Real King
33 Capítulo 33
Você não tem nada a perder? É mesmo? – todos no recinto olharam assustados para o homem que surgia por trás da porta. – E quanto a sua vida? – O pai e a madrasta de Namjoon reconheceram espantados a silhueta de Jungkook aparecer. Logo atrás dele, um Namjoon furioso caminhava calmamente em sua direção. Jihoon se assustou com o rosto conhecido de seu antigo carrasco e apertou o cano da arma na têmpora de Jin.
— Não me provoque, seu maluco, ou eu estouro a cabeça dele! – Jungkook ergueu lentamente sua 9mm com silenciador e continuou se aproximando de Jihoon.
— Nós dois sabemos que você não vai atirar. – A cada palavra ele se aproximava um passo. – Um atirador de elite passou o dia com você sob mira, e uma autorização para abate caso você representasse algum risco ao seu refém. Mas veja, — Ele parou a poucos metros de um Jin mortalmente sério e um Jihoon trêmulo. – Você nem passou perto disso o dia todo. O que o faz pensar que vai fazer agora?
— Eu o tenho sob a mira do meu revólver, pare de graça, Jeon! – Jungkook analisava a cena friamente por trás das lentes dos seus óculos de grau, e soltou um risinho debochado.
— Eu sei disso, mas infelizmente pra você, eu estou próximo demais para acertar um tiro na sua cabeça rápido o suficiente para que não tenha o reflexo de apertar o gatilho. – Os olhos do ex-agente arregalam de terror e as mãos ficaram mais trêmulas. – Sugiro que se ainda quiser manter a cabeça sob o pescoço pare de tremer suas mãos. Mais uns milímetros do seu dedo perto do gatilho e vai ter uma .50 estourando seu pulso e uma bala atravessando seu lóbulo frontal antes de pensar em dizer a palavra “atiro” novamente. – Ao perceber que enfim afetara o homem, resolveu começar a negociar. – Solte o Jin, e nós vamos conversar sobre manter sua família em segurança.
— Eu quero passagem livre para fora da Coréia. – JK riu divertido.
— Seu passe livre para fora do país eu te dei há cinco anos atrás. Você voltou, e eu lembro perfeitamente do que eu te prometi caso o fizesse. – Ao vê-lo engolir em seco, resolveu dar o tiro de misericórdia. – No entanto, sua mulher e seus filhos ainda precisam de proteção. Eles são inocentes nessa história e é isso que eu garantirei se você soltar meu hyung agora mesmo; oferta única, Jihoon. – No instante seguinte, Jin sentiu o aperto em torno de seu pescoço afrouxar, e em um instinto de sobrevivência, correu em direção a Namjoon, que o recebeu com um abraço apertado.
Quando ninguém esperava, um som alto de tiro fora escutado.
— Ji Su! – A Sra Kim corre na direção da moça caída no chão, com o braço ensanguentado e uma arma caída próxima de si.
— Você faz força pra ser burra? Acabei de dizer que tenho um sniper de prontidão no telhado e você tenta atirar em alguém?! – Jungkook estava além de furioso. Ainda apontando a arma para Jihoon ele se aproximou das duas mulheres. – Você é tão desesperada que comete os erros mais grotescos possíveis.
— Ambulância, por favor. – Gemeu a loira, a voz rouca pela dor.
— Pra quê?! – O tom sombrio de Jungkook pegou a todos de surpresa. – Relaxe, você em breve não vai precisar disso. – Olhou novamente pra Jihoon e sacudiu a arma em sua direção. – Jogue a arma no chão e chute pra cá. – Ao ver o homem apavorado fazê-lo, juntou a arma que fora jogada para si e olhou para onde Ji Su estava – Agora a dela. – E quando o ex-agente estava se abaixando para pegar a arma, fez um movimento brusco com a mesma, e mais dois tiros foram disparados.
— PORRA! – Jihoon agora era uma poça de sangue jogada ao chão. Tinha um tiro na mão, que sangrava desesperadamente, e um na perna, o que o fez cair. Jeon se aproximou do homem machucado e catou a arma próxima a ele, depois deu um chute na perna atingida, ouvindo de resposta um grito alucinado.
— Eu avisei, seu imbecil. – Disse o mais novo cansado. Ele olhou o homem no chão e deu dois toques na orelha direita. – Ya, pirralho, deixe um pouco dele pra mim. – Virou de costas e saiu rumo aos amigos que estavam no canto do cômodo conversando baixinho. – Vocês estão bem? – Ao ver o rosto de Jin, fez uma careta. – Por que não deu o sinal de emergência quando começaram a te bater? – Jin deu de ombros, exausto.
— Eu queria que eles falassem mais, não podia terminar tudo cedo. – Ao sentir o marido apertar o abraço em torno de si, sorriu. – Relaxe, Kook, parece pior do que realmente está. – E Jungkook que entendia de hematomas como ninguém, apenas acenou com a cabeça. Ele deixou as duas armas dos sequestradores em cima da mesa em que o casal se encontrava e voltou para o quarteto desastre, dessa vez encarando Jeonghoon.
— Sr. Kim, queira fazer o favor de sentar-se. – Disse apontando com a arma para o lado da esposa.
— Jungkook, eu- Foi interrompido pela mão levantada de JK, sinalizando que não queria ouvir.
— Guarde seu coreano, o senhor vai precisar. Para o seu azar, não vou lidar diretamente com o senhor. – Disse apontando para a porta, de onde surgia Mark e seu sorriso debochado, marca registrada.
— Olá Sr. Kim, creio que temos assuntos pendentes, não temos? – Ao ver a cara de pavor nos olhos do sogro, Mark sorriu mais espontaneamente. – Eu ia relevar aquele tapa, sabe, mas ser jogado no rio Han em pleno inverno deixa qualquer um com mágoa no coração. – E antes que Jeonghoon abrisse a boca para se justificar, ele se adiantou. – Eu sei que foi o senhor o mandante do atentado; não contavam, no entanto, que meu carro fosse blindado ou que eu fosse um maluco armado até os dentes. – O sorriso macabro apareceu mais uma vez. – Jungkook ali também descobriu suas outras façanhas, que inclusive são bem ousadas para um homem tão covarde. – Os quatro encurralados ali viraram em direção ao Jeon, deparando com a imagem do jovem sem o terno, enrolando a camisa social até os cotovelos e calçando um par de luvas de couro.
— Eu passei esses meses no hospital investigando, sabe. – Tirou os óculos de grau e puxou os cabelos para trás. – O atentado ao Jackson, obra do Sr. Kim. – Disse apontando para o pai de Namjoon. – Atentado contra o Namjoon, foi sua obra também, porém com algum requinte a mais que até essa noite eu não sabia de onde vinha, mas acabei descobrindo. – Os quatro reagiram àquela declaração. – Mas sabe quem mais vai sofrer essa noite? – Ele endureceu o olhar e apontou para as duas mulheres. – Os mandates da invasão à casa de Jung Hoseok. – As duas mulheres começaram a chorar. – Vocês sabem o rapaz que os seus capangas espancaram? Meu namorado. O rosto daquele homem é uma obra de arte, e por causa da burrice de vocês e da covardia dos seus paus mandados aquele rosto está todo machucado. Eu falei que alguém ia pagar, e não vai sair barato.
— Você é um covarde, vai bater em duas mulheres indefesas? – Gritou a Sra Kim desesperada. Jungkook parou e fez uma careta de reflexão.
— A Sra. Tem razão, Sra Kim, essa não foi a educação que o seu enteado me deu. – Ele tocou novamente na orelha direita. – Mande CL entrar. – Ao ouvir aquele nome, o Sr. Kim estremeceu.
— Como você conhece CL? – Jungkook sorriu para ele e abriu a camisa, exibindo o peito tatuado. – Você é um filhote...?
— Mais do que um filhote, Jeonghoon, ele é o meu Beta. – Disse CL entrando acompanhada de Eunwoo, ambos segurando pastas nas mãos. Ela virou para Jin que estava sendo cuidado por um Namjoon meio desajeitado e sorriu. – Eunwoo, querido, por que não presta os primeiros socorros ao amigo do seu hyung? – O rapaz assentiu com a cabeça e foi em direção ao casal. – O que temos aqui, filho? – Perguntou a mulher parando ao lado de Jungkook.
— Taehyung? – A mulher acenou em concordância. – Foram as duas quem planejaram e contrataram os capangas.
— Aquele seu trabalho do outro dia? – O mais novo assentiu. – Entendo. – Ela suspirou pesado. – Qual seu pedido? – Jungkook puxou um papel dobrado do bolso da calça e entregou a ela, que abriu e leu. – Isso é um laudo médico, do Tae. – As duas mulheres a sua frente, chorando se calaram para prestar atenção.
— Exato, quero igual. – A loira mais velha abriu um sorriso animado e as duas mulheres abriram o choro mais uma vez.
— E se elas já estiverem sem um baço, o que eu faço?
— Seja criativa, mamãe, eu não me importo. – A mulher muito feliz se aproximou da mesa onde o casal Kim estava com Eunwoo e deixou sua pasta lá em cima, se preparando. Namjoon deixou o marido sendo atendido e se aproximou do amigo, olhando para os quatro sentados no chão.
— Eu espero que vocês tenham se divertido muito esse tempo todo, porque há mais de cinco anos venho sofrendo com esses atentados e não posso dizer que o fim deles vai deixar saudades. Essa é a última vez que eu os vejo, mas sei que vocês vão passar o resto das suas vidas pensando em mim. Por favor, vivam muito tempo, pro sofrimento de vocês ser longo e interminável, e que vocês tenham tempo de saber sobre a minha vida plena e feliz ao lado do homem que eu amo. – Ele olhou para a Choi segurando a mão ferida. – Ji Su, seu irmão mandou lembranças, disse que se um dia você conseguir escapar, o que eu duvido, para não o procurar senão ele mesmo vai tratar de te matar. Dito isto, espero que você sofra muito o resto da sua vida miserável. – Ele então olhou para o próprio pai. – Nunca senti a menor conexão com o senhor, nem quando a mamãe era viva, não vai me fazer a menor falta agora. Sua vida está nas mãos de Mark, eu e Jackson aceitaremos o que ele decidir. Quanto a senhora. – Disse encarando a mulher do pai. – Pelo único fato de ter dado à luz ao meu irmão, a única família de sangue que me restou, eu vou lhe dar a oportunidade de voltar à sua terra natal. Sozinha. – Disse antes dela abrir a boca. – Jungkook tem olhos e ouvidos na China, portanto sugiro que não tente nada. – Ele olhou para Jihoon que segurava a perna e o olhava sem forças. – Você é tão insignificante que não é digno de nota. – E virou-se de costas olhando para o amigo que sorria. – Vou tirar Seokjin daqui, nos vemos mais tarde no Yoongi. – O tatuado apenas acenou com a cabeça e voltou a encarar os quatro.
— Vamos começar? – Namjoon e Jin saíram daquele casebre ao som dos gritos apavorados e das risadas alucinadas de Mark.
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Yoongi abrira a porta e Jin fora imediatamente abraçado por Jimin; Tae olhava tudo preocupado da sua cadeira de rodas.
— Meu Deus, olhe pro seu rosto! – o Park imediatamente correu para a cozinha, enquanto Yoongi e Namjoon ajudavam Jin a sentar-se no sofá da sala.
— Foi tão grave assim? – Perguntou o Kim mais novo, que parou a frente do seu Hyung, e segurou a sua mão.
— Eles me acertaram mais no rosto, mas nada muito sério. O médico que me atendeu na clínica me disse que vou ficar alguns dias com o rosto inchado e os hematomas também vão tomar o seu tempo, mas vai passar. Não posso dizer o mesmo deles. – Jin deu um sorrisinho perverso, um pouco grogue dos remédios que tomara mais cedo. Jimin voltou da cozinha com uma bolsa de gelo nas mãos e entregou ao amigo.
— Preparei um dos quartos de hóspedes pra vocês. Para evitar repercussões, estamos sem empregados na casa por agora, mas o que vocês precisarem podem pedir. – Disse o loiro sentando ao lado de Jin e o ajudando a colocar a bolsa no rosto.
— Obrigado Jimin, vou deixa-lo com vocês e preparar um banho pra ele então. – disse Namjoon levantando e encarando o marido. – Eu já volto pra te buscar, ok?! – deu um selinho sutil nos lábios machucados e saiu com Yoongi para o corredor.
— Ya, Jimin naza, dezzzde quando você é anfitrião na casa do Yoongi? – Jin estava tropeçando nas palavras, e tinha um sorrisinho bêbado.
— Acho que você vai esquecer disso porque está muito chapado de remédios, hyung, mas a partir de hoje eu moro aqui. – Os dois Kims viraram rapidamente seus pescoços para o loiro claramente atentos. – Ele me chamou pra morar com ele e eu aceitei.
— Ji, isso é um passo muito grande... – disse Jin quase aéreo. – Mas quem sou eu pra falar, né?! Noivei e casei com um completo desconhecido em um intervalo de tempo de dois meses... vai fundo, Jimin, estou feliz por você. – Os dois mais novos riram do Jin ébrio e continuaram conversando amenidades até Namjoon retornar.
Entrando no quarto, Namjoon caminhou calado amparando o marido até a entrada do banheiro. O sentou na beira da banheira e começou a desabotoar sua camisa.
— Ya... Aqueles dois projetos de modelo tentaram me distrair com todos os assuntos que passavam pelas cabeças de vento deles... você quem pediu isso? – O Kim mais novo soltou uma risadinha e acenou confirmando. – Obrigado... uma hora eu vou querer falar disso, mas essa hora não é agora. – Suspirou enquanto delicadamente sua blusa era retirada. – Obrigado por ter ido atras de mim. – Namjoon sorriu de novo e o encarou.
— Já disse uma vez que faço qualquer coisa por você, Seokjin, falei a sério. – Ele deu um selinho nos lábios machucados de Jin, que fez uma careta de dor. – Desculpe, vamos tomar um banho e te pôr na cama, você precisa de descanso.
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Duas semanas se passaram e o Sr. Kim estava dando um jantar em sua mansão para seus amigos mais próximos, os Choi. Enquanto saboreavam a sobremesa Namjoon apareceu de surpresa na sala de jantar, ao lado de seu marido Jin.
— Namjoon, por que não me avisou que viria? – o casal recém chegado fez uma reverência para todos e permaneceu em pé olhando para o patriarca Kim.
— Quis fazer uma surpresa. – Todos notaram espantados o tom seco do neto. – Na verdade vovô, estamos apenas de passagem, viemos trazer uma coisa pro senhor e já estamos de saída. – O olhar curioso do avô divertiu Namjoon. Jin deu um passo a frente e estendeu um envelope branco para o senhor e voltou para o lado de Namjoon. Eles aguardaram o Sr. Kim abrir o envelope e verem sua reação.
— Mas que porcaria...?
— Não, vovô, isso se chama convite de casamento. Com a aprovação da Lei Kim anteontem, nós e o governo achamos simbólico que o primeiro casal a se casar na Coréia fosse o casal que inspirou o projeto de lei em primeiro lugar. – Ao ver o avô cada vez mais vermelho Namjoon resolveu que era hora de se retirar. – Nós já vamos então, posso contar com o senhor na cerimônia?
— Jamais me prestarei a esse papel! – O Sr. Kim respirava pesado, tentando se acalmar. – Como você ousa me envergonhar na frente dos meus amigos? – o casal Choi olhava os Kim de cima a baixo, na sua presunção de sempre, e aquilo divertiu os dois.
— Bom, já que estamos todos reunidos, que tal uma grande e derradeira reunião entre as duas famílias pra botar os pingos nos “is”? Seokjin, — Ele esse virou para o marido e com um gesto de mão ofereceu o assento ao lado deles. Jin sentou-se com um sorriso presunçoso e encarou Min Ho e seus pais. Namjoon sentou ao seu lado e segurou em sua mão. – Vamos começar?
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