo obrigada a casar sem amor, apenas para subir ao trono, já que minha mãe a rainha da família falecera por causa da terrível peste negra, que assola até mesmo nós os licantropes e meu pai o alpha dos Hales, morrera pelas mãos de nossos inimigos mais mortais. Me tornei a alpha do meu povo, logo que minha mãe deixou de existir, já que ela assumira o posto um ano antes, depois da morte de meu amado pai. Mas não posso assumir o trono por ser uma mulher solteira, estando assim prestes a perde-lo para meu irmão mais novo, que rapidamente arranjou uma noiva, sem se importar com os sentimentos apenas pelo poder. Não sou assim.
Vi meus pais viverem um amor lindo e verdadeiro e é isso que desejo para mim, apesar de que a obrigação e o dever para com o meu povo seja outra. Meu coração dói por não saber o que fazer.
Sebastian havia gostado do primeiro relato, e percebera que na verdade aquilo era um diário, onde a rainha de Beacon contava suas frustrações e problemas. Bem já sabia a quem pertencia a letra T, gravada na capa, só lhe faltava descobrir de quem era a letra E. Então voltara a ler.
Miguel finalmente entrou na biblioteca. Viu um homem sentado com um livro nas mãos, bebericando uma xicara de chá e comendo biscoitos. Algo normal. Foi em direção a primeira prateleira de livros, para escolher o que leria naquele dia, mas algo lhe chamou atenção.
O homem lia em voz alta. Normal ele pensou, as vezes também fazia isso. Mas ele ouvira o nome de sua avó, rainha Tália. Gostou do que começava a ouvir e decidiu que queria ouvir mais. Se sentou mais ao longe, com medo de que o homem o visse e reclamasse por esta ouvindo o que ele lia. E assim prestou atenção na história que estava sendo narrada.
Reino de Beacon, 30 de junho de 1560
Hoje conheci alguém especial.
Na verdade ele é completamente irritante e desaforado, mas algo nele me atraiu, nunca me vi assim por ninguém. Mas ao saber seu sobrenome, tive os pelos do corpo arrepiados, e não foi de forma boa. Seu nome traz más recordações para meu povo, para mim e minha família principalmente.
Meu pai havia sido assassinado pela família terrivelmente cruel ao qual ele pertencia. O ódio estava marcado em nossas veias, deveríamos ser inimigos mortais, era o que estava escrito.
Mas eu definitivamente não consigo vê-lo dessa forma.
Seus olhos são encantadores.
Seu sorriso parece me descobrir a alma, e mesmo estando vestida por várias camadas de roupas, sinto me como se estivesse nua perante sua presença. Ele parece poder ler meus pensamentos a cada pergunta que faz ou olhar que me dá.
Sinto-me completamente estranha.
Mas não posso me deixar levar, sou alpha, aspirante ao trono e sua inimiga por tradição e não me deixarei levar pelo seu charme, mesmo que ele afirme que não segue os códigos de sua família.
Ele fora criado para ser astuto, ardil e mentiroso, então mesmo que meu coração pareça querer sair do meu peito ou minha pele está em brasa pelo simples fato de me lembrar de seu rosto, eu nunca me apaixonarei por você, senhor Evans Spire.
Sebastian se assustou com o nome que acabara de ouvir.
Era seu tio, ele sabia. Mesmo que seus pais pouco tenham falado sobre ele, ele sabia que seu tio tinha o nome de Evans Spire.
Mas como seu tio, poderia estar no reino de Beacon se há anos eles moravam em Chaser, que ficava bem longe dali? Talvez esse diário tivesse as respostas das muitas perguntas que assolavam a mente do jovem Sebastian.
Miguel também estava assustado com o que estava ouvindo. Ele já ouvira aquela história contada pelo seu pai Derek, mesmo ele já tendo 13 anos, adorava ainda ouvir as histórias de seus pais. Mas estava um pouco diferente, e se tinha algo que ele tinha muito forte era a curiosidade.
Reino de Beacon, 04 de julho de 1560
Ele é um Spire dos reinos dos caçadores, reino de Chaser, eu sou uma loba alpha. Inimigos.
Devíamos nos odiar.
Os seus tiraram meu pai de mim.
Provavelmente minha família também tirou a vida de algum deles.
Mesmo assim ficamos mais amigos a cada dia.
Hoje tivemos um belo passeio a cavalo e ele me contou o motivo de está em Beacon.
Na verdade havia fugido de seu reino. Não queria caçar lobisomens ou qualquer criatura sobrenatural. Não era assim. Ele acredita que só precisa ser caçado aqueles que fazem mal a alguém e me disse que nunca presenciara um lobo fazer mal a alguém inocente. Nem preciso dizer que meu coração quase soltou pela boca, ao vê-lo sorrindo encantadoramente para mim.
Definitivamente não tenho como negar que já começo a ama-lo, mas ainda um mal nos persegue. Nunca meu povo permitiria que um caçador subisse ao seu trono, da mesma forma os caçadores não permitiriam que uma loba se torna-se mulher de um de seus príncipes.
Evans também é aspirante ao trono, o que torna nosso relacionamento ainda mais complicado.
Não sei o que fazer, mas sinto que já não posso viver sem ele.
Sebastian estava horrorizado com o que descobrira. Sempre soube o significado de seu sobrenome e do nome de seu reino, mas nunca entendera de fato a ligação entre eles, já que seus pais pareciam querer fugir daquele assunto.
Agora, porém ele sabia. Era um caçador. Inimigo mortal dos lobos. Esses mesmos lobos que destruíram tudo que ele tinha.
Sabia o porquê de seu tio nunca ser mencionado nas reuniões de família. Era um traidor. Casara com sua própria inimiga e Sebastian não podia aceitar aquilo.
Só não entendia ainda o porquê de seus pais lhe esconderem aquilo. Mas com certeza ele iria descobrir.
Miguel estava cada vez mais encantado com a história que ouvia. Porém não percebia onde tudo aquilo poderia leva-los.
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