Real Love 2.0
18 Baile de 15 anos Parte3
Notas iniciais

– Acho melhor não Liam. – Mason, um dos trigêmeos de Cora, avisou sentindo o medo congelar suas costelas.
– Estás com medinho Mason? – Provocou, enquanto saiam escondidos da festa.
– Não. Só tenho certeza que isso não vai acabar bem.
– Essa festa está muito chata, precisamos de um pouco de diversão. – Sorriu malvado.
Passaram pelos convidados e saíram tentado não serem vistos. Atravessaram todo o pátio e finalmente chegaram na floresta, onde começariam a executar o plano que tinham em mente.
– Última chance Mason. Vai até o fim ou sairá correndo para debaixo das saias de tia Cora? – Provocou.
– Vou até o fim, mas se descobrirem direi que me forçou e que a ideia foi completamente sua. – Afirmou.
Liam deu de ombros e se embrenhou na mata a procura do que queria.
Estavam tão distraídos na travessura que iriam aprontar que nem perceberam que estavam sendo seguidos por alguém.
A princesa de Blitzo, Malia, filha do rei John e da rainha Consorte Melissa, viu os garotos saírem escondidos e resolveu segui-los. Sempre soube das traquinagens de Liam, seu sobrinho, e adorava cada uma delas, já que era tão sapeca quanto ele. Mesmo com um enorme vestido, se meteu dentro da mata, a fim de descobrir o que estavam aprontando e talvez quem sabe, ajudá-los também, já que todos tinham praticamente a mesma idade e o mesmo senso de humor.
No castelo, Miguel ainda tentava respirar calmamente, mesmo sentindo que seu coração podia rasgar o peito a qualquer momento e fugir a galope de seu corpo.
– Ainda não sabe quem sou, Miguel? – O desconhecido se aproximou ainda mais do príncipe, quase colando seus corpos.
– O que faz aqui? ... – Não era isso que Miguel queria falar, mas sua mente estava uma bagunça só.
– Não achou que perderia seu aniversário não é?
– Por que não? Perdeu outros. – Disse azedo e tentando se virar com calma para olhar na face da pessoa que lhe abordava.
– Desculpe-me por isso. Mas... – A frase ficou perdida no ar, pois Miguel ficou de frente ao garoto.
– Não precisa se explicar... Para quê? Você preferiu passar dois anos, sem contato algum comigo! Não vejo motivos de dizer qualquer coisa agora, duque Danny.
– Não seja cruel, meu arqueiro. – Usou a fantasia do garoto, para lhe desviar do assunto e parecer mais galante.
– Não fale assim. – Ordenou.
Miguel queria parecer duro, frio, mostrar toda a mágoa e dor que tinha do duque por tê-lo abandonado. Mas o máximo que conseguia, era admirar o quanto o outro tinha ficado bonito com o passar dos anos.
– Desculpe, eu queria ter dito que iria viajar, mas na minha última noite aqui, você fugiu de mim. – Deu alguns passos em direção ao príncipe que dava a mesma quantidade de passos para trás até se ver escorado na mureta, sem saída, já que Danny estava bem a sua frente.
– Estás tão diferente. – Se recriminou com o que dissera.
– Sim. Mudei muito, não só na aparência. – Sorriu divertido.
– O que quer dizer com isso? – Começou a tremer a voz com a proximidade do outro.
– Quero dizer que não sou mais o garoto bobo e confuso que saiu daqui.
– É melhor pararmos com essa conversa Dan-ny, as pes-ssoas vãoo come-çarr a perce-ber. – Gaguejou pelo nervosismo.
– Tudo bem... Mas não vamos simplesmente acabar a conversa. Vamos para um lugar mais reservado. – Ofereceu a mão.
– Não posso, sou o anfitrião, isso não seria correto.
– Pela primeira vez na sua vida, não pense no que é correto ou não Miguel. Quero apenas conversar com meu primo, não posso? – Sorriu, e Miguel tinha certeza de que não era apenas aquilo.
Sua mente dizia não, seu coração dizia sim e suas pernas não sabiam o que fazer. Sentiu as mãos do outro sobre as suas e logo fora levado para longe dali.
Andaram pelo pátio e chegaram a um dos jardins. Sentaram-se em um banco estrategicamente colocado atrás da fonte de golfinho.
– Antes de qualquer coisa, preciso me explicar. – Danny começou vendo que Miguel não iria falar nada se ele não começasse.
– Seria um bom começo. – Cruzou os braços e parou para ouvir o mais velho.
– Bem... Você sempre soube que eu queria estudar para ser médico, mas aprender com os curandeiros do reino era pouco. Queria ir para universidade, aprender com os médicos de verdade. Falei com os meus pais, e mesmo com dor no coração deixaram. Então decidi que precisava falar com você. E naquela noite eu te chamei para poder contar que viajaria, mas que sempre teria você comigo. – Se aproximou mais do jovem.
– Mas então por que... por que fez aquii-lo? – Perguntou gaguejando novamente.
– O que? O beijo? – Sorriu, ficando sentado tão próximo do garoto, que se movessem mais um pouco o teria em seu colo.
– Sim. Por que fez aquilo?
– Por que gostava de você. Não é obvio?
– Gostava? – Ouvir aquilo doeu no pobre Miguel. Então era isso? Ele não gostava mais?
– Sim... Por que descobri que não gosto mais de você.
O mundo do lobinho desabou. Passara os dois últimos anos tentando entender seus sentimentos e quando finalmente descobrira estar apaixonado pelo primo, ele lhe diz que não gosta mais.
– Então por que me trouxe aqui? Com licença irei voltar a minha festa. – Disse decidido levantando do banco com fúria.
– Sempre fugindo antes de me esperar terminar. – Danny, falou se levantando também e puxando o outro pelo braço o colando ao seu corpo de forma que um estava encarando o rosto do outro.
– Não! Já não dissestes que não sentes mais nada por mim? Então o que quer? – Miguel falou e tentou controlar sua respiração. Segundos mais tarde ele concluiu — Na verdade nem precisava dizer. Dois anos fora, sem ao menos me enviar uma carta ou permitir que seu pais me dessem o endereço para que eu pudesse escrever, deveriam ter sido pistas suficientes para que eu entendesse que não se importa comigo. – Desabafou, ainda nos braços do outro, mas com o olhar triste e a voz baixa apesar de firme.
– Não te disse que não sinto nada. Disse que não gosto mais. Pois descobri que te amo. – Falou colocando a mão do lobo por sobre o peito, para que sentisse que era a verdade. – E se eu não te escrevi ou não deixei meus pais te darem o endereço, foi pelo simples fato de que lesse algo seu, não conseguiria terminar meu curso e voltaria rapidamente para casa. – Terminou de falar, olhando fundo nos olhos de Miguel que já começavam a lacrimejar ao constatar que era verdade cada palavra.
– Desculpe. – Pediu baixo e arrependido.
– Não quero sua desculpa, só quero que prometa não fugir depois.
– Depois de que? – Perguntou inocente.
– Depois disso. – Falou e finalmente juntou os lábios em um beijo aguardado por ambos.
As bocas foram se abrindo lentamente. Danny passou a língua por sobre o lábio inferior do primo, forçando a abri-lo um pouco mais. Miguel sentiu seu estômago revirar. Mas dessa vez não iria fugir. Passou as mãos pelo pescoço do mais velho e deu passagem para a língua do outro lhe invadir a boca e explorar cada cantinho dela.
Arriscou a colocar a própria língua, e sentiu o duque lhe puxar pela cintura colando os corpos.
Olhos fechados, como se o beijo pudesse ser eternizado, pelo simples ato de não poder vê-lo.
Corações acelerados.
Corpos tremendo em nervoso e falta de experiência.
O ar se fez necessário e o beijo teve fim, mais o sorriso brotou nos lábios de ambos.
– Você não fugiu. – Danny disse ainda com os olhos fechados, apreciando o momento.
– Não foi só você que mudou... Esse tempo me fez entender o que sinto por você. – Abriu lentamente os olhos, e adorou a cena de seu primo, com um sorriso bobo no rosto.
– Isso significa que estou perdoado? – Se sentaram e Danny puxou uma das pernas do príncipe a colocando sobre a sua.
– Sim. Mas nunca mais faça isso, seu idiota. – Deu-lhe um tapa no ombro. – Sabe o quanto foi terrível ter que suportar as travessuras do Liam sem você. – Riu e o abraçou.
– A próxima vez que viajar, irás comigo, meu príncipe.
Se beijaram novamente, agora com a certeza do que sentiam.
Laura sentia que seu coração estava flutuando, mais seus pés não aguentavam mais de tanto dançar.
– Queres dá uma pausa querida? – Chris, sempre parecia adivinhar o que a princesa queria.
– Sim, meus pés estão um pouco doloridos. – Sorriu sem jeito.
– Tudo bem. Porque não se senta em um dos sofás? Pegarei algo para comermos.
A garota assentiu e rapidamente o rapaz já estava de volta com a algumas frutas e uma taça de suco.
– Obrigada! O que estás achando da festa?
– Não podia ter companhia melhor. – Brindaram e voltaram a conversa, mas a princesa estava curiosa para saber qual a surpresa do príncipe para ela.
Fale com o autor