Real King
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Seokijn sentia-se miserável.
Do que adiantava batalhar tanto, ter aguentado cada abuso daquela empresa maldita dele se no final sua carreira ia acabar assim?!
Sentado no sofá do seu simples, mas aconchegante apartamento, ele contemplava a vista do Rio Han e achava que estava destinado a ter vida medíocre que o crápula do seu pai disse que ele teria quando saiu de casa aos 14 para buscar seu sonho. "Você é uma aberração da natureza! Deus nunca vai te dar a glória, porque ele pune os pecadores!" será que aquele pedaço religioso de merda estava certo, afinal? Ser quem era ia acabar com a sua carreira?
O telefone tocando interrompeu seu momento de autopiedade. Ele olhou no visor que tinha uma mensagem.
~NUMERO DESCONHECIDO
Boa noite SR Kim, me chamo Jung Hoseok e sou amigo e colega de apartamento do Taehyung.
Ele me contou o que houve com você e acho que posso ter uma solução para o seu problema.
Gostaria de discutir comigo a respeito?
Jin apenas suspirou, era só o que lhe faltava.
~JIN
Com todo o respeito senhor Jung, mas aprendi a minha lição.
Não tenho interesse em absolutamente nada que um homem queira me oferecer.
Aparentemente o Sr Jung era um homem determinado, porque ele continuou.
~NUMERO DESCONHECIDO
O Sr me entendeu errado, Sr Kim, e como prova das minhas intenções,
eu me ofereço pra encontra-lo na sua casa, com o Taehyung de companhia.
Jin confiava em Tae, ele e Jimim era os únicos modelos masculinos que não eram hostis consigo, e formavam uma espécie de aliança, pois o Kim mais velho protegia os dois mais novos dos truques e maldades daquele mundo da moda com sua experiência e os meninos lhe faziam companhia e eram sua única fonte de calor humano naquela indústria.
Não tinha muito no que pensar, se Taehyung confiava naquele homem a ponto de contar sobre seu problema, é porque o tal Hoseok era alguém de confiança, ele tinha que pelo menos escutar o que o homem tinha a dizer; estava desesperado demais para dispensar uma ideia.
~JIN
Ok, se o Tae vier, eu concordo em ouvi-lo.
Ele sabe o meu endereço.
E foi assim que, quarenta minutos depois, já muito tarde para qualquer visita, Jin abre a porta para um Taehyung todo agasalhado e de nariz vermelho (lembrara vagamente de Jimim ter dito que o imbecil do namorado tinha terminado com ele), e um homem moreno de feições sérias e um terno tão caro quanto os que ele usava nas passarelas.
— Boa noite Jin hyung – disse Tae baixinho o abraçando. – Esse aqui é meu amigo Hoseok, que falou com você pelo telefone. – Jin fez uma mesura e ficou impressionado com os gestos precisos e comedidos do Jung.
— Senhor Kim, é um prazer conhece-lo, uma pena que seja em uma situação tão delicada. – Sua voz era agradável, daquelas que reconforta e acolhe. Jin não era um juiz de caráter tão bom assim, mas tinha gostado de Hoseok. – Meu assunto é urgente, senão teria esperado até amanhã para contatá-lo. – o mais velho acenou com a cabeça e fez um gesto para os dois sentarem-se no sofá.
— Minha situação não pode esperar muito, Sr Jung. – Hope deu um sorriso solidário e se acomodou no móvel o lado de Taehyung.
— Antes de começarmos, quero lhe dizer que estou aqui em nome do meu chefe, e só posso dizer mais a partir do momento em que assinarem isto aqui. – Ele tirou dois documentos idênticos de uma pasta e entregou a cada um dos modelos. – É um contrato de confidencialidade padrão, meu chefe é uma pessoa muito discreta e muito poderosa, não pode se dar ao luxo de ter assuntos privados sendo comentados, espero que entendam. – E ao ver Taehyung assinar na mesma hora, Jin resolveu não questionar. Leu, viu que era realmente só um contrato de confidencialidade padrão e achou que não faria por mal assinar, afinal, precisava dar essa prova de confiança ao Jung. — O senhor deve confiar muito em Taehyung pra assinar isso sem me fazer nenhuma pergunta. – Jin deu de ombros e se encostou na poltrona confortavelmente, cruzando as pernas.
— Tae é meu irmãozinho, confio minha vida a ele. E também não é como se eu tivesse muito a perder... – disse dando de ombros.
J-Hope estava impressionado. O homem a sua frente exalava elegância, e não fazia o menor esforço pra isso. Seu jeito blasé e desinteressado combinava muito com o estilo de vida do chefe, se tudo desse certo eles se tornariam uma dupla e tanto.
— Certo, como estamos juridicamente resguardados, eu não tenho porque não ser franco com vocês. Eu trabalho para a família Kim. E meu chefe se encontra em uma situação um tanto quanto delicada com sua família. – Jin franziu as sobrancelhas e perguntou:
— Família Kim dos cosméticos Kim? – os caras eram podres de ricos, mas já tinham modelos fixos para suas campanhas, por que precisariam de Jin?
— Não, família Kim do conglomerado Bangtan. – Os dois Kim's presentes arregalaram os olhos. – Trabalho pra o herdeiro deles, Namjoon. – Tae acenou em concordância, lembrando que Hobi lhe dissera uma vez que eram amigos de infância. – Quando minha família faliu, eu estava na faculdade e o avô de Namjoon bancou a minha educação com a condição de que eu seria seu secretário quando ele retornasse da Europa. – Jin viu que ali estava um homem inabalavelmente fiel. E também entendia todo o refinamento que exalava. – Ele chegou hoje a tarde em Seul, mas o avô não quer facilitar sua vida. – Hope deu uma pausa pra respirar e pensar em como abordar o assunto. – Eu recebi Namjoon com uma lista de pretendentes para encontros às cegas e isso revoltou meu chefe até a alma. – Tae soltou uma risada imaginado aquilo. Só conseguia pensar nessas coisas acontecendo em dramas que Jimim gostava de assistir.
— Mas não é comum? Eles arrumam casamentos vantajosos para seus herdeiros e assim terem controle sobre outras empresas? – Hoseok concordou com a cabeça e se ajeitou melhor no sofá.
— Seria, se fosse outra pessoa e outro conglomerado. Bangtan não precisa controlar nenhuma empresa. Eles já são líderes dos mercados que participam e nem precisam da ajuda do governo pra assegurar contratos. São livres e isso deixa algumas pessoas desconfortáveis. Seu avô o quer casado porque é o único neto que possui e precisa que a família continue. Mas ele acha que Namjoon não quer o mesmo.
— Como assim?
— Namjoon é gay, Sr Kim, se tornou um escravo das vontades da família com a condição que respeitassem a sua sexualidade, mas seu avô precisa que ele gere um herdeiro. Namjoon claramente sabe que terá que resolver isso mais cedo ou mais tarde, mas recusa-se a se casar com alguma mulher. – Jin tem que dar o braço a torcer, o homem é corajoso.
— Agora eu entendi. Seu chefe quer deixar claro que o avô não tem poder sobre ele. – Hope acenou positivamente. – Mas onde eu entro nessa história?
— Namjoon precisa afirmar sua posição. Ele precisa de um homem para casar-se. – Ao ver os olhos arregalados em choque do Kim mais velho, resolveu dar o tiro de misericórdia. – Ele precisa de alguém cuja imagem seja tão forte e imponente quanto a dele, e esteja à altura de ser o genro da família Kim. – Já vendo o modelo negando com a cabeça, teve que apelar. – E o senhor precisa da proteção que só uma família de grande prestígio poderia lhe dar. – Ao ver Jin fechar a boca e o encarar sério, viu ali sua oportunidade. – Pense bem, Sr Kim, quem seria o tolo em atacar o conglomerado Bangtan? Namjoon faria seu ex sumir como em um passe de mágica, e o senhor nunca mais precisaria se preocupar com este tipo de insegurança.
— Um casamento Gay na Coréia, Hoseok? Está falando sério?! – Taehyung, que até então estava calado, resolveu se manifestar. – Isso seria o fim de ambos, ninguém contrataria mais o Jin hyung e seu chefe perderia contratos atrás de contratos. – Hoseok concordou com o raciocínio do amigo, e segurou em sua mão, o confortando.
— Bangtan não é qualquer conglomerado, Tae, e Kim Namjoon não é qualquer homem. Ninguém simplesmente "cancela" a família Kim, não importa o quão conservador seja esse país. O dinheiro e a influência sempre falam mais alto. E o Nam teve parte de sua educação na Europa, as pessoas colocam isso como um atenuante em sua forma "diferente" de se comportar. – Seokjin teve que dar o devido crédito ao raciocínio. Quando começou a modelar, seu antigo agente lhe deu algumas regras "pétreas" da indústria, e uma delas era nunca, em momento algum, mexer com a família Kim e seu grupo. Nunca tinha entendido, mas quanto mais velho na indústria, mais percebia o quanto aquele conselho não era vago.
— Eu entendo isso Sr Jung, mas não é arriscado demais? – Hoseok o encarou tão diretamente, que se ele fosse qualquer outra pessoa, teria corado.
— Com todo o respeito, Sr Kim, sua carreira está a ponto de acabar de qualquer forma. Não prefere que seja por uma boa causa?
— Boa causa?
— Pense no avanço que será para os direitos pró LGBTQIA+ tendo um casal formado pelo homem mais poderoso do país com a figura pública mais querida. – Taehyung se impressionou com o quão longe aquele assunto foi. – Ele não me falou nada, mas sei que Namjoon só faz questão de passar por isso por causa de seus melhores amigos. Ele tem amigos muito queridos que também são da comunidade, mas não têm a influência sobre sua família e sobre a sociedade pra saírem do armário. Ele quer mostrar pros amigos que Seul é um lugar seguro pra eles. E bom, se não for, ele vai torna-lo. – concluiu o Jung com um sorriso singelo no rosto. Não estava sendo leviano, acreditava mesmo naquilo que dizia, mas jamais ouviria isso da boca de Namjoon.
— Esse seu argumento foi de matar, Jung, mas não vou negar... foi quase irrecusável. Você pode me dar um tempo pra pensar a respeito? – Hoseok levantou-se em um pulo e fez uma reverência.
— Tome o tempo que precisar, Sr Kim, tem meu número. – Jin levantou-se e o cumprimentou também. – Vai ficar, Tae? – o Kim caçula acenou que sim e então ele se encaminhou sozinho para a porta. – Não fique tão assustado, Sr Kim, o Sr será protegido pela família e pelo grupo, não temos intenção nenhuma de jogá-lo na fogueira.
— Eu sei, só preciso de tempo pra perder o medo. Você entende, não é?! – Hoseok sorriu simpático para o modelo.
— Não posso dizer que sim, porque minha sexualidade não é um tabu na Coréia, mas meus melhores amigos são gays, então acho que posso dizer que sou sensível ao tema. – Jin sorriu simpático e abriu a porta.
— Então conto com a sua sensibilidade no futuro, Sr Jung.
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— Está atrasado, Hobi. – J-hope revirou os olhos, de saco cheio. Odiava a pontualidade britânica de Namjoon, mas fazia parte do trabalho.
— Me desculpe se depois das suas mensagens consegui agendar cinco apartamentos para você visitar, consolei um coração partido e fui visitar seu futuro marido antes de poder dormir. – Namjoon virou o rosto pro amigo tão rápido que seu pescoço estalou.
— Como assim meu futuro marido? – Hoseok abriu a porta do carro que chegou e esperou o chefe entrar.
— Aqui não RM, espere um pouco.
Depois de alguns minutos no já caótico trânsito de Seul, Namjoon encarava sério o secretário.
— Casamento ou casa? Qual quer discutir primeiro? — Disse Hoseok mexendo no seu inseparável tablet sem olhar para o amigo.
— Casamento. Ainda não checamos o escritório pra falar a respeito de um assunto tão delicado nele. – Hoseok assentiu e continuou mexendo no aparelho. – Quem é?
J-Hope virou a tela do tablet e Namjoon deu de cara com o modelo mais badalado do país.
— Kim Seokjin. 25 anos, modelo e ator, e a celeridade mais influente da Coréia. – O Kim fechou os olhos, aborrecido.
— Não tem outra opção? – Hoseok o encarou intrigado.
— Tem algo contra o Sr Kim?
— Ele é bonito demais, Hobi. – E o amigo não teve como não gargalhar.
— Desde quando isso é uma desvantagem?
— Ninguém vai creditar que esse homem é gay. Além do mais, como você conseguiu um nome como o dele? Achei que ele tivesse dinheiro o suficiente para não se prestar a esse tipo de papel. – Hope sorriu das conclusões erradas do amigo.
— Primeiro: Kim Seokjin é 100% gay. – Riu mais ainda das sobrancelhas levantadas do chefe ante sua declaração. – Segundo: ele não precisa de dinheiro, precisa de influência. – E vendo o olhar intrigado do outro, resolveu resumir a situação. – Ele está sendo chantageado por um ex que era agente dele e que quer expô-lo em um site de escândalos em troca de grande parte de seus bens. Mas nós sabemos que isso nunca vai parar, até que alguém o pare. – Aí o Kim entendeu por que seria tão fácil fazer o modelo aceitar a sua ideia.
— Você foi bem perspicaz quanto ao alvo. – Hobi sorriu e continuou digitando algumas coisas no tablet.
— Você me paga muito bem por isso. – Os dois riram cúmplices e se encararam.
— Acha que ele vai topar?
— Ele já topou, só está se convencendo disso. – Namjoon concordou com um aceno e olhou o trânsito pela janela, um pouco mais calmo. – Mas você vai precisar fazer a sua parte. – O Kim o olhou novamente e entendeu o que ele quis dizer. Puxou o celular do bolso e abriu um contato da sua agenda. Hoseok ouviu os toques da chamada, até que foi atendida.
— Joonie Hyung?! Nem acredito que você me ligou! — Hope teve que rir daquela euforia infantil que sempre podia encontrar no tom de voz de Jungkook.
— Hey Kookie, como você está?!
— Estou bem Hyung, ainda um pouco chateado com o seu secretário, mas entendo o porquê de ele ter roubado o Kai de nós. – O secretario riu silenciosamente do tom reclamão. – Mas eu sei que não me ligou porque estava com saudades de mim, me diga, do que precisa?
— Conhece o Kim Seokjin?
— O modelo? Claro que sim, o segundo homem mais bonito da Coréia! – Namjoon franziu o cenho e riu divertido.
— Não seria o primeiro? Ou vai me dizer agora que resolveu se banhar de amor próprio e dizer que é você? – ele ouviu a risadinha fofa do amigo no outro lado da linha e esperou.
— Jamais ousaria, hyung, mas o homem mais bonito da Coréia se chama Kim Taehyung. – Hoseok engasgou com o comentário, o que divertiu Namjoon ainda mais.
— Entendi, ele é a sua nova paixão platônica.
— Qual é Joonie hyung, um cara pode pelo menos sonhar! Mas o que tem o Seokjin? – Namjoon resolveu ignorar as brincadeiras e partir direto ao ponto.
— Preciso de um dossiê completo sobre o agente dele. Quando eu digo completo Kook, é completo. – Ouviu o suspiro do mais novo através do fone.
— Isso vai ser complicado. Pelo menos uma semana de investigação, estamos com o contingente reduzido aqui na empresa. — O grupo Jeon era a maior empresa de segurança da Ásia. Alguns diziam que eles se envolviam até com a máfia, mas nunca ninguém teve coragem de saber a verdade. – O que vai me dar em troca? – O Kim sabia que um Jungkook bem estimulado valia por dez.
— Te apresento Taehyung pessoalmente. – Ao ouvir o ofego do amigo, sabia que tinha acertado na mosca.
— Hyung? – perguntou o Dongsaeng incerto.
— Hoseok o conhece, eles são amigos. E aí, aceita?
— Vai ter seu dossiê em sua mesa às seis. – E desligou o telefone. O Jung tinha esquecido o quanto o amigo era bom em negociar, ele sabia o que as pessoas queriam, e sabia quais botões apertar.
— Tem que agendar um encontro com seu amigo agora, Hobi.
— Você pelo menos sabe se o Tae vai aceitar? – vendo o mais novo dar de ombros sabia que ele tinha pensado em todas as possibilidades.
— Dois coelhos, uma cajadada. Diga pro seu amigo que isso vai ajudar Seokjin, ele vai fazer na hora. E outra: não quer que Taehyung conheça um bom homem, pra variar? – Hoseok tinha até esquecido que comentou a respeito do dedo podre do Kim mais novo.
— Ok, então vamos conseguir resolver tudo hoje.
— Sim, estaremos prontos quando Seokjin nos der uma resposta.
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