Como o tempo passava rápido, pensava Namjoon vendo a neve caindo pela janela. Ele piscou, e cinco anos se passaram. Como sempre, nesses últimos anos, a primeira coisa que vinha em sua mente era o marido. Ele e Seokjin conseguiram com o tempo construir sua própria sintonia. Tinham uma relação leve, cheia de cumplicidade e contra todas as previsões negativas e críticas da população, tornaram-se um dos casais mais queridos e influentes do país.

Seu casamento também serviu de exemplo para milhares de pessoas, e foi o pontapé para uma revolução cultural e política na Coréia, agora representada em um projeto de lei muito polêmico que se provado, legalizaria as relações homoafetivas em território nacional. A "Lei Kim" era o tópico mais comentado por semanas em todo o mundo, e a cada dia ganhava mais força.

Entre eles nada mudara; Jin era o parceiro mais reconfortante do mundo, o companheiro dos sonhos de qualquer pessoa, mas se mantinha afastado dele quando não estavam em público. Convivam muito bem em casa, mas sempre que notavam que a intimidade estava ultrapassando alguma barreira, o mais velho cortava, sem dó.

E sinceramente, aquilo estava matando Namjoon por dentro.

Porque, como conviver por cinco anos com a melhor pessoa do planeta e não se apaixonar perdidamente?

Jin só crescia profissionalmente, chegou no lugar que nenhum modelo sul coreano jamais imaginou, estava migrando organicamente para a televisão, era o queridinho dos programas de variedade, e Namjoon sabia que era um dos homens mais invejados de todo aquele continente por tê-lo ao seu lado.

Mas as vezes, aquele lugar figurativo na vida de Jin era tão solitário que ele só queria esquecer um pouco, por alguns segundos, o que sentia pelo cônjuge.

Jamais se arrependeria de ter se apaixonado por Seokjin, mas as vezes a dor daquela via unilateral, silenciosa...

Vamos dizer apenas que haviam dias em que ele não conseguia lidar com aquele tormento.

— Aish, moleque desrespeitoso! Nem presta atenção quando o avô moribundo fala – Namjoon despertou da sua divagação com o avô reclamando, pra variar. Olhou para dentro do quarto de hospital.

— O senhor não está morrendo, vovô, só precisa checar se está tudo bem com o seu stent. – O velho mimado virou o rosto para o outro lado, contrariado.

— Cadê aquele ingrato que vive com você?

— Se o senhor está falando do meu marido vovô, eu pedi a ele para não vir. – Ao ver a cara furiosa do velho ele se adiantou. – é a primeira vez que o senhor fala comigo desde que casei, acha mesmo que vou submetê-lo às suas grosserias?

— Você tinha que se casar m outro homem, Namjoon? – o avô não se conformava.

— O senhor sabe sobre a minha sexualidade desde que eu a descobri. Qual foi a surpresa?

— Pensei que você se casaria com uma mulher, para me dar um bisneto! o que faria pelas costas dela não é meu interesse! – e o velho tremeu na base quando o neto fechou a cara.

— E fazer que nem o meu pai? – ok, ele merecia aquela resposta. – Ouça bem, vovô, eu nunca vou tratar uma mulher daquele jeito, elas não são objetos. Se um dia eu lhe der um bisneto biológico, será por meios legais e através dos avanços da ciência, porque sim, hoje em dia mulheres podem gestar bebês sem necessariamente eles terem alguma semelhança genética consigo. Mas será com uma mulher com a qual não vou ter qualquer intimidade e ela vai ter a total liberdade de aceitar ou recusar-se a gerar minha criança, e será bem recompensada por isso.

— Isso não é a mesma coisa que usar uma mulher? – perguntou o avô taxativo.

— Não, porque a escolha será toda dela. – O velho sacudiu a mão no ar, dizendo que o tópico estava encerrado. Um silêncio constrangedor se apossou do ambiente.

— Por que casou com ele de repente, sem me avisar? – O mais novo suspirou, cansado.

— Porque se avisasse, o senhor tentaria impedir; e eu não submeteria Seokjin a isso.

— Isso o que? – perguntou o velho, cínico.

— O senhor acha que eu não sei que reencarnaria todos os clichês de dramas e ofereceria meio mundo para ele afastar-se mim? Eu o conheço muito bem. – Torcendo a boca, o avô se ajeitou desconfortável da cama.

— Só fala isso porque sabe que ele aceitaria. – Resmungou fazendo o neto rir indignado.

— O seu dinheiro? Vovô, o senhor está vivendo embaixo de uma pedra? Seokjin é o top model mais bem pago do planeta, se eu me demitisse hoje e lhe desse tudo o que é meu, eu manteria meu padrão de vida porque meu marido poderia me sustentar tranquilamente. Por que diabos ele aceitaria o seu dinheiro? – ainda mais aborrecido e sem ter o que responder, o velho deu de ombros.

— Ele nem é tão famoso assim... – Viu o neto balançar a cabeça em descrença.

— Se não acha que fiz a coisa certa casando com ele, por que votou para eu permanecer no conselho cinco anos atrás? – vendo o avô se aprumar, ele riu desacreditado com a teimosia do mais velho.

— Porque você é meu neto. Não importa com quem você casa, quem você ama ou a besteira que você faz da vida. Você é a única família que eu tenho. – Vendo o neto encará-lo sério, provavelmente tocado, quis mudar novamente de assunto. – Quando vai trazer seu modelo para eu conhecer? – Namjoon teve que rir da sutileza inexistente do avô.

— Vai depender do seu comportamento, vovô.

— Você tem muita sorte em ser bom no que faz, moleque, senão eu já tinha te deserdado. – Agora o neto gargalhava, debochando dele.

— Depois de eu tornar a Bangtan o maior grupo empresarial do país? É capaz do conselho expulsar você, vovô.

— Você fica a cada dia que passa mais abusado, garoto. – Namjoon deu de ombros e sorriu, cínico.

— o senhor me colocou nesse lugar, vovô, é o único culpado por isso.

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Todo mundo tem um "Guilty pleasure", ou prazer culpado, algo que você faça mas não se orgulhe totalmente disso.

O de Jimin se chamava Min Yoongi

Sentado no colo do produtor, ele cavalgava freneticamente enquanto ouvia os sons roucos que o outro fazia. Não suportava o homem embaixo de si, achava ele a criatura mais rude e arrogante da face da terra, mas era a melhor foda da sua vida.

Por isso mesmo, ao longo dos últimos anos eles se encontravam esporadicamente (coincidentemente ou não) e tinham noites tórridas como essa (ou dias). Ele e o Min se envolviam com outras pessoas, passavam algum tempo sem se verem, mas no final, sempre voltavam para a cama um do outro.

Ninguém sabia sobre os dois, além de Taehyung. Talvez Jungkook, que agora dividia apartamento com Jimin suspeitasse, mas era discreto demais para comentar sobre.

Nada entre eles era certo, ou seguia uma lógica. Quando queriam se encontrar, davam um jeito. Eles se encontraram algumas vezes depois que passaram a noite juntos em Londres, mas quando Jimin engatou um relacionamento sério de quase dois anos com um Idol eles mantiveram total distância. Quando Jimin ficou solteiro de novo voltou a procura-lo, mas notou que o outro mudara de comportamento. Desde que voltaram a se encontrar ele sentia que tudo era muito mais íntimo, mais denso. Percebeu que Suga sempre ia para premiações com mulheres que causavam um grande furor a mídia, mas era entre seus lençóis que o produtor terminava a noite. Parecia até que elas eram apenas figuração.

— Jiminie... Mais rápido. – Aquilo sempre o levava ao limite. A voz rouca e rasgada que ele tinha na hora do sexo era com certeza um dos motivos para o moreno ser o melhor que já teve. Ele encarou as fendas escuras e sérias que o fitavam e sorriu malicioso.

— Eu mando hoje, seu abusado, não você. Você sempre quer ditar o ritmo, mas enquanto eu estiver sentado em você, seu cretino, você vai ter que se contentar com a minha sentada. – Vendo que o mais velho não esboçou reação alguma, ele puxou os fios negros que já estavam na altura do pescoço extremamente alvo e puxou o rosto sério pra si. Abriu mais um sorriso brincalhão e, enquanto aumentava a velocidade de seus movimentos, beijava a boca pequena.

Yoongi sempre se preocupou em um dia ser mal interpretado por Jimin.

Há cinco anos eles se envolviam sem compromisso, mas com uma certa frequência, porém o Mim nunca se acostumara com o "efeito Jimin".

Os cabelos platinados que agora estavam mais compridos e quase sempre presos caíam em cascata, em uma desordem sexy, com o movimento natural demandando do esforço do modelo. Os olhos exóticos estavam quase fechados em prazer, e aquela boca feita para o pecado, entreaberta, as vezes deixava escapar arfares ou palavrões que Jimin não economizava quando estavam a sós. Ele simplesmente ficava hipnotizado toda vez que estavam juntos.

O Park o encantava, e ele sempre ficava sem palavras em momentos como esse, quando aquela criatura atrevida além quicar deliciosamente em seu colo, o provocava o tempo todo e depois de o empurrar até o limite e com violência, o beijava daquela forma doce, entregue. Ele não era taciturno com Jimin, ele só não conseguia falar de tão deslumbrado.

Percebendo que o pequeno demônio estava ficando cansado, ele segurou as coxas fartas e inverteu suas posições, deitando-se por cima do loiro, que o encarava de uma forma profunda demais para quem não conseguia ficar no mesmo cômodo que ele quando estavam vestidos. Investiu lento e profundo no Park, que soltou um gemido tão manhoso que Yoongi quase perde o controle.

— Acho que encontrei seu lugar favorito, Minie. – Foi presenteado com um sorriso convencido.

— Não meu bem, esse é o seu lugar favorito. – E o Min não podia discordar. Investiu novamente, mais rápido, mais duro, e os gemidos cresceram novamente, juntamente com uma arte abstrata que o baixinho fazia em suas costas com as unhas.

— Qualquer dia desses vai me deixar sem pele alguma – disse sofrido, enquanto tentava equilibrar seu fôlego conforme ia mais rápido.

— Pouco me importa sua pele, idiota, só preciso do seu pau. – Yoongi gargalhou e engatou um ritmo desenfreado, fazendo a coisinha petulante abaixo de si abrir a boca em um grito mudo.

— Não seja mesquinho, Jiminie, eu sei que você ama a minha boca e os meus dedos. – Aquele papo maldoso e provocativo deixava Jimin maluco, e Yoongi sabia. – Você vocaliza muito bem sabia?! Até os seus gemidos são afinados. – O Park largou as costas machucadas e foi direto para puxar o seu cabelo.

— Quer que eu faça alguma audição? Tem que ser com você ou pode ser com outro produtor? – soltou uma risada surpresa quando o mais velho saiu completamente de dentro de si, e com um puxão brusco o virou de bruços. Acostumado com as preferências do moreno, ele se ajeitou na posição e sentiu na mesma hora o tapa de mão cheia que recebeu na bunda.

— Tá ficado mais atrevido ainda, Jimin? – o loiro riu debochado e rebolou, provocativo, sabendo da obsessão dele por sua bunda.

— Está ficando ciumento, Min?! – provocou, recebendo em resposta outro tapa, em seguida do calor do corpo de Yoongi entrando novamente em si, mais forte, mas rude.

— Nunca fui uma criança egoísta Jimin, não tenho problemas pra compartilhar. O problema todo aqui é que eu não sei se com outro você vai gemer tão gostosinho assim... – E pra provar seu ponto, ele fez um rabo de cavalo com o cabelo loiro e o puxou com força, trazendo também o corpo pequeno. O gemido que saiu da boca de Jimin o fez soltar uma risadinha convencido.

Soltando o cabelo, ele passou uma das mãos pelo tronco definido que estava coberto de suor e o suspendeu, colando seu corpo nas costas do menor. Começou a beijar delicadamente o pescoço alvo, ora mordendo, ora lambendo, mas nunca marcando. Sentiu Jimin se apertar e sabia que ele estava chegando ao seu limite. Era a hora da barganha:

— Yoon... eu tô quase lá... – a voz manhosa o tirava do eixo. – Por favor...

— Por favor o que, Minnie? – aumentou a velocidade acompanhando o ritmo da sua própria satisfação.

— Por favor, me faz gozar, Yoon, eu preciso tanto. – O gemido rouco não pôde ser evitado; ele enlouquecia quando Jimin ficava manhoso daquele jeito. Investiu mais intensamente, e com uma das mãos começou a masturbar o falo do mais novo que tinha sido negligenciado até então. Os gemidos aumentaram de volume, e de repente, tudo virou silêncio, quando sentiu o interior do Park se apertar mais ainda, e seu gozo sujar a mão de Yoongi. Jimin virou a cabeça, a feição totalmente aérea do orgasmo, e puxou a boca do moreno para beijar a sua, fazendo aquilo bastar para si. Gozou sofregamente, e se retirou rapidamente daquele interior quente e acolhedor para levantar-se da cama e descartar o preservativo.

— Parabéns pelo prêmio, produtor Suga. – O moreno se espantou com o sorriso que recebeu junto com as felicitações na volta do banheiro. Ele pegou a toalha molhada que trouxe do cômodo e começou a limpar o Park preguiçoso.

— Obrigado. Eu não esperava esse, não é um dos melhores trabalhos da minha carreira. – O mais novo ainda meio grogue de satisfação, abriu um segundo sorriso, ainda mais singelo.

— Eu gosto da música, na verdade acho que você errou na escolha da cantora – e seguiram conversando a respeito das produções do mais velho, um hábito que consistia o seu pós sexo: eles eram cordiais um com o outro, conversavam sobre trabalho, sobre seus amigos em comum, política, economia, etc.; depois, dormiam nos braços um do outro até acordarem no dia seguinte e irem cada um para o seu lado, fingindo que não se conhecem.

Horas depois, Jimin estava tomando café da manhã com seus dois melhores amigos, e deu graças por Yoongi ter noção e ter ido embora de madrugada. Resoluto em tirar quele chato da sua cabeça resolveu entrar de vez no assunto que os amigos discutiam. Aparentemente Taehyung estava reclamando do dia em que foi a uma boate e homem nenhum se interessou nele.

— Quer dizer, não sou tão confiante quanto o Jin hyung, mas poxa, fui considerado por dois anos o homem mais bonito do mundo... como eu posso ter zerado numa balada? – os dois mais velhos riram muito divertidos e começaram a se debruçar sobre aquilo.

— Talvez você fosse bonito demais pra eles – disse Jin sempre positivo. – Algumas pessoas se intimidam com a beleza de outras.

— E cá pra nós Taetae, o cara tem que ser muito gato pra parear contigo. – Os três riram da piadinha. E Tae suspirou.

— Eu sei, também não posso ser arrogante ao ponto de ter certeza que eu sou o tipo de todo mundo, mas de que adianta todo mundo falando do quanto eu sou bonito se eu não consigo nem garantir uma transa? – os dois mais velhos olharam para ele surpresos. – Eu quero um amor, quero uma pessoa para formar uma parceria, mas enquanto eu não encontrar... qual o mal de encontrar uma boa foda? – e foi quando uma luzinha se acendeu na cabeça loira de Jimin.

— Por que você não fode o Jungkook? – perguntou ali, a seco. Tae ficou tão surpreso que nem conseguiu responder de primeira.

Jin percebendo isso, resolve servir mais uma rodada de docinhos que eles comiam bem de vez em quando, quando precisavam extravasar, e aguardou o moreno mais novo responder.

O problema é que Tae estava tão perdido com aquela sugestão que não tinha resposta. Ele tinha olhos na cara, Jungkook era possivelmente um dos homens mais sexies que ele já viu, mas nunca tinha levantado essa hipótese.

— Sinceramente Ji, eu buguei.

— Eu percebi. – respondeu o loiro rindo. – Mas pensa bem. O cara é o maior gostoso, tem cara que fode muito bem, é tranquilo, responsável, na dele. Tem mais dinheiro que você, então não vai te dar o golpe; e é seguro. Ele não vai te sacanear, não vai te humilhar e nem tem outras intenções.

— Você nunca transou com ele mesmo, Ji? – Ninguém tirava da cabeça de Taehyung que Jimin e Jungkook tinham algo, porque não era possível. Eles eram muito compatíveis e ainda tinham o bônus de morar juntos.

— Taehyung, me erra, já falei que por mais que eu o ache um gostoso, nós somos amigos. Ele é o meu irmãozinho. – O mais novo estreitou os olhos, não sabendo se confiava naquela informação.

— Bom, comendo o Jimin ou não, a questão aqui é se você quer ou não quer o cara, Tae. Na boa, decide isso e pronto. E outra, acho bom você ser rápido, um cara como aquele não demora muito solteiro não. — Jin sabia que nessas horas o melhor era pressionar o amigo.

— Não vem querer me casar não, vocês sugeriram só uma coisa casual!

— Sim querido, mas o Kook é um neném, ele não vai comer você e mais cinquenta, acredite em mim, ele não é assim. – Tae encarava um Jimim muito sério.

— Quer me falar algo, Ji? – o loiro negou com a cabeça, rindo.

— Você ta mesmo precisando transar, Tae, tá todo estressadinho.

E como se fosse invocado, Jungkook aparece na cozinha para começar bem o dia de todos ali. Ele tinha os cabelos pingando, tentava tirar o excesso de água com os dedos e o detalhe que mais chama atenção: vestia uma toalha na cintura e mais nada.

— Jimin-ssi, me empresta seu secador de cabelo? O meu quebrou. – Ele estava tão concentrado naquela franja irritante pingando que nem notou os três pares de olhos escaneando seu corpo.

— Pode pegar no meu banheiro, Kook, depois vem tomar café com a gente.

O mais novo parou congelado, ao ouvir o colega de AP insinuar que tinha mais alguém ali. Ele tirou a franja da frente dos olhos com uma das mãos, encarando os dois morenos que o avaliavam.

— Bom dia, Hyungs, — disse fazendo uma pequena mesura. Saiu em disparada para o corredor que dava nos quartos, sem olhar para trás.

— Você pôde ver em primeira mão Tae, vai querer ou não? – o moreno ainda olhava na mesma direção que o tatuado sumira e suspirou pesado.

— O que eu preciso fazer?