Real Love 2.0
15 Descobrindo o passado: Parte 2
Notas iniciais

Reino de Beacon, 25 de julho de 1560
É oficial. Estou terrivelmente apaixonada por ele. Como pude me deixar levar desse jeito?
Não sei explicar.
Mas hoje senti que morreria de amores nos braços dele.
Estávamos mais uma vez no meio da floresta, num lugar que batizamos de “A grande pedra”, pois a usávamos como nosso assento para longas conversas. Estávamos nela, tendo uma conversa que logo virou uma discussão, o que para nós é praticamente normal já que sempre que nos encontramos acabamos brigando por sermos tão opostos.
E é isso que me encanta. O fato de estarmos brigando em um segundo e no próximo conversamos novamente sobre trivialidades.
Em meio a briga, por eu defender o fato de os caçadores serem cruéis por ensinar seus filhos desde novos as artes de lutas, não se importando com o fato de se machucarem ou não, ele pareceu parar de prestar atenção no que eu dizia e ficou simplesmente olhando na direção da minha boca.
Corei terrivelmente e tentei virar o rosto, mas antes disso, senti suas mãos sobre minha bochecha e seus dedos a apertarem com carinho, me conduzindo a olhá-lo. Me perdi mais uma vez em seus olhos e quando percebi seus lábios já estavam colados nos meus.
Meu coração parecia estar a ponto de sair do peito e tentei me acalmar e apreciar o momento.
Sua língua pedia passagem e avançava voraz sobre minha boca.
Simplesmente me senti derreter.
O amo e serei capaz de tudo para viver tal amor
Enquanto Miguel suspirava apaixonado pela linda história de amor que ouvia, Sebastian alimentava seu ódio. Ele sabia que aquele era um amor proibido e que seu tio acabara largando a família para vivê-lo.
Cada vez mais, ele começava a odiar Evans por desprezar seus princípios familiares. Como ele gostaria ter crescido aprendendo a caçar e lutar. Seus pais nunca o ensinaram, nunca passaram todas as tradições da família, mas não fazia ideia do porquê.
Decidiu então que pularia algumas partes e veria logo o que acontecia perto do final.
Reino de Chaser, 14 de fevereiro de 1561
Minhas pernas tremem.
Nunca me senti tão nervosa em minha vida.
Em poucos instantes estarei na presença da rainha Fleur e do rei Eduard, realeza de Chaser, para saber o veredito deles em relação ao pedido de casamento que Evans tinha feito para mim e que eu obviamente aceitei.
Mesmo ele tendo fugido para Beacon, seus pais o encontraram e o obrigaram a voltar para casa, antes no entanto ele me surpreendeu fazendo o pedido e dizendo que comunicaria aos seus pais.
E realmente ele o fez, agora eu estou aqui, para uma audiência com os reis a pedido deles, para que pudessem me conhecer.
Claro que vim às escondidas, já que se meu povo descobrir que vim ao reino inimigo, a guerra interna estaria armada.
Reino de Chaser, 15 de fevereiro de 1561
O encontro com os pais do Evans fora mais tranquilo do que esperava. Mas algo nos deixou terrivelmente tristes. Seus pais aceitaram nosso relacionamento e ainda disseram gostar de mim, mas não acreditavam que seu povo nos aceitaria tão bem assim.
Os caçadores nunca aceitariam como rainha consorte uma loba alpha, ainda mais do clã Hale, que é o mais odiado simplesmente pelo fato de ser poderoso. Então Evans foi obrigado a tomar uma decisão drástica, o que não foi do meu agrado mas infelizmente era única opção se eu quiser viver tal amor.
Ele rejeitou seu sobrenome, seu reino, seu trono e principalmente sua família. Deixou tudo por amor a mim. Não podia ter recebido uma prova de amor maior do que esta.
Porém, havia um tio, que mostrara ardentemente o quanto havia sido contra a decisão de Evans. Don era um homem duro, frio e calculista e fora descrito assim pelo próprio sobrinho. Evans tinha medo do que ele poderia fazer, e isso influenciou ainda mais na sua decisão.
Precisaria sumir do reino. Seus súditos procurariam por ele e exigiria que ele assumisse o trono, então mesmo sendo terrivelmente difícil para seus pais, eles seriam obrigados a forjar a morte do próprio filho.
Assim sendo Evans deixaria de ser um Spire e passaria a ser um Hale. Era muito sacrifício, nós sabíamos. Mas o nosso amor era muito maior do que qualquer coisa.
Se despediu de seus pais, declarando que os amava.
Deu um forte abraço em seu irmão mais novo Edgar, para o qual o trono iria, assim que seu pai se fosse.
Sebastian enxugou a lágrima que escorrera pelo seu rosto ao ler o nome do seu pai e a saudade apertar em seu coração. Mas as suas dúvidas ainda não haviam cessado e mais uma vez pulou algumas páginas, indo praticamente para o fim.
Reino de Beacon, 02 de Setembro de 1561
Estou mais do que feliz.
Apesar de toda a confusão que o tio do Evans tentou armar, conseguimos nos casar graças a meu irmão Peter, que mesmo querendo o trono para si, salvou a vida do meu amado.
Fora a cerimônia mais linda que já vi. Meu Evans agora é oficialmente um Hale. Meu povo nunca poderá descobrir sua origem, já que nas nossas leis mais antigas é proibido que um filho de caçador acenda ao trono, mesmo como consorte.
Apesar de toda nossa alegria sabia o quanto estava sendo doloroso para o Evans por não poder ter sua família ali. Mas era perigoso demais, ainda mais agora que os Argents, aliados dos Spire, ameaçavam uma guerra contra meu povo.
Para tentar aliviar a dor do meu marido, tentei fazer uma pequena homenagem na nossa cerimônia de casamento oficial do Hales, cacei um javali como presente, acredito que tenha adorado pois retribuiu amorosamente na nossa lua de mel.
Miguel lembrou-se de já ter ouvido o sobrenome Argent em algum lugar, mas não sabia ao certo. Estava louco para saber mais e voltou sua atenção para a leitura quando viu o homem prosseguir.
Reino de Beacon, 20 de setembro de 1561
Algo terrível aconteceu.
O reino de Chaser foi atacado e quase todo destruído.
E infelizmente não posso negar que tenha sido por minha culpa. Os Argents descobriram sobre meu casamento com Evans e os consideraram como traidores, atacando o reino sem compaixão.
Os Spires conseguiram matar o rei dos outros caçadores, subindo assim ao trono o filho deles que ainda é novo demais para entender a guerra, por isso acreditamos que o pequeno Gerard não crescerá com tanto ódio no coração. Mas todos da realeza foram mortos, escapando apenas o pequeno Edgar que fora escondido por uma de suas amas, e o Don, que havia se matado meses antes, por dizer que nunca aceitaria que seu sangue se misturasse ao de lobos malditos. Apesar de tudo, a morte do tio não entristeceu tanto o Evans, já que nunca gostara do homem, por saber o quanto era ruim.
Edgar irmão mais novo do Evans acendeu ao trono e jurou que não ensinaria aos seus filhos sobre sua linhagem de caçadores, afim de proteger o irmão.
Então a partir daquele momento o reino de Chaser não teria mais caçadores de seres sobrenaturais, seria um reino simples, solidificado e baseado apenas nos laços familiares, mesmo que o atual rei não pudesse ver mais o irmão, já que Evans agora era um Hale.
Sebastian fechou o caderno com força e muita raiva. Agora sabia o porquê de nunca ter aprendido a caçar ou saber mais sobre sua linhagem. Tudo por culpa de seu tio, que havia deixado os costumes, a família, por um amor ridículo e sem cabimento. Estava revoltado. Como seu pai fora capaz de abrir mão de toda sua tradição e história, para poupar a vida de um traidor de seu sangue. Se seus avós tinham morrido a culpa era de Evans. O ódio crescia a cada momento no jovem. Estava decidido. Iria se vingar. Pensava igual ao seu tio avô Don, era preferível a morte do que seu sangue ser misturado ao dos malditos lobos. Levantou-se da mesa, decidido a elaborar um plano para terminar com o reinado do primo, rei Derek, a qualquer custo.
Claro que isso ele não falou em voz alta, apenas pegou o livro e saiu. Miguel se lamentou por não poder ouvir mais da história e pelo homem ter levado o livro consigo. Mas uma hora ele teria que devolver, e assim que ele o fizesse, o príncipe pegaria o livro para ler.
.........................Enquanto isso na floresta. ..........................
– Bom dia dorminhoco. – O príncipe sorriu, beijando as costas do marido e lhe chamando carinhosamente.
– Só mais um pouquinho amor. – Resmungou, virando o rosto.
– Vamos Der! O dia está lindo. Quero passear pela floresta. – Pediu fazendo biquinho e lhe dando um selinho nos lábios.
– Não sei como consegue acordar tão bem humorado. – Fez cara zangada e enfiou o rosto em uma das almofadas que havia colocado dentro da barraca para deixa-la mais confortável.
– Eu acordo normal. Você que só acorda de mau humor. Tem se tornado um velho cada vez mais ranzinza. – Provocou, sabendo que o marido odiava ser chamado de velho.
De repente ele se viu sendo jogado contra as almofadas com violência tendo um lobo bravo em cima de si. Mas ele sabia perfeitamente como acalmá-lo.
– Hum. Acordou. – Sorriu e o puxou para um beijo, sentindo o alpha se derreter em seus braços.
Após o beijo ambos se levantaram e depois de um banho na lagoa se arrumaram para tomar café da manhã. Eles se sentiam completamente felizes.
– O que está pensando amor? – O príncipe pediu, mordendo um pedaço de maçã e vendo o maior perdido em pensamentos.
– Em meus pais.- Stiles sentiu uma pontada no peito. Derek sempre ficava triste ao pensar nos pais.
– E o que está pensando? – Pediu cauteloso.
– Em como eles ficariam felizes em ver a linda família que você me deu. – Sorriu e o puxou para um abraço.
– Tenho certeza de que onde eles estiverem, verão o quanto somos felizes e terão orgulho do maravilhoso rei que se tornou.
– Mesmo assim ainda tenho medo. – A preocupação voltou a tomar conta do rei.
– Medo de que?
– De que todos saibam da verdade. Que descubram que sou filho de um caçador. Sabe o que isso significa não é?
– Sei... – O consorte ponderou por um instante e tentou reverter a situação. – Mas sei também que esse cio é sobre amor, carinho e alegria. Ou seja, nada de ficar pensando nessas coisas.
Sorriu e derrubou o lobo sobre a grama lhe atacando os lábios com paixão e impedindo Derek de pensar em qualquer coisa a não ser nos lábios do outro nos seus.
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