Real King
22 Capítulo 22
Uma semana se passou e não haviam notícias de Namjoon. Jin já estava entrando em desespero de talvez o marido não acordar. Os sete dias que eram a exigência mínima para ele reaver seu cargo de presidente da empresa já havia terminado, por isso Hoseok entregara-lhe o memorando que recebeu avisando da reunião do conselho para a eleição de um presidente interino.
Ele suspirou devolvendo o documento ao amigo e pegando o celular. O avô do marido não passara uma vez sequer para vê-lo e isso deixava um amargo na boca dele; o pai, a madrasta e Ji Su iam quase todo dia, e quase todo dia eram ameaçados saírem à base da força. Estava ficando exausto. Há uma semana não parava de receber ameaças de morte seja por mensagens, e-mails ou cartas; não dormia mais sozinho, e cada dia ficava hospedado em um lugar diferente. Era exaustivo, mas eram as condições de Kai e Hoseok para não o despachar para fora do país.
Jin estava no quarto de Jungkook, estranhamente o lugar mais seguro de Seul. O amigo estava sendo pavoneado pelo namorado na cama, os movimentos de seus braços voltaram, e a fisioterapia estava dando conta da sua coordenação motora fina. Se ele tinha paciência com isso? Nenhuma, mas não é como se pudesse sair andando de lá.
O Kim mais velho estava em um cantinho do quarto, com seu notebook, sua constante companhia na última semana, enquanto o casal conversava baixinho. Suas demandas legais estavam quase todas terminadas, ele sentia que a qualquer momento Hoseok e Kai o mandariam para o aeroporto, e nesse devaneio ouviu seu celular tocar. O timing era perfeito, levantou-se e se despediu dos amigos atendendo o aparelho já no corredor.
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Na manhã seguinte, a maioria dos acionistas do grupo Bangtan estavam reunidos na sala de conferência, aguardando dar a hora marcada para começar a reunião. O pai e a madrasta de Namjoon não conseguiam disfarçar suas feições satisfeitas, e o sogro do Sr. Kim estava muito satisfeito com o rumo que as coisas estavam tomando. Há poucos minutos de tudo começar, entram dois rapazes de preto na sala, e se encostam logo atrás da família Kim/Wang, trazendo surpresa aos olhos do casal e fazendo o velho Wang sorrir de orelha a orelha.
— Jackson, querido! Não nos contou que viria! – Sua mãe levantou-se da cadeira para lhe dar um abraço, que o moreno retribuiu de bom grado.
— Quis fazer uma surpresa, mama. – disse carinhosamente. A mulher sorriu satisfeita, mas levemente desconfiada. Seu pai ainda sentado encarou o filho caçula, com uma pulga atrás da orelha. – Appa. – disse cumprimentando. – O avô levantou-se da cadeira e deu um abraço de urso no neto.
— Só assim para você vir me ver, seu ingrato! – a voz de trovão ressoou por toda a sala.
— O senhor me obrigou a vir, lembra? – disse o mais novo sem graça. O Kim relaxou com aquela declaração, era a cara do sogro mandar e desmandar no neto, e o velho era a única pessoa que ele obedecia. Tanto melhor para eles, era uma garantia a mais ter o herdeiro do conglomerado ao seu lado quando o avô do seu outro filho o nomeasse presidente interino. Colocou o garoto nos melhores colégios, fez ele frequentar a universidade mais prestigiada do mundo para usá-lo quando necessário, e existia momento mais necessário que esse?
Sorriu para o atual sogro e fez uma reverencia respeitosa, o homem estava muito a sua frente na estratégia.
A confraternização findou quando o presidente executivo Kim entrou na sala. Seu secretário, sempre discreto, posicionado atrás de si. Ele sentou na mesa do presidente da sessão e aguardou seu secretário ligar o microfone para anunciar o inicio da reunião.
Todos os que estavam em pé sentaram-se, Jackson e o rapaz de feição simpática ao seu lado sentaram-se em cadeiras próximas à parede; lugar de secretários e assessores. Quando a sala já estava em silêncio total, deu-se inicio à reunião. O Sr. Kim ligou seu microfone e começou a discursar.
— Todos aqui sabem a gravidade da situação. Estamos há sete dias sem presidente na administração do grupo e precisamos eleger um presidente interino imediatamente. – Todos concordaram com um aceno de cabeça. – Segundo o estatuto interno do grupo Bangtan, o presidente interino eleito com maioria dos votos proporcionais às suas ações deve presidir o grupo até a retomada do presidente ou em casos especiais, de acordo com a decisão do mesmo, até uma nova votação. – Ele olhou todos aqueles rostos apreensivos e suspirou. Encarou o ex genro e não ficou nada feliz com a cara satisfeita dele. Mas ia ser o jeito, teria que indica-lo, não tinha mais ninguém próximo a si. – Como sou o maior acionista devido ao fato de ter posse temporariamente das ações de Namjoon, vou presidir essa votação. – Todos cochichara entre si e concordaram. – Alguém tem alguma indicação para o cargo? – Esperou alguns segundos em silêncio e suspirou mais uma vez. – Minha indicação para presidente interino do grupo vai para meu ex genro, o Sr. Kim Jeonghoon. – Alguns olhares espantados, outros nem tanto. O Kim indicado levantou-se e fez uma mesura.
— Espero poder honrar a confiança que depositou em mim, sogro. – E assustou-se quando a grande porta da sala se abriu com três homens entrando por ela.
Um arrepio de indignação correu a espinha do Kim mais velho quando viu o modelo entrar seguido do secretário do neto e do advogado que sempre acompanhava Namjoon.
— Bom dia a todos, peço perdão pela demora, mas Hoseok tinha uma consulta no hospital. – disse Jin entrado como se tudo naquela sala lhe pertencesse; ele não toleraria aquilo, Namjoon sempre fez o que queria da vida, mas aquele homem não ia fazer escândalos na sua empresa.
— Ponha-se daqui para fora antes que eu chame a segurança! – gritou o velho, seu rosto vermelho de raiva. Jin o encarou impressionado com o grito.
— Nossa senhor Kim, que saúde hein?! – riu debochado e encarou Hoseok. – Bem que você disse que ele era duro na queda. – Vendo que o mais velho ia gritar novamente ele o interrompeu. – Pare com essa cena desnecessária, senhor, vim como acionista do grupo, tenho todo o direito de estar aqui. – Ao ver a testa enrugada do senhor, ele deu um sorriso condescendente. – Veja, Namjoon comanda tudo por aqui porque tem 51% das ações sob o seu comando. Ele tem 15% que herdou da mãe, mais os 20% que o senhor deu a ele quando voltou à Coreia. Nunca se perguntou de onde vinham os outros 16%? – ele fez um sinal com a cabeça para Felix Assumir.
— Me chamo Lee Felix, sou o advogado do Sr. Kim Namjoon. Estou aqui nesta reunião para garantir a vontade dele. – O loiro olhou discretamente para o Kim mais velho e fez uma mesura educada. – Sr. Kim, o senhor não tem poder de presidir essa mesa e essa votação, uma vez que suas ações não são a maioria neste conselho de emergência. – O velho o olhou sem acreditar.
— Você está maluco? Eu tenho 20% das ações dessa companhia e estou em poder dos 35% que pertencem ao meu neto. – disse arrogante. – Não só tenho poder de presidir essa votação como sozinho posso decidir quem será o próximo presidente do grupo, e será Jeonghoon! – gritou exaltado, batendo na mesa. Felix arqueou as duas sobrancelhas impressionado, e abriu a sua pasta. Caminhou calmamente até a mesa do mais velho e lhe entregou os papéis que retirou.
— O Presidente Kim fez uma procuração há cinco anos atrás nomeando seu marido, o Sr. Kim Seokjin como seu procurador em caso de ausência, desaparecimento, incapacidade física ou inconsciência. – O patriarca Kim folheou os papeis desesperado, sem acreditar naquilo. – Os 35% das ações que pertencem ao Sr. Kim Namjoon estão em poder do Sr. Kim Seokjin, até o mesmo recobrar a consciência. – E antes mesmo de alguém tentar contestar, ele acrescentou. – Este documento é válido, autêntico e é renovado todo ano frente à uma junta de advogados coreanos e britânicos, assim como autenticados por um magistrado daqui de Seul e um de Londres. – Vendo que tinham entendido que não tinha escapatória, Felix se virou para os demais conselheiros. – Por regras do estatuto interno desta empresa, o presidente executivo Kim não pode exercer o poder de presidir essa votação nem de eleger sozinho seu candidato, o Sr. Kim. Jeonghoon. O Sr. Kim Seokjin, por outro lado, possui os 35% que pertencem ao marido, mais seus 4% que ele adquiriu ao longo dos anos e o marido administrava, além de uma procuração em nome de Jeon Jungkook e Min Yoongi, também acionistas, com 5% cada um, transferindo temporariamente seu poder de gerir as ações ao senhor Seokjin, totalizando 49%. Não é o suficiente para eleger diretamente um presidente, mas é o suficiente para ocupar esta cadeira, Sr. Kim. – disse o advogado se referindo à cadeira que o presidente executivo sentava.
A muito contragosto e visto que nada podia fazer, o velho levantou-se e sentou em uma das cadeiras vazias nas primeiras fileiras. Jin sentou-se no seu lugar e ligou o microfone.
— Bom, eu não vou enrolar, já fui apresentado a todos vocês. Só queria esclarecer que estou aqui em nome do meu marido, Kim Namjoon e todas as minhas ações hoje são apenas o cumprimento de diretrizes deixadas por ele previamente. – Alguns burburinhos começaram e a família Kim se mexeu desconfortável em suas cadeiras. – O presidente executivo Kim nomeou o seu genro Kim Jeonghoon como candidato à presidência interina. Com todo respeito, essa passa longe da vontade de Namjoon. – Seu sogro levantou-se com o rosto lívido e Jin pressentiu o escândalo.
— Seu insolente! Como você ousa supor o que é a vontade ou não de Namjoon? Você não é nada dele! O único herdeiro do meu filho é o seu irmão mais novo, Kim Jia-Er! – disse apontando para o filho caçula atrás de si. O rapaz ao lado dele deu um sorriso divertido ao ouvir aquele nome. – Você deveria se colocar no seu lugar! – ele pegou um monte de papéis e jogou na direção de Jin. – O testamento do meu filho diz que tudo o que é dele vai para o irmão, você não tem direito algum a isso! – Jin respirou fundo, cansado, e encarou o sogro.
— Sr. Kim, é meio cansativo corrigi-lo sempre que o senhor are a boca, então porque não nos poupa o esforço e permanece calado? – O mais velho ficou sem palavras com a ousadia de Jin. – Devo lembra-lo de que seu filho ainda está vivo? – Algumas pessoas ficaram desconfortáveis com o que aquela frase insinuou.
— Está? Como podemos ter certeza? – alfinetou o avô de Namjoon.
— O senhor saberia se fosse visita-lo. – respondeu Seokjin ácido.
— Me contaram que você restringiu todas as visitas. – Levantou-se o patriarca, petulante.
— Não, Sr. Kim, restringi apenas a entrada de estranhos. Amigos e família estão autorizados. – E então o pandemônio começou. O pai e a madrasta de Namjoon gritavam indignados com o modelo e o velho Kim apenas o encarava, estarrecido.
— Por favor senhores, isso aqui é uma reunião de conselho, não um drama pastelão. Deixemos os assuntos pessoais para depois. – falou Jin mais alto ao microfone. – Sr. Kim, eu sei perfeitamente o que se passa com os assuntos de meu marido, e é por isso mesmo que vou fazer a indicação de alguém a pedido do próprio Namjoon. – As pessoas fizeram um silêncio atento. – Eu nomeio o Sr. Jackson Wang pra a presidência interina do grupo Bangtan. – Todas as cabeças viraram para a parede onde os dois jovens de ternos escuros se encontravam. O desconhecido estava com seu sorrisinho cínico estampado e o outro suspirou e levantou-se, encarado Jin e fazendo uma mesura respeitosa.
— Eu agradeço a indicação e a confiança, Sr. Kim. – Os pais de Jackson o encaravam e ele apenas os ignorou.
A votação começou, e Hoseok conduzia a contagem com todo o cuidado. Ao final, o painel com a votação acendeu e todos puderam ver a esmagadora vitória do candidato de Jin.
— Bom, foram 73%. Como recém eleito presidente interino convoco o Sr. Wang a vir aqui e encerrar essa reunião. – Jin levantou-se para que o cunhado sentasse em seu lugar, e olhando para todos os que o encaravam, começou:
— A minha vida inteira vivi sob o exemplo de um homem, que não tinha idade para me criar nem cuidar de mim, mas o fez mesmo assim. Sei de minhas origens e de onde eu vim, e não tenho vergonha disso; sou apenas uma vítima das circunstâncias, e meu irmão me ensinou isso. Éramos duas crianças inocentes sofrendo por parentes relapsos que só nos viam como um objetivo para alcançar poder. Namjoon Hyung me ensinou como lidar com o poder eu mesmo para assim como ele, não ser manipulado por quem me gerou. Fui orientado, apadrinhado pelos melhores do ocidente, me tornei um advogado de sucesso e um administrador melhor ainda, e em respeito ao trabalho que meu hyung tem feito eu prometo a todos vocês que vou cuidar desta empresa como ele cuidou de mim: com carinho e diligência, e deixarei tudo em ordem para quando ele voltar. – Levantou-se e fez uma mesura. – Como a posse é de efeito imediato, minha primeira ação como presidente interino é nomear Jung Hoseok como CEO do grupo, para trabalhar ao meu lado; creio que vocês todos fiquem mais tranquilos com um rosto conhecido junto a mim. – Alguns riram e outros aplaudiram. – Formalmente e respeitosamente encerro essa reunião. – disse com mais uma mesura.
O clima naquela sala não era dos melhores. Apenas a família Kim/Wang, Hoseok e o rapaz sorridente que estava novamente ao lado de Jackson permaneceram. Jin levou um abatido Sr. Kim para o seu carro e rispidamente se despediu dele, dizendo que a sua entrada no quarto do neto estaria sempre liberada.
Jackson estava assinando alguns termos de posse e outras burocracias junto a Hoseok, quando seus pais se aproximam de si.
— Como você teve a coragem? – A voz do pai estava controlada, porém ele a percebia trêmula, sinal de que tentava controlar sua ira.
— Tecnicamente eu não fiz nada, Namjoon Hyung fez. – disse Jackson, mas foi calado por um tapa que ressoou alto naquela sala quase vazia. Hoseok parou de assinar no documento de sua posse para ver o rosto do Wang mais novo vermelho com a marca da mão do pai. Jackson respirou fundo, ajeitou sua postura e olhou para o rapaz que o acompanhava. – Você tinha razão, Mark. – O rapaz sempre sorridente deu de ombros com uma feição triste, prestando atenção em Jackson. – Faça como quiser. – E saiu da sala depois de cumprimentar Hoseok, que ficou organizando os documentos depois do choque inicial.
Assim que Jackson saiu, o rapaz chamado Mark virou de frente para os três familiares do chefe e fez uma mesura polida para eles.
— Muito prazer conhece-los, me chamo Mark Tuan, sou o secretário e segurança particular do senhor Wang. – O sorriso sempre simpático sumiu assim que levantou a cabeça. – Não me importa se são parentes do meu chefe, a próxima vez que encostar a mão para bater no Sr. Wang, eu corto a sua mão fora, Sr. Kim. – Fez novamente uma mesura e saiu da sala.
Hoseok quase riu daquela cena, até se lembrar de uma frase que Namjoon lhe contou sobre o segurança do irmão, que assustava o Jung por sempre estar com um sorriso no rosto:
“Não deve ter medo dele sorrindo, deve ter medo quando o sorriso dele sumir.”
É, agora ele entendia.
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