Real King

32 Capítulo 32


— Tá mais calmo agora? – Namjoon ainda se sentia um pouco letárgico, mas quando lembrou do porquê precisar ser sedado, um pico de adrenalina o pôs alerta de novo.

— Estou bem, preciso sair daqui. Espero que tenha resolvido a minha alta enquanto eu dormia. – O amigo confirmou com a cabeça enquanto jogava uma muda de roupa e sua direção.

— Estou indo assinar a papelada da Hwasa e passo aqui pra te pegar. Não saia sem mim, Nam, é sério. – Mesmo a contragosto, o Kim concordou.

Quando estavam no estacionamento, Jungkook surgiu ao lado do carro. Seu semblante fechado dizia tudo o que Namjoon queria saber.

— Quando vamos busca-lo?

— Estou só aguardando uma ligação e podemos ir. – Vendo o semblante frustrado do amigo ele pegou em seu ombro, sério. – Precisamos ir pra sua casa agora, tenho que te preparar para o que vai acontecer lá, ok?! – Um pouco mais conformado, Namjoon o seguiu até a fila de carros que os aguardava.

— Jungkook, eles estão ligando, porra, como assim eu não posso atender?!

— Faz parte da estratégia hyung, eles vão ficar desesperados por perceber que não têm com o que barganhar com você. – Ao ver a cara feia do amigo ele suspirou. – Sabe que eu jamais deixaria o Jin hyung correr perigo desnecessário, não sabe?! Deixei meu melhor homem tomando conta dele caso algo saia de controle por lá. Temos que focar em deixar todo mundo fora de controle por aqui. – Namjoon acenou com a cabeça e respirou fundo.

— O que ainda precisamos descobrir?

— Tem alguém por trás de tudo. Alguém que sabe o quanto nós significamos pra você, a ponto de todos sermos atacados um por vez. Sem falar no dinheiro que financiou tudo isso. Acredito que seja peixe grande. – Namjoon o olhou confuso. – Alguém do governo talvez, sendo que está tão difícil rastrear esse dinheiro. Mas vamos conseguir fazer tudo hoje, não se preocupe. – O telefone na sala tocou mais uma vez, atiçando a irritação do Kim. – Hyung, eu sei que é angustiante, mas tudo tem que ser milimetricamente executado para que não tenhamos nenhum problema, ok?! – Jungkook voltou sua atenção ao equipamento em cima da mesa enquanto Namjoon estendia um olhar angustiado para o celular.

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Jin estava exausto. Levara tantos tapas que achava que já tinha virado dublê de alguma novela pastelão ocidental. Ele ia precisar de uma cirurgia plástica no final de tudo aquilo?

— Eu normalmente sou contra machucar um rosto como esse, mas levando em consideração que ele vai morrer logo... – Jihoon ria enquanto a madrasta de Namjoon e Ji Su se revezavam nos tapas em Jin. O modelo sentia um de seus dentes moles, o lado direito do seu rosto estava dormente e a boca estava toda ferida.

— Eu ainda não acredito que o Namjoon não atendeu o telefone. Você é uma vadia sem valor não é mesmo? – Ji Su encheu novamente um tapa no rosto do Kim. – Fazia aquela pose de primeira dama, mas no final era só mais um... – ela gargalhou e sentou-se no sofá em frente a cadeira de Jin. Vendo que as surras iam dar um tempo, até porque pela dor que sentia no rosto as mãos das duas mulheres deveriam no mínimo estar inchadas, Jin concentrou-se na parte mais importante ali, que era provocar.

— Não tenho culpa se vocês são um bando de incompetentes. Eu falei logo no começo pro sogrinho que não valia a pena. – Ele foi interrompido pelo celular de Jihoon tocando. O ex-agente saiu da sala atendendo o aparelho.

Alguns minutos depois ele volta puxando o Sr. Kim pelo braço.

— Mudança de estratégia. Ligue pra ele e diga que estamos com o velho também. – Jin franziu o cenho confuso, eles tinham conseguido burlar a segurança do patriarca Kim também?

— O que você está fazendo? Com um telefonema Namjoon descobre que isso é um blefe! – O mais novo, impaciente, puxou o Sr. Kim pela gola da camisa.

— Acabei de receber a informação que ele está isolado num retiro religioso não sei das quantas, ele fica dois dias incomunicável. Escute o que eu estou falando, ligue pro idiota do seu filho e fale o que eu mandei falar. – Os dois se surpreenderam com o aparelho sendo retirado das suas mãos.

— Vocês dois são um bando de covardes, isso sim. – Ji Su desbloqueou a tela e começou a discar. – Onde liga o modificador? – O mais velho ensinou e ela pôs no viva voz. – Amordace o modelinho. – disse apontando para Jin.

— Alô? – Jin respirou fundo e se conteve para manter sua cara de paisagem ao ouvir a voz do marido.

— Sr. Kim, o senhor acha que estamos brincando? – Ouviram um suspiro cansado do outro lado da linha e o mais absoluto silêncio. – Namjoon, estamos falando muito sério aqui, temos exigências e elas precisam ser atendidas se não quiser receber o corpo do seu marido em pedaços.

— Vão se dar a esse trabalho? Seokjin é grande, sabe?! – todos ali ficaram chocados com o tom descontraído e a piadinha que o empresário fizera.

— Queremos que transfira todas as suas ações para o nome que vamos mandar por mensagem, isso precisa ser feito em até 24 horas senão essa bixinha aqui morre.

— Bixinha? Uau. Seokjin, você deve estar amarrado pra ouvir isso e não ter posto essa vaca no próprio lugar. É a Ji Su ou a minha madrasta falando? – A loira sentiu sua espinha gelar.

— P-pare com suas brincadeiras ou as coisas vão ficar realmente violentas, quer ver? – com os olhos em chamas, a Choi se aproximou de Seokjin e desferiu um chute o seu abdômen. Mesmo com a mordaça, Jin não conseguiu reprimir o som do gemido de dor.

— Certo, certo, você está no controle. O que eu preciso fazer mesmo? — A voz tremida indicava que ele entendera o recado.

— Acho bom você parar de bancar o debochado, Kim, porque se não se importa com seu marido, nós podemos fazer bem pior. Ou quer que o seu avô morra também? – A linha ficou muda por alguns segundos, o que encheu os sequestradores de confiança.

— Você perdeu completamente a cabeça...

— Você sabe o que fazer, Kim, não tem todo o tempo do mundo. – Mais um suspiro profundo antecedeu alguns segundos angustiantes de silêncio.

— Na verdade, não posso fazê-lo. Mesmo que eu ceda às suas exigências, ainda estou sob curatela. – O pai e a madrasta de Namjoon arregalaram os olhos; por deus, como se esqueceram disso? – Vocês estão mantendo sob cárcere a única pessoa capaz de movimentar qualquer coisa em meu nome.

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— Mais alguma coisa, Lalisa?

— Não senhor, só um email do pessoal da Mnet querendo uma entrevista sobre a mixtape do Agust D.

— Sabe o protocolo, não falo sobre o trabalho dos outros e Agust não fala com imprensa.

— Sim senhor. Ah, parabéns pelo all kill, senhor, todos estão dizendo que “Daechwita” será a mais vitoriosa nas premiações de final do ano.

— Isso nós vamos ver. Tenho alguns problemas pessoais pra resolver, Lisa, cancele minha agenda presencial para amanhã, mantenha o formato que fizemos hoje, ok?!

— Já foram remanejadas, Sr., não se preocupe. – Yoongi sorriu e se espreguiçou.

— Não sei onde estavam com a cabeça em te deixar no RH por tanto tempo, menina. — A tailandesa sorriu do outro lado da tela e fez uma reverência.

— É um prazer, senhor Min, o senhor é disparado o melhor chefe que eu já tive. – Yoongi riu debochado.

— Então eu estou seriamente com pena de você. – Os dois gargalharam e Lisa arregalou os olhos e fez outra reverência.

— Sr. Park. – Yoongi percebeu a aproximação pela visão periférica.

— Já disse para me chamar de Jimin, Lisa, não precisa essa formalidade toda. – O modelo sorriu simpático, mesmo com o rosto tenso e inchado do choro de mais cedo. Sem olhar para Yoongi sentou-se ao seu lado em frente à câmera do computador.

— Bom se isso é tudo senhor Min, eu já vou. – Suga sorriu para ela e concordou com um aceno. – Boa noite.

— Boa noite Lalisa. – Disse o produtor.

— Boa noite, Lisa. – Respondeu Jimin baixinho.

Depois que a câmera foi desligada, Yoongi fechou o notebook e se encostou na cadeira, esperando. Jimin ficou alguns minutos calado de cabeça baixa, e então riu.

— Como você consegue ser tão paciente comigo? – Dedos frios tocaram seu queixo, levantando seu rosto. Ele encarou os olhos pequenos do namorado e suspirou. Como alguém tão implacável podia ter feições tão delicadas?

— Eu amo você. Não é nenhum sacrifício ser paciente com você. Sei pelo que passou e o que passa nessa cabecinha. – Disse tocando delicadamente sua têmpora com a ponta dos dedos. – Pare de se cobrar tanto, podemos resolver todos os nossos problemas sendo honestos e abertos um com o outro, não precisamos fingir nada, ok?! – Jimin fez um biquinho adorável e concordou com a cabeça.

— Eu aceito. – Ao ver a cara de confuso do Min ele sorriu. – Aceito morar com você, gatinho. – E antes de Yoongi reagir àquela resposta, o visor de seu celular acendeu. Ele desbloqueou o celular e leu a mensagem, em seguida suspirando e encarando Jimin.

— É do Jungkook, eles estão indo buscar Jin.

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— Vocês são o maior e mais desorganizado bando de incompetentes que eu já tive notícia. – Outro soco o atingiu. Ele sorriu, seu lábio tinha cortes que ele nem conseguia mais contar, mas até que era divertido ofendê-los sabendo que não poderiam mata-lo. – Isso, sua patricinha acéfala, continue batendo na única pessoa que tem acesso à maior fortuna do país. – O sorriso irônico não abandonava seu rosto por um segundo sequer. Aquela sacada de Jungkook foi genial. Valia cada ponta de dor que sentira o dia inteiro.

— Pare com isso Ji Su, não vê que não vai dar em nada?! – O Sr. Kim passou a mão pelos cabelos em sinal de desespero. – O que fazemos então? – Foi interrompido de seu devaneio com Jihoon arrastando a cadeira de Jin até uma mesa próxima dali e desamarrando seu braço direito, estendeu seu braço até a mesa, posicionando sua mão na superfície de madeira.

— Vai ser muito simples, Jin. – O Kim mais novo olhou em seus olhos e por um milésimo de segundo compreendeu a loucura naquele olhar. – A Srta Choi vai trazer o seu celular e você vai fazer uma ligação para o advogado do seu marido. – Jin o encarava de maneira tão firme que o deixou confuso.

— Ou...? – As duas mulheres soltaram um arfar surpreso com a ousadia de Jin. — Quebre o que você quiser, Jihoon, o tempo de você me impor medo acabou, poupe nós dois dessa enrolação de uma vez, porque nem em cem vidas eu vou trair o Namjoon!

— Eu vou quebrar um por um dos seus dedos. Você tem dez. — Jin olhou no fundo de seus olhos e acreditou na ameaça. – E se não bastarem, eu os corto fora um por um também. Você vai baixar essa crista, nem que seja a última coisa que eu faça. – Por um átimo de segundo Jin tremeu com aquele presságio de violência, até vê-lo.

O sinal de que Jungkook falara.

— Bom, seria interessante de ver, eu tenho certeza, mas como eu poderia assinar alguma coisa sem meus dedos? – e num arroubo de fúria, Jihoon levantou um martelo que Jin sequer o havia visto pegar e fez menção se acertar a martelada, mas foi parado mais uma vez.

— Pare, Jihoon, você enlouqueceu? O plano era ameaçar, não torturar ele! – O Sr. Kim, como o grade covarde que era, suava em bicas, desfazendo o nó da gravata, em uma clara sensação de sufocamento.

— O senhor pode ter muito tempo a perder, Sr. Kim, mas seu filho botou um maníaco na minha cola, e no segundo que ele perceber que eu sumi e eu entrar no radar dele novamente, eu sou um homem morto. – Ele imediatamente se calou com a gargalhada divertida de Jin, o que chocou todo mundo ali.

— Meu querido, o que te faz pensar que por algum segundo você saiu do radar dele? – Jihoon olhou assustado para Jin, que apontava debochado para o peito do ex-agente. Com um medo que achara ser sobrenatural, Jihoon confirmou sua suspeita ao encontrar o ponto vermelho firmemente centralizado em seu peito. E no mais puro instinto, sacou a arma de sua cintura, correndo para trás de Jin, o prendendo com um mata leão e apontando com a pistola para sua cabeça.

— Seja você quem for, não se aproxime! Eu não tenho nada a perder, vou atirar a qualquer momento!